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27 de novembro de 2011

Brasileira orienta e acalma grávidas famosas na hora no parto.

FERNANDA EZABELLA

DE LOS ANGELES

A brasileira Ana Paula Markel já viu celebridades de Hollywood por ângulos bastante distintos: correndo de carro blindado pelas ruas de Los Angeles, escondendo-se em hospitais com codinomes secretos e, finalmente, dando à luz na sala de parto, descabeladas.

Ela não é médica nem parteira. É doula, uma atividade que vem crescendo nos EUA na última década, levada pelo desejo de mães e pais de ter um apoio maior durante a gravidez e uma experiência mais agradável na hora do parto.

Com as clientes que já ajudou, como Penélope Cruz e Alanis Morissette, Ana Paula acabou conhecida como a "doula das estrelas". "A ideia é cuidar das grávidas como se eu fosse aquela amiga mais experiente", explica a paulistana de 40 anos, mãe de quatro filhos e radicada nos EUA desde 1999.

"Nosso trabalho é emocional, físico e informativo. Tiramos dúvidas e conversamos sobre as emoções e os medos de virar mãe. Na hora do parto, ajudamos nas posições, massagens e explicamos ao parceiro que aquele barulho que ela está fazendo é normal."



A origem do nome doula vem do grego antigo para "ajudante ou escravo da mulher". Não foi traduzido nem para o inglês nem para o português. Hoje, doulas são voluntárias em hospitais do mundo todo, incluindo o Brasil, ou trabalham de forma particular.

Em geral, o serviço de uma doula começa no segundo trimestre da gravidez e, nos EUA, varia de US$ 700 a US$ 3.000 (entre R$ 1.000 e R$ 5.000). A profissional encontra o casal duas ou três vezes para conversar e fica presente durante o parto, seja cesárea ou natural, no hospital ou em casa.

CELEBRIDADES

Ana Paula tem oito anos de experiência e hoje também treina colegas em seu estúdio, o Bini Birth. Em uma rua tranquila no bairro de North Hollywood, o Bini Birth fica em uma sala espaçosa cheia de almofadas, sofás aconchegantes e esculturas de barro de grávidas que trouxe do Brasil.

Foi ali que a cantora Alanis Morissette se sentou com outras futuras mamães para participar de um workshop regado a sopinhas, quiches e sobremesas orgânicas. "Ficou todo mundo meio chocado quando ela chegou. Tem famosa que jamais viria a uma aula com outros casais, tem paranoia de câmera porque está gorda, acha que está feia", conta Ana Paula, lembrando a tranquilidade de Morissette, de moletom. Seu filho nasceu em dezembro de 2010.

Já Penélope Cruz "é talentosa até parindo, é incrivelmente forte", diz Ana Paula.

A lista de celebridades também inclui a atriz americana Christina Applegate, a boxeadora Laila Ali, filha de Muhammad Ali, e as modelos brasileiras Michelle Alves e Camila Alves (sem parentesco), ambas residentes de Los Angeles.

Michelle Alves narra sua experiência: "Ana Paula me guiou, ajudou a me concentrar, fez massagem nas minhas costas. Ela também me ensinou a 'empurrar' lá embaixo. É muito esquisito ter essa consciência do corpo, de qual músculo usar".

"Uma hora, depois de eu já ter empurrado muito, vi que a doula falou alguma coisa com o médico e eles resolveram me virar de lado e depois de volta. Aí dei a última empurrada e o Oliver nasceu. Foi tudo muito rápido, graças ao trabalho dela", conta Michelle, que está grávida do terceiro e vai ter a ajuda de Ana Paula novamente.

PARTO NATURAL

A profissão de doula vai, aos poucos, quebrando a barreira da desconfiança. Há alguns anos, havia muita resistência dos médicos em aceitá-las nos hospitais, por medo de que fossem convencer as grávidas a fazer parto natural e não cesariana, um método cirúrgico mais rápido e lucrativo para o hospital.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um índice saudável de cesáreas num país é de apenas 15%. Nos EUA, o número orbita os 30% e, no Brasil, superou os 50% no ano passado, atingindo um dos índices mais altos do mundo.

