13 de maio de 2008
Nasceu Ana Luisa, filha de Edilaine e Charles, irmã mais nova de Lara.
Ana Luisa e Edilaine precisaram de uma ajudinha, foi usada ocitocina para condução, por menos de 1 hora até que a mãe estivesse pronta para parir. Foram 7cm de uma vez!
Ela nasceu no leito, diante dos olhares ansiosos, cuidadosos, surpresos, maravilhados (rs) da mãe, do pai e da doula. A equipe não estava presente.
Foi diretamente para o colo da mãe, chorou e mamou. E de lá só saiu no colo do pai, para ser medida.
A família está feliz e aguardando alta para hoje.
3 de maio de 2008
10/02/06
A maternidade estava lotada de recém paridas e não parava de chegar mulher pra ser examinada. No TP, só a AC. acompanhada da mãe.
Primigesta, 19 anos e muito pouco disposta a sair do lugar, ouviu com atenção tudo o que eu expliquei, as dicas que dei, mas não seguiu nenhuma delas. Não quis andar, por que a camisola é feinha, tinha vergonha. Não quis sentar, por que não consegue. Nem agachar, por que depois não levanta. Não quis tomar banho, por que levantar é difícil.
Nesses casos a minha ação fica muito limitada e eu forcei um pouco a barra, dizendo pra ela aproveitar que só estávamos nós duas, por que com o tempo o TP ia engrossar e ela ia precisar muito ajudar o corpo dela, pra ela ir treinando enquanto as dores estavam suportáveis.
Quando eu cheguei (mais cedo hoje, às 17h), ela estava com 2cm de dilatação e as dores começavam. A mãe dela tentava em vão tirá-la da cama e depois de muita conversa, ela decidiu ficar em uma cadeira, inclinando o corpo para a frente quando vinha uma contração.
Neste ponto do TP, outras 2 mulheres chegaram e eu direcionei a minha atenção à elas.
A J. ficou o dia todo andando na rua, foi em dois hospitais antes de ser admitida na Casa às 18:30h. Nesses dois hospitais, ela ficou o tempo todo ativa.
Uma outra grávida que estava com ela e fez o mesmo caminho, me contou que ela não parava um segundo, mas que estava muito concentrada. Quando ela foi admitida na Casa, estava com 4cm e um pouco cansada, preferiu ficar deitada.
Eu estava com outra menina, mas mesmo assim ia lá de vez em quando falar com ela. Deitada ela se contorcia de dor, mas ainda conseguiu normalizar a respiração. Depois de um tempo (pouco), sugeri o banho só pra tirar a nhaca da rua e ela foi. A mãe dela estava junto. Na volta ela sentou na minha bola e eu fiquei massageando as costas dela.
Ela levantou umas 3 vezes pra ir ao banheiro, fez xixi, fez cocô e vomitou também.
O médico tinha acabado de tocar (8cm), na quarta vez que ela decidiu ir ao banheiro.
A mãe dela tinha saído do TP também.
Diálogo:
J.: - Eu tô com vontade de fazer cocô.
Eu: É normal J., a cabeça do bebê está pressionando lá embaixo... (abaixei na frente dela)
J.: Acho que eu não vou fazer, não. Tenho o intestino preso.
Eu: Fica aí um pouquinho, por que pode ser que você realmente faça alguma coisa.
(não sei pq levantei, dei um passo pra trás, abri a porta do TP e vi o GO entrando na sala de consulta, no fim do corredor, nem sinal da auxiliar do postinho). Quando eu me viro:
J.: - Ele está nascendo.... (ela apóia as mãos no assento do vaso e ergue um pouco o corpo).
Eu: * * * * * * * * * (olho e vejo um líquido viscoso escorrendo... e cabelos) . Pensamento: pqp! Cadê todo mundo????? (abro a porta e chamo, tentando não demonstrar desespero: Fáááááátima!)
Dei o passo mais largo da minha vida pra chegar nela numa passada só!
Minha preocupação era esse menino cair na água.... Pedi pra ela tentar não fazer mais nenhuma força (e ela não estava fazendo) e coloquei as mãos por baixo, quase tocando a bunda dela. No que eu encostei a mão, a cabeça saiu, primeiro o "cucuruto" alongado e depois o giro feito na minha mão.
Eu: J. ... não faz força... (e eu olhando aquela carinha amassada, com os olhinhos bem cerrados) J.: Não façooooo..... (sussurrando)
Um ombro....
Outro...
Plumbt!
Muito líquido, a bolsa dela não tinha rompido até um pouco antes... E eis que o Pedro estava nas minhas mão! Com as costinhas viradas pra cima...
