23 de abril de 2009

09/02/07

Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!

Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Na verdade nem é sobre ela que eu vou falar, mas sobre não ter conseguido chegar até ela pra trabalhar.

Faz 2 anos que eu trabalho na maternidade.
1 ano e 5 meses que entro no centro cirúrgico e de repente uma pessoa do setor, resolveu que eu tenho que pedir permissão pra fazer as coisas.
Ela sempre soube que eu ia lá, imaginei que soubesse do que se tratava meu trabalho e por onde eu andava.
Ela nunca ficou de noite, nem mesmo pra trocar meia dúzia de palavras comigo, então até no centro cirúrgico ela foi atrás de mim, pra saber quem tinha deixado eu entrar.
Detalhe: tem uma senha pra ser digitada na porta do CC. E eu estava lá dentro, logo, tenho a senha! Acho que isso prova que alguém me deu permissão pra entrar, não?
Agora pense... Estou lá, trabalhando e quero sugerir pra mulher, uma mudança de posição. Pára tudo, sai da sala, acha a dita cuja e pede permissão. Me diz se tem cabimento?
Enfim, eu fiquei um pouco incomodada, mas no fim das contas, decidi que vou ficar na minha, fazendo tudo o que sempre fiz. Se ela estiver por perto, eu aviso, peço, imploro. Se não, sigo meu caminho.

Bom, foi por isso que eu não consegui trabalhar com a mulher que eu nem sei o nome. Ela ficou O TEMPO TODO na sala, segurando a mão da mulher e se colocando como um obstáculo... E a atuação foi, sei lá... Dêem um nome: 2 toques em menos de 20 minutos, ordem de puxo, de não grite, bolsa rompida artificialmente, negativa pra o banho e entrada precoce no CC.
E o pior: outras pessoas do setor disseram que ela nunca fica na sala do TP...

Não gosto de falar mal. Mas fiquei mesmo, muito P... da vida. Vou ali tomar um copo de água e já volto.

ps. Depois conto das outras duas...

M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.

A E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.

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