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17 de setembro de 2009

Nasceu Lorena - filha da Adriana.

Lorena nasceu de parto normal, quando completava 42 semanas de gestação, às 22:50h. Com 3.500gr e 50cm, na presença do pai.


 trabalho de parto foi rápido, por isso a doula perdeu a chance de conhecer a carinha da mais nova integrante do grupo (além do fato de que Londrina está 'isolada' por causa da gripe A, os hospitais vetaram o acompanhamento).

O nascimento de Lorena é um exemplo, pois sua mãe chegou ao grupo com 39 semanas, correndo de uma médica que queria marcar cesárea por causa de uma má formação no pé do bebê. Adriana se informou, se empoderou, pariu Lorena e está muito feliz com a experiência!

Desejo muito leite pra elas!

23 de abril de 2009

09/03/07

Rapidinhas.
J., assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.

N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.

09/02/07

Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!

Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Na verdade nem é sobre ela que eu vou falar, mas sobre não ter conseguido chegar até ela pra trabalhar.

Faz 2 anos que eu trabalho na maternidade.
1 ano e 5 meses que entro no centro cirúrgico e de repente uma pessoa do setor, resolveu que eu tenho que pedir permissão pra fazer as coisas.
Ela sempre soube que eu ia lá, imaginei que soubesse do que se tratava meu trabalho e por onde eu andava.
Ela nunca ficou de noite, nem mesmo pra trocar meia dúzia de palavras comigo, então até no centro cirúrgico ela foi atrás de mim, pra saber quem tinha deixado eu entrar.
Detalhe: tem uma senha pra ser digitada na porta do CC. E eu estava lá dentro, logo, tenho a senha! Acho que isso prova que alguém me deu permissão pra entrar, não?
Agora pense... Estou lá, trabalhando e quero sugerir pra mulher, uma mudança de posição. Pára tudo, sai da sala, acha a dita cuja e pede permissão. Me diz se tem cabimento?
Enfim, eu fiquei um pouco incomodada, mas no fim das contas, decidi que vou ficar na minha, fazendo tudo o que sempre fiz. Se ela estiver por perto, eu aviso, peço, imploro. Se não, sigo meu caminho.

Bom, foi por isso que eu não consegui trabalhar com a mulher que eu nem sei o nome. Ela ficou O TEMPO TODO na sala, segurando a mão da mulher e se colocando como um obstáculo... E a atuação foi, sei lá... Dêem um nome: 2 toques em menos de 20 minutos, ordem de puxo, de não grite, bolsa rompida artificialmente, negativa pra o banho e entrada precoce no CC.
E o pior: outras pessoas do setor disseram que ela nunca fica na sala do TP...

Não gosto de falar mal. Mas fiquei mesmo, muito P... da vida. Vou ali tomar um copo de água e já volto.

ps. Depois conto das outras duas...

M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.

A E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.

25 de novembro de 2008

26/01/07

O retorno do samurai.

Nossa, que noite agitada!
4 mulheres no TP, todas em estágio avançado, com pouca diferença entre as dilatações. Eram tantas e todas precisadas, que eu nem sabia quem atender primeiro.
Fiz uma explanação geral sobre meu atendimento e sobre o que era bom fazer durante as contrações e elas foram se acostumando comigo.

A. era a de dilatação mais avançada, mas estava confortável no leito, erguendo o tronco, respirando durante as contrações, não quis sair dali, apenas aceitou algumas sugestões de posição. Ficou de lado, ajoelhada, saiu do leito um pouco, acocorou. Mas não quis ir pro chuveiro... Na verdade quando ela quis, o médico veio tocar e ela estava com dilatação total.

R. embora com 1 ou 2cm a menos que a A., parecia precisar mais de apoio e agarrou-se em mim. Levei-a para o chuveiro, tentei acalmar um pouco os pensamentos dela, fazê-la perceber o ritmo das contrações, a respiração e tal. Ela ficava com os olhos bem abertos durante as contrações, respirando forte e reclamando às vezes: ai, moça, isso dói demais!
A mãe dela estava junto e eu tratei de passar algumas orientações pra ela. Foi muito legal ver esta senhora ajudando a filha, acalentando, jogando água na barriga e dizendo que já ia acabar.

As duas, A.e R. acabaram indo pro CC ao mesmo tempo, e o bebê da R. nasceu primeiro, com epsiotomia, pelas mãos do residente. As contrações da A. pararam completamente dentro do CC e o bebê nasceu com auxílio de vácuo extrator.

Ao mesmo tempo em que tudo isso acontecia, antes que eu entrasse no CC com as duas primeiras, a A. (outra A.) estava completamente dura, tensa, apavorada. Era um VBAC e ela não fazia a menor idéia do que era o TP, por que o primeiro filho nasceu de CE (cesárea eletiva).

A quarta mulher em TP, a D. era muito novinha e relaxava muito entre as contrações, pulando da cama como uma gata quando elas começavam. Por isso, eu estava mais atenta à A..

Eu tentava falar com ela, mas ela sequer mexia a cabeça pra me olhar. Mas eu fui tentando, tentando, até que ela sentou na beirada da cama. Neste ponto ela parecia conseguir me perceber e eu fui muito objetiva, disse que ela precisava se soltar, que estava dura, tensa, que ia ser muito mais complicado enquanto ela estivesse assim, que doía mesmo, mas que ela podia se ajudar e etc.
Finalmente ela foi pro banho e ficou bem lá. Nisso a mãe dela chegou e fez companhia no chuveiro. A mãe também estava assustada. Ela saiu e sentou num banquinho, na beira da cama dela e ficou ali, mais relaxada, respirando melhor.

