Dois anos se passaram desde que eu deixei meu trabalho voluntário. E foram os dois anos mais dinâmicos da minha vida, tão cheios de coisas acontecendo que ao mesmo tempo que parece uma eternidade, também parece que vôou!
Neste tempo eu:
- mantive o grupo de apoio virtual, que cresceu e virou GestaParaná, com doulas de outras cidades e mulheres de todo o estado.
- mantive o apoio virtual á inúmeras mulheres, da minha cidade e de outros tantos lugares.
- criei e mantenho um blog de apoio à amamentação com a Rebeca, minha amiga e doula: De Peito Aberto.
- republiquei este blog e criei o blog do GestaMaringá, que está sem atividade desde que larguei o voluntariado, por que eu atendia muitas pessoas na casa do voluntário da Santa Casa e achei que não era certo continuar usando o espaço.
- engravidei e pari Luiza em casa.
Isso além de todas as tarefas de mãe, esposa, dona de casa, mulher, etc.
Eu prometi a mim mesma que retomaria minhas atividades como doula este ano e comecei bem: dois TP's na primeira semana.
Mas tive que dar o braço a torcer: Luiza ainda exige muito cuidado e o Pedro também precisa de atenção nesta fase de aprender a ler e escrever. Só consegui me sentir mais ou menos organizada agora, no final de abril.
Então terminei de arrumar os blogs, estou fazendo faxina nos meus materiais, organizando tudo e matutando como retornar ao meio...
Espero trazer novidades em breve.
23 de abril de 2009
01/05/07
A vida da doula.
Apesar de ter dado um tempo no voluntariado, minhas atividades como doula vão muito bem, obrigada.
Estou focando no grupo virtual e nos atendimentos particulares. E está sendo muito bom pra mim. Só sinto falta de trocar experiências com o GO e os outros profissionais.
Apesar de ter dado um tempo no voluntariado, minhas atividades como doula vão muito bem, obrigada.
Estou focando no grupo virtual e nos atendimentos particulares. E está sendo muito bom pra mim. Só sinto falta de trocar experiências com o GO e os outros profissionais.
23/03/07
Quem dá tempo é relógio?
Nenhum TP.
Os últimos relatos foram sucintos e sem graça, por que é assim que tenho sentido os dias de voluntariado. É tão difícil manter uma postura positiva num ambiente inóspito!
Eu vejo tanta coisa estranha, sinto tanta vontade de falar com as pessoas sobre suas condutas, de abrir a cabeças daquelas mulheres e fazê-las entender que muito do que elas podem ter de bom, depende também da postura delas frentes às coisas...
Suga a minha energia...
Mas não me faz querer desistir.
Só me deixa um pouco melancólica...
Nenhum TP.
Os últimos relatos foram sucintos e sem graça, por que é assim que tenho sentido os dias de voluntariado. É tão difícil manter uma postura positiva num ambiente inóspito!
Eu vejo tanta coisa estranha, sinto tanta vontade de falar com as pessoas sobre suas condutas, de abrir a cabeças daquelas mulheres e fazê-las entender que muito do que elas podem ter de bom, depende também da postura delas frentes às coisas...
Suga a minha energia...
Mas não me faz querer desistir.
Só me deixa um pouco melancólica...
20/03/07
Cursinho para gestantes da Unimed.
Acompanhei o GO no cursinho de gestantes da Unimed.
Era pra eu ter me apresentado, mas ele estava tão empolgado que ultrapassou o tempo destinado à aula sobre parto. Mas ele falou do trabalho das doulas e mencionou meu nome também. Deixei cartões meus e marcadores da parto do Princípio para todas elas.
Boas notícias: o discurso dele é impecável. Sinto até uma ponta de orgulho ao ouvir... E ele ainda é muito engraçado, professor de cursinho, sabem como é?
Acompanhei o GO no cursinho de gestantes da Unimed.
Era pra eu ter me apresentado, mas ele estava tão empolgado que ultrapassou o tempo destinado à aula sobre parto. Mas ele falou do trabalho das doulas e mencionou meu nome também. Deixei cartões meus e marcadores da parto do Princípio para todas elas.
Boas notícias: o discurso dele é impecável. Sinto até uma ponta de orgulho ao ouvir... E ele ainda é muito engraçado, professor de cursinho, sabem como é?
16/03/07
Coisas do sistema.
R., internada desde o dia anterior, TP prematuro. Colocaram soro, mas não teve efeito. Ela dormiu umas 3 horas seguidas e decidiram tira-la da sala de TP e colocá-la num quarto comum. Soube que fez uma cesárea no dia seguinte.
D., TP latente, com soro. Sem evolução, retiraram o soro e as contrações pararam por completo. Não soube a evolução.
