7 de fevereiro de 2008

06/05/05

Esta semana a maternidade estava vazia.

Nenhuma mulher no TP e meia dúzia de pós parto, todas enroladinhas em seus cobertores e tirando uma soneca (está fazendo frio aqui!) Ainda insisti em ajudar em alguma tarefa administrativa, mas devido ao baixo movimento, nem isso tinha pra fazer. Fiquei lá por quase 1 hora e acabei vindo embora pra casa.

13/04/05

Nem tudo são flores...

Mas mesmo quando aparenta ser ruim pra mim, é parte do aprendizado.
A maternidade estava com lotação mínina e apenas uma mulher na sala de TP.

E. estava lá desde às 9h e aparentava muito desconforto. Deitada de barriga pra cima, a testa franzida e suando muito. Conversei um pouco com ela e de cara, não consegui nada. Ela mal me respondia. Aos poucos, ela mudou de posição e aceitou a idéia de tomar banho. Falei pra ela não se preocupar e ficar debaixo da água o tempo que quisesse.
Ela saiu renovada e ficou quase 2 horas andando comigo pelos corredores. Mas no que voltamos para o quarto, o médico quis tocar e ao saber que estava nos mesmos 6cm, ela ficou bastante irritada e eu não consegui mais ter acesso à ela. Foi como se ela dissesse: não sou capaz e suas dicas não valem de nada.
Mesmo assim, eu fiquei por ali, trazendo água, segurando a mão dela, conversando entre as contrações.
Às 21h chegou outra mulher no quarto, que não estava sentindo nada, mas foi internada por que os médicos tinham dúvida sobre a DUM e DPP dela.
Acabou que eu fiquei lá, conversando com duas mulheres que não estavam a fim de me ouvir muito.
Isso me desanimou um pouco e eu acabei saindo de lá, fui ver as meninas dos outros quartos.
E depois fui embora. E me senti um pouco mal por isso....

06/04/05

Noite sem lua.

Hoje reinou a calmaria!
D. estava sozinha no TP, bastante amuada, logo se abriu comigo e desabafou. Internada desde ás 9 da manhã, o trabalho de parto dela parou e o hospital negou a entrada dos familiares na hora da visita da tarde, alegando que mulher em TP não recebe visita.
Ora! Se ela estava sozinha e o TP estacionado, que mal havia? Eles foram embora sem saber nada sobre ela e sem deixar as malas. A menina estava cansada e não tinha sequer uma toalha pra tomar banho.
Descolei uma toalha do hospital, uma camisola limpa e mais fresca e um sabonete. Ela tomou um banho longo e penteou os cabelos. Parecia outra quando saiu do banheiro.
Começamos a conversar: 40 semanas, primeiro filho, 3cm na admissão (encaminhada pelo médico do postinho), questionamentos sobre a necessidade de estar ali e do por que estar abandonada...ninguém falava nada, ninguém tinha respostas....
Expliquei pra ela os procedimentos do hospital, que esta é a forma que os médicos tem de se resguardar e que apesar dela estar bem, dificilmente seria liberada. Com o tempo, fui mostrando que ela poderia muito bem estar em casa, mas que encanar com isso agora, poderia ser ainda pior pra evolução do TP, que o mais recomendado era ela tentar relaxar, aproveitar que não estava com dor pra tentar dormir ou qualquer coisas assim.
Dei a idéia de telefonar para casa. Veja como é estar no hospital...pq será que ela não pensou nisso antes? Ela conversou com o pai, chorou um pouco e ele também. Quando perguntou pelo marido, a surpresa: ele estava na porta do hospital.
Fui até lá e expliquei a situação pra ele. Ele foi até a casa deles e trouxe as malas, chinelo, etc... Voltou com a mãe á tira colo.
Levei a D. até a recepção e pedi pro recepcionista deixar os dois entrarem só um pouco, já que tinham perdido a oportunidade na hora da visita. Eles ficaram uns 15 minutos conversando e foi muito bom pra ela.
Voltamos para o quarto e o médico veio ver como ela estava. Os mesmo 3cm e a perspectiva: ficar internada até a manhã seguinte, se não evoluísse, eles induziriam com soro. Quando o médico saiu, expliquei o por que disso e o que poderia acontecer. Ela ficou chateada, por que queria mesmo era ir embora, mas não tinha muito o que fazer. Então a D. ficou lá no quarto comigo, jogando conversa fora, até a R. chegar.

