Estudo realizado por acadêmico da Universidade Estadual de Maringá revela que crianças nascidas de cesárea têm 8 vezes mais risco relativo de morrer.
Na página tem o áudio da reportagem.
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5 de agosto de 2011
9 de março de 2011
Fiocruz estuda motivos da opção por parto normal e cesariana.
Uma equipe de pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Enasp), ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vai investigar os motivos que levam a mulher a optar pelo parto normal ou pela cesariana e avaliar que consequências a escolha pode trazer para a mãe e o recém-nascido.
Com base em 24 mil entrevistas que serão realizadas em hospitais públicos e privados em todos os estados, os pesquisadores procurarão saber quais fatores influenciam a escolha pelo parto normal ou pela cesariana. O projeto está sendo conduzido em parceria com o Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), universidades estaduais e federais e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Os resultados devem ser apresentados até o fim deste ano.
De acordo com a vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Maria do Carmo Leal, que coordena o estudo, a alta incidência de cesarianas no país, principalmente em hospitais da rede privada, pode estar relacionada ao aumento do número de casos de bebês prematuros. Segundo Maria do Carmo, quase metade (47%) dos 3 milhões de partos que ocorrem anualmente no país são feitos por cesariana. Nos hospitais públicos, as cesarianas representam 30% dos nascimentos e, nas unidades particulares, 80% do total. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o percentual fique entre 15% e 20%.
A médica citou estudos que apontam relação entre o crescimento do número de cesarianas, cerca de 44% nos últimos 33 anos, e o aumento da prematuridade, que com alta de 130% em 22 anos. "Queremos entender por que isso vem ocorrendo e se esses fatos estão relacionados à forma de assistência ao parto. Afinal, a medicina é cada vez mais intervencionista em todas as áreas e também no nascimento", afirmou Maria do Carmo. Ela ressalta que a cesariana é importante quando há risco de complicações para a mãe ou necessidade de salvar a vida do bebê, mas diz que, na maioria dos casos, não é esse o motivo da intervenção médica.
Segundo a médica, embora haja padrões que indiquem que o bebê está pronto para nascer, nenhum exame é capaz de determinar seu total amadurecimento. "Só é possível saber isso quando a criança 'avisa'. Afinal, o processo de amadurecimento varia, e umas precisam de mais tempo do que outras. Por isso, para um bebê que iria nascer com 40 ou 41 semanas, nascer com 38 semanas é prematuridade."
Tecnicamente, porém, os bebês não são considerados prematuros a partir da 37ª semana de gestação. Segundo Maria do Carmo, o indicador mais frequente de um nascimento antecipado é a imaturidade respiratória. Para a mãe, entre os problemas que podem ocorrer em função do parto cesariano, estão maiores possibilidades de infecção devido à cirurgia e mais dificuldade para amamentar o bebê. Foram esses riscos que levaram a publicitária carioca Aline Barbosa a optar, logo no início da gestação, pelo parto normal. Ela disse à obstetra que fazia questão do parto normal e começou a fazer sessões de ioga para gestantes no terceiro mês de gravidez, para preparar o corpo para o nascimento do bebê.
"Tinha muito medo das possíveis complicações de uma cirurgia. Além disso, a recuperação no pós-parto é mais difícil em caso de cesariana", disse Aline. Segundo a publicitária, muitos médicos encontram nos exames feitos durante a gravidez diversos motivos para indicar a cesariana. Seu caso, porém, foi diferente. "Não tive problemas. Minha médica me orientou e fez de tudo para viabilizar o parto normal", contou Aline, que deu à luz, em parto normal, Maria Clara. A menina nasceu com 48 centímetros e pesando 3,6 kg. "Muitas mulheres têm medo do parto normal porque não sabem o que está acontecendo com o corpo. Por isso, buscar informação faz diferença. Não ameniza a dor, mas garante maior tranquilidade", acrescentou Aline.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4954304-EI8147,00-Fiocruz+estuda+motivos+da+opcao+por+parto+normal+e+cesariana.html
29 de agosto de 2010
Descoberta pode ajudar a evitar depressão pós-parto.
Cientistas alemães acreditam ter encontrado a causa da melancolia que a maioria das mulheres sofre logo após o parto e esperam que a descoberta contribua para um possível tratamento da depressão pós-parto.
Na primeira semana após dar à luz, cerca de 70% das mulheres sofrem do chamado "baby blues", com queixas que vão desde alterações de humor e ansiedade até falta de apetite e irritabilidade.
Enquanto a maioria delas se recupera em pouco tempo, 13% das mães continuam apresentando os sintomas após os primeiros meses do nascimento do bebê, o que é considerado depressão pós-parto.
A condição é definida como um grande episódio de depressão que começa nas quatro semanas após o parto e é considerada um grande problema de saúde pública.
Pesquisadores do Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e Cerebrais, de Leipzig, na Alemanha, descobriram que uma queda brusca dos níveis de estrógeno logo após o parto libera uma enzima no cérebro que bloqueia as substâncias químicas responsáveis pelo bem-estar.
Possível tratamento
O estudo, publicado na revista médica Archives of General Psychiatry, revela que na mesma proporção em que os níveis de estrógeno caem abruptamente nos três a quatro dias após o nascimento do bebê, existe um aumento da enzima monoamina oxidase A (MAO-A) no cérebro.
A enzima quebra os neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, que, além de serem responsáveis por transmitir os sinais entre as células nervosas, também influenciam nosso humor.
Se o funcionamento dos neurotransmissores é afetado, a pessoa inicialmente se sente triste e após certo tempo corre o risco de ficar deprimida.
A MAO-A foi encontrada em níveis 43% mais elevados em mulheres que acabaram de dar à luz do que em um grupo de mulheres que teve filhos há bastante tempo ou não tinha filhos.
Os níveis mais altos foram registrados no quinto dia após o parto, coincidindo com o dia em que o humor das mães está no ponto mais baixo.
Certas drogas podem ser usadas para diminuir os níveis desta enzima e aumentar os níveis das substâncias químicas quebradas por ela.
"Nossos resultados têm o potencial animador de prevenção da alteração de humor pós-parto. Isso pode ter um impacto na prevenção e no tratamento de depressão pós-parto no futuro", afirmou a coordenadora da pesquisa, Julia Sacher.
Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/bbc/2010/06/21/descoberta-pode-ajudar-a-evitar-depressao-pos-parto.jhtm
26 de agosto de 2010
Nos EUA, número de partos induzidos dobra em uma década.
A taxa de nascimentos induzidos dobrou em uma década, nos EUA. A indução é o uso de remédios para iniciar o trabalho de parto.
Segundo os pesquisadores, há um aumento nas chamadas induções eletivas -- quando não há indicação médica precisa, e elas ocorrem por motivos como desconforto da mãe ou conveniências de agenda.
O total de partos induzidos subiu de 14% em 1992 para 27% em 2003, mostram as estatísticas. No mesmo período, aumentaram também os nascimentos antes do final da gravidez, diz um artigo no "American Journal of Obstetrics & Gynecology".
Bebês nascidos antes de 39 semanas podem ter baixo peso e desconforto respiratório.
Para o obstetra Marcos Tadeu Garcia, diretor da clínica de obstetrícia e neonatologia do Hospital Ipiranga, esse aumento é um fenômeno mundial devido ao avanço dos métodos de indução.
"Mas, no Brasil, os partos antecipados estão mais relacionados às cesáreas. Aqui, as induções eletivas são menos frequentes", afirma.
Renato Kalil, obstetra dos hospitais São Luiz e Albert Einstein, diz que, por aqui, as tentativas de indução muitas vezes acabam em cesárea, mais rápida e conveniente para os médicos.
"Quando a mulher está na 38ª semana, o médico interna e induz. Ela fica umas seis horas ou até a hora que o médico acha bom. Assim, a mãe não pode criticá-lo [por não tentar o parto normal], mas acaba fazendo cesariana."
Além de a indução não garantir um parto normal, ela traz riscos. Pode haver sofrimento fetal se a saída do bebê é forçada com a passagem fechada. O bebê também pode ter seus batimentos cardíacos acelerados demais ou desacelerados, o que pode levar à morte.
31 de julho de 2010
Parto traumático gera estresse prolongado.
Pesquisadores da UFPE realizam estudo inédito na área e alertam para problema que pode ser gerado pela má assistência no hospital.
Maria tem 20 anos. Pariu o primeiro filho há um mês, num hospital público do Sertão de Pernambuco. Descreve o nascimento da desejada criança, fruto do seu casamento por amor, como uma sessão de horror e tortura. Com nove meses de gestação completos, sente as primeiras dores pela manhã. Procura a maternidade e, mesmo sem examiná-la, a médica a manda de volta para casa. As dores aumentam e ela retorna ao mesmo serviço. À noitinha a obstetra a examina e diz que a transferência para outra maternidade é inevitável porque não há vagas no serviço. A jovem mãe insiste, teme ficar longe da família e perder o filho. É alojada numa enfermaria-geral.
Quando o corpo começa a expulsar a criança, a gestante desce sozinha da maca e anda todo o corredor, sem qualquer apoio, até a sala de parto. No nascimento propriamente, é culpabilizada por não ajudar, sente os cortes para a passagem do bebê e, no fim, mais uma vez é tratada com indiferença. “Me mandaram descer sozinha da mesa”, conta, lembrando os momentos finais em que novamente se sentiu abandonada, ignorada e agredida. Foram horas pensando que poderia morrer ou ver a criança nascer morta. “Nunca mais quero ter filho”, sentencia, visivelmente traumatizada com o horror do parto, anormal para a expectativa de quem estava descobrindo a maternidade. Maria não quer ser identificada, teme ser vítima no futuro, pois é dependente do único serviço de saúde da cidade.