O GO e o resto do povo todo, chegou neste exato momento:
GO: Xúxus? (como ele me chama).... eita, que beleza! (risos)
Passei o bebê pra ele e fiquei alí acocorada num canto entre o vaso e a parede, segurando a mão da J. Ela com um sorriso mole no rosto. A enferemeira boquiaberta, a mãe dela vibrando, o residente pegando material pra concluir e um mundo de gente atrás desse povo, rindo, parabenizando, falando, saindo pra contar....
O GO virou ele de ladinho, ele fez xixi e o jato foi direto pra dentro do vaso, entre as pernas da mãe. Todo mundo riu!
Ele disse pra ela segurar, mas ela não quis, estava mole, tremendo... Eu também!
Depois ele vira pra mim e pergunta se está tudo bem.... Eu só ria, olhos marejados!
Enfim... o cordão foi cortado, o GO o levou ao berçário. Tudo bem com ele, 49,5cm, 3.700gr.
A J. ficou um pouco no vaso, esperando a placenta sair, mas depois decidiram levar ela pro leito e depois pro CC, por que ela teve um laceração média (não me perguntem quanto é isso, por que eu não dei atenção aos detalhes).
Depois que tudo se acalmou, ele veio falar comigo, não ficou bravo nem nada (não é do perfil dele ficar irritado com essas coisas). Ele agradeceu, perguntou se eu estava emocionada, se era a primeira vez, etc... Muita gente ainda veio perguntar como tinha sido.
A enfermagem ficou num misto de perplexidade e indignação, mas eu nem ligo. Nem tive culpa também, né? Quem imaginaria que a evolução dela seria tão rápida? Ela chegou às 18 e pouco e o bebê nasceu às 20:20h. O comportamento dela não se alterou durante todo este tempo. Sempre serena, sempre forte.
Eu fiquei toda boba, feliz, emocionada!
Quem nunca viveu isso, não tem idéia de como é lindo! Aquela cabeça macia e quente na sua mão.... girando e saindo sozinha... É muito... é demais!
Não é o primeiro parto em que eu estou presente, mas foi diferente por vários aspectos. Principalmente por que eu estava de frente pra eles, sempre vejo da perspectiva da mãe...
V., 42 anos, primigesta. Ela estava com a bolsa rota há mais de 12 horas e bastante ativa, mas o TP dela não engrenava e logo depois do nascimento do bebê da J., ela foi pra cesárea.
Acho que de alguma maneira o nascimento do P. contagiou o ambiente e a AC. finalmente decidiu começar a fazer alguma coisa para se favorecer. Ás 21 e pouco da noite, novo toque: 6cm (dilatou isso tudo sem sair do lugar!! Imagina se tivesse ficado ativa desde o começo??).
Ao mesmo tempo, a mãe deu lugar à sogra e a postura das duas era muito diferente. A mãe da AC. mal olhava pra ela e a sogra era a energia em pessoa!
Logo que eu percebi que a N. tinha um grande poder de influência sobre ela, chamei-a num canto e pedi pra ela tirar a AC. da cama, levar pra tomar um banho e aceitar as dicas que a gente ia dando... Animou um pouco, foi tomar banho, depois ela ficou muito tempo na bola, inclinando o corpo para a frente durante as contrações e dando espaço para ser massageada. No intervalo, ela encostava em mim (largadona!!) e a gente respirava junto, de olhos fechados, no mesmo ritmo.
A N. de mãos dadas com ela dando a maior força, trazendo água, falando sobre os próprios partos, incentivando, chamando-a de guerreira, que agora sim, ela estava ajudando, etc, etc.
Eu AMEI conhecer a N.!!!Antes da 1h da manhã, dilatação total. Ela pula para a maca e vamos para o CC. Foi super rápido também, duas ou três forças e lá estava a AB. Não teve epsiotomia e a dequitação da placenta foi ligeira!
Acompanhei o parto da S. também, mesmo sem ter ficado com ela no TP.
Ela veio transferida de outro quarto quando eu estava atendendo a AC. na fase em que ela realmente se apoderou do processo. Não foi possível dar atenção pra ela, mas dei umas dicas para a mãe e ela tentou massagear e incentivar a S. a sair da cama, mas ela não quis, respondia de forma bem agressiva desde o começo, mesmo expressando grande incômodo e estando em fase avançada do TP.
No CC ela pareceu mais calma e o parto chegou ao fim rapidamente, sem epsiotomia também!