R., 34 anos, primípara, uma negra linda e forte.
Ela estava acompanhada da sogra e em nenhum momento pediram pra ela se retirar. Comentei com elas que isso era bastante incomum, mas passou pela minha cabeça a tal lei que garante o direito à acompanhante, que foi aprovada esses dias. Provavelmente o hospital não divulga, mas também não está barrando ninguém. Preciso checar!
A sogra disse que elas chegaram à 5 da tarde, mas eu não as vi até o momento em que ela veio para o quarto, às 8 da noite. No prontuário dizia: 1 polpa, ou seja, 1 centímetro.
A R., estava com dores fortes, mas muito concentrada no TP e receptiva às minhas palavras. Logo que chegou, ela tomou um banho. Tentou andar, rebolar, apoiar-se em mim, agachar, etc.... E o que fez diferença pra ela, foi ficar de joelhos em cima da cama, com as pernas abertas e o corpo inclinado pra frente. Quando vinha a contração, ela pedia massagem.
Uma hora e vinte minutos depois o médico veio fazer o toque nela e pasmem: 8cm de dilatação. Ficamos TODOS de boca aberta. O médico fez um monte de elogios pra ela e antes de sair do quarto, me viu massagear as costas dela durante uma contração. Ele ficou lá parado, olhando... Quando passou, ele perguntou pra ela: isso ajuda? Estas mãos te ajudam? E ela respondeu: Ô! O doutor nem imagina! Ele me olhou sorrindo e me deu uma piscada!!
Daí pra frente, ela ficou deitada de lado e recebendo massagem a cada contração. Em meia hora dilatou o que restava e foi para o CC.
Saí de lá às 22:10 e o G. já tinha tomado banho e estava no berço aquecido.

Ah! No quarto do lado tinha umas gestantes. Elas não estavam em TP, mas em tratamento clínico. Algumas com pressão alta, outra com TP precoce. De repente, uma correria. Uma das meninas estava com prolapso de cordão e foi rapidamente encaminhada pro CC. Ela fez uma cesárea e o bebê nasceu nem problemas.

23/03/05

Dois TP’s, muito calor.

Quando cheguei as duas estavam sentadas em suas camas, de frente uma para a outra, segurando a dor.
Estavam acompanhadas por outra voluntária que dizia: olha aí, coitadinhas, estão assim desde a hora que chegaram, sofrendo, sentindo dor.
Tenho que dar um desconto, ela é voluntária, mas não sabe nada sobre doular. Inclusive, fica mais nas outras áreas da maternidade do que no TP. Estou pensando em fazer textos para distribuir entre as demais.... Enfim, ela foi embora e eu fiquei com elas.

Começamos conversando amenidades: nome, idade, sexo do bebê, semanas de gestação, desde que horas estavam lá, o que sabiam sobre a evolução do próprio TP, etc.
As duas tiveram comportamentos muito parecidos. Não queriam andar ou tomar banho, não pediram por massagem, mas mudaram de posição infinitas vezes, aceitando aos poucos as minhas dicas. Com o tempo, passaram a rebolar, agachar, inclinar pra frente segurando na cama, pendurar em mim.
Como elas não solicitavam muito minha ajuda física, passei a incentivá-las com palavras.
Conversamos sobre estarem num ambiente estranho, com pessoas que não conheciam e de como isso poderia atrapalhar a evolução. Incentivei-as a explorar mais o espaço e tomarem aquele quarto como delas, a mentalizarem como se fosse o ninho, pra tentarem ficar mais à vontade. Entre as contrações, insinuava que conversar com o bebê, explicando o caminho e o trabalho que estavam fazendo juntos, poderia ajudar o TP. Elas foram entrando cada vez mais na minha conversa e passaram a prestar mais atenção nas dores, mudavam a respiração, tentavam encontrar melhores posições. Se soltaram mesmo! Com gemidos e gritos espontâneos, sem vergonha de fazerem barulho, a respiração solta, o corpo solto.