A história acima repete-se em relatos colhidos na porta de hospitais e nos acolhimentos feitos por entidades feministas e de direito reprodutivo. É um exemplo de como um dos momentos mais importantes na vida da mulher pode se transformar em sofrimento psíquico de repercussões que a ciência só recentemente vem estudando.
Psiquiatras do Programa de Saúde Mental da Mulher da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertam para a incidência do parto traumático e outra complicação posterior, o transtorno do estresse pós-traumático, que interfere na vida conjugal e reprodutiva da mulher, como também na relação mãe-bebê. Eles vão iniciar no segundo semestre deste ano uma pesquisa que visa avaliar a incidência do problema em mulheres que deram à luz no Recife.
Em 2008, ao estudar depressão pós-parto e transtornos de ansiedade, o programa detectou uma proporção significativa de mulheres vítimas do parto traumático e 5% delas já apresentavam o transtorno do estresse pós-traumático, segundo o psiquiatra Amaury Cantilino, doutor em neuropsiquiatria e ciências do comportamento. Ele coordena o Programa de Saúde Mental da Mulher da UFPE, que também faz atendimento ambulatorial, às sextas-feiras pela manhã (telefone 81-2126-3692), recebendo mulheres encaminhadas por obstetras e pediatras.
O grupo de estudiosos, formado também pelos psiquiatras Carla Zambaldi e Everton Sougey, publicou no ano passado artigo em revista científica brasileira sobre o assunto. Seria a primeira publicação local a respeito do tema e trata-se de revisão da literatura mundial, cujo artigo inicial é de 1998. As descobertas recentes sobre o impacto do problema sugerem que a próxima classificação em psiquiatria considere o transtorno do estresse pós-traumático relacionado especificamente ao parto.
“De 21% a 34% das mulheres podem experimentar o parto traumático”, explica Amaury Cantilino. Segundo ele, o trauma ocorre durante o trabalho de parto ou no momento do nascimento da criança que envolve real ou temida lesão física. Dor excessiva, hemorragia, morte do recém nascido, uso de fórceps, experiência humilhante, cuidado médico inadequado, transferência do bebê para uma UTI ou anomalia congênita são algumas das situações listadas que levam ao sofrimento psíquico da mãe. “Nesse evento, a mulher experimenta medo intenso, desamparo, perda de controle e horror”, esclarece.
CONSEQUÊNCIAS
As mulheres traumatizadas com o parto relatam atendimento arrogante, frio, técnico e queixam-se de não ter sido ouvidas pela equipe de saúde. “Mesmo quando um parto é considerado dentro da normalidade pela equipe de saúde, pode ser traumático para a parturiente”, acrescenta o psiquiatra, dando uma noção mais ampla do problema. Experiências anteriores ao nascimento do filho também favorecem o distúrbio. Mulheres que sofreram violência sexual na infância ou fase adulta têm 12 vezes mais chances de sofrer parto traumático.
Uma fração das que desenvolvem o trauma acaba tendo o estresse pós-traumático, caracterizado por recordações aflitivas, associadas em parte dos casos a ansiedade, raiva, depressão e tensão. “A mulher revive o trauma em pensamentos e pesadelos”, explica a psiquiatra Carla Zambaldi. Para ela, é fundamental que a gestante tenha um bom acompanhamento no pré-natal para identificação de fatores individuais que previamente podem ajudar a desencadear o trauma no parto.
“O que protege as mulheres é o acesso prévio a bastante informação sobre o parto, que a deixa consciente sobre o que vai acontecer, como também o apoio que ela recebe na hora do nascimento do bebê. Daí a importância do acompanhante, que pode ser o pai da criança, a mãe da parturiente ou mesmo doulas (mulheres da comunidade que acompanham a gestante)”, avalia Carla Zambaldi. Segundo ela, cabe à equipe que assistiu a mulher no parto (obstetra e enfermeiros) observar e conversar com a mulher sobre a experiência que ela vivenciou. Ao identificar a situação traumática, a paciente deve ser encaminhada a serviço de saúde mental.
Quando a mulher desenvolve o estresse pós-traumático, apresenta sofrimento significativo e prejuízo na sua função social, familiar ou ocupacional, lembra Amaury Cantilino. O tratamento é com assistência psiquiátrica e psicológica.
Fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/05/16/not_377266.php
Maria tem 20 anos. Pariu o primeiro filho há um mês, num hospital público do Sertão de Pernambuco. Descreve o nascimento da desejada criança, fruto do seu casamento por amor, como uma sessão de horror e tortura. Com nove meses de gestação completos, sente as primeiras dores pela manhã. Procura a maternidade e, mesmo sem examiná-la, a médica a manda de volta para casa. As dores aumentam e ela retorna ao mesmo serviço. À noitinha a obstetra a examina e diz que a transferência para outra maternidade é inevitável porque não há vagas no serviço. A jovem mãe insiste, teme ficar longe da família e perder o filho. É alojada numa enfermaria-geral.
Quando o corpo começa a expulsar a criança, a gestante desce sozinha da maca e anda todo o corredor, sem qualquer apoio, até a sala de parto. No nascimento propriamente, é culpabilizada por não ajudar, sente os cortes para a passagem do bebê e, no fim, mais uma vez é tratada com indiferença. “Me mandaram descer sozinha da mesa”, conta, lembrando os momentos finais em que novamente se sentiu abandonada, ignorada e agredida. Foram horas pensando que poderia morrer ou ver a criança nascer morta. “Nunca mais quero ter filho”, sentencia, visivelmente traumatizada com o horror do parto, anormal para a expectativa de quem estava descobrindo a maternidade. Maria não quer ser identificada, teme ser vítima no futuro, pois é dependente do único serviço de saúde da cidade.
A história acima repete-se em relatos colhidos na porta de hospitais e nos acolhimentos feitos por entidades feministas e de direito reprodutivo. É um exemplo de como um dos momentos mais importantes na vida da mulher pode se transformar em sofrimento psíquico de repercussões que a ciência só recentemente vem estudando.
Psiquiatras do Programa de Saúde Mental da Mulher da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertam para a incidência do parto traumático e outra complicação posterior, o transtorno do estresse pós-traumático, que interfere na vida conjugal e reprodutiva da mulher, como também na relação mãe-bebê. Eles vão iniciar no segundo semestre deste ano uma pesquisa que visa avaliar a incidência do problema em mulheres que deram à luz no Recife.
Em 2008, ao estudar depressão pós-parto e transtornos de ansiedade, o programa detectou uma proporção significativa de mulheres vítimas do parto traumático e 5% delas já apresentavam o transtorno do estresse pós-traumático, segundo o psiquiatra Amaury Cantilino, doutor em neuropsiquiatria e ciências do comportamento. Ele coordena o Programa de Saúde Mental da Mulher da UFPE, que também faz atendimento ambulatorial, às sextas-feiras pela manhã (telefone 81-2126-3692), recebendo mulheres encaminhadas por obstetras e pediatras.
O grupo de estudiosos, formado também pelos psiquiatras Carla Zambaldi e Everton Sougey, publicou no ano passado artigo em revista científica brasileira sobre o assunto. Seria a primeira publicação local a respeito do tema e trata-se de revisão da literatura mundial, cujo artigo inicial é de 1998. As descobertas recentes sobre o impacto do problema sugerem que a próxima classificação em psiquiatria considere o transtorno do estresse pós-traumático relacionado especificamente ao parto.
“De 21% a 34% das mulheres podem experimentar o parto traumático”, explica Amaury Cantilino. Segundo ele, o trauma ocorre durante o trabalho de parto ou no momento do nascimento da criança que envolve real ou temida lesão física. Dor excessiva, hemorragia, morte do recém nascido, uso de fórceps, experiência humilhante, cuidado médico inadequado, transferência do bebê para uma UTI ou anomalia congênita são algumas das situações listadas que levam ao sofrimento psíquico da mãe. “Nesse evento, a mulher experimenta medo intenso, desamparo, perda de controle e horror”, esclarece.
CONSEQUÊNCIAS
As mulheres traumatizadas com o parto relatam atendimento arrogante, frio, técnico e queixam-se de não ter sido ouvidas pela equipe de saúde. “Mesmo quando um parto é considerado dentro da normalidade pela equipe de saúde, pode ser traumático para a parturiente”, acrescenta o psiquiatra, dando uma noção mais ampla do problema. Experiências anteriores ao nascimento do filho também favorecem o distúrbio. Mulheres que sofreram violência sexual na infância ou fase adulta têm 12 vezes mais chances de sofrer parto traumático.
Uma fração das que desenvolvem o trauma acaba tendo o estresse pós-traumático, caracterizado por recordações aflitivas, associadas em parte dos casos a ansiedade, raiva, depressão e tensão. “A mulher revive o trauma em pensamentos e pesadelos”, explica a psiquiatra Carla Zambaldi. Para ela, é fundamental que a gestante tenha um bom acompanhamento no pré-natal para identificação de fatores individuais que previamente podem ajudar a desencadear o trauma no parto.
“O que protege as mulheres é o acesso prévio a bastante informação sobre o parto, que a deixa consciente sobre o que vai acontecer, como também o apoio que ela recebe na hora do nascimento do bebê. Daí a importância do acompanhante, que pode ser o pai da criança, a mãe da parturiente ou mesmo doulas (mulheres da comunidade que acompanham a gestante)”, avalia Carla Zambaldi. Segundo ela, cabe à equipe que assistiu a mulher no parto (obstetra e enfermeiros) observar e conversar com a mulher sobre a experiência que ela vivenciou. Ao identificar a situação traumática, a paciente deve ser encaminhada a serviço de saúde mental.