Apesar de não ser profissão regulamentada, doulas podem ser certificadas por instituições, como a Dona International, hoje com 7.000 membros, contra 754 em 1994.

"A procura aumenta na medida em que as mulheres aprendem mais sobre as intervenções médicas e seus efeitos colaterais", diz Lori Hill, diretora de comunicação da Dona. "É provado que a presença de uma doula treinada diminui o número de intervenções não desejadas."

A americana Erica Saltiel Levin, 42, corretora de imóveis que vive em San Francisco, lembra que procurou uma profissional porque queria evitar a cesariana e ter uma pessoa para ajudá-la a lidar com enfermeiras e médicos no hospital.

"A gente sempre escuta histórias de médicos que tomam decisões baseados em seus interesses e agendas", disse Erica, que deu à luz um menino em 2009. "As mulheres querem um apoio para ter certeza de que seus desejos serão respeitados."

A brasileira Mayra Calvette, 24, uma das enfermeiras obstetras que auxiliou no parto de Gisele Bündchen, na banheira da casa da modelo em Boston, diz que é possível usar métodos naturais para aliviar a dor do parto, como se movimentar ou usar água quente.

"É também o trabalho da doula e que está integrado ao meu", conta Mayra, que hoje mora nos EUA e se prepara para viajar pelo mundo para fazer um documentário. "Vou mostrar como é o parto em diversos países. Muito do medo do parto natural vem da desinformação."

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1012273-brasileira-orienta-e-acalma-gravidas-famosas-na-hora-no-parto.shtml

23 de novembro de 2011

Em Londrina, 62% dos partos são cesarianas.

Índice local de partos cirúrgicos ultrapassa a média brasileira, já considerada alta.

Paulo Briguet

No Brasil, o normal já é a cesariana. Em 2010, pela primeira vez, o número de partos cirúrgicos (52%) ultrapassou o de partos normais (48%). Em Londrina, a diferença é maior: no ano passado, as maternidades locais registraram 2.629 partos normais (38%) e 4.289 cesarianas (62%). A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que o índice de cesarianas não seja maior do que 15%. E já tem gente no Ministério da Saúde brasileiro falando em “epidemia” de cesáreas.

A médica Lilian Carolaine Vaccari, vice-presidente da Sociedade Paranaense de Ginecologia e professora da UEL, diz que a situação – no Brasil e em Londrina – se deve à combinação de alguns fatores. “As pessoas se acostumaram à ideia de que quem podia pagar ia para a cesariana; quem não podia, ia para o parto normal”, afirma a ginecologista. “Na Europa e nos EUA, isso não acontece: a mulher sabe, ao engravidar, que a tendência é realizar um parto normal.”

Mitos

A questão cultural faz aumentar o número de cesáreas. Mesmo com as modernas técnicas de analgesia acessíveis a todos – inclusive pacientes do SUS –, a mulher brasileira ainda associa parto normal a sofrimento. Disso decorrem alguns mitos, segundo Lilian Vaccari: o de que o sofrimento materno leva ao sofrimento fetal; e o de que há mais complicações para os bebês no parto normal. “Isso não é verdade. O parto normal melhora as condições de nascimento do bebê. A mãe não precisa fazer repouso cirúrgico nem ficar separada do filho.”

Mas os fatores tempo e remuneração profissional não podem ser esquecidos quando se fala no assunto. “Muitos médicos não se sentem confortáveis em seguir um trabalho de parto que pode durar muitas horas”, diz a médica. “O parto normal requer tempo, algo que o médico não tem hoje em dia. E o tempo não é remunerado adequadamente pela maioria dos planos de saúde.” O SUS paga R$ 30 por uma cesárea e R$ 80 por um parto normal. Ocorre que a cesárea pode durar meia hora; e o parto natural, até mais de 12 horas.

O presidente da Associação Médica de Londrina, Antônio Caetano de Paula, observa que a cidade é uma referência regional em obstetrícia. “Muitas pacientes vêm de outras cidades e acabam encaminhadas para atendimento obstétrico de urgência em hospitais terciários. Isso faz aumentar o número de cesarianas em Londrina.”