Eu estava com a D., abaixada no chão, de joelhos no colchonete e a A. começou a dizer que estava sentindo uma coisa estranha, como uma bolha na vagina. Eu, na calma, dizendo que era normal, que ela estava sentindo o bebê descer, pra ficar tranqüila, mas ela insistiu:
-Moça, olha aqui pra mim, esse bebê tá nascendo!
E tava mesmo!

Calmamente, pedi pra ela deitar no leito e tentar não fazer força, que estava tudo bem. Fui chamar o GO e quando ele chegou a cabecinha já tinha saído. Ele colocou o bebê no colo dela e ela simplesmente não acreditava, chorava e gritava feliz, chamando pelo bebê, perguntando se estava tudo bem, sem acreditar que tinha sido fácil, que tinha acabado.
Realmente, levando em consideração a mulher que estava prostrada e dura naquele leito, eu jamais diria que o bebê dela nasceria menos de 2 horas depois, sem nem dar tempo de ir pro CC.

A D. dilatou total muito rápido também, quando eu cheguei ela estava com 3cm, tinha acabado de internar. Mas o expulsivo dela foi bem lento. Infelizmente, no SUS lentidão no expulsivo é sinônimo de intervenção e tivemos o segundo bebê nascido com auxílio de vácuo em uma noite.

Acho que os nascimentos tiveram um intervalo de 30 minutos cada, foi quase produção em série...rs

Eu diria que voltei com a corda toda!

17/11/06

Leoa.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.

1 de outubro de 2008

18/04/06

Um pouco da minha rotina.

Eu chego na Santa Casa, passo na lanchonete e tomo um suco ou como alguma coisa. Depende do horário e da minha fome.
Depois vou para a maternidade, cumprimento o pessoal da equipe, dou uma olhada nos prontuários pra saber como estão as mulheres em TP e vou para a sala.
Apresento-me a todas, explico quem eu sou e o que eu faço ali. Isso só é possível quando elas estão todas em fase latente, ou se conseguem prestar alguma atenção em mim. Em geral, elas ficam aliviadas de saber que alguém vai acompanhá-las durante o processo.
Gosto de conversar um pouco, saber das expectativas, como foram partos anteriores, o quanto elas sabem sobre o que está acontecendo, quais foram as explicações que a equipe do hospital deu pra elas e tal.
Normalmente eu fico com a mulher que está em estágio mais avançado do TP ou com a que está precisando mais (sentindo mais dor), não raro a mais avançada é a mais dolorida...
Aproveito para explicar algumas coisas para as acompanhantes e em geral, elas acabam aceitando as dicas que eu dou e ajudam a parturiente também.
O clima na sala de TP, normamente é tenso. Percebo que com as explicações todos ficam mais tranqüilo, mais participativos. Apesar do momento ser sério e exigir concentração, muitas vezes damos boas risadas juntos, por que é natural que assuntos relativos a vida de todos apareçam. De forma geral, todo mundo consegue perceber o momento certo de calar.
Saio com elas para andar nos corredores, faço exercícios de quadril, agachamento, levo para o banho, aplico massagens, faço elas sentarem na bola e movimentarem o corpo. O que elas quiserem fazer, sempre oferecendo várias alternativas e respeitando o desejo delas também.
Levo uns hidratantes que ajudam a mão a deslizar melhor na pele durante a massagem, uso um relógio para contar as contrações e explicar pra elas a regularidade das dores e o desenrolar do processo, levo livros com fotos de parto e de TPs acompanhados por doulas e mostro para a acompanhante.
Quando chega a hora de ir para o CC, eu ajudo a colocar a mulher na maca, levo-a até a porta do centro cirúrgico junto com a enfermeira e vou me trocar. Para entrar no CC, preciso colocar uma roupa especial, touca, máscara e sapatinho.
Normalmente eu fico ao lado da mesa, falando palavras de encorajamento, segurando a mão da mulher e ajudando-a a erguer a cabeça quando ela sente vontade de fazer força. Nos últimos atendimentos, eu coloquei a almofada triangular pra ajudar a erguer o tronco e me posicionei atrás da mesa.
Depois que o bebê nasce, eu vou explicando o que a equipe da pediatria está fazendo com ele. Ou explico pra ela o que o médico está fazendo com ela: suturando epsiotomia ou laceração, esperando a placenta sair, etc.
Quando o bebê é levado para o berçário, eu saio do centro cirúrgico e vou ver o banho, junto com a família. Nesta hora, todo mundo está preocupado com o bebê, mas sempre lembram de perguntar da mãe, como ela se saiu no parto, se está bem , etc.
Em geral, eu volto para a sala de TP, para acompanhar a próxima mulher.
Quando elas voltam para o quarto, eu vou até elas para saber como estão, como sentiram o processo, etc. Quase 100% das vezes, elas estão bem, estão felizes e agradecem a companhia. Que eu me lembre só teve uma mulher que não estava achando graça nenhuma na experiência que viveu e sequer me olhou depois... Mas eu não acho isso ruim, eu respeito o sentimento delas, por que a experiência do parto é muito forte, não dá pra saber o que vai pela cabeça delas nesta hora....
Às vezes, eu ajudo no atendimento das consultas. Os médicos não devem ficar sozinhos com as mulheres na sala de consulta, então eu fico junto.
Quando está tudo tranqüilo, sem TPs, eu passo nos quartos e vejo se está tudo bem com as mulheres, se elas tem dúvidas sobre a amamentação, se o bebê está bem...
Raramente eu vou embora deixando uma mulher em TP pra trás. Eu costumo ficar até que todos os bebês nasçam e o mais tarde que eu saí de lá, foi 3 horas da manhã.
No caminho de volta (a pé, moro na mesma rua), vou avaliando pontos positivos e negativos, pensando no que vou escrever no blog. E vou sentindo também o cansaço do corpo, costas e braços doloridos, muitas vezes as pernas também.
Quando chego em casa, é minha vez de receber uma massagem....