Quando a mulher desenvolve o estresse pós-traumático, apresenta sofrimento significativo e prejuízo na sua função social, familiar ou ocupacional, lembra Amaury Cantilino. O tratamento é com assistência psiquiátrica e psicológica.
Fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/05/16/not_377266.php
30 de julho de 2010
Até 25% dos homens têm depressão pós-parto.
Quadro se manifesta em homens principalmente entre o terceiro e o sexto mês após o nascimento do filho.
Pesquisa aponta que há uma correlação entre a ocorrência de depressão paterna e materna
São Paulo - Um em cada quatro homens que têm filhos sofre com depressão pós-parto entre o terceiro e o sexto mês de idade da criança, de acordo com um estudo que será publicado nesta quarta-feira (19) na revista científica Journal of the American Medical Association. Nesse período, está concentrada a maior ocorrência do quadro em pais, segundo a equipe da Eastern Virginia Medical School que conduziu o levantamento.
As estatísticas foram obtidas a partir da análise de 43 pesquisas anteriores, publicadas entre 1980 e 2009 e que contaram com mais de 28 mil participantes. "Sabe-se que a depressão pré-natal e pós-parto materna é comum e tem consequências negativas para o desenvolvimento pessoal, familiar e da criança. A depressão paterna neste período pode ter características similares", afirmam os autores James F. Paulson e Sharnail D. Bazemore. Segundo eles, no entanto, as informações sobre a ocorrência do quadro em homens ainda são inconsistentes.
Entre o terceiro mês de gravidez da mulher e o primeiro ano de vida do filho, a taxa média de pais com depressão é de 10,4% (para se ter uma ideia, a ocorrência em homens em geral é de 4,8%). No levantamento, os pesquisadores descobriram ainda que a depressão paterna varia de acordo com período de tempo e com a localidade. Segundo eles, enquanto o comportamento se manifesta em 25,6% dos pais entre o terceiro e o sexto mês após o parto, nos três primeiros meses a taxa cai para apenas 7,7%. E, se nos Estados Unidos a taxa geral chega a 14,1%, no resto do mundo fica em apenas 8,2%.
A pesquisa apontou ainda que há uma correlação entre a ocorrência de depressão paterna e materna. "Pesquisas futuras nesta área devem focar em pai e mãe ao mesmo tempo, para analisar o aparecimento e evolução conjunta de depressão. Isso pode aumentar nossa capacidade de identificação precoce do quadro, aumentar as possibilidades de prevenção e tratamento e melhorar a compreensão sobre como a depressão dos pais implica em riscos para bebês e crianças pequenas", escreveram os autores do estudo.
26 de maio de 2010
Alimentação durante trabalho de parto está liberada
Crença de que mulher deve ficar em jejum para dar à luz não resiste à revisão científica de vários estudos; comida deve ser leve
Rafael Hupsel/Folha Imagem
A fisioterapeuta Luciana Morando, que almoçou e lanchou no dia do nascimento de Guilherme
JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Em nome do conforto, vale até comer enquanto o bebê não chega. Uma revisão recente de cinco estudos científicos concluiu não haver provas de que a alimentação durante o parto normal faz mal à mulher.
O trabalho avaliou dados de 3.130 mulheres e foi publicado pela Cochrane, rede internacional de revisão de pesquisas.
A crença de que a mulher deve ficar em jejum vem dos anos 1940, quando foi levantado o alerta de que, durante uma anestesia geral, haveria maior risco de vômito e de o alimento do estômago ser aspirado pelos pulmões, causando problemas à paciente.
Mas a anestesia aplicada na gestante só atinge o abdômen e os membros inferiores, tornando mínimo o risco de reaspiração dos alimentos.
"Muitos médicos têm receio de ser necessária uma anestesia geral, mas isso é raro e atípico", diz o ginecologista Alberto d'Auria, diretor do grupo Santa Joana.
A exceção ocorre no caso de uma cesariana agendada. A cirurgia requer oito horas de jejum para alimentos sólidos e seis horas para líquidos.
"Se o parto for normal, mas houver suspeita de que a mulher não vai ter dilatação, também é melhor evitar a alimentação", diz a ginecologista Márcia da Costa, coordenadora médica da maternidade do Hospital São Luiz -unidade Itaim.
Experiência
A fisioterapeuta Luciana Morando, 27, já sabia que poderia se alimentar durante as contrações, caso sentisse fome.
Foi internada às 11h, e seu filho, Guilherme Mendes Morando, nasceu depois das 20h, tempo suficiente para ela almoçar e lanchar. "Achei importante comer. Parto é trabalho mesmo. Tive mais energia para o momento da expulsão."
Os alimentos devem ser leves como grelhados, purê, arroz e vegetais, para não piorar um eventual mal-estar causado pela dor, segundo a ginecologista Márcia da Costa. "Se ela estiver indisposta, pode tomar sopa. Vai do desejo da paciente." Se ela estiver sem apetite, o médico pode manter os níveis de glicemia com soro.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2004201004.htm
Para Pensar: O parto é um evento fisiológico, é impossível pré determinar a sua duração, dizer que um parto pode durar 16 horas é meramente uma estimativa (pra não dizer um chute). Pior que isso, prever a "falta de dilatação": falta de dilatação não existe, o que existe é falta de paciência da equipe médica para esperar o parto desenrolar como seria o natural para AQUELA mulher, única e impossível de ser enquadrada em um padrão...
15 de maio de 2010
Maioria das cesáreas é marcada para antes da hora no Brasil
GABRIELA CUPANI
da Reportagem Local
Cresce no Brasil a prática de marcar o parto para assim que a gestação completa 37 semanas, momento em que o bebê deixa de ser considerado prematuro.

Um estudo da Unifesp mostra que cerca de 60% dos nascimentos acontecem com 37 ou 38 semanas de gestação --quando a gravidez dura cerca de 40 semanas. Segundo consensos internacionais, o ideal é esperar no mínimo 39 semanas. Antes disso, aumentam as chances de complicação para o recém-nascido, como desconforto respiratório e icterícia.
"A tendência é mundial. Está havendo uma antecipação do parto. Antes, os bebês nasciam com 39 ou 40 semanas", diz Cecília Draque, neonatologista do departamento de pediatria e neonatologia da Unifesp, uma das autoras do estudo.
Segundo a pesquisa, o número crescente de cesáreas eletivas (aquelas em que é possível escolher a data) tem levado ao aumento dos partos com idade gestacional inferior à ideal.
"Hoje não se espera a mulher entrar em trabalho de parto", diz o obstetra Marcos Tadeu Garcia, diretor da clínica de ginecologia, obstetrícia e neonatologia do Hospital Ipiranga. "Médicos e mães optam pelo conforto da agenda. Isso nos assusta, porque esses bebês nascem sem estarem prontos."
Bebês que nascem antes do término da trigésima-nona semana têm mais risco de precisarem de intervenções terapêuticas do que os que nascem bem no fim da gravidez. O estudo mostra que ficam mais dias internados e vão mais para a UTI. "A interrupção da gestação antes de 39 semanas só deve ser feita com estritas indicações médicas", diz Draque.
A pesquisa seguiu mais de 6.000 recém-nascidos em uma maternidade particular de São Paulo. Os bebês não tinham anomalias congênitas e as mães passaram por pré-natal.
"Conheço casos de médicos que marcam até para a 35ª semana. Qualquer coisa é desculpa: ou vão viajar para algum congresso, ou não querem que a mãe encha a paciência deles ligando às duas da manhã. A mulher também pode insistir, às vezes a avó manda marcar, ou a mulher não aguenta mais o fim da gravidez... enfim. O bebê vai precisar de um atendimento, mas o médico já passou a responsabilidade para o berçário", diz Renato Kalil, obstetra do Hospital Albert Einstein. Segundo Kalil, 12% dos bebês não prematuros nascidos de cesárea passam pela UTI. De parto normal, só 3%. "O parto normal está mais falado, mas a indicação de cesárea continua a mesma baixaria", afirma.
"Muitas vezes a própria família pressiona o médico", afirma Renato Augusto Moreira de Sá, presidente da comissão de perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Antecipar o parto também é perigoso porque há chance de erro de cálculo da idade gestacional. Se a mulher não fez um ultrassom no início, que estima com maior precisão essa idade, ela pode estar grávida há menos tempo do que pensa.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u724808.shtml
Para Pensar: Uma gestação normal pode chegar até 42 semanas e mesmo que atinja esta data, a indicação médica adequada é induzir o trabalho de parto e não realizar a cesárea. A família não pressiona o médico quando está amparada e informada, quando se sente segura sobre o parto, e isto infelizmente as equipes médicas não fazem: educar e tranquilizar famílias. Se existe possibilidade de erro na estimativa da idade gestacional, é mais um motivo para esperar o início espontâneo do trabalho de parto, ter ou não US no início da gestação, não é determinante para o sucesso e beleza do parto normal ativo e empoderador.
da Reportagem Local
Cresce no Brasil a prática de marcar o parto para assim que a gestação completa 37 semanas, momento em que o bebê deixa de ser considerado prematuro.

Um estudo da Unifesp mostra que cerca de 60% dos nascimentos acontecem com 37 ou 38 semanas de gestação --quando a gravidez dura cerca de 40 semanas. Segundo consensos internacionais, o ideal é esperar no mínimo 39 semanas. Antes disso, aumentam as chances de complicação para o recém-nascido, como desconforto respiratório e icterícia.