Entre uma coisa e outra, 4 toques em uma e 2 na outra. Comentários como: Dói mesmo, viu filha? (médico) ou: Você pode sair um pouquinho pro médico fazer o toque? (enfermeira) surgiam de vez em quando.
Ao segundo eu respondi docemente: Por que? Eu sempre fico durante o toque.
Ela: Elas podem ficar envergonhadas.
Eu: Ah, é? Bom, se elas quiserem que eu saia, eu saio.... As duas olharam pra mim, com olho esbugalhado e acenando não com a cabeça. Durante os toques, elas sempre pediam a minha mão.
Às 18:30h E., que havia chegado com 4cm, estava com 5 e D., que havia chegado com 2cm, permanecia na mesma.
Às 19:30h, depois de muita conversa e alguma movimentação, E. estava com 8cm e D. com 5cm.
Depois disso a evolução delas foi bem rápida.
O bebê da E. nasceu por volta de 20h, com 52cm e 4.080gr! E o da D. às 21h. com 48cm e 2520gr.

Como não tinha mais nenhuma mulher no TP, passei nos quartos pra ver se estavam todos bem. Conversei um pouco sobre amamentação com algumas e também sobre pós parto, descolamento de placenta, exame do pezinho...
Antes de ir embora, passei pra ver a E. e a D.

23/02/05

3 TP’s, uma cesárea, um PN manteiga e um natimorto.

P. estava internada há uma semana, com o bebê morto no ventre. Não sabiam o que havia acontecido, mas esperavam pela expulsão natural do feto. No fim, ela teve uma indução.
Quando eu cheguei, ela estava com 7cm e apesar de dividir a sala com outra mulher, dediquei minha atenção à ela.
Ela sentia dores moderadas, pedia pela massagem e segurava minha mão com força.
Conversamos muito sobre o que estava acontecendo, sobre as expectativas que se frustraram com aquela morte e do sentimento de ser mãe. Eu disse que talvez, despedir-se do bebê, liberando-o para deixa-lo que se transformasse num anjinho, fizesse o TP acelerar. Ela seguiu meu conselho e chegou a dizer em voz alta: meu filho, eu te amo!
Não passou nem meia hora e o médico veio tocar...dilatação total.
Ele estourou a bolsa dela e o líquido saiu escuro, vermelho, com cheiro ruim.
Ela me olhou e perguntou se já ia acabar. Eu disse que sim, que a levariam para o CC e que logo ela estaria no quarto. Ela me pediu pra avisar a mãe dela, que estava na recepção.
Mais tarde encontrei-as no quarto. Estavam tristes, é claro. Mas a P. agradeceu muito pela força e disse que se achava que ficaria naquele quarto por muito tempo ainda, que despedir-se do bebê foi muito bom, ela tem certeza que foi por isso que o TP andou.

Então, pude me dedicar à C.
Primípara, estava no hospital há 3 horas, com 3cm de dilatação. Contrações muito fortes e ele se segurando toda.
Comecei conversando amenidades durante os intervalos, ela foi relaxando e aceitando massagem. Se soltou tanto que parou de engolir os gritos, colocou-se a berrar.
Passeamos muito pelos corredores, consegui colocar o marido, a mãe e a sogra na beirada do corredor e eles ficaram todos juntos, conversando e dando apoio pra ela. O marido aprendeu a massagear e se revezava comigo. Ela rebolava, ria e beijava o C. na boca. Continuava doendo, mas pelo menos ela estava com a família.
Eles não estavam entendendo muito bem. O marido ficou bem assustado ao vê-la, mas eu conversei com ele depois, esclarecendo a normalidade da coisa.
Ela decidiu voltar pro quarto.
Pra nossa surpresa, tinha mais uma mulher no TP e eu nem tinha visto ela entrar. Já conto dela!
Mais um toque na C. e nada de dilatar. Os mesmos 3cm da admissão e 5 horas de TP no hospital. O médico chegou a falar em cesárea, disse que se até às 22h não dilatasse, ela ia pro CC. Ela ficou num misto de medo e alívio. Conversamos bastante sobre a cesárea, sobre como o PN é melhor e mais seguro, mas ela parecia se render.
Foi pro banho e o marido dela apareceu no corredor, em frente a porta. Eu: como vc entrou? Ele: escondido!
Achei lindo! Coloquei ele pra dentro do quarto, ninguém viu! Eu saí e deixei os dois no banheiro, se alguém me perguntasse, eu diria que não sabia de nada.
Ela continuou andando, agachando, aceitando massagem, sentindo dores fortíssimas, mas mesmo assim o TP parou e ela foi encaminhada pra cesárea. Não vi o bebê.