Depois eu fiquei com a V. que fez cesárea. Entre o atendimento inicial da AC. e da J., eu tinha ficado um tempão com ela já, mas as contrações não eram efetivas e ela não teve nada de dilatação, mesmo se mantendo ativa, mesmo com indução. E a bolsa dela estava rota há mais de 12 horas...
03/02/06
A mulher em questão é paciente do médico do plantão e enfermeira do ps do Hospital Universitário. Ela quis PN desde o início da gestação e ficou interessada no acompanhamento a partir do momento em que soube da minha existência.
O problema é que ele falou de mim pra ela muito tarde, quando ela já estava com 38 semanas. Eu só consegui entrar em contato com ela, quando ela estava prestes a completar 40 semanas e com a cesárea marcada para dali 2 dias e meio. Falamos pela primeira vez ao telefone no sábado, 28/1.
Conversamos um pouco sobre as expectativas dela com relação ao nascimento do G., sobre a ansiedade natural desta fase, a pressão da família a decisão pela cesárea quando ela completar 40 semanas. Falei pra ela sobre métodos naturais de indução ao início do TP, sobre formas de tentar relaxar e ela recebeu muito bem as dicas.
Mas como o TP não engrenou, ela fez a cesárea no dia 30/1.
... referências.
No dia 03/02, eu não fui no voluntariado e perdi a oportunidade de conhecer a Betinha.
Ela é enfermeira obstétrica há muito tempo e está coordenando uma pesquisa (ou algo parecido com isso) sobre a assistência ao parto (no SUS ou de forma geral, não sei).
Fato é que ela entrevista mulheres que pariram na Santa Casa, cerca de 1 mês após o parto, para saber o que elas acharam do atendimento e da experiência de parir.
De uns 3 meses pra cá, meu nome (ou a minha figura) passou a ser mencionado com freqüência pelas mulheres. Referências positivas, pelo que eu soube!
O GO passou meu contato pra ela, mas ainda não nos encontramos.
27/01/06
R., primigesta, 41 semanas, 2cm de dilatação, internada desde às 11:30 da manhã. Acompanhada da mãe, estava deitada na cama, sem dores e sem nenhuma vontade de sair do lugar. O médico tinha colocado remédio na vagina pra estimular as contrações um pouco antes de eu chegar e precisei gastar muita saliva para fazer com que ela decidisse sair da cama.
Mas, uma vez de pé, caminhou muito, subiu e desceu escadas e rampas, sentou na bola, colaborou. Ela não era muito de falar e como as dores pareciam muito suaves, eu raramente sabia quando ela estava tendo uma contração.
Ela não parecia querer nada daquilo. Fiquei com a sensação de estar forçando a barra e decidi dar mais espaço pra ela. O resultado disso é que ela ficou muito tempo deitada e começou a resmungar que não sentia nada.
A esta altura a M. já tinha chegado e como expressava muito mais objetivamente o seu desconforto e pedia constantemente meu apoio, decidi dar mais atenção á ela do que a R.
Estávamos todas no mesmo quarto e eu sempre perguntava pra R. como ela estava, se não queria andar, tomar banho, se queria massagem entre as contrações e ela não se animava, nem parecia que estava em TP.
Acho que aos poucos o TP da M. foi contagiando o ambiente e ela decidiu sair da cama e caminhar na companhia da mãe. Em pouco tempo as dores começaram a ficar mais fortes, mas ela acabou voltando para a cama. Às 23h, depois de 5 horas de TP induzido, ela evoluiu mais 2cm e teve a cesárea indicada.
M., primigesta, 40 semanas, chegou com 1cm de dilatação e fazendo muito barulho.
Ela parecia estar no período de transição desde o começo e também aparentava total descontrole sobre o que sentia.
Caminhar era quase impossível, pois as contrações estavam muito próximas umas das outras. De pé, ela se apoiava em mim, largando completamente o corpo para a frente. Ela não conseguia ficar deitada ou sentada na cama, queria mesmo era apoiar em mim, sentar na bola e ficar de joelhos no colchonete. Isso até antes de descobrir o vaso sanitário. Nele, ela se transformava, parecia mais centrada, mais tranqüila, embora ainda sentisse dor.
O banho de chuveiro tinha o mesmo efeito calmante sobre ela. A M. é o tipo de mulher que as maternidades não gostam... ela gritava muito e muito alto. Pra quem estava de fora, parecia total desespero. Na verdade, nós rimos bastante juntas, por que ela falava umas coisas engraçadas e tinha umas reações irritadas, totalmente nada a ver entre as contrações.