"A tendência é mundial. Está havendo uma antecipação do parto. Antes, os bebês nasciam com 39 ou 40 semanas", diz Cecília Draque, neonatologista do departamento de pediatria e neonatologia da Unifesp, uma das autoras do estudo.
Segundo a pesquisa, o número crescente de cesáreas eletivas (aquelas em que é possível escolher a data) tem levado ao aumento dos partos com idade gestacional inferior à ideal.
"Hoje não se espera a mulher entrar em trabalho de parto", diz o obstetra Marcos Tadeu Garcia, diretor da clínica de ginecologia, obstetrícia e neonatologia do Hospital Ipiranga. "Médicos e mães optam pelo conforto da agenda. Isso nos assusta, porque esses bebês nascem sem estarem prontos."
Bebês que nascem antes do término da trigésima-nona semana têm mais risco de precisarem de intervenções terapêuticas do que os que nascem bem no fim da gravidez. O estudo mostra que ficam mais dias internados e vão mais para a UTI. "A interrupção da gestação antes de 39 semanas só deve ser feita com estritas indicações médicas", diz Draque.
A pesquisa seguiu mais de 6.000 recém-nascidos em uma maternidade particular de São Paulo. Os bebês não tinham anomalias congênitas e as mães passaram por pré-natal.
"Conheço casos de médicos que marcam até para a 35ª semana. Qualquer coisa é desculpa: ou vão viajar para algum congresso, ou não querem que a mãe encha a paciência deles ligando às duas da manhã. A mulher também pode insistir, às vezes a avó manda marcar, ou a mulher não aguenta mais o fim da gravidez... enfim. O bebê vai precisar de um atendimento, mas o médico já passou a responsabilidade para o berçário", diz Renato Kalil, obstetra do Hospital Albert Einstein. Segundo Kalil, 12% dos bebês não prematuros nascidos de cesárea passam pela UTI. De parto normal, só 3%. "O parto normal está mais falado, mas a indicação de cesárea continua a mesma baixaria", afirma.
"Muitas vezes a própria família pressiona o médico", afirma Renato Augusto Moreira de Sá, presidente da comissão de perinatologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.
Antecipar o parto também é perigoso porque há chance de erro de cálculo da idade gestacional. Se a mulher não fez um ultrassom no início, que estima com maior precisão essa idade, ela pode estar grávida há menos tempo do que pensa.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u724808.shtml
Para Pensar: Uma gestação normal pode chegar até 42 semanas e mesmo que atinja esta data, a indicação médica adequada é induzir o trabalho de parto e não realizar a cesárea. A família não pressiona o médico quando está amparada e informada, quando se sente segura sobre o parto, e isto infelizmente as equipes médicas não fazem: educar e tranquilizar famílias. Se existe possibilidade de erro na estimativa da idade gestacional, é mais um motivo para esperar o início espontâneo do trabalho de parto, ter ou não US no início da gestação, não é determinante para o sucesso e beleza do parto normal ativo e empoderador.
22 de abril de 2010
Acupuntura pode tratar depressão em grávidas
Em estudo inédito, 63% das gestantes apresentaram melhora nos sintomas.
IARA BIDERMAN
As gestantes foram divididas aleatoriamente em três grupos: um tratado com acupuntura específica para a depressão, um com acupuntura "controle" (pontos inespecíficos) e um com sessões de massagem.
Nos grupos de acupuntura específica e "controle", o estudo foi duplo-cego -nem os acupunturistas nem as gestantes sabiam se os pontos onde as agulhas estavam sendo aplicadas eram de fato os recomendados para tratar depressão.
Para isso, as aplicações foram feitas por acupunturistas iniciantes, que receberam prescrições dos pontos onde colocar as agulhas preparadas por acupunturistas veteranos. Obviamente, o grupo que recebeu a massagem não foi "cego".
Foram realizadas 12 sessões dos tratamentos, durante oito semanas. Os sintomas de depressão nas pacientes foram medidos após quatro semanas e no final do tratamento segundo a escala de Hamilton -é também um dos critérios mais usados na psiquiatria para avaliação de depressão.
Os resultados mostraram que 63% das gestantes tratadas com acupuntura específica apresentaram melhora dos sintomas depressivos, contra uma média de 42% nos grupos de controle. Segundo os autores do trabalho, um grupo formado por psiquiatras, psicólogos e acupunturistas, o estudo indica que a acupuntura é um tratamento viável para a depressão durante a gravidez.
Para o psiquiatra Joel Rennó Jr., diretor do grupo de saúde mental da mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse tipo de estudo sobre acupuntura e depressão em grávidas é inédito. "Há várias outras pesquisas sobre a acupuntura e a depressão em geral, mas os resultados não são definitivos. Esse [em gestantes] também não é, mas desperta interesse. Embora o grupo pesquisado não seja muito grande, o trabalho é metodologicamente bem realizado, com grupo de controle, duplo-cego etc.", afirma.
Riscos e benefícios
A depressão na gravidez não é tão estudada quanto a pós-parto, mas não é incomum. Segundo Nilson Roberto de Melo, presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a doença atinge mais de 10% das grávidas. Nos casos moderados e graves, é indicado o uso de algumas classes de remédios antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina.
Embora haja temores que os fármacos possam causar efeitos no feto, Rennó diz que estudos recentes mostram que os benefícios são maiores do que os riscos. "A depressão não tratada tem efeitos deletérios não apenas para mãe. Ela também aumenta a chance de partos prematuros, abortos espontâneos e de o bebê nascer com baixo peso", afirma.
Ele acredita que o trabalho sobre o uso de acupuntura para a depressão na gravidez traz boas perspectivas para o tratamento do problema. Segundo Rennó, os resultados mostraram que, embora não tenha havido remissão completa da depressão, a acupuntura realmente diminuiu os sintomas nas gestantes.
"Mesmo que o tratamento com acupuntura não substitua os medicamentos, ele pode ser uma forma de diminuir as dosagens durante a gestação. Isso já é uma vitória, já que o aumento dos riscos [dos medicamentos] tem relação direta com as doses", diz.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1102201001.htm
Tratamento com agulhas pode diminuir dosagens de medicamentos; depressão na gestação atinge mais de 10% das mulheres grávidas
IARA BIDERMAN
A acupuntura é uma opção de tratamento viável para a depressão durante a gravidez, de acordo com um trabalho apresentado no 30º encontro anual da Sociedade de Medicina Materno-Fetal dos Estados Unidos, realizado na primeira semana de fevereiro.
O estudo foi feito pelo departamento de psicologia da Universidade do Arizona e incluiu 150 gestantes com diagnóstico de depressão segundo os critérios do "Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais 4". A publicação é a referência padrão para estudos, diagnósticos e tratamento de distúrbios psiquiátricos.
As gestantes foram divididas aleatoriamente em três grupos: um tratado com acupuntura específica para a depressão, um com acupuntura "controle" (pontos inespecíficos) e um com sessões de massagem.
Nos grupos de acupuntura específica e "controle", o estudo foi duplo-cego -nem os acupunturistas nem as gestantes sabiam se os pontos onde as agulhas estavam sendo aplicadas eram de fato os recomendados para tratar depressão.
Para isso, as aplicações foram feitas por acupunturistas iniciantes, que receberam prescrições dos pontos onde colocar as agulhas preparadas por acupunturistas veteranos. Obviamente, o grupo que recebeu a massagem não foi "cego".
Foram realizadas 12 sessões dos tratamentos, durante oito semanas. Os sintomas de depressão nas pacientes foram medidos após quatro semanas e no final do tratamento segundo a escala de Hamilton -é também um dos critérios mais usados na psiquiatria para avaliação de depressão.
Os resultados mostraram que 63% das gestantes tratadas com acupuntura específica apresentaram melhora dos sintomas depressivos, contra uma média de 42% nos grupos de controle. Segundo os autores do trabalho, um grupo formado por psiquiatras, psicólogos e acupunturistas, o estudo indica que a acupuntura é um tratamento viável para a depressão durante a gravidez.
Para o psiquiatra Joel Rennó Jr., diretor do grupo de saúde mental da mulher do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, esse tipo de estudo sobre acupuntura e depressão em grávidas é inédito. "Há várias outras pesquisas sobre a acupuntura e a depressão em geral, mas os resultados não são definitivos. Esse [em gestantes] também não é, mas desperta interesse. Embora o grupo pesquisado não seja muito grande, o trabalho é metodologicamente bem realizado, com grupo de controle, duplo-cego etc.", afirma.
Riscos e benefícios
A depressão na gravidez não é tão estudada quanto a pós-parto, mas não é incomum. Segundo Nilson Roberto de Melo, presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a doença atinge mais de 10% das grávidas. Nos casos moderados e graves, é indicado o uso de algumas classes de remédios antidepressivos, como os inibidores seletivos de recaptação de serotonina.
Embora haja temores que os fármacos possam causar efeitos no feto, Rennó diz que estudos recentes mostram que os benefícios são maiores do que os riscos. "A depressão não tratada tem efeitos deletérios não apenas para mãe. Ela também aumenta a chance de partos prematuros, abortos espontâneos e de o bebê nascer com baixo peso", afirma.
Ele acredita que o trabalho sobre o uso de acupuntura para a depressão na gravidez traz boas perspectivas para o tratamento do problema. Segundo Rennó, os resultados mostraram que, embora não tenha havido remissão completa da depressão, a acupuntura realmente diminuiu os sintomas nas gestantes.