14/04/06

Voltando ao trabalho...

Antes de eu sair de casa, Caco pediu que eu não demorasse, pois tinha um serviço pra terminar e precisava que eu ficasse com Pedro. Prometi voltar cedo....

Chegando lá, M. e A. no TP., mas M. numa boa e A., com soro, em TP avançado. Primeiro bebê, estava com a mãe, deitada de barriga pra cima, se contorcendo. A primeira coisa que eu fiz foi ligar o ventilador (vê se pode uma coisa dessa...), depois cheguei nela e convidei-a para um banho. Ela foi e aproveitou bem.
Depois não deitou mais, ficou de pé rebolando comigo, agachando, permanecendo de cócoras e prestando atenção nas contrações. Ela chegou a 10 rapidinho, mas o bebê demorou bastante pra descer. Quando faltava pouco pra descer, ela preferiu ficar ajoelhada na cama, escorando em mim durante as contrações. Nos intervalos, ela olhava pra mim, com aquele olhar distante e às vezes dizia que não ia conseguir, que queria desistir.
A mãe ficou ali do lado, agradecendo e incentivando, trazendo água e fazendo perguntas pra mim nos intervalos das contrações.
Quando decidiram que já era hora de ir para o CC, o cabelinho da T. já aparecia através da vulva.
Eu pedi (e o GO aceitou) para levar uma almofada triangular pro CC, pra colocar na mesa e assim elevar o tronco das parturientes durante o expulsivo. Além de facilitar a vida delas na hora de fazer força, ainda possibilita que elas tenham maior visibilidade quando o neném sai. Eu me coloquei atrás da almofada e fiquei ali, incentivando.
O enfermeiro que estava no CC nunca tinha me visto (é sempre uma senhora, que hoje não estava) e ele perguntou: quem é essa pessoa na cabeceira da mesa? O residente disse: é a doula. E ficou por isso mesmo. Imagino que o enfermeiro nem desconfie o que seja isso...
O expulsivo foi rápido, ela não teve epsiotomia, mas levou um pontinho. O bebê nasceu bem e ficou cerca de 10 minutos no colo dela até a pediatra levar pro berçário.

Voltando para o quarto, continuava a M. sem sentir dores... Era o terceiro filho dela, os dois primeiros nasceram de PN. Todos estranhavam o fato de o TP dela não engrenar. Ela estava com soro, já era a segunda bomba e nada. O residente decidiu estourar a bolsa dela e aí o TP engrenou.
Ela passou o TP todo na cama, sentada, perna de borboleta, balançando pra frente na contração. A evolução foi rápida depois disso. O expulsivo foi demorado e o bebê nasceu com Síndrome de Down. Aparentemente, ela não sabia...

Os dois bebês nasceram antes das 21h e um pouco depois, uma nova mulher foi admitida. Eu cheguei a ligar pro Caco pra saber se eu precisava mesmo voltar, por que se eu começasse a acompanha-la, teria que ficar até o final. E isso poderia durar umas longas horas....

Primípara, solteira e com 32 anos, a AP. me pareceu estar totalmente desconfortável no papel que exercia naquele momento. Ela se segurava toda durante as contrações, parecia que trabalhava contra o próprio corpo. Ela me surpreendeu muito, por que o comportamento dela é observado em TPs longos e sofridos, onde a mulher não faz muita coisa pra ajudar no processo. Mas o dela foi muito rápido. Em menos de 2 horas ela tinha dilatação total e o expulsivo foi super rápido também.
Depois, quando ela já estava de volta pro quarto, fui conversar com ela, falar da experiência e de coisas que nem deu tempo antes e ela ficou surpresa de saber que o TP dela foi rápido.

Curiosidade:
Todas as pessoas da equipe do hospital que entraram na sala de TP, me cumprimentaram, me chamando pelo nome.

24/03/06

O tempo tem passado rápido demais e eu não estou conseguindo escrever os meus relatos!

Nas últimas semanas eu acompanhei 11 TP’s e 8 partos, incluindo a primeira cesárea.

Eu lembro vagamente os detalhes, acho que se eu for contar vou acabar misturando as histórias.
Eu sei que teve:

- uma mulher que estava sentindo o TP como algo muito sofrido e mesmo tendo acompanhante o tempo todo e a minha presença também, a experiência do parto foi não bacana pra ela. Mesmo depois do nascimento do bebê, ela ficou irritada, triste, etc...

- 2 adolescentes que passaram pelo TP de forma tranquila. Uma teve um PN bacana e a outra uma cesárea que pareceu não muito adequadamente indicada, Não entendi muito bem como aconteceu, mas depois de puxar o bebê, ele acabou voltando e caindo na cavidade abdominal... sinistro! Tinha MUITO mecônio. O bebê foi pra UTI, mas ficou tudo bem.

- um PN manteiga, cujo TP foi muito rápido. A mãe já tinha 2 PN’s anteriores.

- um TP tranqüilo e nada demorado, mas que deixou a mãe agoniada, por que o primeiro parto foi bem mais rápido.

- um TP lindo, onde a mulher se apoiou completamente em mim e a gente rebolou muito junto, inclusive embaixo do chuveiro. A mãe dela estava junto e chorava ao nos ver tão próximas. Foi muito legal, depois conversamos bastante sobre o trabalho da doula.

