Mostrando postagens com marcador Entrevista.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Entrevista.. Mostrar todas as postagens

15 de maio de 2011

Parto exige cuidado e proteção.

O parto é uma experiência única, principalmente quando acontece de forma natural, privilégio de poucas mães no Brasil. O momento, esperado por longos nove meses, deve ser especial. E para que isso aconteça é importante que a mais nova mamãe esteja cercada de carinho e proteção.
É para que este objetivo seja alcançado que existem as doulas no Brasil. Em Maringá, elas levam às mães informações sobre o parto natural e as acompanham, passando a segurança necessária, neste momento inesquecível.
A doula Patrícia Merlin conta que o acompanhamento dos partos é algo especial, porém o que ela mais gosta de fazer é orientar a futura mamãe durante a gestação, transferindo informações e mostrando a importância do parto natural.
Ela acredita que as mães que desejam passar pela experiência (parto natural) não devem decidir por incentivo do marido ou simplesmente porque alguém disse que é bom.
"Ela deve querer de verdade e entender que isso é importante para ela e para o bebê. Faz parte da sua natureza como mulher", enfatiza.
Patrícia Merlin ressalta que se a gestante não tem isso como verdade, então, é melhor não fazer.
Durante o trabalho de parto, a doula faz exercícios de relaxamento, massagens, orienta o esposo a conversar com a gestante, além de oferecer informações sobre respiração, banhos, melhores posições, além da simples, mas reconfortante, presença no local. "Muitas vezes, a gestante precisa apenas de apoio, que alguém segure em sua mão ou diga que está tudo bem e acalmá-la", relata.
As doulas também orientam quanto ao momento certo de ir ao hospital para que a mulher chegue ao local perto da hora do nascimento do bebê.

Fonte: http://www.odiario.com/saude/noticia/417007/parto-exige-cuidado-e-protecao/

14 de maio de 2011

A experiência do parto domiciliar.

Brasil é um dos países com maior taxa de cesárea. De acordo com o Ministério da Saúde, 42 em cada 100 crianças nascidas no País vêm ao mundo por meio do parto cesariano. O número, está muito acima dos 15% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Há quem acredite que a cesárea é a maneira mais eficaz e segura para o nascimento do bebê, pois é feita com intervenção cirúrgica, sem dor e dentro de hospitais.
Mas, segundo dados da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (ReHuna), quando a cesárea é feita sem necessidade, aumenta de cinco a sete vezes o risco de morte materna.
Além de resultar na alta do número de bebês que nascem prematuros e que precisam ficar internados em centros de cuidados intensivos.
O parto normal proporciona vantagens que a intervenção médica não apresenta. E, o melhor, pode ser feito em casa.
A gestante Noemy Gesteira está na 34ª semana da gestação e deseja ter a filha em casa. O parto está previsto para o início de junho e tudo indica que o parto será natural.
"Esse é um desejo meu e do meu esposo e achamos que é melhor para mim e para a criança. Quero ter minha filha em um local em que estamos acostumados e onde nos sentimos bem. Espero que tudo dê certo", diz.
A doula Patrícia Merlin teve o segundo filho em casa e conta que tudo acontece de forma muito natural. É como mais uma das suas atividades diárias. "Tive a minha filha na minha cama, depois fui tomar banho no meu banheiro, com as minhas coisas e tudo correu muito bem", conta.
Ela ficou acompanhada por uma doula e duas enfermeiras obstetras que cuidaram de todo o procedimento.
A obstetra e especialista em genética pela USP, Ana Cristina Duarte, elogia o parto domiciliar e acredita que "desde que a mulher esteja se sentindo segura, no ambiente familiar tudo conspira para que seu corpo funcione da melhor forma possível".
Ela afirma que nesse tipo de parto a gestante não precisa se preocupar com limites de tempo, trânsito e bagagem, além de estar em casa - o lugar em que mais se sente à vontade.
A gestante simplesmente chama a equipe e espera o momento de dar à luz. O médico que a acompanha durante o pré-natal pode dizer se a mãe tem ou não condições de fazer o parto domiciliar.

O que a Doula faz
Antes do parto: Orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Durante o parto: A doula atua como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e no parto mostra formas eficientes de respiração, além de propor medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc.
Após o parto: Faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebê.
(Fonte: http://www.doulas.com.br/)

A Doula e o pai
A doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como se comportar naquele momento. Não sabe exatamente o que está acontecendo, preocupa-se com a mulher, acaba esquecendo de si próprio.
A doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.

Fonte: http://www.odiario.com/saude/noticia/416999/a-experiencia-do-parto-domiciliar/

26 de abril de 2011

Acompanhante pode ajudar durante o parto.

Antigamente as mulheres que engravidavam eram acompanhadas de perto por outra mulher mais velha que, geralmente, já tinha passado pela experiência, como a mãe, a irmã mais velha ou uma vizinha. Com o passar do tempo e o momento do nascimento levado para dentro do hospital, esse processo tem sido diferente. Hoje a mulher conta com médico, enfermeira, auxiliar de enfermagem e pediatra. Todos têm suas funções bem definidas, mas nenhum deles está diretamente preparado para dar suporte físico e emocional à parturiente. A presença de uma acompanhante no momento do parto pode gerar vários benefícios.

Neste sentido, surgiu uma função chamada doula. Em grego essa palavra significa "mulher que serve", ou seja, uma acompanhante preparada que fica junto da família durante toda a gestação, dando suporte físico e emocional antes, durante e após o parto.

Na gestação, a doula auxilia na preparação da mulher. Ela explica o que esperar do parto e todos os procedimentos detalhadamente, além de ensinar exercícios e movimentos para facilitar o momento do parto. Durante o procedimento, a doula age como intermediadora entre a equipe e a gestante. Ela orienta maneiras de aliviar a dor e serve como um apoio emocional quebrando a frieza do ambiente hospitalar. Após o parto, a doula faz visitas ao novo bebê auxiliando com a amamentação e outros cuidados.