A evolução dela estava muito lenta, o que a deixava ainda mais irritada, por que ela estava vendo o processo como algo muito doloroso, muito intenso e reclamava de não ser justo demorar tanto para conseguir só mais 1 ou 2cm. É difícil convencer uma mulher nesta situação de que mais 1cm é muita coisa, que o pensamento deveria ser: já foram 4cm! e não: ainda faltam 6!!
Quando o residente veio examinar a R. e indicou a cesárea, ele examinou a M. também e como ela estava com 4cm (esperava -se que fosse mais), ele disse que ia levar a R. pro CC e na volta se ela não tivesse evoluído mais, seria encaminhada pra cirurgia. Ela seguiu o curso dela, respirando, levantando, gemendo, etc. sem se importar muito com o desfecho.
Senta, levanta, anda, bola, vaso, agacha, pendura em mim....Precisei ir até a portaria, por volta de meia noite e aproveitei para procurar o marido dela e dar uma posição. Eis que descubro que o conheço!! Conversamos um pouco, falei da possível indicação da cesárea e voltei pra ficar com ela. Acho que ter certeza de que o marido estava lá fora esperando, deu um novo ânimo para ela e em pouco tempo ela chegou à dilatação total.
Um pouco antes da 1h da manhã, ela foi encaminhada ao CC (antes da R. que foi pra cesárea!!) e eu fui junto. Ela estava cansada, mas não foi preciso fazer muita força, o F. logo nasceu, sem que a mãe dele precisasse de uma epsiotomia.
Dado curioso: o residente só percebeu que não fez epsiotomia, depois de ter cortado o cordão e passado o bebê para a pediatra. Ele me olhou com olhos arregalados e disse: ah... nem teve epsio! E ainda disse que foi por que ela ficou na minha bola... O hábito é tão grande que o cara só percebe que não fez, depois!
C., primigesta, soropositiva para HIV, chegou na maternidade com contrações e 4cm de dilatação. A cesárea foi indicada por causa do HIV, mas antes de entrar para a cirurgia, ela precisava tomar alguns medicamentos. O TP dela também foi ficando intenso, mas eu mal consegui dar suporte, por que estava acompanhando a M. De qualquer maneira, as poucas massagens que consegui fazer nela, foram lembradas mais tarde como: a melhor coisa do mundo naquele momento... palavras dela.
20/01/06
Usei a minha bola pela primeira vez!
Faz um tempo que eu ganhei uma bola suíça, mas nunca tinha usado! Hoje foi dia de estréia!
No TP somente a E., primigesta, 41 semanas, grávida de uma menina, a S. Quando eu cheguei, ela estava deitada, tinha acabado de tomar um banho e de colocar um comprimido pra induzir as contrações. Começava a sentir leves dores que irradiavam das costas para a barriga.
Me apresentei e expliquei como era o meu trabalho. Ela gostou de saber que teria companhia, embora a mãe dela estive ali também. Saímos as 3 para caminhar pelo hospital e uma enfermeira do turno da tarde que cobria o plantão de uma outra da noite, não quis me deixar sair do setor. Eu questionei, por que ninguém nunca disse que eu não podia sair dali e achava que talvez ela não soubesse exatamente o que eu estava fazendo lá. Ela insistiu e foi um pouco grosseira até. Ela saiu de perto e eu dei de cara com o residente, que nos liberou para o passeio. Antes de passar pela porta do setor, ainda vi a A. se espichando toda pra me olhar e fazendo cara de poucos amigos.
Andamos o andar todo, subimos e descemos escada e rampa. Sentamos para tomar um fôlego e fui explicando um pouco mais sobre os processos do TP. Ela recebeu com muito entusiasmo as informações que eu passava e a mãe dela também. Foi ficando cada vez mais tranqüila com a decisão de ter o parto normal.
A mãe dela nos contou histórias curiosas e lindas sobre os nascimentos na família. O avô da E. "fez" o parto de todos os filhos da avó, em casa e tinha o maior orgulho disso.
Voltando para o quarto, encontramos a A. com o enfermeiro responsável do turno da noite. Ela me segurou e eu nem ouvi direito o que ela falava, mas acho que quis explicar seus motivos para ter me barrado antes e o enfermeiro só disse que já havia conversado com o médico e que estava tudo bem.
A E. ficou toda feliz rebolando na minha bola e mudando de posição de vez em quando. As dores começavam a ficar um pouco mais intensas e ela aceitou a massagem. Saímos para andar outra vez. Não estou bem certa da ordem dos acontecimentos, mas depois de um tempo o residente veio fazer um toque e constatou que a dilatação dela estava igual, ou seja, menos 1...