"Mesmo que o tratamento com acupuntura não substitua os medicamentos, ele pode ser uma forma de diminuir as dosagens durante a gestação. Isso já é uma vitória, já que o aumento dos riscos [dos medicamentos] tem relação direta com as doses", diz.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd1102201001.htm
16 de abril de 2010
Filhos de usuárias de maconha são mais estressados
A idéia popular entre jovens e adolescentes de que fumar maconha não faz mal nenhum pode estar colocando em risco não somente a saúde mental deles, mas a de seus filhos. Estudo brasileiro feito com bebês recém-nascidos de mães com média de idade de 16/17 anos que ingeriram a droga na gestação mostra que o consumo afeta o desenvolvimento neurológico do feto.
A pesquisa, conduzida por pediatras, psicólogos e psiquiatras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), detectou alterações comportamentais nos bebês. Eles eram mais inquietos, desatentos e estressados, menos sensíveis a estímulos externos, choravam mais e tinham mais dificuldade de serem acalmados em crises de choro do que aqueles que não foram expostos à droga.
Em um universo de 561 adolescentes que deram à luz crianças saudáveis e no tempo certo entre junho de 2001 e novembro de 2002 na Maternidade de Vila Nova Cachoeirinha (zona norte de São Paulo), o grupo se concentrou em 26 que tinham consumido somente maconha (e não outros narcóticos), nos últimos três meses de gestação.
Para checar a ingestão da droga foram analisados os fios de cabelo das garotas e também as primeiras fezes dos bebês, onde também foram encontrados resíduos de maconha. As reações das crianças foram comparadas com as de outras cujas mães não tinham consumido nada na gestação.
Como elas foram acompanhados logo depois de nascer, influências do ambiente ficam praticamente descartadas. “Alterações no comportamento 72 horas após o nascimento sugerem problemas na formação do cérebro dos bebês”, afirma a médica Ruth Guinsburg, que orientou a pesquisa de doutorado da pediatra Marina Moraes Barros. “A maconha atravessa a barreira placentária e afeta a organização do sistema nervoso central do bebê”, explica.
“As mudanças que nós percebemos são sutis. Só de olhar para um bebê não dá para dizer que a mãe fumou maconha na gravidez. Mas esses sintomas devem ser observados por médicos para partirem para uma investigação. Se o bebê realmente foi exposto, são necessários alguns cuidados”, explica Marina. Segundo ela, a preocupação é como pode ser o desenvolvimento deles.
Sem carinho e um trabalho para desenvolver suas habilidades, na idade escolar suspeita-se que as crianças podem apresentar dificuldades de aprendizagem, memória e concentração ou se tornar agressivas. Para checar isso, o grupo pretende dar continuidade ao trabalho e analisar as crianças, que hoje estão com 5 anos.
“Claro que devemos considerar que há muitas variáveis ambientais, mas essas crianças já nascem com uma vulnerabilidade biológica”, comenta o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que também orientou o trabalho. “A maconha tem mais de 400 substâncias químicas que atingem o cérebro dos bebês. Vamos ver agora quanto isso dura.”
O trabalho, acredita Ruth, deve ser visto como um alerta: “As pessoas acham que maconha não faz mal. E poucos estudos avaliam seus danos. Essa pesquisa mostra que não é bem assim”, afirma a médica. “Põe em xeque a tal suposta benignidade.”
O estudo foi publicado em dezembro do ano passado no Journal of Pediatrics e está descrito na revista Pesquisa, da Fapesp deste mês.
AS CONSEQÜÊNCIAS DO VÍCIO
Peso do bebê: O consumo de maconha na gravidez mais que quatro vezes por semana é ssociado à perda de peso da criança e baixa estatura
Gestação mais curta: Algumas pesquisas mostram que o consumo no primeiro trimestre leva a nascimentos prematuros
Irritabilidade: Se nos adultos a droga causa uma certa moleza, os bebês apresentam o efeito rebote. É comum terem muitos tremores
Desatenção: Nos testes feitos pela Unifesp, era observada a capacidade de os bebês acompanharem com os olhos o movimento de uma bola vermelha em frente ao rosto. Alguns dos que haviam sido expostos à droga mal olhavam para a bola.
*Fonte: Meio Norte
3 de abril de 2010
Uso da maconha na gravidez aumenta o risco de câncer na criança.
Mães que usam maconha, no primeiro trimestre da gravidez, podem aumentar o risco de desenvolver um neuroblastoma (tipo de câncer neurológico) em seus filhos.
Isso é o que observou um estudo americano publicado na revista Cancer, causes and control.
Os resultados de um estudo que investigou o papel de drogas ilícitas, no desenvolvimento de tumores, mostraram que o uso de qualquer droga ilícita ou recreativa, durante a gravidez, esteve associado a um risco aumentado de neuroblastoma no bebê.
Segundo os autores, este é o primeiro estudo a investigar a associação entre drogas recreativas específicas e o neuroblastoma nos bebês, sendo que o tumor surgiu em um tempo distinto, segmentado ao redor da gravidez.
Os achados indicam que o efeito mais forte do uso da maconha materna é resultante da exposição à droga, no primeiro trimestre de gravidez e o neuroblastoma é diagnosticado com mais freqüência entre crianças menores de um ano.
Fonte: Cancer Causes and Control 2006; 7; 663-9
http://boasaude.uol.com.br/news/index.cfm?news_id=6372&mode=browse
28 de março de 2010
Pesquisa o porquê do aumento de bebês prematuros.
Em 1978, dos bebês que nasciam no Brasil, 7,5% eram prematuros. Em 1994, o índice tinha quase dobrado. Estresse e violência estão entre as causas.
Uma questão intriga os médicos brasileiros: é cada vez maior o nascimento de bebês prematuros. Uma pesquisa feita durante 30 anos encontrou algumas respostas para esse fenômeno.
Trata-se de uma pesquisa feita em várias etapas. A mais recente começou em janeiro, no interior de São Paulo e no Maranhão. As respostas para o problema começam a aparecer: exagero no número de cesarianas, violência e até falta de atendimento médico adequado.
Uma pesquisa da USP de Ribeirão Preto começou a investigar as causas do aumento do número de bebês prematuros no país, que cresceu 25% em dez anos. O estudo, um dos mais completos já realizados no Brasil, vai acompanhar 14 mil bebês, além de três mil mulheres durante o pré-natal.
Apressados, chegaram antes da hora e hoje dependem de equipamentos e de toda atenção dos médicos. Em 1978, quando o pesquisador da USP Marco Antonio Barbieri começou a pesquisa dos bebês que nasciam no país, 7,5% eram prematuros. Em 1994, quando repetiu o estudo, descobriu que o índice tinha quase dobrado.
“A gente identificou que parte importante do aumento da prematuridade podia ser explicado pelo aumento da cesariana que em Ribeirão Preto foi de 30% para 51%”, justifica o pesquisador.
Uma década depois, novas pesquisas mostraram que o crescimento do número de nascimento de prematuros no Brasil foi de quase 25%. O levantamento foi feito em regiões extremas do país com características diferentes. Trinta anos depois, os pesquisadores querem outras respostas. Eles querem saber o principal: por que o nascimento de bebês prematuros tem aumentado tanto assim?
Nessa nova fase da pesquisa, vão ser acompanhados mais de 14 mil bebês nascidos em Ribeirão Preto, São Paulo, e em São Luís do Maranhão. Três mil mulheres também vão ser estudadas durante o pré-natal. Vai ser o estudo mais completo já realizado no Brasil sobre o nascimento de bebês prematuros.
Nos hospitais de Ribeirão e São Luís, os médicos já coletam a saliva das crianças, vão procurar indícios de infecção e também fazer uma investigação genética. Desse estudo complexo pode sair uma resposta para as dúvidas da dona de casa Vanessa Aparecida Menezes, mãe de uma menina prematura.
“Foi uma surpresa, eu também tinha sofrido uma acidente e tirei um raio-X. Talvez pode ser o que provocou isso”, diz a mulher.
A pesquisa pode ajudar a dona de casa Julie Anne de Souza Armaroli a entender como seu frágil bebê prematuro exibe, hoje, tanta saúde e energia: “É um pouco de sofrimento que hoje a gente vê uma vitória. Desde a hora que eu fui para a maternidade até hoje, são detalhes que a gente não esquece”.
Barbieri e sua equipe ainda vão se debruçar sobre muitas informações, mas já têm algumas pistas que explicam por que tem nascido cada vez mais bebês prematuros no país. “Estresse, violência contra a mulher, violência no serviço médico. Essas são partes de um grande todo que nós queremos saber para que se possa modificar as situações que estão favorecendo o aumento da prematuridade”, cita o médico.
Fonte: Bom Dia Brasil.
22 de março de 2010
Pensar na pessoa amada diminui a dor.
Estudo mostra como a relação afetiva pode ter influência em aspectos físicos.
Pensar na pessoa amada diminui a dor. É o que sugere um estudo feito na Universidade da Califórnia em Los Angeles e publicado na revista Psychological Science.
O experimento foi realizado com universitárias americanas que tinham um bom relacionamento com o namorado havia no mínimo seis meses. Durante o teste, enquanto olhavam para a fotografia do parceiro, as jovens deviam colocar a mão em uma superfície que esquentava gradualmente.
Pesquisadores constataram que as moças eram menos resistentes à sensação dolorosa quando eram submetidas ao mesmo estímulo mas fitavam a imagem de um estranho.
Os mesmos resultados foram obtidos quando o experimento foi repetido de forma diferente: em vez de olhar para o retrato, as participantes podiam segurar a mão do namorado ou do desconhecido no momento da aplicação do estímulo.
O estudo mostrou como a relação afetiva pode ter influência não só sobre as emoções, mas também em aspectos físicos – e, nesse caso, associados ao controle fisiológico da dor.