Patrícia Merlin tem magistério. Ela diz que após uma experiência traumática numa cesariana, interessou-se por essa área e passou a pesquisar o assunto. No nascimento da segunda filha ela contou com o apoio de uma doula e o parto aconteceu de forma natural, dentro da casa dela. Após fazer um curso na área, Patrícia passou a fazer um trabalho voluntário na Santa Casa de Maringá, cidade onde mora atualmente. Ela contava suas experiências em um blog. E através disso, tornou-se conhecida de outras gestantes. Foi assim que uma mulher a convidou para auxiliar na gestação.

De lá pra cá foram aproximadamente 200 partos acompanhados por Patrícia. "O acompanhamento consiste em entender os desejos e medos da gestante, os mitos e a forma de trabalhar do médico. É perceber como está o marido e como a família está se preparando para o momento. É orientar a mulher para uma escolha consciente e não escolher algo porque todo mundo escolhe", afirma Patrícia Merlin.

É importante ressaltar que a doula não substitui o pai ou o acompanhante escolhido pela mulher. A doula serve para auxiliar o comportamento dele também. Muitas vezes por nervoso e preocupação o pai fica sem saber o que fazer. É neste momento que há a interferência da profissional.

A doula não tem orientação para fazer nenhum tipo de procedimento de saúde. Ela não está apta para isso. A função é dar suporte e apoio à parturiente através de suas experiências. Estudos mostram que a presença de uma doula pode diminuir em até 50% as taxas de cesarianas. A duração do trabalho de parto é reduzida em 20%. As solicitações por anestesia caem em 60% e o uso de medicamentos também diminuir em até 40%.

Patrícia ressalta que não é sempre que as doulas podem contar com o apoio dos médicos. "A maioria não sabe o que é e por isso não respeita. Eles acham que não precisa", revela. "As mulheres que têm vontade de fazer algo diferente é que precisam mudar e fazer prevalecer sua vontade. É poder dizer eu quero assim e se não for do meu jeito eu vou mudar."

(REPORTAGEM: ANELIZA PAIVA. EDIÇÃO: PEDRO ANTONIO RAMAPAZZO)
Leia esta e outras matérias relacionadas no mesmo link!

15 de novembro de 2010

“As mulheres podem muito durante o parto”.

As doulas são acompanhantes de parto profissionais, que ficam responsáveis pelo conforto físico e emocional da parturiente durante todo o processo gestacional – pré-parto, nascimento e pós-parto.

E assim, como doula voluntária, Patrícia Merlin já acompanhou o parto de mais de 150 mulheres na Santa Casa de Maringá, no Paraná, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Fez esse trabalho por dois anos e meio, mas sua primeira experiência ao parir, em 2003, foi frustrante. Ela conseguiu mudar a própria história e hoje faz um trabalho de ativista e militante, atuando no apoio a outras mulheres, que lutam pelo chamado parto humanizado.

O que é o parto humanizado?
As mulheres veem o parto de forma ruim, como algo feio ou sofrido, porque elas não conhecem o desenrolar do parto, não sabem como podem melhorar a experiência, não reconhecem seus direitos. Eu não defendo o parto onde a mulher é privada de comer, andar, fica presa a uma cama, impedida de ver seus familiares, impedida de gritar e verbalizar durante o trabalho de parto. Defendo o acesso a informação de qualidade e ao tratamento humanizado – que nada mais é do que tratamento personalizado, onde conta o desejo de cada parturiente, não se tratando de ser humano, de ser bonzinho, as pessoas confundem muito isso. As mulheres podem muito durante o parto, mas geralmente alguém diz que elas não podem nada e transformam a experiência em algo ruim.

Por que é mais vantajoso o parto normal?
A mulher que tem seu bebê através de parto normal, está informada sobre o procedimento e é atendida por uma equipe que respeita seus desejos, enfrenta o parto e vida de outra maneira. Ela descobre que é capaz de lidar com a dor e a adversidade muito mais facilmente do que pensava.O bebê corre menos risco de nascer prematuro, não corre riscos de ter problemas respiratórios típicos de quem nasce por cesárea.A mulher tem a oportunidade de vivenciar de forma ativa e lúcida um dos momentos mais marcantes da sua vida. O parto é transformador, traz um empoderamento e uma sensação de força inigualáveis e o pós parto é tranquilo, sem dores e sem medicamentos. Além disso, o parto normal reduz as chances de depressão pós parto e aumenta as chances de sucesso na amamentação.

Muitas mulheres temem ou não recomendam o parto normal por se tratar de uma experiência dolorosa e, algumas vezes, traumática ou humilhante, devido à eliminação de fezes e urina durante o parto.
O parto é um processo fisiológico, assim como fazer xixi ou cocô. Muitas outras coisas desse tipo acontecem durante o parto, porque é um momento de alteração hormonal intensa. Mas essas coisas são vistas como secundárias quando a mulher conquista o parto e as coisas boas que vêm com ele. Para mulheres que querem parir, é muito mais importante encontrar um médico que apóie. Para quem se preocupa com estas questões, fica claro que não houve acesso as informações relevantes sobre o parto. Sem contar que as equipes de atendimento ao parto estão habituadas a estes eventos. Ninguém fica comentando e geralmente a própria mulher nem percebe que aconteceu.

A técnica do parto na água fez sucesso a pouco tempo, principalmente depois que Gisele Bündchen divulgou ter feito o parto com essa técnica. Ela é recomendada? Quais são as precauções?
Nascer na água é tão recomendado quanto nascer de qualquer outra forma natural. O ambiente é favorável para a mãe, porque relaxa e faz diminuir a sensação dolorosa, e para o bebê que sai da água para a água. Qualquer mulher apta a parir fora da água, está apta a parir dentro dela. O maior cuidado que se deve ter é com relação a temperatura da água, que não deve ser muito alta para não baixar a pressão arterial, nem muito fria para não causar hipotermia no bebê.