E quando ele disse isso pra ela, o rosto dela se transformou, ela não quis mais sair da cama e dizia-se cansada. Dei um tempo pra ela e fui receber uma outra menina que havia acabado de chegar.
T., adolescente, primigesta, 41 semanas, mecônio. Eu não sei nada sobre o cardiotoco dela, mas o residente indicou cesárea e o médico concordou. Ela ficou feliz com a decisão. Recebi a mãe dela uns minutos depois e pude ver o primeiro banho do C.
Então eu voltei pra E., que neste ínterim havia feito um cardiotoco, ficamos cerca de meia hora conversando, ela chorou, sentia-se frustrada, tanto empenho e nenhum dedo de dilatação. Tentei consolá-la e fazê-la entender que o TP é assim mesmo, que dentro em breve ele poderia deslanchar, mas que pra isso ela precisava mudar a postura e o pensamento, dar valor aos momentos vividos e colaborar o máximo que pudesse com o TP.
Ela decidiu caminhar novamente, mas antes quis ir ao banheiro e quando sentou no vaso a bolsa dela rompeu. Ela me chamou assustada e perguntou se era isso mesmo, concordei e perguntei se ela tinha visto o líquido. Infelizmente não estava límpido, havia mecônio escuro e espesso. Não mencionei nada pra ela e pedi que ela deitasse um pouco, já que o líquido não parava de sair.
Avisei a enfermagem sobre o mecônio e elas chamaram o médico que havia terminado a cesárea da T., mas ainda estava no CC. Ele veio e juntos fomos ver a E., ele me pediu para pegar o cardiotoco dela e mostrou no gráfico o que seria indicativo de possível sofrimento fetal (em W). E indicou a cesárea.
Ela ficou muito temerosa e fez muitas perguntas, pra no fim desabar num choro misto de tristeza e alívio. Fiquei com ela até que ela fosse levada para o CC e vim embora logo em seguida, pois já estava muito tarde.
Hoje o GO conversou comigo sobre as idéias que eu ando tendo com relação à minha atuação e ele foi muito receptivo, diz que quer me apoiar na minha jornada, mas que não sabe nem como começar. Me pediu cautela e perguntou se eu estou pronta para ser apontada, criticada, avaliada... Aproveitando, perguntou se eu estaria interessada em fazer uma experiência, trabalhando com ele no TP de uma paciente particular.
Caro leitor, você tem apenas uma chance para adivinhar a minha resposta!
16/12/05
Muitos tp's, grávidas passeando pelo hospital, soros, óvulos de prostaglandina, Dr. M., induções, forças compridas, cesáreas.
Aff! Eu demorei muito pra escrever desta vez, por que este último acompanhamento me deixou cabreira.
Normalmente tem uma ou duas mulheres no TP e fica mais fácil fazer alguma coisa por elas ou escapar da intervenção do pessoal do hospital. Hoje eu vi tanta coisa esquisita acontecendo que saí de lá completamente frustrada. Eu sei, isso acontece com freqüência, mas é que a minha tarefa não é fácil mesmo.
Eu não quero usar este espaço pra falar mal de médico ou de hospital, nem mesmo pra ir contra o sistema. Eu quero que o blog seja uma fonte inspiração para as mulheres que buscam algum diferencial no atendimento obstétrico.
Por isso eu preciso dar uma afastada, colocar a cabeça na janela para respirar, tomar fôlego. Se eu continuar no ritmo que as coisas estão, acabo pirando ou desistindo.
Então eu decidi que vou dar um tempo.
Enquanto isso, eu vou bolar a minha estratégia de atuação para o próximo ano. Quero mais, quero fazer melhor. Não posso ficar parada esperando que a coisa aconteça.... :O)
01/12/05
E hoje o bicho pegou na maternidade!
Tínhamos apenas um TP, mas de uma gestante cuja pressão estava nas alturas e não cedia de jeito nenhum! Eu queria ficar com ela, mas a maternidade estava lotada de barrigudas para passarem por consulta o GO estava sozinho, outros médicos e os residentes foram para uma formatura. Não sei se pela falta de acompanhamento ou se ela era assim mesmo, mas a moça me tirou do sério. Ela era muito ranzinza e não levava as orientações que recebia a sério. Nossos santos não bateram!
Hoje teve de tudo!