PARA PENSAR: Agora imagine que importante é esta informação quando a gente fala de parto? se pensar na pessoa amada diminuí a dor, imagina ter a pessoa amada ao seu lado durante o trabalho de parto!
14 de março de 2010
Em resposta à matéria sobre parto domiciliar no Guia do Bebê.
"Li com atenção a interessante matéria do Guia do Bebê sobre Parto em Casa. Efetivamente, a recente notícia de que o parto da modelo Gisele Bundchen foi assistido nos Estados Unidos em sua própria residência, dentro da banheira, teve grande repercussão na mídia e despertou grande interesse em diversas mulheres, além de debate por diversas categorias profissionais. Entretanto, mesmo bem preparada, a matéria peca por apresentar apenas o ponto de vista de uma única obstetra, sem considerar a visão de diversos outros profissionais que podem participar da assistência ao parto e, sobretudo, sem analisar a opinião das mulheres. Como obstetra, pesquisadora e integrante do Movimento de Humanização do Parto no Brasil, não poderia deixar de contrapor a este ponto de vista, digamos, “oficial”, por refletir a opinião de grande parte dos médicos-obstetras em nosso País, considerações baseadas não em “achismos” ou receios, mas em evidências científicas.
O parto em casa, conquanto seja uma modalidade ainda pouco freqüente no Brasil, representa uma realidade dentro do modelo obstétrico de diversos outros países, como a Holanda, onde 40% dos partos são assistidos em domicílio, dentro do Sistema de Saúde. Mas vários outros países europeus e até os EUA contam com estatísticas confiáveis pertinentes aos partos atendidos em casa, e é impossível falar em RISCOS ou SEGURANÇA sem considerar os resultados dos diversos estudos já publicados sobre o tema.
Em 2005, chamou a atenção a publicação de um interessante estudo analisando os desfechos de partos domiciliares assistidos por parteiras na América do Norte: "Outcomes of planned home births with certified professional midwives: large prospective study in North America"[http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/330/7505/1416?ehom]. O estudo incluiu 5418 mulheres. A taxa de transferência para hospital foi de 12%, com uma taxa de cesariana de 8, 3% em primíparas e 1,6% em multíparas. A frequência de intervenções foi muito baixa, correspondendo a 4,7% de analgesia peridural, 2,1% de episiotomias, 1% de fórceps, 0,6% de vácuo-extrações e uma taxa global de 3,7% de cesarianas. A taxa de mortalidade perinatal (intraparto e neonatal) foi de 1,7 por 1.000, semelhante à observada em partos de baixo risco atendidos em ambiente hospitalar. Não houve mortes maternas. O grau de satisfação foi elevado (97% das mães avaliadas se declararam muito satisfeitas). A conclusão deste estudo foi que os partos domiciliares assistidos por parteiras têm os mesmos resultados perinatais que os partos hosp italares de baixo risco, com uma frequência bem mais baixa de intervenções médicas. Entretanto, alguns críticos comentaram que o número de casos envolvidos seria insuficiente para determinar a segurança do parto domiciliar em termos de mortalidade materna e perinatal.
Seguiram-se vários outros estudos, publicados em diversas regiões do mundo, comparando a morbidade e a mortalidade tanto materna como perinatal entre partos domiciliares e hospitalares. A conclusão geral é que o parto domiciliar NÃO envolve mais riscos para mães e seus bebês, e cursa com vantagens diversas, relacionadas sobretudo à expressiva redução de intervenções e procedimentos. Partos assistidos em casa têm menor risco de episiotomia, de analgesia de parto, de uso de fórceps ou vácuo-extrator, de indicação de cesárea e a taxa de transferência hospitalar fica em torno de 12%. Destaca-se ainda o conforto e a satisfação das usuárias, que vivenciam uma experiência única e transformadora em seu próprio lar.O estudo mais recente publicado no British Journal of Obstetrics and Gynecology (2009) analisou a morbimortalidade perinatal em uma impressionante coorte de 529.688 partos domiciliares ou hospitalares planejados em gestantes de baixo-risco: Perinatal mortality and morbidity in a nationwide cohort of 529,688 low-risk planned home and hospital births. [http://www3.interscience.wiley.com/journal/122323202/abstract?CRETRY=1&SRETRY=0]. Nesse estudo, mais de 300.000 mulheres planejaram dar à luz em casa enquanto pouco mais de 160.000 tinham a intenção de dar à luz em hospital. Não houve diferenças significativas entre partos domiciliares e hospitalares planejados em relação ao risco de morte intrapa rto (0,69% VS. 1,37%), morte neonatal precoce (0,78% vs. 1,27% e admissão em unidade de cuidados intensivos (0,86% VS. 1,16%). O estudo conclui que um parto domiciliar planejado não aumenta os riscos de mortalidade perinatal e morbidade perinatal grave entre mulheres de baixo-risco, dese que o sistema de saúde facilite esta opção através da disponibilidade de parteiras treinadas e um bom sistema de referência e transporte.
Parteiras treinadas ou midwives, em diversos países, são aquelas profissionais que cursam em nível superior o curso de Obstetrícia e são treinadas para atender partos de baixo-risco e, ao mesmo tempo, desenvolvem habilidades específicas para identificar os casos de alto-risco, providenciar suporte básico de vida em emergências, tratar potenciais complicações e referenciar ao hospital, quando necessário.
Essas profissionais, como a que atendeu Gisele Bundchen, estão aptas para prestar o atendimento à mãe durante todo o parto, bem como para assistir o bebê imediatamente após o nascimento e nas primeiras 24 horas de vida. Embora não haja necessidade de equipamentos sofisticados ou de UTI à porta da casa da parturiente, o material básico de reanimação neonatal é providenciado pelas parteiras certificadas. Parteiras também podem atender em hospital, de forma independente ou associadas co m médicos.
Uma revisão sistemática recente encontra-se disponível na Biblioteca Cochrane com o título de “Midwife-led versus other models of care for childbearing women” [http://www.cochrane.org/reviews/en/ab004667.html]. Esta revisão demonstra que um modelo de cuidado com parteiras associa-se com vários benefícios para mães e bebês, sem efeitos adversos identificáveis. Os principais benefícios são redução de analgesia de parto, menor número de episiotomias e partos instrumentais, maior chance de a mulher ser atendida durante o parto por uma parteira já conhecida, maior sensação de manter o controle durante o trabalho de parto, maior chance de ter um parto vaginal espontâneo e de iniciar o aleitamento materno. A revisão conclui que se deveria oferecer à maioria das mulheres (gestantes de baixo-risco) a opção de ter gravidez e parto assistidos por parteiras.
Em resumo, as evidências científicas disponíveis corroboram a segurança e os efeitos benéficos do parto domiciliar. Apenas criticar e apontar possíveis complicações, sem comprovar as críticas com evidências bem documentadas, publicadas em revistas de forte impacto, não pode ser mais aceito em um momento da história em que os cuidados de saúde devem se respaldar não apenas na opinião do profissional mas, ao contrário, devem se embasar em evidências científicas sólidas. Este é o preceito básico do que se convencionou chamar de “Saúde Baseada em Evidências”, correspondendo à integração da experiência clínica individual com as melhores evidências correntemente disponíveis e com as características e expectativas dos pacientes”. Embora iniciado na Medicina (“Medicina Baseada em Evidências”) esse novo paradigma estende-se a todas as áreas e sub-áreas da Saúde."
Melania Amorim, MD, PhD
Médica formada pela UFPBResidência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo IMIP
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Mestre em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP
Doutora em Tocoginecologia pela UNICAMPPós-doutora em Tocoginecologia pela UNICAMPPós-doutora em Saúde Reprodutiva pela OMS
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCGProfessora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP
Colaboradora da OMS e revisora da Biblioteca Cochrane
28 de fevereiro de 2010
Parto natural é três vezes mais seguro.
Pesquisa da OMS mostra que cesarianas desnecessárias aumentam risco para mãe e bebê.
Fernanda Aranda, iG São Paulo
Em meio à epidemia de cesarianas que enfrenta o Brasil, segundo palavras do próprio Ministro da Saúde José Gomes Temporão, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de divulgar um novo estudo sobre o risco desta opção cirúrgica, quando feita sem necessidade médica: os partos naturais são quase três vezes mais seguros para mães e bebês.
A pesquisa feita com 107 mil mulheres, todas da Ásia, identificou que quando a criança nasce por meio das cesáreas sem indicação por quesitos médicos, a mortalidade da mãe, a necessidade de fazer transfusão de sangue e o encaminhamento dos bebês após o nascimento para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são 2,7 vezes com mais freqüentes.
O alerta foi feito com base em um índice alarmante: 27,3% das asiáticas avaliadas na pesquisa foram submetidas a cesarianas, taxa alta comparada aos 15% preconizados pela OMS, porém bem inferior ao índice encontrado entre as brasileiras. Do total de partos no País, 43% são cesáreas. Quando na conta entram apenas os procedimentos realizados em maternidades particulares, o registro sobe para 84%, informou ano passado a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Comissão do parto natural.
O índice é recordista mundial, afirma o Conselho Federal de Medicina (CFM) e, apesar dos esforços do governo para reduzir as taxas, o efeito foi inverso. O cenário é de aumento de cesarianas já que em 2000, 80% dos partos em unidades privadas em saúde eram deste tipo.
Em muitos casos, lamentam os especialistas, a escolha pela cesárea é por motivos banais. Data de aniversário no mesmo dia do que a mãe, agendas complicadas, mês ou signo preferidos já apareceram como justificativa. Ano passado foi noticiado que alguns casais marcaram a cesárea para o dia 09/09/09 só por causa do ineditismo da data.