S. teve um parto manteiga. Esperta, ficou em casa fazendo faxina até a hora de decidir ir pro hospital. Chegou com 8cm e dilatou total em menos de uma hora. Ela era brava, dava umas broncas no bebê, xingava o marido.
Aceitou massagem e ficou de pé pra rebolar comigo, agachando nas contrações.
O expulsivo dela levou uns 20 minutos!
Vi o bebê tomar banho e conversei com ela depois. Estava com fome e pediu pra que eu chamasse a mãe lá fora.
Ah, se todas fossem assim! Será que tem receita?

Enquanto a C. estava com o marido no chuveiro, eu entrei nos quartos pra falar com a mulheres recém paridas. A mãe do R. estava se queixando que o menino só queria colo, que não sossegava em outro lugar e que ela achava que o leite dela era ruim. Primeiro eu disse que é assim mesmo, né? Ele acabou de nascer, quer você, seu peito, etc. depois comecei a falar o que penso sobre amamentação e complementos. A moça mudou de cara, ficou mais tranqüila e disse que não ia dar complemento não (ela tinha pedido pra enfermeira, que demorava pra levar, pq o hospital é amigo da criança, eles não cedem fácil). Eu sugeri que ela o deixasse comigo e que ela fosse tomar banho. Pois a moça demorou uma meia hora e o R. dormiu no meu colo. Coloquei-o de bruços na cama e fiz massagem no pé.
Ela saiu do banho animada e achou graça de ver o bebê dormindo daquele jeito, agradeceu e voltei pro TP.
Antes de eu ir embora, passei no quarto dela. E não é que menino ainda dormia? Ela não acreditava! Nem eu, pra falar a verdade!

4 de fevereiro de 2008

02/02/05

Sem soro.
De novo 3 mulheres no TP. Não soube nada sobre a evolução delas, pois cheguei depois da troca de plantão e o médico que pegou não deu as caras no TP! Em 4 horas que eu fiquei lá, o cara não veio nem perguntar se estava tudo bem.
Eram 3 meninas na verdade, 16, 17 e 20 anos. Ficaram pouco interessadas na minha ajuda...Quer dizer, elas queriam mesmo é conversar. Andar e rebolar, massagem e afins, elas não quiseram. Pelo menos elas estavam livres, sem soro.

26/01/05

Os primeiros TPs.

Não teve sessão de musicoterapia, por falta de paciente, mas fiquei 2 horas conversando com a musicoterapeuta.

Depois desci pra maternidade, me apresentei no posto de enfermagem e perguntei se havia algo pra fazer. Me disseram pra ir até a sala de pré parto conversar com as “mãezinhas” que estavam lá.
Eram 3 mulheres em TP, estavam com a mesma dilatação (2cm), embora estivessem no hospital por tempos diferentes. Uma desde segunda feira, uma desde às 10 da manhã e outra desde às 13 horas. Quando eu cheguei, passava um pouco das 18 horas. Quando eu saí, um bebê já tinha nascido, outra mulher tinha ido pro CC e a outra estava com 8cm.
Elas foram bem receptivas às minhas dicas e nós conversamos bastante.

21/01/05

2º sessão de Musicoterapia.

Quando cheguei a Patrícia, musicoterapeuta, já havia feito uma pré-selecionada nos pacientes que poderiam participar da sessão. Mas como o setor é muito dinâmico, da manhã para a tarde tinha mudado tudo e muitos pacientes tinham recebido de alta, outros entraram, outros estavam em cirurgia. Consegui levar para a sessão somente 4 rapazes, todos com a perna fraturada em acidente de trânsito.

Dinâmica de grupo com homens, não é a coisa mais fácil do mundo de se fazer. Quando eles são jovens demais e estão acidentados num hospital, é praticamente impossível! Brincadeira!
Rendeu até... Foi bem legal!

Depois da sessão, eu subi na sala da Patrícia pra trocar umas idéias e ela disse que tem usado a musicoterapia com parturientes, puérperas com depressão e bebês recém nascidos.
Conversaremos mais na próxima semana.