Patrícia Merlin:
Nascida em São Paulo, em 1976, Patrícia Merlin mudou-se para Maringá no ano 2000. Idealizou e criou a rede de apoio a gestante em Maringá e depois partilhou com outras mulheres, que a ajudaram a fundar redes em Londrina e Curitiba. Nos grupos, o índice de nascimento por cesariana é baixo se comparado à média nacional. Apenas um terço das mulheres precisou fazer cirurgia, contra quase 85% do índice nacional.




16 de outubro de 2010

Entrevista para Patricia Zanin, da Rádio UEL - Londrina 16/10/2010

Ela acompanhou o parto de 150 mulheres na Santa Casa de Maringá, via Sistema Único de Saúde. Fez esse trabalho de doula voluntariamente, por dois anos e meio. Ouça o áudio completo abaixo.
Sua primeira experiência ao parir, em 2003, foi frustrante. Mas ela conseguiu mudar a própria história e hoje faz um trabalho de ativista e militante. Atua no apoio a outras mulheres, que lutam pelo chamado parto humanizado.
Nascida em São Paulo, em 1976, Patrícia Merlin mudou-se para Maringá no ano 2000.
Ajudou a fundar redes de apoio a gestante em Maringá, Londrina e Curitiba.
Nos grupos, o índice de nascimento por cesariana é baixo se comparado à média nacional. Apenas um terço das mulheres precisou fazer cirurgia, contra quase 85% do índice nacional.
Tinha ouvido algumas amigas comentarem do trabalho de Patrícia e estava curiosa para conhecê-la. Deu certo.
Ela esteve em Londrina para o Fórum Paranaense de Atenção ao Nascimento, realizado nos dias 7 e 8 de outubro, no Hospital Universitário. E contou um pouco de sua história.

Ouça a entrevista no site da UEL: http://www.uel.br/uelfm/audios/8212-Audioretratos_28_Patricia_Merlin_16_outubro_19_outubro ou no ícone do menu do blog à direita.

4 de outubro de 2010

Entrevista da Thelma na Rádio UEL - 04/10/2010

Que cultura é essa, a nossa, de tratar o nascimento como risco? Por que somos o segundo país da América Latina com maior número de cesarianas?


A primeira edição do Modos de Vida traz um bate-papo com a enfermeira obstetra e coordenadora do grupo de grávidas Gesta Londrina, Thelma Malagutti Sodré.
Ela esclarece essas e outras questões. E também traz informações sobre o I Fórum Paranaense sobre Novas Perspectivas de Atenção ao Nascimento, nos dias 7 e 8, no Hospital Universitário.
Thelma repercute ainda a fala, gravada, da jornalista Ana Carolina Arruda Franzon, uma das fundadoras do GestaLondrina, que compartilhou na rádio sua experiência de ser mãe.
Ouça a entrevista no site da Rádio UEL: http://www.uelfm.uel.br/arquivo.php?id=5318  ou no menu à direita do blog.

11 de julho de 2010

Planejamento familiar: os tipos de parto.

A médica ginecologista e obstetra Denise Costa Meyer fala sobre os tipos de parto e qual é o mais indicado para cada mulher. Assista à entrevista exibida no Bom Dia SC em 11/04/2009.


Atentem ao discurso. Prestem atenção nas perguntas e nas respostas e pensem comigo: por que chamaram uma médica que nunca acompanhou parto (nenhum tipo, pelo visto) para falar de parto normal e dar opinião sobre parto domiciliar??

10 de julho de 2010

Menos adrenalina e mais ocitocina no parto.

Entrevista com Michel Odent, obstetra

A tecnologia é aliada do homem na Medicina, mas faz com que alguns instintos sejam deixados de lado. Para o obstetra francês Michel Odent, o aparato tecnológico está tornando os partos menos eficazes. Ele defende a “mamiferização” do parto, que é como chama o conjunto de ações que fazem com que o nascimento respeite as condições inatas da mulher. Quanto mais máquinas, especialistas por perto e iluminação, menor a segurança da mulher no momento em que ela precisa estar tranquila para dar à luz, diz Odent. O bebê deveria ficar com a mãe assim que nasce e ser amamentado na primeira hora de vida. Sempre lembrando que somos animais, o obstetra fala sobre a fisiologia do parto, sobre os hormônios e substâncias ligadas ao nascimento e ao medo, que podem causar dor.

Odent ficou conhecido por in­­­­troduzir no hospital de Pithi­­­viers, na França, o conceito da casa como sala de parto e da utilização das piscinas de parto. Autor de 12 livros publicados em 22 línguas, o médico esteve em Curitiba no início de abril e conversou com o Viver Bem.



Michel Odent no local de sua palestra, em Curitiba, onde todos foram “convidados” a ficar sem sapatos

 
No Brasil, preconiza-se o parto humanizado que, além de prever a presença do pai ou acompanhante na sala, propõe que o bebê fique no quarto com a mãe logo depois do nascimento. O que o senhor considera parto humanizado?

Entendo o parto humanizado de uma maneira diferente. É preciso redescobrir o nascimento, libertar-se de tudo quanto é crença e ritual milenar ou cultural, eliminando o que é especificamente humano. A começar pela linguagem, que é o método humano de comunicação. É preciso satisfazer as necessidades universais específicas de mamíferos, como, por exem­­­plo, ter segurança. Na floresta, se uma fêmea está para ter um filhote e percebe que há um predador por perto, vai liberar adrenalina, essencial em uma situação de emergência na necessidade de partir para a luta. Essa adrenalina vai bloquear o parto, postergar o nascimento. A segurança é uma necessidade básica para qualquer mamífero. Outra necessidade básica é não se sentir observado. Então, mais do que humanizar o parto, é preciso “ma­­­­miferizar” o nascimento e por isso essa expressão parto hu­­­manizado não tem o mesmo sig­­­­nificado para mim. Humanizar é usar um número grande de ferramentas, é a cesária.

O Brasil é considerado um dos campeões em números de cesárias. O senhor acha que isso é uma consequência cultural ou uma escolha médica?