- TP e parto de uma mulher 2 vezes maior que eu. Todo mundo ficou agourando, dizendo que eu não ia dar conta de doular uma mulher ao grande... hehe Mas deu tudo certo!

- uma japa doida, de atendimento particular, cujo médico não estava no hospital (e acho que nem estava na cidade), que chegou com 4cm de dilatação e berrava que queria fazer cesárea de qualquer jeito!!!! E o desejo dela foi atendido!

Também tem outras coisas acontecendo no hospital...

O médico parece confiar cada vez mais no que eu faço e faz questão de deixar isso claro para a equipe. Ele disse para um dos residentes (na minha frente) que quando eu estiver lá, ele pode ficar despreocupado, pode deixar os TP’s rolarem sem intervenções, principalmente sem a bomba de soro.
Nos partos que eu acompanho, as episiotomias estão virando lenda.
Tem gente na enfermagem dizendo que eu devia ser contratada do hospital e tem gente que ainda me olha de cima abaixo, como se eu fosse um ET.

Fora do hospital, a pareceria com o médico ainda não engatou, mas é só uma questão de tempo, eu espero.

Acabei de voltar de São Paulo, onde fiz o curso de Educadora Perinatal, no GAMA. Estou cheia de idéias, cheia de energia e pronta pra recomeçar!

3 de maio de 2008

10/02/06

Puxa uma cadeira que o relato hoje é grande!!!

A maternidade estava lotada de recém paridas e não parava de chegar mulher pra ser examinada. No TP, só a AC. acompanhada da mãe.

Primigesta, 19 anos e muito pouco disposta a sair do lugar, ouviu com atenção tudo o que eu expliquei, as dicas que dei, mas não seguiu nenhuma delas. Não quis andar, por que a camisola é feinha, tinha vergonha. Não quis sentar, por que não consegue. Nem agachar, por que depois não levanta. Não quis tomar banho, por que levantar é difícil.

Nesses casos a minha ação fica muito limitada e eu forcei um pouco a barra, dizendo pra ela aproveitar que só estávamos nós duas, por que com o tempo o TP ia engrossar e ela ia precisar muito ajudar o corpo dela, pra ela ir treinando enquanto as dores estavam suportáveis.

Quando eu cheguei (mais cedo hoje, às 17h), ela estava com 2cm de dilatação e as dores começavam. A mãe dela tentava em vão tirá-la da cama e depois de muita conversa, ela decidiu ficar em uma cadeira, inclinando o corpo para a frente quando vinha uma contração.

Neste ponto do TP, outras 2 mulheres chegaram e eu direcionei a minha atenção à elas.

A J. ficou o dia todo andando na rua, foi em dois hospitais antes de ser admitida na Casa às 18:30h. Nesses dois hospitais, ela ficou o tempo todo ativa.

Uma outra grávida que estava com ela e fez o mesmo caminho, me contou que ela não parava um segundo, mas que estava muito concentrada. Quando ela foi admitida na Casa, estava com 4cm e um pouco cansada, preferiu ficar deitada.

Eu estava com outra menina, mas mesmo assim ia lá de vez em quando falar com ela. Deitada ela se contorcia de dor, mas ainda conseguiu normalizar a respiração. Depois de um tempo (pouco), sugeri o banho só pra tirar a nhaca da rua e ela foi. A mãe dela estava junto. Na volta ela sentou na minha bola e eu fiquei massageando as costas dela.

Ela levantou umas 3 vezes pra ir ao banheiro, fez xixi, fez cocô e vomitou também.
O médico tinha acabado de tocar (8cm), na quarta vez que ela decidiu ir ao banheiro.
A mãe dela tinha saído do TP também.

Diálogo:
J.: - Eu tô com vontade de fazer cocô.
Eu: É normal J., a cabeça do bebê está pressionando lá embaixo... (abaixei na frente dela)
J.: Acho que eu não vou fazer, não. Tenho o intestino preso.
Eu: Fica aí um pouquinho, por que pode ser que você realmente faça alguma coisa.
(não sei pq levantei, dei um passo pra trás, abri a porta do TP e vi o GO entrando na sala de consulta, no fim do corredor, nem sinal da auxiliar do postinho). Quando eu me viro:
J.: - Ele está nascendo.... (ela apóia as mãos no assento do vaso e ergue um pouco o corpo).
Eu: * * * * * * * * * (olho e vejo um líquido viscoso escorrendo... e cabelos) . Pensamento: pqp! Cadê todo mundo????? (abro a porta e chamo, tentando não demonstrar desespero: Fáááááátima!)
Dei o passo mais largo da minha vida pra chegar nela numa passada só!
Minha preocupação era esse menino cair na água.... Pedi pra ela tentar não fazer mais nenhuma força (e ela não estava fazendo) e coloquei as mãos por baixo, quase tocando a bunda dela. No que eu encostei a mão, a cabeça saiu, primeiro o "cucuruto" alongado e depois o giro feito na minha mão.
Eu: J. ... não faz força... (e eu olhando aquela carinha amassada, com os olhinhos bem cerrados) J.: Não façooooo..... (sussurrando)
Um ombro....
Outro...
Plumbt!
Muito líquido, a bolsa dela não tinha rompido até um pouco antes... E eis que o Pedro estava nas minhas mão! Com as costinhas viradas pra cima...

O GO e o resto do povo todo, chegou neste exato momento:
GO: Xúxus? (como ele me chama).... eita, que beleza! (risos)

Passei o bebê pra ele e fiquei alí acocorada num canto entre o vaso e a parede, segurando a mão da J. Ela com um sorriso mole no rosto. A enferemeira boquiaberta, a mãe dela vibrando, o residente pegando material pra concluir e um mundo de gente atrás desse povo, rindo, parabenizando, falando, saindo pra contar....