Ginecologista, Caetano de Paula ressalta que os médicos em geral optam por seguir a decisão das gestantes. “A mulher muitas vezes prefere a cesárea, por uma questão de conforto e para não sentir dor. Eu respeito essa decisão – o que é determinado pelo nosso código de ética.”

Segundo o médico, os dois procedimentos têm vantagens e desvantagens; é preciso seguir a lógica e o bom senso na hora de escolher entre o método natural e a cirurgia. “Não se pode marcar uma cesariana porque o médico vai viajar ou porque a família escolheu uma data especial para o nascimento. Estamos lidando com a vida.” O mais importante, segundo Antônio Caetano de Paula, é que a paciente se sinta informada e segura para tomar uma decisão. “A mãe deve seguir o que ela deseja, não o que a família exige ou o governo quer.”

A atriz Pâmela Beatriz Nogueira, 29 anos, mãe de duas crianças, queria muito fazer o parto normal, mas não conseguiu. Aos 22 anos, quando ficou grávida pela primeira vez, ela foi para a cesariana após nove horas de trabalho de parto. “Naquela época eu não tinha tantas informações, mas hoje tenho certeza de que fui induzida a fazer a cesárea. Me deixaram com medo.” Ao engravidar pela segunda vez, há dois anos, Pâmela disse ao médico que queria o parto normal. A resposta foi a seguinte: “Você vai insistir nessa loucura?” Diante disso, a atriz resolveu mudar de obstetra. Mas a segunda gestação teve uma série de complicações, e o parto normal não pôde acontecer. Depois de participar do grupo GestaLondrina – que dá apoio a mulheres grávidas na cidade – Pâmela se tornou uma defensora convicta do parto normal e da amamentação. O filho mais novo, de um ano e meio, ainda mama no peito. “Só ficou essa tristeza de não fazer o parto normal. Não é nenhuma loucura, é um parto mais humanizado".

http://www.jornaldelondrina.com.br/online/conteudo.phtml?tl=1&id=1195089&tit=Em-Londrina-62-dos-partos-sao-cesarianas

8 de novembro de 2011

Mais Você fala sobre o aumento de cesarianas no Brasil.

Você sabia que o Brasil é o campeão mundial de cesarianas? O Mais Você desta segunda-feira, 07 de novembro, falou sobre uma escolha que divide todas as mulheres que decidem ter filhos: parto normal ou cesária? No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que 43% dos partos são cesárias. Na rede pública, o percentual cai para 34%. Nos hospitais particulares, o índice é de 80%. “Parece que está havendo uma inversão de valores. A cesariana passou a ser considerada por muitas mulheres como o método 'normal' de ter um filho, mas na verdade o parto normal é o mais seguro tanto para a mãe quanto para o bebê”, explicou Ana Maria Braga.


Partos: número de cesarianas não para de crescer

Na contramão desta estatística, a apresentadora conversou com Patrícia Alvaide, de 33 anos, moradora de São Paulo, que não conseguia engravidar, fez tratamento e teve a primeira filha, Isabela, de parto normal. Três anos depois, engravidou novamente e também teve parto normal. “Eu escolhi ter parto normal por causa da recuperação, foi muito rápida, duas horas depois eu já estava de pé”, contou.

Antes do parto do segundo filho, que foi registrado pelas câmeras do Mais Você, toda a família vivenciou diferentes sentimentos. “Ansiedade, mas baque realmente é quando você vê a criança”, contou Patrícia. O marido, Wagner, revelou que as expectativas eram as melhores possíveis e que a torcida era por um menino.

O médico da Patrícia é o Dr. Renato Kalil, ginecologista e obstetra do hospital São Luiz.. Ele é um grande defensor do parto normal e explicou as vantagens desse tipo de parto, comparado com a cesárea. “Parto normal é como o nome diz, é normal. A cesariana é uma cirurgia. O parto normal não tem cortes na barriga, não tem cirurgia, é vida normal em casa, apenas higiene local e ficar sem relação sexual e exercícios por 30 dias”, explicou.