O Brasil não é exatamente o campeão em número de cesárias. Encontramos número ele­­­­­vado em todos os países onde existe um grande número de mé­­­­­dicos obstetras e nos quais as parteiras desapareceram. Aconte­­­ce em todas as grandes cidades da Amé­­­­­rica Latina, chinesas, indianas, coreanas, iranianas, ou em qualquer parte do mundo onde o número de médicos especialistas é grande.

Na sua opinião, qual é o principal argumento para convencer as brasileiras de que o parto normal é melhor do que a cesária?

Não sei se o objetivo é convencer. Não gosto de usar essa palavra porque o que busco é compreender qual a necessidade básica da mulher. Tive a oportunidade de conversar com estudantes do Rio de Janeiro, adolescentes, e elas afirmaram que gostariam de ter parto normal. Então, creio que o obstáculo está em entender a necessidade das mulheres.

O medo da dor no parto e as facilidades de equipamentos encontradas hoje nos hospitais faz com que muitas mulheres, principalmente das classes média e alta, optem pelo parto cesáreo. O que diria a elas?

Quanto mais difícil é o parto, maior a dor. É preciso aprender a ter partos fáceis. Quando são fáceis, o sistema fisiológico protege a mulher da dor porque o nascimento é eficaz. É o parto que libera uma boa quantidade de endorfina pelo cérebro, assim como a ocitocina, fazendo com que a dor fique de lado. Ou pelo menos ela não é tão percebida. Quando existe esse equilíbrio, mesmo que haja dor, as mulheres a esquecem logo em seguida ao parto, ao contrário de quando há uma quantidade desequilibrada desses hormônios, quando há presença da adrenalina. Para que esse parto mais tranquilo aconteça, é preciso que o ambiente seja propício. O que aprendi em 50 anos acompanhando partos, seja em casa ou no hospital, é que o ambiente facilita o procedimento e reduz a dor. Esse ambiente deve ser silencioso, sem tanta gente em volta observando, sem tanta luz. Quanto mais simples, mais eficaz é o parto. Para isso é preciso compreender a fisiologia do parto e redescobrir o que é mais simples.

Recentemente, a modelo Brasi­­­­leira Gisele Bündchen teve um parto em casa, em uma banheira, o que despertou curiosidade sobre esse modelo de parto. Está se tornando comum? Quais as condições para esse tipo de parto, em casa?

A mulher que vai ter o bebê necessita se sentir segura e para isso não há uma regra para todas. Ela pode se sentir segura em casa, com uma parteira, ou perto de máquinas. São mulheres diferentes, mas que têm a mesma necessidade de segurança. Hoje o parto domiciliar é possível em uma sociedade urbana na qual as mu­­­­lheres vivem perto dos melhores hospitais. O ideal seria combinar o que há de bom em casa com o que há de bom no hospital.
Gisele Bündchen (na foto, grávida) teve seu filho Benjamin em casa

24 de maio de 2010

Parto humanizado no programa Mulheres - São Paulo - SP.

Teve a participação da parteria Priscila Colacioppo, que atende com a Marcia Koiffman, da Kátia Bargo, da Renata Budoia e da Luzinete Rocha com o marido Renato.

Seguem links do Youtube, por que postar 3 vídeos de uma vez, sobrecarregaria o blog.


parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=Ziuk1s5O530

parte 2
http://www.youtube.com/watch?v=c5Lv_OUL_h0

parte 3
http://www.youtube.com/watch?v=5OkKy_Y_2l0

9 de maio de 2010

Alexandre Garcia e sua "opinião" sobre o Parto Humanizado.

Ele deu a seguinte entrevista para falar de um panorama geral da saúde no Brasil, mas mencionou de forma muito desrespeitosa o parto humanizado.




Nota da Pati Merlin: No DIA DAS MÃES eu gostaria de postar algo bem LINDO que é o que merecemos. Mas infelizmente este tipo de atitude é o retrato do pensamento coletivo, leigo, preconceituoso e desinformado; e precisa ser evidenciado para que as pessoas reflitam sobre!

Estamos elaborando uma carta resposta que será disparada EM BREVE!

1 de maio de 2010

Parto de Famosas.

Gisele não está só!
A esposa de Érik Marmo (tá bom, o famoso é ele) teve o bebê em casa.
http://revistaquem.globo.com/Revista/Quem/0,,EMI107290-9531,00.html

A Andrea Santa Rosa (senhora Márcio Garcia) também.
http://www.caras.com.br/secoes/noticias/noticias/10590/
É interessante notar que estas mulheres não fazer barulho em torno de seus partos, mas mesmo assim muitas vezes são chamadas de "criadoras de moda" e nós, mera seguidoras... Ao menos é um bom exemplo.

E a Fernanda Lima fala sobre seu parto gemelar no programa da Ana Maria Braga. Embora aparente não ter muito esclarecimento sobre as intervenções no parto, é inegável a grandeza de parir dois... não pelo parto em sí (por que a gente ACREDITA mesmo que as mulheres são capazes de parir1, 2,3...), mas por ter conquistado este parto em tempos de cesárea por qualquer motivo mais fútil.

Tenham paciência, a primeira parte do vídeo é sobre o programa dela na Globo.
http://video.globo.com/Videos/Player/Entretenimento/0,,GIM1113291-7822-FERNANDA+LIMA+FALA+COM+ANA+MARIA+BRAGA+SOBRE+AMOR+E+SEXO,00.html

10 de março de 2010

Informações e escolhas fazem as mulheres mais seguras.


O nascimento a seu tempo. Bem simplista a frase, mas é a tradução do trabalho de quem se dedica à humanização na hora do parto e à disseminação do nascimento de bebês de forma natural. Aqui em Sorocaba, um espaço dedicado à maternidade ativa completa um ano de existência amanhã. É o Ishtar - Espaço para Gestantes, uma entidade nacional que surgiu primeiramente em Recife e que se espalhou por várias cidades do Brasil, com o objetivo de oferecer apoio à gestante e ao parto ativo.

