11 de maio de 2005

Mais um dia de calmaria...

Hoje fiquei com uma mãe que estava nervosa, por que ela teve alta e o bebê não. Ela chorava e chorava e nem sabia o por quê... Troquei a fralda do bebê dela e em seguida a pediatra deu alta pro bebê.

Depois fiquei com uma mulher que não queria amamentar, por que sentia dor. Conversamos muito, trouxe uma cadeira pra ela se acomodar melhor, expliquei como é a pega correta, de que maneira a gente percebe que a pega está boa, etc. O bebê mamou bastante e adormeceu. Então falamos sobre a importância de amamentar e que ela não deve desistir. Depois ela aproveitou pra dormir um pouco também.

Fiquei quase 2 horas sem fazer nada, só assuntando com as enfermeiras, aproveitando pra colher informações sobre os médicos, até que chegou uma mulher chorando muito.
Ela estava abortando um bebê de pouco mais de 10 semanas. Foi logo atendida pelo médico e eu só tive acesso à ela, quase 1 hora depois, quando já estava me preparando pra ir embora. Quase não conversamos, só ficamos de mãos dadas, ela chorando e eu amparando. Então ela se abriu e falou do marido, das expectativas e chorou muito. Logo a levaram para o CC para a fazer a curetagem e eu fui embora. Ainda encontrei o marido na recepção e dei a notícia do aborto à pedido dela.

Um comentário:

Fernanda Matos disse...

Pati, sou psicologa e trabalho com gestantes e mulheres... perder um filho é algo indescritível! A pior das piores dores... Mas quando o filho está fora da barriga fazemos um ritual de despedida, porque não também no caso de gestações que se findaram antes... Um ser esteve ali, junto com sonhos e emoções...
Eu promove junto com minha paciente uma despedida escrita ou falada... um nome dado ao um bebe, filho ou filha, que passou pela vida muito rápido. depois um adeus...
Há muitos relatos de aconchego após esses momentos...
Prazer em conhecer,
Fernanda Matos