O GO virou ele de ladinho, ele fez xixi e o jato foi direto pra dentro do vaso, entre as pernas da mãe. Todo mundo riu!
Ele disse pra ela segurar, mas ela não quis, estava mole, tremendo... Eu também!

Depois ele vira pra mim e pergunta se está tudo bem.... Eu só ria, olhos marejados!

Enfim... o cordão foi cortado, o GO o levou ao berçário. Tudo bem com ele, 49,5cm, 3.700gr.
A J. ficou um pouco no vaso, esperando a placenta sair, mas depois decidiram levar ela pro leito e depois pro CC, por que ela teve um laceração média (não me perguntem quanto é isso, por que eu não dei atenção aos detalhes).

Depois que tudo se acalmou, ele veio falar comigo, não ficou bravo nem nada (não é do perfil dele ficar irritado com essas coisas). Ele agradeceu, perguntou se eu estava emocionada, se era a primeira vez, etc... Muita gente ainda veio perguntar como tinha sido.

A enfermagem ficou num misto de perplexidade e indignação, mas eu nem ligo. Nem tive culpa também, né? Quem imaginaria que a evolução dela seria tão rápida? Ela chegou às 18 e pouco e o bebê nasceu às 20:20h. O comportamento dela não se alterou durante todo este tempo. Sempre serena, sempre forte.

Eu fiquei toda boba, feliz, emocionada!
Quem nunca viveu isso, não tem idéia de como é lindo! Aquela cabeça macia e quente na sua mão.... girando e saindo sozinha... É muito... é demais!
Não é o primeiro parto em que eu estou presente, mas foi diferente por vários aspectos. Principalmente por que eu estava de frente pra eles, sempre vejo da perspectiva da mãe...

V., 42 anos, primigesta. Ela estava com a bolsa rota há mais de 12 horas e bastante ativa, mas o TP dela não engrenava e logo depois do nascimento do bebê da J., ela foi pra cesárea.

Acho que de alguma maneira o nascimento do P. contagiou o ambiente e a AC. finalmente decidiu começar a fazer alguma coisa para se favorecer. Ás 21 e pouco da noite, novo toque: 6cm (dilatou isso tudo sem sair do lugar!! Imagina se tivesse ficado ativa desde o começo??).

Ao mesmo tempo, a mãe deu lugar à sogra e a postura das duas era muito diferente. A mãe da AC. mal olhava pra ela e a sogra era a energia em pessoa!

Logo que eu percebi que a N. tinha um grande poder de influência sobre ela, chamei-a num canto e pedi pra ela tirar a AC. da cama, levar pra tomar um banho e aceitar as dicas que a gente ia dando... Animou um pouco, foi tomar banho, depois ela ficou muito tempo na bola, inclinando o corpo para a frente durante as contrações e dando espaço para ser massageada. No intervalo, ela encostava em mim (largadona!!) e a gente respirava junto, de olhos fechados, no mesmo ritmo.

A N. de mãos dadas com ela dando a maior força, trazendo água, falando sobre os próprios partos, incentivando, chamando-a de guerreira, que agora sim, ela estava ajudando, etc, etc.

Eu AMEI conhecer a N.!!!Antes da 1h da manhã, dilatação total. Ela pula para a maca e vamos para o CC. Foi super rápido também, duas ou três forças e lá estava a AB. Não teve epsiotomia e a dequitação da placenta foi ligeira!

Acompanhei o parto da S. também, mesmo sem ter ficado com ela no TP.
Ela veio transferida de outro quarto quando eu estava atendendo a AC. na fase em que ela realmente se apoderou do processo. Não foi possível dar atenção pra ela, mas dei umas dicas para a mãe e ela tentou massagear e incentivar a S. a sair da cama, mas ela não quis, respondia de forma bem agressiva desde o começo, mesmo expressando grande incômodo e estando em fase avançada do TP.
No CC ela pareceu mais calma e o parto chegou ao fim rapidamente, sem epsiotomia também!

Depois eu fiquei com a V. que fez cesárea. Entre o atendimento inicial da AC. e da J., eu tinha ficado um tempão com ela já, mas as contrações não eram efetivas e ela não teve nada de dilatação, mesmo se mantendo ativa, mesmo com indução. E a bolsa dela estava rota há mais de 12 horas...

01/12/05

Ele voltou!

E hoje o bicho pegou na maternidade!
Tínhamos apenas um TP, mas de uma gestante cuja pressão estava nas alturas e não cedia de jeito nenhum! Eu queria ficar com ela, mas a maternidade estava lotada de barrigudas para passarem por consulta o GO estava sozinho, outros médicos e os residentes foram para uma formatura. Não sei se pela falta de acompanhamento ou se ela era assim mesmo, mas a moça me tirou do sério. Ela era muito ranzinza e não levava as orientações que recebia a sério. Nossos santos não bateram!

Hoje teve de tudo!
-mulher grávida do 6º filho, idade avançada e fumante, em TP de 35 semanas;
-adolescente desesperada querendo cesárea;
-mulher cujo marido estava viajando e ela foi ao hospital por que estava com medo de entrar em TP estando sozinha em casa;
-mulher com mastite em fase avançada, ficou internada para fazer drenagem;
-mulher com herpes ativo e bolsa rota, ficou internada, mas não sei qual foi o procedimento com ela;
-adolescente grávida do 2º filho, em estado de quase coma alcoólico;
-comida mexicana!
Calma, eu explico!

O GO sempre pede alguma coisa pra gente comer, geralmente é pizza! Mas na outra semana, eu sugeri que ele variasse o cardápio e ele optou pela comida mexicana... Acertou na mosca! Uma delícia!