Os encontros começaram timidamente em Sorocaba, segundo as doulas coordenadoras do grupo, mas o grupo foi crescendo e o número de partos naturais também. Bons frutos, como elas dizem. Em um ano de atividades e muitas novidades, as doulas Letícia Arruda e Carla Arruda, coordenadoras do grupo, notaram que muitos casais e mulheres estão em busca de informação sobre parto humanizado. Pensam que essa busca já devia existir e que com pouca divulgação dos temas relacionados, as mulheres ficam inseguras e vulneráveis, deixando de acreditar nelas próprias, nos seus corpos. Para elas, informação e escolhas fazem as mulheres mais seguras de si.

Letícia e Carla se conheceram por estarem entre as poucas doulas da região de Sorocaba. Em comum, elas tinham a vontade de montar um grupo de discussão para troca de experiências e informações para atender interessados da cidade e das proximidades. “Apesar de haver pessoas interessadas na maternidade ativa, ainda há muita carência neste tipo de grupo de apoio. Com essa vontade, nos conhecemos, trocamos idéias com outras doulas e veio a oportunidade de ter um Ishtar aqui em Sorocaba”, contou Letícia. “Juntamos então esse formato de grupo de troca de experiência e informação, com a nossa vontade de atuação como doulas e surgiu o grupo”.

O perfil dos participantes é amplo, variado. Segundo Carla e Letícia são mulheres que querem engravidar e desejam informações gerais ou indicação médica humanizada, mulheres em qualquer fase da gestação que procuram pelo grupo por curiosidade sobre o parto humanizado, ou por descontentamento com o obstetra atual ou ainda porque já estão com a ideia de ter um parto normal humanizado mesmo. “Já recebemos mães também com bebês nascidos que tiveram cesáreas e desejam parto normal no próximo ou que querem apenas dividir experiências sobre amamentação, por exemplo. Há ainda quem está a procura de doula e chega até nós para saber de nosso trabalho”, disseram. Homens também têm participado bastante e de forma ativa, o que para elas é motivo de enriquecimento dos encontros. Profissionais da saúde interessados no tema também marcam presença.

O parto é da mulher.

A maternidade ativa -gestação, parto, pós parto, amamentação - pautam os encontros, tornando-os flexíveis e diversificado. As recomendações da Organização Mundial para Saúde (OMS) para parto normal e fisiologia do parto são base para os temas-chave das reuniões e servem tanto de informação quanto de estímulo para a busca de conhecimento e desmitificação de alguns assuntos que as doulas consideram ‘culturalmente obscuros’, como dor do parto e a própria amamentação. Tudo isso com espaço aberto para os participantes tirarem suas dúvidas e compartilhar experiências. “Esse modelo já é um guia de como é a atenção humanizada. Estimulamos as escolhas com conhecimento, com proatividade. Além das informações, temos temas para relatos de parto e também indicamos bibliografia e profissionais que trabalhem a favor do parto normal aqui na nossa região”, explicou Letícia.

As doulas acreditam que a indicação de um profissional que seja realmente favorável ao parto normal possibilita que as gestantes consigam de fato o que desejam. “O parto é algo natural e instintivo, não há o que a mulher precise aprender para conseguir parir. Infelizmente, já que vivemos num país onde a porcentagem de cesáreas é abusiva, conseguir seguir seus instintos e parir com profissionais de confiança é algo difícil de encontrar. Existem poucos profissionais humanizados, que acreditam mesmo que o parto seja da mulher”, enfatiza Letícia.

Os encontros.

É numa sala agradável, cheia de almofadas e janelas que dão para árvores, cedida pelo Armazém Fruto Amarelo, que o grupo se encontra, a cada quinze dias, aos sábados de manhã, às 9h30. Letícia e Carla contam que o lugar tem uma energia incrível. Qualquer pessoa interessada pode participar e as coordenadoras pedem que a presença seja confirmada por telefone ou pelo e-mail divulgado no blog. Vídeos, livros, materiais e profissionais complementam o trabalho que é gratuito para os participantes. “Já fizemos caminhadas e nesse ano pretendemos ampliar as atividades com slingadas, encontros externos, mais convidados”. Além dos encontros por meio do Ishtar, Carla e Letícia oferecem o trabalho de doulas, aulas de shantala e atendimentos em acupuntura.

O Armazém Fruto Amarelo fica na rua Senador Vergueiro, 46.
O blog do Ishtar é o http://www.ishtarsorocaba.blogspot.com/
O e-mail é o espacoishtarsorocaba@gmail.com

Um encontro natural.

Letícia conta que se tornou adepta do parto humanizado ao engravidar de sua filha, hoje com quase 3 anos completos. “Na época descobri uma lista de discussão na internet que me trouxe muitas informações e eu tive uma experiência de parto maravilhosa. Tive um parto natural hospitalar, ao lado do meu marido. Foi bastante emocionante conseguir trazer minha filha ao mundo em seu tempo, em nosso tempo”.

Antes de terminar a formação em Terapia Ocupacional, Carla já se interessava em gestação e bebês, mas não tinha ideia de como juntaria isso à sua profissão. “Aos poucos fui lendo, fiz cursos e quando vi estava fora do meu trabalho e me dedicando totalmente ao ativismo pelo parto humanizado. E feliz demais”, comenta.

Além de muitas afinidades e coincidências, até no nome, as doulas resolveram fazer o grupo. “Logo, parece que por mágica, Carla engravidou e sua barriga junto com o grupo”. E Henrique nasceu em julho, em casa, com a Letícia como doula. “Os laços do Ishtar se estreitaram e essa é uma das histórias lindas que temos. Conhecemos muitas pessoas queridas e tivemos a felicidade de acompanhar partos e histórias que nos trouxeram muitas amizades”, fala Letícia.

Fonte: http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=33&id=258645

18 de fevereiro de 2010

Parto Humanizado na BAND.