Mais Você apresenta o lindo trabalho das doulas

Quanto à cesariana, o Dr. Renato Kalil apontou que são necessários 30 pontos em cada camada de pele. “Quanto mais cesariana, mais risco numa próxima gestação. Se você teve o primeiro parto cesariana, engravidou em menos de um ano e meio, obrigatoriamente, você terá que fazer um parto cirúrgico. Após isso, você pode ter um parto normal, mas existe um risco de ruptura uterina em 12% dos casos”, afirmou. O parto de Rafael durou 40 minutos e ele nasceu pesando 3, 340 kg e com 50,5 cm de altura. Rafael faz um mês no dia 12 de novembro, próximo sábado.

26 de agosto de 2010

Nos EUA, número de partos induzidos dobra em uma década.

A taxa de nascimentos induzidos dobrou em uma década, nos EUA. A indução é o uso de remédios para iniciar o trabalho de parto.
Segundo os pesquisadores, há um aumento nas chamadas induções eletivas -- quando não há indicação médica precisa, e elas ocorrem por motivos como desconforto da mãe ou conveniências de agenda.
O total de partos induzidos subiu de 14% em 1992 para 27% em 2003, mostram as estatísticas. No mesmo período, aumentaram também os nascimentos antes do final da gravidez, diz um artigo no "American Journal of Obstetrics & Gynecology".
Bebês nascidos antes de 39 semanas podem ter baixo peso e desconforto respiratório.
Para o obstetra Marcos Tadeu Garcia, diretor da clínica de obstetrícia e neonatologia do Hospital Ipiranga, esse aumento é um fenômeno mundial devido ao avanço dos métodos de indução.
"Mas, no Brasil, os partos antecipados estão mais relacionados às cesáreas. Aqui, as induções eletivas são menos frequentes", afirma.
Renato Kalil, obstetra dos hospitais São Luiz e Albert Einstein, diz que, por aqui, as tentativas de indução muitas vezes acabam em cesárea, mais rápida e conveniente para os médicos.
"Quando a mulher está na 38ª semana, o médico interna e induz. Ela fica umas seis horas ou até a hora que o médico acha bom. Assim, a mãe não pode criticá-lo [por não tentar o parto normal], mas acaba fazendo cesariana."
Além de a indução não garantir um parto normal, ela traz riscos. Pode haver sofrimento fetal se a saída do bebê é forçada com a passagem fechada. O bebê também pode ter seus batimentos cardíacos acelerados demais ou desacelerados, o que pode levar à morte.


25 de agosto de 2010

Câmara homenageia parteira com medalha de honra a Montes Claros - MG.

Com um sorriso contagiante e a simpatia que lhe é natural, Antônia Colares relatou um pouco de sua trajetória de vida, uma admirável história de quase cinquenta anos de serviços prestados à Santa Casa de Montes Claros.


Dona Tonha, como é carinhosamente conhecida, é natural da cidade de Grão Mogol, onde viveu até os onze anos de idade. Ela veio para Montes Claros na carroceria de um caminhão, em busca de melhores condições de vida.

- Na minha cidade, naquela época, as coisas eram muito difíceis. Por isso, meu pai, Antônio Colares, resolveu trazer a gente para Montes Claros. E desde pequena comecei a trabalhar para ajudar minha mãe no sustento da casa. Eu comecei numa fábrica de balas, depois na fábrica de tecidos Santa Helena, na limpeza do hospital Santa Terezinha, e depois fui morar na casa de Dona Odília, mãe de Paulinho Narciso, a quem devo muito, por ter me colocado na Santa casa, quando trabalhava na copa - relembra.

Tonha começou a trabalhar na Santa Casa aos vinte anos de idade, e sempre procurava aprender de tudo um pouco, por isso foi chamada para ajudar as irmãs e médicos na realização dos partos.

- Antigamente, tinha poucos médicos. Então, quando a mãe chegava com o filho já pronto para nascer, eu simplesmente aparava a criança ali mesmo. Já cansei de fazer vários partos nas rampas do hospital, nas ruas e, até mesmo, dentro de um jipe, no ponto de só enrolar o bebê e levar para dentro do hospital. Era muita correria, mas era também muito gratificante - diz.