19/01/05

Volto para o voluntariado hoje.

Começo fazendo a Busca Ativa na ala São Roque, que é onde estão os pacientes acidentados, motoqueiros de pernas quebradas, na maioria, e os levo para a Musicoterapia.
Devo acompanha-los até lá e participar da sessão, pra depois leva-los de volta ao quarto.
A sessão dura cerca de 2 horas e como o tempo de permanência é de 4 horas, vou utilizar as horas restantes na Maternidade, falando de amamentação com as mães que estão esperando pela alta.

Dezembro de 2003 a Dezembro de 2004.

Pedro nasceu em 9 de Dezembro de 2003, de uma cesárea desnecessária após TP latente, com mais de 24 horas com bolsa rota.
A adaptação aos primeiros meses dele, a revolta por ter sido cortada, a elaboração de tudo isso, a dificuldade em lidar com sentimentos ambíguos, me levaram a deixar o voluntariado de lado por um ano.
Voltei ainda tentando elaborar, mas com a certeza de que ver a realidade de perto, ia me deixar muito mais tranqula com relação ao meu papel e aos motivos pelos quais eu precisei passar por aquela experiência.
Parece muito sofrido e foi. Só entende quem desejava o parto como eu.
Hoje (escrevo isso mais de 4 anos depois, grávida pela segunda vez), meu coração aceita o que aconteceu com muito mais tranquilidade, entendendo porquês e dando novos significados. Foi muito importante ter retomado o voluntariado, e a partir de agora eu conto como as coisas se desenrolaram...

15 de Novembro de 2003. - Primeiro contato.

Fui pra Santa Casa.
Como a barriga me impede de fazer muito esforço, fiquei na Casa do Voluntário arrumando os armários. Lá tem um monte de roupas que foram doadas, mas que não podem ser repassadas, por que estavam jogadas de qualquer jeito, sujas até, roupas de bebê misturadas com roupas de adulto, sapato, uma bagunça! Não arrumei nem a metade, mas já foi um começo. Tem MUITA coisa!

O Caco ia me buscar à 1 hora, mas eu terminei o que tinha pra fazer meio dia, então fui pro hospital (é do lado) e fiquei no TP com 3 mulheres. Conversamos pra caramba, elas perguntaram coisas que não sabiam sobre os procedimentos do parto e com o bebê.

Uma delas estava lá desde as 10 horas da manhã do dia anterior, a outra desde às 10 da noite e a 3ª, desde às 7 da manhã. Todas estavam bem tranqüilas, apesar de sozinhas e de terem se queixado que o médico não dava nenhuma informação sobre a progressão delas.

Dei uma xeretada nos prontuários e elas estavam evoluindo devagar, mas dei a maior importância pra isso quando falei com elas. A vantagem é que nenhuma estava com soro, nem com monitoração. Então, depois de conversarmos sobre a progressão do TP delas, aconselhei que não ficassem ali, que fossem andar, rebolar, que tomassem um banho, não ficassem o tempo todo deitadas, se ajudassem massageando umas às outras, etc. E lá foram elas, perambular pelos corredores.

Uma delas, a que estava lá desde as 10 da manhã do dia anterior, não estava com dilatação, li no prontuário a seguinte anotação: internação para indução. Não comentei nada com ela, nem perguntei o por quê dessa anotação pra enfermagem e fiquei curiosa...se era pra induzir, por que não tinham feito ainda?

Elas almoçaram enquanto eu estava lá e eu aproveitei pra contar que nem sempre é assim...sei lá, de repente alguns pequenos detalhes podem fazer com que elas se lembrem daqueles momentos com mais ternura do que a maioria das mulheres. Sentir fome durante o TP não deve ser nada agradável.

No mais, vários babys! Que eu só fiquei olhando de longe!
Em outubro, foram 150 nascimentos na casa!

07 de Novembro de 2003. - Formatura do Voluntariado.

Cada formando pôde levar 3 convidados.
Meus convidados foram: Carlos, Washington e Renata.
Teve uma solenidade e depois um coquetel!
Foi muito bonito!
A turma toda super feliz (somos 25)!
Saímos até no jornal!
Depois, nós fomos comer uma pizza!

Outubro de 2003. - Amamentação.