Bettina Bittar, Marilia Largura, Sarita Largura, GAMA, Ana Cris, Cris Balzano.
Só gente boa falando bonito sobre parto!

http://videos.band.com.br/v_49040_saiba_mais_sobre_o_parto_humanizado__parte_1.htm

Para ver a segunda parte é só clicar no vídeo à esquerda, com um sinal de + num quadradinho azul.
E depois volta aqui pra ler mais coisas! Não foge não!

ps. retirei os vídeos e deixei somente os links por questavam muito pesados.

29 de dezembro de 2009

Entrevista com a parteira Ina May Gaskin


Abaixo vocês podem ler a tradução da entrevista:

"Descobrimos que as coisas fluem mais facilmente no parto se a mãe consegue rir. É meio engraçado, sabe, a bolsa de água se rompe em locais e momentos inconvenientes. A pessoa tem que relaxar um pouco e pensar “ok, parir é assim”. Entenda que não havia TV naquela época, como hoje, em que se pode assistir a um parto a qualquer hora do dia ou da noite, onde geralmente você vê uma peridural ou cesárea, mas você não verá o bebê realmente saindo porque eles embaçam a imagem, não é? É difícil ver a parte mais interessante, desculpa, censurado, não podemos dizer, porque o bebê está saindo de um lugar tão socialmente destruído que não se pode ver. Então, mostram uma incisão porque é aceitável ver o corte, o sangue espirrando, as mãos cavucando para tirar o bebê, mas não podemos ver um bebê nascendo naturalmente.

Acredito que, se as pessoas pudessem ver o que nós parteiras vemos o tempo todo, as mulheres não teriam tanto medo, porque na verdade é algo muitas vezes bonito.

Você também pode observar algo que jamais verá nos livros médicos: a expressão no rosto da mulher pode dizer se ela tem ou não uma laceração,vocês já ouviram falar disso? Eu aprendi isso observando os primeiros 50 partos, porque tive o privilégio de estar com pessoas que não ficaram aborrecidas comigo ou sentiram-se invadidas se eu realmente as observasse no momento do parto. E claro que pude fazer isso porque, se a mulher tem um bebê dentro de um ônibus escolar, não importa se no meio do inverno ou num verão muito quente, ela ficará nua, começará a tirar a roupa uma vez que,quando você está parindo, é uma sensação horrível ter tecido encostando na sua pele, a não ser que você esteja num lugar congelante, o que não era o caso. Então, eu podia ver o que estava acontecendo, podia observar a mulher inteira e aprendi que muito está relacionado com o humor dela e outras coisas que não estão em livro algum.

"Por exemplo, houve uma mulher que era uma amiga e que estava tendo seu primeiro filho. Ela foi a minha quadragésima segunda e mais da metade delas era de primíparas, como ela. Então, ela entrou em trabalho de parto e chegoua 8 cm relativamente rápido e pensei “que ótimo, vou ver este bebê nascendo antes da minha viagem à tarde” e depois as coisas passaram a caminhar mais devagar. Nós tínhamos estado rindo, brincando, divertindo-nos, porque quando a mulher está tendo dores, contrações, o que eu chamava “rushes”, já que não gostava muito dessas palavras, uma vez que nem todo o mundo tinha dor ou sensações que elas chamariam de “dor. Eu não tive. Você também não? (perguntando a alguém da produção). Eu gostei! Então o que você faz? Algumas mulheres dizem “é a pior coisa que já senti na vida” e outras pessoas falam “isso não é ruim, é até excitante”. Tínhamos os dois tipos e também algumas que nem sabiam o que estava acontecendo, nem imaginavam que estavam em trabalho de parto."

" Neste caso particular, lá estava essa mulher e subitamente o ambiente ficou silencioso e me perguntei se o bebê iria nascer. Perguntei se poderia checar a dilatação novamente e ela concordou, então examinei e ela estava somente com 4 cm! Ela não fez nada que eu tivesse visto que pudesse mudar as coisas, nunca soube que alguém podia “desdilatar” o cérvix, nunca li isso em um livro e àquela altura, eu já havia lido muitos livros médicos. Eu dissea ela “sei que seu cérvix pode abrir, porque já abriu. Tenho certeza absoluta de que você estava com 8 cm, mas observei que você não está mais rindo das nossas piadas bobas e é a única diferença que posso notar no seu comportamento. Então por que você não começa a rir de novo para ver se isso vai consertar as coisas? ” Ela também tossia e eu já tinha reparado em como era a tosse dela antes e agora, quando ela tossia era bem fraquinha, como se estivesse fazendo um esforço para não ativar algo mais profundo. Aí ela começou a rir novamente e adivinhe: teve o bebê. Aprendi com isso algo muito importante: o trabalho de parto pode regredir em mulheres. Eu meio que sabia que isso poderia acontecer com animais porque lembro da minha tia contando casos. Aqui, se as crianças queriam ver o nascimento de um potrinho, era a única ocasião em que permitíamos que tomassem refrigerante, porque assim ingeriam cafeína e ficavam acordados a noite toda. Quando iam dormir, a égua dava a luz. É assim, as mamíferas não querem ser observadas, o cérebro não gosta de ser observado quando estamos permitindo que algo grande saia do nosso corpo. É por isso que banheiros públicos costumam oferecer privacidade em cada vaso sanitário."

" Então fui para a cama cheia de livros médicos para ver se não os tinha lido cuidadosamente. Fui a uma biblioteca médica para ver se isso havia sido publicado e não havia nada a respeito. Finalmente, fui falar pessoalmente com um monte de enfermeiras e parteiras e todas as que tinham alguma experiência estavam familiares com o fato de que, algumas vezes, examinam a paciente, anotam no prontuário uma dilatação X e depois quando reexaminam descobrem que a dilatação diminuiu. Perguntei se elas não escreviam isso e a resposta foi “os médicos sempre dizem que cometemos um erro, que fizemos o toque errado da primeira vez”. Os médicos com quem conversei também não sabiam a respeito disso. Pensei “se isso acontece, por que não está registrado em livros?