Recordação do ex-prefeito Mário Ribeiro.

Antônia Colares conta ainda que tudo começou quando seu pai ficou internado no hospital. Como ela o acompanhava, acabou fazendo muitas amizades e foi muito amparada pela irmã Beata, que sempre a ajudava.

- A irmã Beata, para mim, é uma santa, que sempre intercede por mim nas minhas orações e nunca me abandonou. Meu grande desejo é que ela seja beatificada. Se a santificação dela fosse aprovada eu ficaria muito feliz, devo muito a ela, que até hoje me ilumina e olha por mim - diz, emocionada, Tonha, que afirma ainda que todos os partos que fez foi graças às bênçãos da santa.

Tonha se aposentou há quatro anos e hoje não mais exerce a profissão, devido a problemas na coluna, mas confessa que sente muita falta e saudade daqueles tempos. Com setenta e cinco anos, ela visita constantemente os funcionários do hospital e relembra do antigo ambiente de trabalho.

- O engraçado é que eu só fui fazer o curso de auxiliar de enfermagem há quatro anos, porque na Santa Casa ministrava somente aqueles cursinhos básico mesmo. Eu aprendia tudo na prática, acredito que seja um dom que Deus me concedeu, mas aprender nunca é demais. Se não fosse o problema de coluna, estaria lá até hoje como auxiliar de parto - afirma a parteira, que diz ter aparado aproximadamente 200 mil crianças em seus abençoados braços.

Em contrapartida, Tonha não tem nenhum filho legítimo. Ela nunca se casou e considera todos os bebês aparados como sendo seus filhos de coração.

- Só de afilhados, tenho uns trinta, que eu me lembre, além de já ter ajudado vir ao mundo pessoas que hoje exercem cargos políticos importantes, deputados e até médicos que hoje inclusive trabalham lá na Santa Casa - conta.

Quarta filha de uma imensa família, Tonha foi a primeira a trabalhar na área da saúde, e hoje já tem quatro sobrinhos que cursam Enfermagem e Medicina. Ela se diz satisfeita com o caminho que os sobrinhos escolheram.

- Sempre achei a área da saúde uma profissão muito bonita. Poder ajudar o próximo, contribuir de alguma forma, é uma bênção muito grande. Por isso, todos os dias peço a intercessão da irmã Beata para iluminar e conceder sabedoria a eles - diz.

Já foram mais de trinta diplomas e homenagens prestadas a Tonha. Agora, é a vez da câmara municipal, que este ano reconhece a parteira como exemplo de mulher guerreira e de um verdadeiro ser humano, através da concessão da medalha de honra a Montes Claros. O projeto de autoria do vereador Athos Mameluque homenageia esta cidadã no próximo dia 03 de julho, sábado, data em que se comemora o aniversário da cidade.

- Para mim, é mais uma vitória do reconhecimento do meu trabalho. Bens materiais nunca tive não, mas a alegria e satisfação de ter convivido com pessoas tão bacanas me deixa realmente muito feliz. É muita satisfação mais esta homenagem que irei receber - conclui.

Fonte: http://www.onorte.net/noticias.php?id=28270

17 de agosto de 2010

CRESCE NÚMERO DE INDUÇÃO DE PARTO NO BRASIL.

A taxa de nascimentos induzidos dobrou em uma década, nos EUA, segundo os pesquisadores em um artigo no “American Journal of Obstetrics & Gynecology”. Foi constatado um aumento nas chamadas induções eletivas -- quando não há indicação médica precisa, e elas ocorrem por motivos como desconforto da mãe ou conveniências de agenda.


O total de partos induzidos subiu de 14% em 1992 para 27% em 2003, mostram as estatísticas. No mesmo período, aumentaram também os nascimentos antes do final da gravidez. A indução consiste em desencadear contrações uterinas efetivas antes do início espontâneo, com o objetivo de promover a dilatação cervical e a descida da apresentação, em casos selecionados. Nos EUA, os medicamentos são os principais desencadeadores do processo.