Bom, hoje eu fiquei o tempo todo com ele. E ele disse que se fosse mágico, ia querer que eu fosse a assistente dele... hehe
Também disse que ficou muito surpreso e feliz com o fato de eu ter dedicado tanto tempo pra orientar duas meninas e convencê-las de que elas deviam voltar para casa, dando informações e segurança o suficiente para que elas esperassem em casa o início efetivo dos trabalhos de parto.

Eu não gosto muito de comentar este tipo de coisa, mas acho que estou mesmo ganhando espaço e a confiança dele.
O W. não é um médico humanizado daqueles que a gente tem como modelo, mas ele também não é um médico como os outros. Eu acho que ele está no caminho de descobrir que quer ser melhor do que foi ensinado a ser... E eu também tenho a impressão de que estar presente nos plantões dele, tem feito ele olhar para o trabalho que ele realiza com outros olhos. Ali, tem solo fértil e eu espero que um dia a gente possa fazer uma parceria de muito sucesso.

18/11/05

Um TP inspirador, o parto nem tanto.

Quando eu cheguei quase às 19h, a E. dividia a sala de TP com a M.

Ela estava acompanhada da mãe que era um misto de angústia e felicidade, apoio e apreensão. O toque havia sido feito a pouco, 7cm e a E. tinha acabado de sair do banho, que foi tomado com a intenção de aliviar o calor e não de ajudar no TP. Ela estava deitada, sem soro e tendo contrações ritmadas.

A mãe sai do quarto pra trocar de lugar com a nora. Enquanto ela não chega, eu aproveito pra conversar com a E. Explico o meu papel e o que eu acho que ela deve fazer para que as dores fiquem mais suportáveis, falo das posições, das massagens e do quanto o TP depende dela, etc.

Eis uma das mulheres em TP no voluntariado mais receptivas de todos os tempos. Ela estava sentindo muita dor, uma enorme vontade de gritar e se mexer, mas estava com medo. Não precisou de muito incentivo para mudar tudo.

A cunhada entra e fica ao nosso lado, segurando a outra mão da E., nos ajudando nos movimentos, etc. Ela sentou, ergueu as pernas, fez posição de borboleta, saiu da cama, caminhou, rebolou, agachou, gritou, gemeu, descansou, permitiu massagem, etc, etc. Ela fez tudo o que pôde!

Num determinado momento o residente entra no TP e diz: -Não grita, não! Gritar prende o bebê! E quando ele saiu eu disse: -Faça o que te der a cabeça, só não se desespere, seu corpo sabe como deve agir... Não é uma questão de querer ir contra o médico, mas queria ver se fosse com ele... Se ele ia querer gritar, gemer ou ficar calado.

Menos de uma hora depois, ela estava com dilatação completa. Neste toque, estávamos eu, a mãe, o médico e o residente. Fizemos festa pra ela, parabenizando o esforço e explicando os próximos passos. O médico pede à enfermeira que a leve ao CC e me pergunta se eu quero ir. Hum... mudanças! Nem foi preciso pedir!

É claro que eu fui! De novo temos uma mulher deitada de barriga para cima, pernas no estribo, o residente falando pra fazer força e querendo cortar (o médico mandando esperar, mas ela não escapou da epsiotomia), o médico pressiona a barriga dela, não chega a ser um Kristeller, o residente não pára de mexer na vulva dela, como que alargando a saída. Isso me incomoda muito, dá muita vontade de falar pra ele parar, pra tirar a mão!

Nasce o JP. Um bebê bem grande, já cheio de dobras. Tudo bem com ele, fazem os procedimentos de rotina (aspirar vias, limpar, etc), enrolam o pequeno num pano e trazem pra E. ver, ela dá um beijo nele, conversa e a pediatra já ia saindo quando eu disse:

-Ele não pode ficar um pouco mais? Posso colocar o bebê no peito dela? A pediatra olha pro médico, ele consente e ela me pede para levar o bebê ao berçário depois, por que ela não pode esperar.

O que acontece é que a UTI neonatal fica em outro andar e a pediatra vem de lá para atender os partos. Então ela não pode ficar. O JP. ficou uns 20 minutos com a mãe. Ergui a roupa dela e o coloquei deitado próximo ao seio. Ele não mamou, mas ficou lá sendo babado pela mãe. Aproveitei e falei um pouco (bem pouco mesmo) sobre vínculo e amamentação com ela.

A enfermeira do CC comenta que este é o verdadeiro parto humanizado! Mordo a língua pra não responder. Falta tanto ainda.... mas tudo bem, um passo de cada vez.

Depois levei o bebê pro berçário, onde ele tomou banho, vacinas, foi trocado e admirado pela família, e voltei pro CC. A expulsão da placenta demorou bastante, ela precisou tomar ocitocina pra ajudar e depois que eu saí do CC, ela teve uma enorme queda de pressão e uma pequena hemorragia.


A maternidade estava cheia hoje e muitas mulheres passaram por consulta. Acho que não comentei aqui, mas quando o médico entra na sala com elas, precisa haver outra mulher e quase sempre sou eu. Também passei nos quartos para a tradicional conversinha do peito com uma ou outra mãe.

Ah! Hoje tinha uma menininha japonesa, coisa mais fofa! O cabelo dela era pretinho e espetado, como os dos bebês orientais, só que tinha as pontas bem claras! Parecia que ela tinha feito luzes! Pode?

5 de abril de 2008

16/09/2005

Ainda amamentação.

Esta noite não tinha ninguém em TP.

R., 16 anos, 4 meses de gestação, com suspeita de infecção urinária, ficou internada. Mas antes disso, conversamos bastante, por que ela estava bem assustada, com medo de perder o bebê...Depois, fui ao quarto com ela, onde havia outras 3 mulheres recém paridas.