”Descobri que os médicos não sabiam disso porque eles não checam a dilatação com tanta freqüência quanto as enfermeiras e, quando eles viam alguma anotação neste sentido, deduziam que havia sido uma falha da enfermagem. Assim, claro que não será registrado em livro algum, já que enfermeiras não podem colocar num livro algo que vá contra o que dizem os médicos, porque eles ganham mais. Entenderam? É assim que informação importante é deixada de fora dos livros. Eu penso que isso é muito importante.Veja o que foi preciso para consertar esta situação: ao invés de dizer que a moça teve um padrão disfuncional de trabalho de parto, eu pensei “hum... o cérvix já estava dilatado antes, como o comportamento dela difere do que era quando havia maior dilatação? Ela estava rindo e contando piada, isso a fez dilatar e depois ela teve medo porque começou a sentir que seria a maior liberação de fezes da vida dela (é assim que a mulher se sente no período expulsivo: como se fosse evacuar uma melancia). E o que fazer? Aliviar o medo e aí ela abre novamente."

"Há uma outra situação levemente similar. Assisti a um casal, quando ainda estávamos na caravana, que era brilhante. Sabe o que faziam para aliviar a dor das contrações? Beijavam-se. E isso a fazia sentir bem relaxada, como se pode imaginar. Pensei “que criativo! Como não pensei nisso antes?” E eles pareciam bem, como se não estivessem preocupados com nada, que é exatamente o que se deseja. Dois anos depois, estávamos aqui com uma mulher que já havia tido 2 bebês anteriormente e que estava muito amedrontada. Era uma mulher bem pequena, assim como o marido. Ambos pareciam secos, frágeis,apavorados, com pupilas muito pequenas, aterrorizados. Pensei “este bebê nascerá de qualquer forma, isso não está impedindo o trabalho de parto, mas ela vai lacerar”, porque ela estava rígida de pavor.

Aí lembrei do outro casal e disse (esperei até que ela não estivesse tendo uma contração): "Linda, eu tive uma idéia. Por que você não tenta beijar o Richard durante a próxima contração? Vamos ver o que acontece". A esta altura, ela provavelmente teria feito qualquer coisa que eu sugerisse, menos entrar no carro e ir ao hospital, porque seria uma viagem bem desconfortável na estrada de terra e ninguém queria isso.

Então ela fechou os olhos, colocou os lábios bem juntos, ele fez o mesmo e simplesmente encostaram os lábios um no outro. Pensei “minha nossa, eles não sabem como beijar”. Mas, claro, a regra é não criticar uma mulher em trabalho de parto, porque é a pior coisa que se pode fazer. Então, esperei até acabar a contração, ela abrir os olhos e estar pronta para receber mais informação e sugeri que tentassem de novo, desta vez, “Linda, com a boca aberta”. Não me importava o que Richard faria, só queria que ela abrisse aboca porque já tinha reparado que quando a mulher dá a luz de boca aberta,com a mandíbula relaxada, a probabilidade de laceração no períneo é muito menor e a maioria das mulheres não tinha laceração, então eu nem tinha aprendido a dar pontos ainda.

" Ela fez isso e adivinhe: o bebê estava no períneo, um bebê maior do que os outros que ela já tinha tido e o períneo estava intacto. Vinte e cinco anos depois ela escreveu uma estória para mim e disse que o casamento havia tido problemas, a vida sexual era morna, embora houvesse amor entre eles e ela disse que aquele parto consertou tudo no casamento por causa do beijo. Ela diz que agora recomenda às filhas, que estão tendo bebês “não esqueçam de beijar”. Se estão no hospital, as pessoas vão sentir-se envergonhadas fazendo isso, mas eu digo que é mágico porque se um casal se beija no hospital, pode até aborrecer algumas enfermeiras, mas o que acontece é que as chatas vão embora, incapazes de suportar e aparecem as simpáticas. Se o casal está junto há tempo suficiente para ter um filho, tenho certeza de que a lei permite o beijo. Pode deixar as pessoas desconfortáveis, mas quem se importa? Se ajuda a parir seu filho e salvar pontos no períneo, pode ser uma coisa muito boa.

Nós não sabíamos muito a respeito de hormônios nos anos 70, exceto pelo fato de conhecermos os processos, sem saber que hormônios estavam envolvidos. Trabalhei empiricamente, em coisas que sabia serem verdadeiras através de experiências pessoais e pelo que podia observar. Sabia, depois de ter amamentado meu primeiro bebê que havia relação entre estímulo no mamilo e contração uterina. Sabia disso e não precisava saber que havia ocitocina sendo produzida. Agora se sabe que a glândula ptuitária produz ocitocina, numa forma melhor e mais segura do que aquela que vem do vidrinho, que não é derivada de humanos. Seria muito difícil estimular a produção excessiva de ocitocina, porque para fazer isso, haveria dor. Você não estimularia o mamilo a ponto de produzir tanta ocitocina e levar a uma ruptura uterina, o que pode ocorrer quando ela é obtida por injeção ou infusão intravenosa. Por isso é que é necessário regular a dose de ocitocina cuidadosamente e pessoas diferentes têm tolerância diferente."

"Então, se quisermos estimular um trabalho de parto, podemos usar estimulação dos seios, claro. Sabíamos disso e também que, se quiséssemos a contração do útero após o parto, a melhor coisa é ter o bebê nos braços, perto do seio, estando ele sugando ou não. A simples presença do bebê ao seio estimula a produção de ocitocina. Isso economiza nos custos, é de graça, obtido da fábrica química materna. O que não sabíamos é que nosso corpo produz opiáceos. Você sabia disso? Endorfinas. Especialistas em medicina esportiva sabem bem disso: se há um atleta machucado que está em campo, está jogando bem e ficando empolgado com isso, é preciso que haja alguém observando cuidadosamente de fora se aquela pessoa não está se machucando sem perceber. Contagiado pela excitação do jogo, é possível sofrer uma contusão sem notar.