A atriz e apresentadora Fernanda Lima foi escalada pelo Ministério da Saúde para tentar ajudar na mudança de quadro. Na época em que estava grávida de gêmeos, ela fez propaganda sobre a importância do parto natural. A causa também virou bandeira do CFM que criou no final do ano passado uma comissão especial para cuidar do assunto.
“Fizemos um fórum em novembro de 2009 e reunimos obstetras, pediatras e mulheres para tentar reverter o quadro, em uma parceria sugerida pela ANS”, afirmou o médico pediatra José Fernando Vinagre, coordenador da Comissão de Parto Natural do CFM. “Já sabemos que para a reversão dos índices precisamos que os hospitais tenham condições de oferecer excelência no atendimento e realização do parto natural. Por isso, este ano, começamos a visitar as maternidades por todo País e vamos fazer uma ampla pesquisa com os obstetras para identificar quais são as principais demandas e falhas atuais”, completou Vinagre. A pesquisa deve ser concluída em julho e a esperança do Conselho e traçar outro paradigma de maternidade.
9 horas contra 90 minutos.
Com relação aos médicos, a rotina atribulada de trabalho – mais de 70% atuam em dois ou mais empregos revelou censo feito pelo Conselho de Medicina de São Paulo – pode ser um dos motivos. É sabido que alguns trabalhos de parto chegam a durar nove horas e a maior parte das cesáreas podem ser feitas em uma hora e meia. Apesar disso, as vantagens do parto natural são incalculáveis, informa o Ministério da Saúde.
Estudos internacionais já demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo em UTIs neonatais. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.
Males da mulher moderna.
Entender os motivos que fazem as mulheres priorizarem a cesariana também foi o foco de uma enquete realizada por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Eles acompanharam de perto 23 grávidas que acabaram fazendo cesárea. Ao perguntar a opinião delas sobre o aumento crescente de mulheres que fazem uma cesárea, o principal fator foi o medo das dores do parto e o desconhecimento das vantagens do parto normal. “Algumas mulheres do setor privado destacaram a possibilidade de programar o parto devido à vida agitada da mulher contemporânea, em vez de esperar pela imprevisibilidade do parto normal”, afirmam os pesquisadores nos Cadernos de Saúde Pública, veículo em que o estudo foi publicado.
Fonte: Portal IG
24 de fevereiro de 2010
Artigo reúne diferentes experiências de parto normal e cesariana.
Analisar as diferentes representações e experiências quanto ao parto vaginal e cesárea de mulheres de diferentes estratos socioeconômicos é o tema do artigo 'Representações e experiências das mulheres sobre a assistência ao parto vaginal e cesárea em maternidades pública e privada', publicado na revista Cadernos de Saúde Pública (vol.25 no.11). A pesquisadora da ENSP, Karen Giffin, é uma das autoras da pesquisa - desenvolvida em uma maternidade pública, uma conveniada com o SUS e uma particular, com mulheres que tiveram os dois tipos de parto no Rio de Janeiro.
Andréa de Sousa Gama, da Faculdade de Serviço Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Karen Mary Giffin, da ENSP; Antonia Angulo-Tuesta, do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos; Gisele Peixoto Barbosa, da Superintendência de Atenção Básica, Educação em Saúde e Gestão Participativa da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro; e Eleonora d'Orsi, do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal de Santa Catarina, são os autores do estudo.
As mulheres entrevistadas pelos pesquisadores foram estimuladas a comparar suas diferentes experiências de parto nas distintas modalidades de assistência à saúde. Ao compararem o parto normal e a cesárea, as puérperas de ambos os estratos socioeconômicos destacaram maiores vantagens para o parto normal. Foram elas: o protagonismo da mulher, as diferenças no cuidado médico, a qualidade da relação com o bebê e a recuperação no pós-parto. As representações quanto ao parto normal são de um parto ativo, no qual as dores são vividas como as 'dores de mãe'. Sinalizaram, também, que o parto normal é mais saudável para o bebê e a mulher, por ser algo mais natural. "Pode-se afirmar que a passagem do status de mulher para o de mãe, mediada pela cesariana, perderia parte de seu sentido, tendo em vista a anulação do protagonismo feminino no momento do parto", afirmaram os autores.
A pesquisa investigou as vantagens e desvantagens da cesárea. Na primeira, ficou constatada a ausência das dores do trabalho de parto e a possibilidade da laqueadura. Como desvantagens, foram mencionadas as dores no pós-parto, as dificuldades de recuperação e os riscos inerentes à cirurgia. "Elas ressaltaram que a cesárea deve ser feita somente em caso de risco para a mãe ou o bebê", diz o artigo.
Além disso, os pesquisadores também perguntaram a opinião das entrevistadas sobre o aumento crescente de mulheres que fazem uma cesárea, a pedido ou não. O principal fator para elas foi o medo das dores do parto e o desconhecimento das vantagens do parto normal. Por outro lado, algumas mulheres do setor privado destacaram a possibilidade de programar o parto devido à vida agitada da mulher contemporânea ao invés de esperar pela imprevisibilidade do parto normal.
Dentre as informantes do setor privado, apesar de a maioria também ter nascido de parto normal, não acham que isso as influenciou no desejo de também tê-lo e atribuem a sua preferência ao parto normal porque são adeptas das 'coisas naturais'. No setor público, nenhuma evidência de uma 'cultura da cesárea' foi constatada. Ao contrário, a influência do seu grupo social pelo parto normal, as dificuldades da recuperação da cesárea e a representação de que esse procedimento cirúrgico retira da mulher o prazer de colocar o filho no mundo, apesar do manejo inadequado das dores do parto nas maternidades públicas, configuram um quadro de majoritária preferência pelo parto normal.
Os resultados da pesquisa demonstram que o modelo de organização dos serviços público e privado apresenta variações que produzem diferentes tipos de assistência e de relação entre os profissionais de saúde e as usuárias, dando forma a experiências distintas entre as mulheres pesquisadas. "A pesquisa desenvolvida confirma os resultados de outras análises que apontam para a preferência feminina pelo parto normal como uma vivência de protagonismo e de maior satisfação na cena do parto. Os modelos de organização dos serviços público e privado apresentam variações que produzem diferentes tipos de assistência e de relação entre os profissionais de saúde e usuárias, dando forma a experiências distintas entre as mulheres pesquisadas. As diferenças em torno do manejo da dor no trabalho de parto, a relação de continuidade entre pré-natal e parto e a confiança estabelecida entre médicos e pacientes do setor privado foram atributos importantes destacados pelas mulheres", destacaram os autores.
Fonte: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/noticia/index.php?id=19736
9 de fevereiro de 2010
Fisioterapia e o Suporte à Parturiente.
Integrantes da PP, atuando na orientação de gestantes e também no apoio ao trabalho de parto, Renata Olah e Gabriela Zanela, juntamente com o Grupo de Parto Alternativo do Caism/Unicamp, publicaram um artigo científico que trata dos recursos a serem utilizados por fisioterapeutas durante o TP.
Vale a leitura!
Parabéns, meninas!
7 de fevereiro de 2010
Cartilha para gestantes tira dúvidas sobre a gravidez.
Clareza nas informações e simplicidade na escrita foram estratégias usadas na hora de formular o documento.
Uma Cartilha Educativa mostra às gestantes como proceder em momentos decisivos da gravidez e aborda questionamentos constantes das mulheres em relação ao pré-natal e ao pós-parto. Resultado de uma pesquisa desenvolvida na Escola de Enfermagem (EE) da USP pela enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte, o material foi elaborado com base em dúvidas e sugestões de gestantes e profissionais da saúde, e foi vencedor da oitava edição do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o SUS, promovido pelo Ministério da Saúde.
A construção da cartilha educativa foi tema do mestrado de Luciana — Celebrando a vida: construção de uma cartilha educativa para gestantes — orientado pela professora Luiza Akiko Komura Hoga, do Núcleo de Assistência ao Auto-cuidado da Mulher (NAAM) da EE, e com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O principal diferencial do material foi a abordagem participativa das gestantes. “Fizemos um levantamento do que havia disponível para as gestantes no Sistema Único de Saúde (SUS) e encontramos apenas duas cartilhas elaboradas por instituições públicas de saúde e outra que não era específica para gestantes, mas tinha como foco o cuidado da criança. Em nenhuma delas havia a participação efetiva das gestantes e foram elaboradas sem saber ao certo quais eram as dúvidas e necessidades das próprias leitoras”, explica Luciana.
Todo o conteúdo presente na cartilha elaborada pela pesquisadora é resultado de dúvidas que surgiram de gestantes em um grupo de encontro organizado no Hospital Universitário (HU) da USP. Com o objetivo de conhecer as demandas e necessidades das mulheres grávidas, Luciana criou uma base de dados referente aos questionamentos que eram motivo de dúvidas para as mulheres. Desconforto físico na gravidez, problemas emocionais, como a ansiedade, dúvidas em relação ao parto e as soluções para algumas dessas questões foram abordadas pelas gestantes nas reuniões e inseridas na cartilha educativa.
Segundo Luciana, “foi observado que as sugestões passadas às gestantes no grupo apresentaram muitos resultados positivos para as participantes e nos questionamos se poderia ser interessante expandir esse conhecimento a outras pessoas. A cartilha educativa para mulheres grávidas foi a melhor maneira encontrada para ampliar o alcance das dicas, sugestões e informações para aquelas que não fizeram parte do grupo e possuem as mesmas dúvidas básicas sobre gravidez”.