A T. dormia, a M. estava de pé, embalando o bebê e a outra T., amamentando. Começamos um papo sobre amamentação, se o bebê estava mamando bem, se outros filhos mamaram, etc.

A T. contando que o primeiro filho mamou até 7 meses e largou sozinho. Mas o pediatra mandou ela dar Nestogeno depois disso e quando o Nestogeno parou de sustentar o menino, ela passou a dar Ninho com Mucilon. Perguntei por que e ela disse que o pediatra mandou e ela obedeceu... Tentei fazer uma reflexão com ela, sobre a desimportância do leite de vaca nas nossas vidas, mas palavra de pediatra, é sagrada!

A M., primípara, 40 anos, ficou só ouvindo e concordando ou discordando de uma e outra coisa. Perguntei se o menino estava mamando bem e ela ficou meio encabulada, disse que não, que achava que não sabia como fazer ou que ele não estava com fome. Mas disse que estava cansada, por que não tinha dormido desde que ele nasceu, preocupada com isso e por causa do choro dele. Perguntei se ela queria ajuda e diante da afirmativa começamos...Ela sentou na cama e massageou bem o seio esquerdo, que estava duro de tão cheio. O bico dela era muito grande, não comprido, mas largo. Ajudei-a a ordenhar um pouco o seio e ela ficou maravilhada ao ver o leite sair. Em seguida ela deitou de lado e eu acomodei o menino, segurando a cabeça dele. Ficamos muito tempo tentando fazer o J. pegar o seio. Enquanto isso eu ia falando sobre pega, vínculo e a importância do peito. Só conseguimos mesmo, quando ele decidiu chorar e abriu um bocão capaz de abocanhar o bico grande da mãe. Ele ficou um tempinho chorando com o peito na boca. Parou, respirou e deu uma enorme sugada! Ela se assustou, mas disse que não estava doendo... e riu! Fiquei ali um tempo ainda, ela feliz, o menino mamando de babar. Saí e voltei umas 3 vezes. Na terceira, os dois estavam dormindo. Cara a cara, como dois amantes!

Por causa do dia tranqüilo, o médico, o residente e as enfermeiras estavam todos reunidos no posto da enfermagem. Eu no meio... Hoje conversamos muito sobre procedimentos, ele me contou sobre o início de carreira dele, de alguns momentos difíceis vividos no CC. Eu falei sobre o curso de doula, sobre as listas, enfim... das coisas que eu conheço. Foi muito legal e deu oportunidade para os demais perceberem que eu não sou só uma voluntária, sou uma doula voluntária. Ficaram curiosas, fizeram perguntas, etc.

Um pouco antes de eu ir embora, aparece uma avó com o neto recém nascido nos braços e pergunta: -Onde eu posso pegar um chazinho pra ele?A maternidade pratica alojamento conjunto e incentiva o aleitamento, mas individualmente quem manda mesmo é o pediatra. Nos casos de paciente particular, a berçarista só segue o que o pediatra prescreve. E neste caso, tinha mesmo deixado a recomendação de dar o tal chá, caso a mãe não estivesse conseguindo amamentar. Só que e o menino estava dormindo, nem chorava. E eu não vi ninguém ir até lá ver como estava essa relação, se a moça estava oferecendo, se sabia como fazer.... Até comecei a dizer (para a vó) que não precisava, mas como eu disse: a pediatra mandou....

7 de fevereiro de 2008

13/04/05

Nem tudo são flores...

Mas mesmo quando aparenta ser ruim pra mim, é parte do aprendizado.
A maternidade estava com lotação mínina e apenas uma mulher na sala de TP.

E. estava lá desde às 9h e aparentava muito desconforto. Deitada de barriga pra cima, a testa franzida e suando muito. Conversei um pouco com ela e de cara, não consegui nada. Ela mal me respondia. Aos poucos, ela mudou de posição e aceitou a idéia de tomar banho. Falei pra ela não se preocupar e ficar debaixo da água o tempo que quisesse.
Ela saiu renovada e ficou quase 2 horas andando comigo pelos corredores. Mas no que voltamos para o quarto, o médico quis tocar e ao saber que estava nos mesmos 6cm, ela ficou bastante irritada e eu não consegui mais ter acesso à ela. Foi como se ela dissesse: não sou capaz e suas dicas não valem de nada.
Mesmo assim, eu fiquei por ali, trazendo água, segurando a mão dela, conversando entre as contrações.
Às 21h chegou outra mulher no quarto, que não estava sentindo nada, mas foi internada por que os médicos tinham dúvida sobre a DUM e DPP dela.
Acabou que eu fiquei lá, conversando com duas mulheres que não estavam a fim de me ouvir muito.
Isso me desanimou um pouco e eu acabei saindo de lá, fui ver as meninas dos outros quartos.
E depois fui embora. E me senti um pouco mal por isso....

23/03/05

Dois TP’s, muito calor.

Quando cheguei as duas estavam sentadas em suas camas, de frente uma para a outra, segurando a dor.
Estavam acompanhadas por outra voluntária que dizia: olha aí, coitadinhas, estão assim desde a hora que chegaram, sofrendo, sentindo dor.
Tenho que dar um desconto, ela é voluntária, mas não sabe nada sobre doular. Inclusive, fica mais nas outras áreas da maternidade do que no TP. Estou pensando em fazer textos para distribuir entre as demais.... Enfim, ela foi embora e eu fiquei com elas.