-mulher grávida do 6º filho, idade avançada e fumante, em TP de 35 semanas;
-adolescente desesperada querendo cesárea;
-mulher cujo marido estava viajando e ela foi ao hospital por que estava com medo de entrar em TP estando sozinha em casa;
-mulher com mastite em fase avançada, ficou internada para fazer drenagem;
-mulher com herpes ativo e bolsa rota, ficou internada, mas não sei qual foi o procedimento com ela;
-adolescente grávida do 2º filho, em estado de quase coma alcoólico;
-comida mexicana!
Calma, eu explico!
O GO sempre pede alguma coisa pra gente comer, geralmente é pizza! Mas na outra semana, eu sugeri que ele variasse o cardápio e ele optou pela comida mexicana... Acertou na mosca! Uma delícia!
Bom, hoje eu fiquei o tempo todo com ele. E ele disse que se fosse mágico, ia querer que eu fosse a assistente dele... hehe
Também disse que ficou muito surpreso e feliz com o fato de eu ter dedicado tanto tempo pra orientar duas meninas e convencê-las de que elas deviam voltar para casa, dando informações e segurança o suficiente para que elas esperassem em casa o início efetivo dos trabalhos de parto.
Eu não gosto muito de comentar este tipo de coisa, mas acho que estou mesmo ganhando espaço e a confiança dele.
O W. não é um médico humanizado daqueles que a gente tem como modelo, mas ele também não é um médico como os outros. Eu acho que ele está no caminho de descobrir que quer ser melhor do que foi ensinado a ser... E eu também tenho a impressão de que estar presente nos plantões dele, tem feito ele olhar para o trabalho que ele realiza com outros olhos. Ali, tem solo fértil e eu espero que um dia a gente possa fazer uma parceria de muito sucesso.
25/11/05
O médico do plantão da sexta não foi hoje, confesso que isso me desestimula bastante, por que outros médicos não conhecem a minha função e me olham com uma cara estranha, como se voluntárias fosse só as velhinhas da rua da casa da mãe deles....
Além disso, na ausência dele, o número de cesáreas aumenta consideravelmente e eu não tenho estômago pra isso (não pra cesárea, mas para a conduta).
Acabou que eu não fiquei lá. Vim pra casa, curtir meu filhote que estava particularmente engraçado hoje!
18/11/05
Um TP inspirador, o parto nem tanto.
Quando eu cheguei quase às 19h, a E. dividia a sala de TP com a M.
Ela estava acompanhada da mãe que era um misto de angústia e felicidade, apoio e apreensão. O toque havia sido feito a pouco, 7cm e a E. tinha acabado de sair do banho, que foi tomado com a intenção de aliviar o calor e não de ajudar no TP. Ela estava deitada, sem soro e tendo contrações ritmadas.
A mãe sai do quarto pra trocar de lugar com a nora. Enquanto ela não chega, eu aproveito pra conversar com a E. Explico o meu papel e o que eu acho que ela deve fazer para que as dores fiquem mais suportáveis, falo das posições, das massagens e do quanto o TP depende dela, etc.
Eis uma das mulheres em TP no voluntariado mais receptivas de todos os tempos. Ela estava sentindo muita dor, uma enorme vontade de gritar e se mexer, mas estava com medo. Não precisou de muito incentivo para mudar tudo.
A cunhada entra e fica ao nosso lado, segurando a outra mão da E., nos ajudando nos movimentos, etc. Ela sentou, ergueu as pernas, fez posição de borboleta, saiu da cama, caminhou, rebolou, agachou, gritou, gemeu, descansou, permitiu massagem, etc, etc. Ela fez tudo o que pôde!
Num determinado momento o residente entra no TP e diz: -Não grita, não! Gritar prende o bebê! E quando ele saiu eu disse: -Faça o que te der a cabeça, só não se desespere, seu corpo sabe como deve agir... Não é uma questão de querer ir contra o médico, mas queria ver se fosse com ele... Se ele ia querer gritar, gemer ou ficar calado.
Menos de uma hora depois, ela estava com dilatação completa. Neste toque, estávamos eu, a mãe, o médico e o residente. Fizemos festa pra ela, parabenizando o esforço e explicando os próximos passos. O médico pede à enfermeira que a leve ao CC e me pergunta se eu quero ir. Hum... mudanças! Nem foi preciso pedir!
É claro que eu fui! De novo temos uma mulher deitada de barriga para cima, pernas no estribo, o residente falando pra fazer força e querendo cortar (o médico mandando esperar, mas ela não escapou da epsiotomia), o médico pressiona a barriga dela, não chega a ser um Kristeller, o residente não pára de mexer na vulva dela, como que alargando a saída. Isso me incomoda muito, dá muita vontade de falar pra ele parar, pra tirar a mão!