Esqueci de contar!
Fui na palestra com a Dra. Zuleika.
Um show! A mulher é muito boa!
Pena que a tal formação do comitê de amamentação não era aberta para leigos. Somente profissionais da saúde poderiam participar.
Mas nesse encontro, fiquei sabendo que dá pra trabalhar como voluntária em amamentação na Pastoral da Criança.
Vou me informar!


Entrei em contato com a irmã Luiza, da Pastoral da Criança.
A minha intenção quando procurei a Pastoral era de oferecer ajuda, ser treinada para trabalhar no atendimento às mulheres que amamentam. Só que na época em que comecei a me mobilizar, fiquei sabendo da tal multi mistura.

A irmã Luiza foi super gentil e adorou a idéia de ter mais uma pessoa trabalhando com ela.
Quando eu disse que estava grávida, ela mais do que depressa, já foi me perguntando se eu conhecia a mistura. Já foi falando dos benefícios pra gestante e tal.
Não entrei muito no assunto, não coloquei a questão levantada pelo Ric (informação + nutrição = parto bacana + rápido etc).

Ela me convidou para uma reunião que acontece 1 vez por mês. A próxima é dia 14 de novembro. Aí, se eu tiver a oportunidade, vou falar com ela sobre isso.Perguntei pra ela se a multi mistura engorda e ela disse que só nos casos em que a mulher toma mais do que se recomenda. No caso de gestantes, para ter os benefícios que a gente falou, uma colher de chá por dia, é suficiente.

16 de Outubro de 2003. - Estágio na ala pediátrica da Santa Casa.

Só observação.
Deu pra conversar com algumas mães...criança em hospital, é barra, né?
Depois ficamos fazendo bolinha de algodão na sala de recreação e participamos de uma palestra com a Central de Doação de Órgão do Paraná.
Nada a ver com doulagem, mas muito esclarecedor.

Outubro de 2003.

Recebi um telefonema de uma moça de São Paulo. Ela está grávida de 24 semanas e as Amigas do Parto me indicaram pra ela, que vai ter o bebê aqui em Maringá.
Infelizmente, o bebê dela nasce em janeiro e o Pedro vai estar com mais ou menos um mês, portanto vai ser complicado doular.
Ela já tem uma cesárea e vamos tentar encontrar um médico que queira atendê-la num parto normal.
Já adiantei pra ela que não vai ser das tarefas mais simples, contei o que eu sei sobre os atendimentos na cidade (meio desanimador, taxas de cesárea altíssimas, atendimento humanizado pelo SUS não atende VBAC), mas a gente conversou bastante e vamos continuar mantendo contato.

06 de Outubro de 2003.

Recebi um telefonema de uma moça de São Paulo. Ela está grávida de 24 semanas e as Amigas do Parto me indicaram pra ela, que vai ter o bebê aqui em Maringá.
Infelizmente, o bebê dela nasce em janeiro e o Pedro vai estar com mais ou menos um mês, portanto vai ser complicado doular.
Ela já tem uma cesárea e vamos tentar encontrar um médico que queira atendê-la num parto normal.
Já adiantei pra ela que não vai ser das tarefas mais simples, contei o que eu sei sobre os atendimentos na cidade (meio desanimador, taxas de cesárea altíssimas, atendimento humanizado pelo SUS não atende VBAC), mas a gente conversou bastante e vamos continuar mantendo contato.

Outubro de 2003.

Fui buscar o programa da semana de amamentação na Santa Casa e encontrei na sala, conversando com a assistente social, a dentista que deu palestra no curso de gestante da clínica da minha obstetra.

Ela é muito bacana e super voltada para questões de humanização. A favor de parto normal, MUITO a favor de amamentação, etc.
Elas estavam acertando alguns detalhes sobre futura atuação da dentista como voluntária. O objetivo dela é orientar os profissionais que lidam diretamente com as gestantes, mães de recém nascidos e de crianças da ala pediátrica, sobre a higiene bucal.

Conversamos bastante (eu de intrometida, que só fui buscar o programa e acabei ficando...) e surgiu a idéia de formarmos um grupo com pessoas que tenha interesse nos assuntos que envolvem gestantes e bebês....além de reformular o grupo que dá palestras sobre aleitamento materno, dentro do hospital (o mesmo que eu fiz em abril).