Apesar de acontecer com indicação de um ginecologista ou obstetra, a indução não garante um parto normal e pode trazer riscos. Pode haver sofrimento fetal se a saída do bebê é forçada com a passagem fechada. O bebê também pode ter seus batimentos cardíacos acelerados demais ou desacelerados, o que pode levar à morte.

Parto Induzido

Parto Induzido significa parto provocado. Isso geralmente é escolhido pelo obstetra, em situações especificas como por exemplo: gestação prolongada onde a ocorrencia do parto natural não ocorre, doenças fetais, ruptura precoce da bolsa ou doenças maternas. Normalmente o parto induzido é feito através da utilização de duas substancias: oxitocina e prostaglandinas.

http://www.folhaes.com.br/folhaes/noticias.asp?nID=26667

16 de agosto de 2010

Doulas - Anjos da guarda das mães na hora do parto, elas dão apoio, segurança e incentivo.


Na hora do parto, a equipe especializada faz o seu trabalho: o obstetra está preocupado com os aspectos técnicos do procedimento, as enfermeiras cuidam para que nada falte ao médico, o pediatra se envolve com o bebê. Apesar de uma equipe multidisciplinar com vários membros, ninguém está ali especificamente para cuidar do bem estar da mãe que está dando à luz. Aí entra em cena um anjo que pode preencher essa lacuna: a doula.

O ginecologista e obstetra Ricardo Herbert Jones define as doulas de maneira lúdica. "Doulas são amortecedores afetivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. As doulas, como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade".

As doulas são acompanhantes de parto. Elas fazem o trabalho de apoio, acolhimento, incentivo e carinho com a parturiente. "Realizam técnicas para ajudar a mulher a lidar com a dor, incentivá-la a assumir as posições que facilitem o parto e fazê-lo o mais próximo possível daquele que ela deseja", explica a doula Priscila Cavalcanti, do Barriga Boa.

Cada profissional pode ter suas especializações. Umas são formadas na área de saúde, outras carregam na bagagem a experiência com filhos e sobrinhos. Algumas utilizam técnicas de massagem e acupuntura ou holísticas como reiki, cromoterapia, musicoterapia. Outras usam conhecimento técnico em fisioterapia, psicologia. Cabe à paciente saber qual delas se encaixa melhor no perfil que procura.

É importante lembrar que, apesar de todo o seu treinamento, a doula não está habilitada a fazer exames ou prescrição de medicamentos. Um alerta: ela não é parteira, médica obstetra, obstetriz ou enfermeira obstetra. "Não realizamos partos, não temos licença profissional para atuar assim, mesmo em partos domiciliares. O foco é o bem-estar da mulher. Acompanhar o nascimento, realizar procedimentos, aparar o bebê, isso é com a equipe obstétrica", esclarece Priscila.

Em diversos países as doulas são imprescindíveis e sua atuação já vem de longa data. Estima-se que só na América do Norte existam 12 mil acompanhantes. No Brasil, a demanda de mulheres e instituições que solicitam esse serviço, ainda que bem menor, vem crescendo. Com a adesão das instituições de saúde aos projetos de parto humanizado, um bom espaço foi aberto. Já não era sem tempo: essa função na assistência ao parto está completando quase uma década no país.

15 de agosto de 2010

Parto como era antigamente.

Daniele Medeiros, 30, trocou o hospital pela sala de casa, a cama pela água, a anestesia e o soro por exercícios, respirações, alongamentos e massagens. Às 2h30min, começou o trabalho de parto. Lá pelas 4 horas, depois de rolar na cama (``não dava mais pra segurar a ansiedade``), Daniele tomou um belo café da manhã, esperou amanhecer e ligou para a equipe que a ajudaria a parir.