Aprendemos a usar a endorfina a nosso favor, o que pode ser feito através da risada, expressões de amor, porque ocitocina e endorfinas trabalham bem juntos. Ocitocina e catecolaminas (adrenalina)são antagonistas e é este que vai atravancar o parto. Agora chegamos ao que eu chamo de a trava do esfíncter, algo nunca falado por aqui, mas eu te digo que se você viajar ao redor do país num ônibus escolar, você precisa ter seu próprio vaso com você, especialmente se tem filhos pequenos. Imagina se a cada vez que alguém precisa urinar, você vai parar a caravana toda? Acho que não. Então você está fora de casa e diariamente tem que lidar com as excreções do dia. Você acaba ficando mais familiarizado com o processo excretório do que morando numa casa onde há banheiro do lado de dentro. Você não sabe tanto a respeito de fezes comparado com alguém que não foi criado desta mesma maneira."

"O que então é que possibilitava as mulheres a dar a luz e todas as parteiras serem o tipo de pessoas que permitem tal processo? Porque há pessoas que são tão tensas que um bebê não consegue nascer na presença delas, sabia disso? Há pessoas que, se entrarem no quarto, todas as mulheres em trabalho de parto travarão. Por quê? Porque elas não sentem bem, mas de uma forma tão forte que praticamente nenhuma mulher consegue ficar em trabalho de parto na presença delas.

Trouxe uma mulher certa vez a um hospital e o médico, que era totalmente contrário ao parto domiciliar, praticamente a estuprou com os dedos, fazendo um toque vaginal e levou-a de 7 cm (eu havia checado) para 4 cm dedilatação, porque ele foi tão bruto com ela. Entre estupro e o ato prazeroso de fazer amor, não há diferença no tamanho do órgão envolvido. Não tem nada a ver com tamanho, mas com a ferocidade no ato.

Então, um exame vaginal delicado não parará um trabalho de parto, pode até encorajar, por outro lado, um exame bruto e ruim, por exemplo se é uma mulher fazendo o toque, tentando provar que ela não é lésbica, isso seria suficiente. Almeja-se gentileza.

Pensei em como explicar isso e lembrei “esfíncter”.

Sabemos que temos o esfíncter anal e o esfíncter vesical. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Ele age como um. O que é um esfíncter? Uma abertura de um órgão que tem capacidade de contração e de encher-se com alguma coisa e aí ele se contrai e aquele esfíncter que se mantém fechado sem se exaurir, porque é parte do sistema muscular involuntário, pode abrir-se e obliterar-se, o que está no órgão sai e depois ele se fecha novamente. Por que não chamamos o cérvix de esfíncter? Não sei o porquê, mas é um músculo circular, que não obedece a mais comandos que a bexiga ou o reto."

"Você não pode dizer a alguém “quero que você evacue exatamente às 09:00 e,se não conseguir, estará em maus lençóis.” Isso ajuda? Acho que não! Freud reclamou disso, ele achava que as crianças estavam com problemas se não evacuassem precisamente na hora certa. Mas eu digo que, se ele tomasse conta daquelas crianças todos os dias, elas teriam-no ensinado uma coisa e ele relaxaria, se tivesse tomado conta dos próprios filhos. Porque o que as crianças normalmente fazem aos 2 anos (qualquer pessoa que já teve filhos pode me corrigir): elas ficam quietinhas num canto, com as costas viradaspara você e aí sim é a hora de sentá-los no penico e fazer disso uma experiência prazerosa para elas. Se elas não se divertem lá, aquele esfíncter ficará mais “tímido”.

Esfíncteres são tímidos, isso é importante. E eles não obedecem a ordens. Se seu dono está assustado, humilhado, eles travam-se, rapidamente. Tenho que agredecer ao meu marido por me dizer coisas que eu não saberia senão fosse por ele. Segundo ele, se há um bando de homens num banheiro público, todos lado a lado de frente para os urinóis, de forma que um possa ver o outro e todos estão urinando, quando de repente alguma coisa chega e os assusta, eles todos param involuntariamente. Não é interessante? Esfíncter travado. Ninguém nunca disse que isso é errado. Eu poderia! Dr.Wynne, que é o médico de quem falei, que retirou o bebê prematuro, estava certa vez em Washington, DC, num banheiro público num congresso. Todos estavam urinando quando de repente entram vários policiais do serviço secreto e, no meio deles, Henry Kissinger e aí: todos pararam."

"Estamos falando de gotas de urina, então não deveríamos nos surpreender quando, no trabalho de parto, a cabeça de um bebê de 9 ou 10 libras pára de descer. Esta é uma forma de proteção da natureza porque a mãe tem todo o seu equipamento sensório bem aguçado na hora do parto. O olfato, a audição, a visão, é tudo mais aguçado que o normal e isso é para que ela sabia onde encontrar um lugar seguro para dar a luz, já que ela estará temporariamente incapacitada de levantar e sair dali, enquanto o bebê estiver saindo pelo canal de parto. É por isso que às vezes ela progride ao ponto de a cabeça do bebê já estar visível e, se há perigo, na maioria das vezes com os mamíferos(já houve tempos em que não tínhamos armas nem paredes à nossa volta nos protegendo dos predadores), há parada de progressão.

Nós podemos repetir para convencer a mente de que o hospital é um lugar seguro, mas pode ser que o animal dentro de você não perceba da mesma maneira. Talvez o cheiro não seja adequado, o som de alguém chorando no quarto ao lado incomode e pronto: isso é suficiente para reverter seu trabalho de parto. E pode acontecer até no caminho, indo para o hospital ou com a primeira picada da agulha no braço. O fato de algumas pessoas tolerarem isso e permanecerem em trabalho de parto não significa que todas consigam. É isso que chamo de trava do esfíncter.

Basicamente, se você não consegue evacuar com um bando de gente olhando, pode ser difícil ter um filho neste tipo de ambiente.

Então, superamos isso em hospitais com peridurais e infusões de ocitocina, né? Mas isso não significa que seu corpo está relaxado e aceitando tudo como se estivesse numa situação em que a mãe se sente segura, como no seu próprio quarto, em casa."

Tradução de Flávia Mandic