Nasce o JP. Um bebê bem grande, já cheio de dobras. Tudo bem com ele, fazem os procedimentos de rotina (aspirar vias, limpar, etc), enrolam o pequeno num pano e trazem pra E. ver, ela dá um beijo nele, conversa e a pediatra já ia saindo quando eu disse:
-Ele não pode ficar um pouco mais? Posso colocar o bebê no peito dela? A pediatra olha pro médico, ele consente e ela me pede para levar o bebê ao berçário depois, por que ela não pode esperar.
O que acontece é que a UTI neonatal fica em outro andar e a pediatra vem de lá para atender os partos. Então ela não pode ficar. O JP. ficou uns 20 minutos com a mãe. Ergui a roupa dela e o coloquei deitado próximo ao seio. Ele não mamou, mas ficou lá sendo babado pela mãe. Aproveitei e falei um pouco (bem pouco mesmo) sobre vínculo e amamentação com ela.
A enfermeira do CC comenta que este é o verdadeiro parto humanizado! Mordo a língua pra não responder. Falta tanto ainda.... mas tudo bem, um passo de cada vez.
Depois levei o bebê pro berçário, onde ele tomou banho, vacinas, foi trocado e admirado pela família, e voltei pro CC. A expulsão da placenta demorou bastante, ela precisou tomar ocitocina pra ajudar e depois que eu saí do CC, ela teve uma enorme queda de pressão e uma pequena hemorragia.
A maternidade estava cheia hoje e muitas mulheres passaram por consulta. Acho que não comentei aqui, mas quando o médico entra na sala com elas, precisa haver outra mulher e quase sempre sou eu. Também passei nos quartos para a tradicional conversinha do peito com uma ou outra mãe.
Ah! Hoje tinha uma menininha japonesa, coisa mais fofa! O cabelo dela era pretinho e espetado, como os dos bebês orientais, só que tinha as pontas bem claras! Parecia que ela tinha feito luzes! Pode?
11/11/05
A maternidade estava lotada, uma confusão de pacientes, médicos e estagiários, mal dava pra andar! Mas não tinha nenhuma mulher no TP. Só consultas!
A teoria do Dr. J. se confirma: em dias quentes, a maternidade fica cheia de grávidas com menos de 38 semanas. Qualquer sintoma, mesmo que não relativo ao trabalho de parto, é motivo para que elas saiam de casa pra uma consulta. O frio inibe este tipo de reação impulsiva.
Fiquei lá no meio da bagunça, acabei ajudando em assuntos administrativos pela primeira vez. Quando a situação acalmou um pouco, fiz umas internações, arrumei cama, ajudei duas grávidas a se acomodarem, tomar banho, pedi comida pra elas, essas coisas....
Depois, fiquei no berçário com a Dr. Maria Cristina (pediatra, do meu filho inclusive), auxiliando o atendimento dela á uma mãe que estava com problemas na amamentação. Quando ela foi embora, segui para o quarto com a mulher e lá fiquei até a hora de ir embora. Rendeu uma boa conversa sobre amamentação (e no quarto tinha mais 3 recém paridas).
11/10/2005
Senac
Fui convidada para um bate papo informal com a turma do curso Técnico em Enfermagem.
Eles estavam fazendo um trabalho sobre humanização do atendimento e acharam meu nome no Doulas do Brasil. Me ligaram, conversamos um pouco e decidi ir.
Preparei um plano pra tentar seguir na hora, mas no fim a coisa fluiu como deu. Eu fiquei nervosa no começo, desacostumada das salas de aula (sou professora, pra quem não sabe), mas logo fiquei à vontade e foi muito legal.
Elas fizeram perguntas, tentei ser o mais clara possível, deixei indicações de leitura, sites, blogs e por fim, assistimos o vídeo Parir e Nascer. Eu gostei da experiência e voltei pra casa com um vasinho de mini margaridas, muito fofo!
07/10/2005
Serviço completo!
Cheguei mais tarde que o habitual hoje e uma mulher havia acabado de ter seu bebê. Ainda gozaram da minha cara, dizendo que eu cheguei atrasada para o que provavelmente, seria o único nascimento da noite. Peguei fama de pé quente (pra eles, né?), por que basta dar a minha hora de entrar, que as consultas encerram, não há admissão e conseqüentemente nenhum TP.