R., internada desde o dia anterior, TP prematuro. Colocaram soro, mas não teve efeito. Ela dormiu umas 3 horas seguidas e decidiram tira-la da sala de TP e colocá-la num quarto comum. Soube que fez uma cesárea no dia seguinte.
D., TP latente, com soro. Sem evolução, retiraram o soro e as contrações pararam por completo. Não soube a evolução.
09/03/07
Rapidinhas.
J., assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.
N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.
J., assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.
N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.
02/03/07
Sintomático, não?
A., TP latente, assustada com o desconhecido, não tinha ninguém que pudesse ficar com ela. Conversamos muito, sobre a gestação, sobre os medos dela, sobre como são os TP’s e ela dormiu, não acordou até a hora que fui embora.
A., TP latente, assustada com o desconhecido, não tinha ninguém que pudesse ficar com ela. Conversamos muito, sobre a gestação, sobre os medos dela, sobre como são os TP’s e ela dormiu, não acordou até a hora que fui embora.
16/02/07
Mulheres especiais.
Antes de sair de casa, eu liguei pro GO, pra saber como estavam as coisas. Medidas de segurança, em breve não serão mais necessárias, assim espero!
Ele me diz que tem uma mulher muito especial no TP, que eu devia ir até lá. Fui.
A., a mulher especial, estava no leito, sentada com perna de borboleta, agüentando firme e muito concentrada nas contrações.
Depois de me apresentar e falar um pouco sobre como eu poderia apóia-la, precisei sair do prédio para pegar um material. Quando voltei, ela disse que estava com vontade de fazer força. Saí pra checar o prontuário e falei com o GO, se ela estava mesmo com os puxos, a evolução dela tinha sido à jato.
Voltamos para examinar e o bebê estava baixinho, mais um pouco e nascia ali mesmo. Mas decidiram levá-la ao CC e o L. nasceu em duas contrações.
Depois, com ela já no quarto, fui conversar e ela estava muito feliz com o resultado. Ela fez o pré-natal no SUS com este GO e já tinha ouvido falar de mim. Ela achou que foi muita sorte ter entrado em TP no dia em que a gente atende o plantão...
Logo em seguida, entrou a F., segundo bebê, fase latente do TP, 2cm, muito segura do processo. Ela, muito mais alta que eu, negra e forte, muito bem humorada, estava acompanhada da mãe. Nós três ficamos muito tempo conversando sobre muitas coisas da vida, foi muito agradável.
Então colocaram soro na F. e ela passou a sentir as contrações cada vez mais freqüentes e fortes. Ela ficou em movimento, respirando com calma e sentada na bola também.
No primeiro toque que fizeram, logo depois que ela saiu de um longo e bom banho, 6cm e uma força renovada pra ela, que se sentiu toda orgulhosa de ter avançado tanto.
Ela gemia, respirava, mudava de posição e voltava ao normal... como se nada tivesse acontecido.
Mas eu precisei ir embora às 18h e não acompanhei o TP dela até o final. Deixei a bola e algumas instruções e ela seguiu o que pôde. Ás 23h recebo um torpedo do GO: parto no leito, às 20:30h.
No dia seguinte voltei lá e ela estava radiante, contando o parto dela pras outras mulheres do quarto e feliz, feliz e o menino com nome de anjo musical pendurado no peito.
Antes de sair de casa, eu liguei pro GO, pra saber como estavam as coisas. Medidas de segurança, em breve não serão mais necessárias, assim espero!
Ele me diz que tem uma mulher muito especial no TP, que eu devia ir até lá. Fui.
A., a mulher especial, estava no leito, sentada com perna de borboleta, agüentando firme e muito concentrada nas contrações.
Depois de me apresentar e falar um pouco sobre como eu poderia apóia-la, precisei sair do prédio para pegar um material. Quando voltei, ela disse que estava com vontade de fazer força. Saí pra checar o prontuário e falei com o GO, se ela estava mesmo com os puxos, a evolução dela tinha sido à jato.
Voltamos para examinar e o bebê estava baixinho, mais um pouco e nascia ali mesmo. Mas decidiram levá-la ao CC e o L. nasceu em duas contrações.
Depois, com ela já no quarto, fui conversar e ela estava muito feliz com o resultado. Ela fez o pré-natal no SUS com este GO e já tinha ouvido falar de mim. Ela achou que foi muita sorte ter entrado em TP no dia em que a gente atende o plantão...
Logo em seguida, entrou a F., segundo bebê, fase latente do TP, 2cm, muito segura do processo. Ela, muito mais alta que eu, negra e forte, muito bem humorada, estava acompanhada da mãe. Nós três ficamos muito tempo conversando sobre muitas coisas da vida, foi muito agradável.