Começamos conversando amenidades: nome, idade, sexo do bebê, semanas de gestação, desde que horas estavam lá, o que sabiam sobre a evolução do próprio TP, etc.
As duas tiveram comportamentos muito parecidos. Não queriam andar ou tomar banho, não pediram por massagem, mas mudaram de posição infinitas vezes, aceitando aos poucos as minhas dicas. Com o tempo, passaram a rebolar, agachar, inclinar pra frente segurando na cama, pendurar em mim.
Como elas não solicitavam muito minha ajuda física, passei a incentivá-las com palavras.
Conversamos sobre estarem num ambiente estranho, com pessoas que não conheciam e de como isso poderia atrapalhar a evolução. Incentivei-as a explorar mais o espaço e tomarem aquele quarto como delas, a mentalizarem como se fosse o ninho, pra tentarem ficar mais à vontade. Entre as contrações, insinuava que conversar com o bebê, explicando o caminho e o trabalho que estavam fazendo juntos, poderia ajudar o TP. Elas foram entrando cada vez mais na minha conversa e passaram a prestar mais atenção nas dores, mudavam a respiração, tentavam encontrar melhores posições. Se soltaram mesmo! Com gemidos e gritos espontâneos, sem vergonha de fazerem barulho, a respiração solta, o corpo solto.

Entre uma coisa e outra, 4 toques em uma e 2 na outra. Comentários como: Dói mesmo, viu filha? (médico) ou: Você pode sair um pouquinho pro médico fazer o toque? (enfermeira) surgiam de vez em quando.
Ao segundo eu respondi docemente: Por que? Eu sempre fico durante o toque.
Ela: Elas podem ficar envergonhadas.
Eu: Ah, é? Bom, se elas quiserem que eu saia, eu saio.... As duas olharam pra mim, com olho esbugalhado e acenando não com a cabeça. Durante os toques, elas sempre pediam a minha mão.
Às 18:30h E., que havia chegado com 4cm, estava com 5 e D., que havia chegado com 2cm, permanecia na mesma.
Às 19:30h, depois de muita conversa e alguma movimentação, E. estava com 8cm e D. com 5cm.
Depois disso a evolução delas foi bem rápida.
O bebê da E. nasceu por volta de 20h, com 52cm e 4.080gr! E o da D. às 21h. com 48cm e 2520gr.

Como não tinha mais nenhuma mulher no TP, passei nos quartos pra ver se estavam todos bem. Conversei um pouco sobre amamentação com algumas e também sobre pós parto, descolamento de placenta, exame do pezinho...
Antes de ir embora, passei pra ver a E. e a D.

17 de novembro de 2006

Leoa.

Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.

26 de maio de 2005

Veja que situação...

Quando eu cheguei, 2 mulheres dividiam a sala de TP. O quarto com as luzes apagadas, ambas deitadas no leito. Fui até o posto da enfermagem pra ler o prontuário delas.

R., 34 semanas, Óbito Fetal, tomando ocitocina para indução do TP.
E M., 42 semanas, primípara, 40 anos, 4cm de dilatação.

Dois problemas: a M. estava dormindo (literalmente) e quando acordou, quase duas horas depois, não quis conversar, muito menos permitiu que eu a tocasse ou aceitou as dicas de banho e movimento. Fiquei sem jeito pra lidar com a R., embora não fosse a primeira vez que eu tenha recebido um OF, mas a situação era muito desconfortável.

Como lidar com as duas, no mesmo espaço?
Como incentivar uma a se movimentar pra ajudar o TP, falar de vida e consolar a outra pela perda?
Como fazer isso, com uma ouvindo os conselhos dados para a outra?
Além disso, eram duas mulheres um tanto inacessíveis e eu não gosto de forçar a aproximação. Fui várias vezes lá na sala, perguntar se estavam bem, se queriam alguma coisa, explicar o meu trabalho e dizer que podiam se apoiar em mim. Mas não conseguia ficar lá dentro.

Então, além de passar nos quartos (quase vazios) pra ver as recém paridas, troquei várias figurinhas com o GO, de novo! Isso tem sido muito bom!
E teve também algumas consultas, entre elas, a de uma mulher que eu conheci num outro plantão e ela ficou curiosa do meu trabalho (na época), fez perguntas, pediu dicas, pegou meu telefone e eu nunca mais tinha visto ela. Pois hoje eu soube que ela agora é paciente particular do GO e que eu vou atendê-la no TP também...

11 de maio de 2005

Mais um dia de calmaria...

Hoje fiquei com uma mãe que estava nervosa, por que ela teve alta e o bebê não. Ela chorava e chorava e nem sabia o por quê... Troquei a fralda do bebê dela e em seguida a pediatra deu alta pro bebê.

Depois fiquei com uma mulher que não queria amamentar, por que sentia dor. Conversamos muito, trouxe uma cadeira pra ela se acomodar melhor, expliquei como é a pega correta, de que maneira a gente percebe que a pega está boa, etc. O bebê mamou bastante e adormeceu. Então falamos sobre a importância de amamentar e que ela não deve desistir. Depois ela aproveitou pra dormir um pouco também.

Fiquei quase 2 horas sem fazer nada, só assuntando com as enfermeiras, aproveitando pra colher informações sobre os médicos, até que chegou uma mulher chorando muito.
Ela estava abortando um bebê de pouco mais de 10 semanas. Foi logo atendida pelo médico e eu só tive acesso à ela, quase 1 hora depois, quando já estava me preparando pra ir embora. Quase não conversamos, só ficamos de mãos dadas, ela chorando e eu amparando. Então ela se abriu e falou do marido, das expectativas e chorou muito. Logo a levaram para o CC para a fazer a curetagem e eu fui embora. Ainda encontrei o marido na recepção e dei a notícia do aborto à pedido dela.