Uma preocupação recorrente durante a produção do material foi em relação à linguagem que seria utilizada. Clareza nas informações e simplicidade na escrita foram estratégias usadas pela pesquisadora para que a cartilha fosse mais bem compreendida pelo amplo público-alvo do material. “Nossa preocupação foi grande com o jeito de escrever a cartilha. Optamos por uma linguagem clara e objetiva, além de evitarmos usar termos técnicos. Não queríamos tratar as gestantes com infantilidade, mas tornar compreensível a leitura e a apreensão das informações por qualquer pessoa que quisesse lê-la”, diz a pesquisadora.
Celebrando a vida .
A cartilha desenvolvida por Luciana trata de assuntos desde o pré-natal, como as mudanças que acontecem no corpo das mulheres durante a gravidez e os cuidados básicos com a alimentação que elas devem ter, até o pós-parto — a amamentação, os cuidados com o corpo e com o recém-nascido. Além disso, o material enfatiza os benefícios da participação ativa de um companheiro, seja ele marido ou não, durante e depois da gravidez. “A cartilha mostra as melhores maneiras de o acompanhante ajudar a gestante tanto fisicamente, com massagens e cuidados com a alimentação, quanto psicologicamente, aliviando a ansiedade, por exemplo”, diz a enfermeira.
Além disso, Luciana afirma que o material é uma fonte de informações básicas que todas as mulheres deveriam ter, mas que apenas com o acompanhamento pré-natal em hospitais não é possível. A pesquisadora salienta que “a informação é um direito de todos e a cartilha serve também para isso: trazer às mulheres temas que serão úteis e importantes para essa fase de suas vidas”.
Um dos grandes objetivos de Luciana é tornar o material disponível a todas as interessadas, principalmente as gestantes atendidas pelo SUS. “O prêmio que a dissertação recebeu do Ministério da Saúde foi muito importante, pois ajuda a dar impulso para o próprio material. Seria muito interessante que a cartilha fosse, realmente, implementada em unidades de saúde, por exemplo, o que possibilitaria que muitas outras mulheres tivessem direito a essas informações tão importantes sobre a nova fase que estão vivenciando”, conclui a pesquisadora.
(Reportagem de Ana Carolina Athanásio - Agência USP)
Fonte: Abril / Notícias.
24 de janeiro de 2010
10 de dezembro de 2009
Para cientistas, ocitocina está na base da gentileza humana.
Com um festival de gratidão obrigatória à vista, permita-me oferecer algumas sugestões de coisas pelas quais você deveria exatamente agradecer. Seja grato por, em pelo menos uma ocasião, sua mãe não ter afugentado seu pai com um par de nunchakus e, ao invés disso, ter permitido contato suficiente para possibilitar sua feliz concepção. Seja grato por, ao comprar aquela criatura pálida semelhante a uma ave no mercado, o atendente aceitar seu cartão de crédito em boa fé e até mesmo devolvê-lo pronunciando seu sobrenome de forma quase compreensível. Seja grato pelo funcionário amigável do balcão da United Airlines no dia anterior ao Dia de Ação de Graças, que entende por que você precisa sair da cidade hoje, neste exato minuto, sob risco de alguém puxar o nunchaku da família.
Acima de tudo, seja grato pela ocitocina em seu cérebro, o pequeno e celebrado hormônio peptídeo que, ao que parece, ajuda a lubrificar toda a nossa interação pró-social, os milhares de atos de gentileza, ou quase gentileza, ou daquela gentileza nem tão sincera assim, que tornam possível uma sociedade humana. Cientistas sabem há muito tempo que o hormônio desempenha papéis fisiológicos essenciais durante o nascimento e a lactação, e estudos com animais demonstraram que a ocitocina também pode influenciar o comportamento, estimulando arganazes a se aproximarem de seus parceiros, por exemplo, ou a limpar e confortar seus filhotes. Agora, uma série de novas pesquisas em humanos sugere que a ocitocina está por trás dos pilares emocionais gêmeos da vida civilizada, nossa capacidade de sentir empatia e confiança.
Acima de tudo, seja grato pela ocitocina em seu cérebro, o pequeno e celebrado hormônio peptídeo que, ao que parece, ajuda a lubrificar toda a nossa interação pró-social, os milhares de atos de gentileza, ou quase gentileza, ou daquela gentileza nem tão sincera assim, que tornam possível uma sociedade humana. Cientistas sabem há muito tempo que o hormônio desempenha papéis fisiológicos essenciais durante o nascimento e a lactação, e estudos com animais demonstraram que a ocitocina também pode influenciar o comportamento, estimulando arganazes a se aproximarem de seus parceiros, por exemplo, ou a limpar e confortar seus filhotes. Agora, uma série de novas pesquisas em humanos sugere que a ocitocina está por trás dos pilares emocionais gêmeos da vida civilizada, nossa capacidade de sentir empatia e confiança.
Moléculas de ocitocina
A ocitocina também pode ser um instrumento capitalista. Em uma série de artigos em revistas científicas como Nature, Neuron e outras, Ernst Fehr, diretor do Instituto de Pesquisas Empíricas em Economia da Universidade de Zurique, e seus colegas mostraram que o hormônio tem efeito notável na disposição das pessoas em confiar dinheiro a estranhos. No estudo na Nature, 58 estudantes saudáveis do sexo masculino receberam uma borrifada nasal de ocitocina ou de solução placebo e, 50 minutos depois, foram orientados a jogar um com o outro, usando unidades monetárias que poderiam investir ou poupar.
Os pesquisadores descobriram que os indivíduos induzidos pela ocitocina tinham muito mais chances de confiar em seus parceiros financeiros do que os jogadores placebo: enquanto 45% do grupo oxitocina concordou em investir a quantidade máxima de dinheiro possível, apenas 21% do grupo de controle se provou igualmente condescendente. Além disso, os pesquisadores mostraram que a descarga de oxitocina não simplesmente tornava os indivíduos mais dispostos a assumir riscos e distribuir seu dinheiro por aí. Quando os participantes sabiam que jogavam contra um computador ao invés de um ser humano, não havia diferença na estratégia de investimento entre os grupos. A confiança, ao que parece, funciona apenas em assuntos estritamente humanos.
Entretanto, o hormônio não transforma você em um otário. Na edição de 1º de novembro da Biological Psychiatry, Simone Shamay-Tsoory, da Universidade de Haifa, e seus colegas relataram que quando participantes de um jogo de azar eram postos diante de um jogador que consideravam arrogante, uma borrifada nasal de oxitocina aumentava seus sentimentos de inveja quando o esnobe ganhava e de exultação perversa quando o oponente perdia.
Como regra geral, porém, a ocitocina é um agregador, não um dispersor. Moléculas semelhantes são encontradas em peixes, talvez para facilitar o delicado negócio da fertilização, inibindo a tendência natural de um peixe fugir de outro. Quanto mais elaboradas as demandas sociais, mais papéis a oxitocina assume, alcançando seu ápice em mamíferos. Se você vai dar à luz uma ninhada de jovens necessitados, por que não deixar o mesmo sinal que ajudou a trazê-los ao mundo dar dicas sobre como cuidar e alimentar esses birrentos? E se você for humano, inclinado a transformar tudo em um grande assunto de família, aqui está novamente a ocitocina para incentivar e orientar.
C. Sue Carter, da Universidade de Illinois de Chicago, pioneira no estudo da ocitocina, suspeita que a associação entre o hormônio e o nascimento impediu por muito tempo cientistas de levarem a substância a sério. "Mas agora que ela foi levada ao mundo da economia e das finanças", disse Carter, "de repente virou um assunto quente".
A ocitocina age como um hormônio, viajando pela corrente sanguínea para afetar órgãos distantes de sua origem no cérebro e, como um tipo de neurotransmissor, permitindo que as células cerebrais se comuniquem. Diferente da maioria dos neurotransmissores, a ocitocina parece entregar seu sinal através de apenas um receptor, uma proteína projetada para reconhecer seu formato e estremecer quando presa; dopamina e serotonina, de forma diferente, têm cada uma cinco ou mais receptores dedicados a elas. No entanto, os contornos precisos do esforçado receptor da oxitocina diferem de indivíduo para indivíduo, com efeitos perceptíveis.
Em seu estudo, Rodrigues e os colegas Laura R. Saslow e Dacher Keltner, da Universidade da Califórnia em Berkeley, analisaram como duas variantes do código genético do receptor podem influenciar a capacidade de uma pessoa de sentir empatia, medida por um questionário padronizado ("Eu realmente me envolvo com os sentimentos de personagens de um romance") e por uma tarefa comportamental chamada "Lendo a Mente com os Olhos".
Nela, participantes observam 36 fotografias em preto e branco de olhos de pessoas e devem escolher a palavra que melhor descreva o humor de cada sujeito. Incômodo, rebeldia, contemplação, alegria? Em uma mensuração relacionada aos supostos efeitos relaxantes da ocitocina, também é testada a intensidade com que os indivíduos reagem ao estresse de escutar uma série de ruídos altos.
Em sua amostragem com 192 universitários de ambos os sexos, os pesquisadores descobriram que aqueles com a chamada versão A do receptor da ocitocina, que estudos anteriores associaram ao autismo e habilidades paternas ou maternas fracas, pontuaram bem menos na tarefa de leitura de olhar e mais no teste de propensão a estresse do que os indivíduos com a variedade G do receptor.
"Nós somos todos diferentes, e isso é uma boa coisa", disse Rodrigues. "Se todos fossem grudentos e amorosos, seria um mundo insuportável". Ela própria depois comicamente se assumiu como um Tipo A.
Tradução: Amy Traduções
Fonte: Terra Noticias
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