A. estava sozinha no TP, com ocitocina na veia e bastante desconfortável. Começamos conversando sobre a evolução dela, nome, um pouco sobre o bebê, etc. Chegou cedo demais ao hospital e estava impaciente. Não ajudou muito no processo, queixando-se de toda orientação que era dada. Não queria se ajeitar na cama, não conseguia levantar a perna, nem ficar de lado. Comportamento típico de entrega, que dificulta muito as coisas, por que dá a impressão de que a pessoa não quer ajuda nenhuma, quando na verdade é bem o contrário.
Com muito custo, consegui que ela sentasse na cama, ergui o leito, arrumamos os lençóis, ela penteou o cabelo, pediu água. Pareceu mais à vontade com a minha presença. Quando cheguei, o último toque apontava 4cm de dilatação. Meia hora depois, às 20:30h, 6cm. O máximo que eu consegui fazer foi ficar ao lado dela, segurando a mão bem forte durante as contrações, acariciando seu braço, enxugando o suor dela e falando palavras de incentivo.
Às 22:30h, 8cm de dilatação, colo fino, bebê descendo. Antes disso, o soro escapou da mão dela e demoram pra vir recolocar. Ficaram especulando se a lentidão do TP era por causa disso, aumentaram o fluxo do soro. Colocaram o cardiotoco, tudo normal. Por volta de 23h, o médico cruza comigo no corredor e pergunta como estão as coisas. Sou sincera ao dizer que ela não está ajudando muito e ele entra no quarto para ver como ela está. Ele meio que deu uma chamada nela, não uma bronca, mas um sacode... E ela de repente se pôs a colaborar mais. Logo estava com dilatação completa e começamos a ensaiar a força que ela deveria fazer pra ajudar na decida. Eu segurava a mão dela de um lado e o médico do outro. Em poucos minutos ele diz: Vamos para a sala de parto. Ela pede que eu a acompanhe, eu olho pro médico e repito o pedido. Ele concorda!
Chega o dia da minha primeira entrada no CC, meu primeiro expulsivo no voluntariado!Ajudei-a a subir na maca, levei-a até a porta do CC e fui me trocar. Roupinha verde, toquinha, máscara, sapatinho e lá fui eu, feliz da vida!
Infelizmente as condições não são as melhores. Mulher deitada de barriga pra cima, pernas pro alto, ambiente impessoal. O médico me apresentou pra equipe e decidiram que me chamar de apoio é mais fácil do que me chamar de doula. Ela fez força umas 4 vezes e o médico decidiu pela epsio. Então, na próxima força, nasce o T. Todo sujo de mecônio muito espesso, não chora imediatamente. A pediatra inicia os procedimentos, sai uma quantidade preocupante de mecônio na cânula, chamam a pediatra da UTI neo natal.
A mãe está alheia ao que acontece, o bebê chora um pouco e ela me pergunta se está tudo bem. Digo que sim, que as pediatras estão cuidando dele e que já o trarão para ela. No fim, ele abre os olhos, chora com vontade, mas como ainda respira muito rápido, cansado, decidem descer com ele para a UTI. Ficará em observação. Ela parece ficar tranqüila com as explicações que recebe, pergunta pra mim se é só isso mesmo. Enquanto o médico sutura e epsio, a gente conversa sobre o que passou, ela ri de como estava mal humorada e de como não ajudava. Agradece à mim, não larga minha mão um só segundo. Agradece aos demais e pede a Deus pra que seu pequenino fique bem.
Saio do CC, dou de cara com a irmã dela, que estava o tempo todo com a gente durante o TP (nem mencionei, né?, a mulher atrapalhava muito, só falava coisas inadequadas, quando saía de perto era um alívio). Ela me pergunta por que o bebê não ficou no berçário e na mesma hora antes que eu possa responder, o médico entra na sala. Ele começa a explicar e ela fala em culpa.
Ele ficou um pouco perturbado com esse comentário, não por que houvesse culpa, mas acredito que seja por que a mulher nem esperou que ele explicasse direito. Depois, nós (eu e o médico) conversamos sobre a possível cesárea que seria encarada como salvadora, já que elas provavelmente pensarão que se tivesse feito a cirurgia, nada disso teria acontecido ou que teria conseqüências menores.... Mas o mecônio estava lá há tempos, não tem nada a ver com um TP demorado ou com a convicção do PN. Muito pelo contrário, já que a passagem pelo canal de parto pressiona o tórax, ajudando a expelir os líquidos.
O duro é que como nenhuma delas tem a menor noção do que é certo, errado, esperado, anormal, a situação vai ficar no imaginário delas da forma como elas resolverem interpretar. Provavelmente não adiantará nada ter explicado. Antes de ir embora, eu desci com a tia do bebê até a UTI e fiquei esperando até que ela pudesse entrar.