Então colocaram soro na F. e ela passou a sentir as contrações cada vez mais freqüentes e fortes. Ela ficou em movimento, respirando com calma e sentada na bola também.
No primeiro toque que fizeram, logo depois que ela saiu de um longo e bom banho, 6cm e uma força renovada pra ela, que se sentiu toda orgulhosa de ter avançado tanto.
Ela gemia, respirava, mudava de posição e voltava ao normal... como se nada tivesse acontecido.
Mas eu precisei ir embora às 18h e não acompanhei o TP dela até o final. Deixei a bola e algumas instruções e ela seguiu o que pôde. Ás 23h recebo um torpedo do GO: parto no leito, às 20:30h.
No dia seguinte voltei lá e ela estava radiante, contando o parto dela pras outras mulheres do quarto e feliz, feliz e o menino com nome de anjo musical pendurado no peito.
09/02/07
Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!
Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Na verdade nem é sobre ela que eu vou falar, mas sobre não ter conseguido chegar até ela pra trabalhar.
Faz 2 anos que eu trabalho na maternidade.
1 ano e 5 meses que entro no centro cirúrgico e de repente uma pessoa do setor, resolveu que eu tenho que pedir permissão pra fazer as coisas.
Ela sempre soube que eu ia lá, imaginei que soubesse do que se tratava meu trabalho e por onde eu andava.
Ela nunca ficou de noite, nem mesmo pra trocar meia dúzia de palavras comigo, então até no centro cirúrgico ela foi atrás de mim, pra saber quem tinha deixado eu entrar.
Detalhe: tem uma senha pra ser digitada na porta do CC. E eu estava lá dentro, logo, tenho a senha! Acho que isso prova que alguém me deu permissão pra entrar, não?
Agora pense... Estou lá, trabalhando e quero sugerir pra mulher, uma mudança de posição. Pára tudo, sai da sala, acha a dita cuja e pede permissão. Me diz se tem cabimento?
Enfim, eu fiquei um pouco incomodada, mas no fim das contas, decidi que vou ficar na minha, fazendo tudo o que sempre fiz. Se ela estiver por perto, eu aviso, peço, imploro. Se não, sigo meu caminho.
Bom, foi por isso que eu não consegui trabalhar com a mulher que eu nem sei o nome. Ela ficou O TEMPO TODO na sala, segurando a mão da mulher e se colocando como um obstáculo... E a atuação foi, sei lá... Dêem um nome: 2 toques em menos de 20 minutos, ordem de puxo, de não grite, bolsa rompida artificialmente, negativa pra o banho e entrada precoce no CC.
E o pior: outras pessoas do setor disseram que ela nunca fica na sala do TP...
Não gosto de falar mal. Mas fiquei mesmo, muito P... da vida. Vou ali tomar um copo de água e já volto.
ps. Depois conto das outras duas...
M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.
A E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!
Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Na verdade nem é sobre ela que eu vou falar, mas sobre não ter conseguido chegar até ela pra trabalhar.
Faz 2 anos que eu trabalho na maternidade.
1 ano e 5 meses que entro no centro cirúrgico e de repente uma pessoa do setor, resolveu que eu tenho que pedir permissão pra fazer as coisas.
Ela sempre soube que eu ia lá, imaginei que soubesse do que se tratava meu trabalho e por onde eu andava.
Ela nunca ficou de noite, nem mesmo pra trocar meia dúzia de palavras comigo, então até no centro cirúrgico ela foi atrás de mim, pra saber quem tinha deixado eu entrar.
Detalhe: tem uma senha pra ser digitada na porta do CC. E eu estava lá dentro, logo, tenho a senha! Acho que isso prova que alguém me deu permissão pra entrar, não?
Agora pense... Estou lá, trabalhando e quero sugerir pra mulher, uma mudança de posição. Pára tudo, sai da sala, acha a dita cuja e pede permissão. Me diz se tem cabimento?
Enfim, eu fiquei um pouco incomodada, mas no fim das contas, decidi que vou ficar na minha, fazendo tudo o que sempre fiz. Se ela estiver por perto, eu aviso, peço, imploro. Se não, sigo meu caminho.
Bom, foi por isso que eu não consegui trabalhar com a mulher que eu nem sei o nome. Ela ficou O TEMPO TODO na sala, segurando a mão da mulher e se colocando como um obstáculo... E a atuação foi, sei lá... Dêem um nome: 2 toques em menos de 20 minutos, ordem de puxo, de não grite, bolsa rompida artificialmente, negativa pra o banho e entrada precoce no CC.
E o pior: outras pessoas do setor disseram que ela nunca fica na sala do TP...
Não gosto de falar mal. Mas fiquei mesmo, muito P... da vida. Vou ali tomar um copo de água e já volto.
ps. Depois conto das outras duas...
M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.
A E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.
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