O marido e a mãe já estavam ao seu lado. Primeiro chegou a doula, Kelly Brasil, para orientar os exercícios na bola de pilates e a frequência das respirações. Depois, a obstetra. Durante cerca de sete horas, Daniele circulou pelo apartamento, aliviou a dor na lombar com movimentos na bola de pilates, recebeu massagens e vivenciou cada contração. A última hora, ela passou dentro d-água, coberta do umbigo pra baixo. Antes das 10 horas, Rudá nasceu com 50 centímetros e 3,4 quilos. Ficou um instante submerso, subiu e foi direto pro colo da mãe. ``Nem sei quanto tempo passamos juntos ali. Perdi completamente a noção``, conta Daniele. ``Pensava em ter um parto dentro d-água desde mais nova, com o tempo quis que fosse domiciliar. Tenho pavor de hospital, até do cheiro. Pra mim, tem que levar em conta o ambiente. Decidir o que quer fazer, do jeito que quer fazer, é muito especial``, diz Daniele, mãe há cinco meses. Depois de ver vídeos e relatos de parto, o pai de Rudá foi entendendo e embarcando na ideia de ter o filho em casa. Durante a gestação os dois frequentaram as reuniões do Ishtar - Grupo de apoio à gestante e ao parto ativo. ``É uma outra história quando você se prepara. Você tem prazer de estar ali, é outra forma de encarar``, diz Daniele.
A ginecologista e obstetra Zenilda Bruno, diretora da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, diz que é fundamental que o casal se prepare, estude, leia, faça cursos e converse com o obstetra sobre exercícios que favoreçam o parto normal.
No Brasil, poucos médicos encorajam o parto domiciliar. Antes de encontrar uma equipe preparada para fazer o parto em casa, Daniele chegou a ouvir de um obstetra que o parto domiciliar era proibido pelo Conselho Regional de Medicina. ``Isso não existe. Acho que às vezes é mais problema dos médicos até. Eles não querem deitar no chão pra acompanhar uma mãe na banheira, não querem passar horas lá. Não é todo mundo que topa isso``, diz Daniele. Uma segunda obstetra gostou da ideia, mas achava complicado. Um terceiro sugeriu abaixar as luzes do centro cirúrgico, colocar música.
Críticas
Eduardo Borges da Fonseca, presidente da Comissão de Medicina Fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), tem reservas ao parto domiciliar. ``As pessoas utilizam a retórica dos países nórdicos, mas existe uma série de regras lá. Geralmente não é o primeiro filho, o bebê tem um peso x e na esquina de casa fica parada uma ambulância onde é possível até fazer uma cesárea. As pessoas querem importar um modelo de países onde as coisas funcionam com mais seriedade``, pondera.
No caso de Daniele, foi determinante o fato de morar a poucos quarteirões de um hospital de grande porte com maternidade. ``Esse era nosso plano b. A médica fica auscultando o bebê, vendo a frequência cardíaca. Não é loucura de natureba. É planejado``, diz. (Mariana Toniatti)

E-Mais
> O Ishtar acompanhou 12 partos humanizados no primeiro ano de atividades. Só o de Daniele foi em casa. Os outros aconteceram no hospital.
> Na Holanda, 35% dos partos são domiciliares.
> Para ter a presença da obstetra, da enfermeira e da doula, um parto domiciliar custa por volta de R$ 4 mil.
> Na França, Leboyer foi um dos expoentes do movimento de humanização do parto, defendendo uma forma mais amena de se nascer: pouca luz, silêncio, banho do bebê perto da mãe, amamentação precoce. No entanto seu foco era o bebê, não a mulher. Ela permanecia deitada de costas, com as pernas em estribos e o uso da episiotomia era rotina.
PARTO HUMANIZADO
> No parto natural, o obstetra interfere o mínimo possível. A depilação total não é obrigatória e não se faz lavagem estomacal. Em todos os relatos, as mães contam que ir ao banheiro mais de uma vez é um dos ``sintomas`` do trabalho de parto. O corpo se prepara sozinho.
> A prática da episiotomia, o corte feito no períneo antes do parto, também vem sendo abandonada. ``Se tem alguma laceração, costura-se, dá um pontinho necessário. A laceração é superficial``, diz a obstetra Barbara Schwermann.
> A anestesia pode ser substituída por exercícios de alongamento e respiração que aliviam a dor e aceleram o nascimento.
``A dor do parto é necessária, mas pode ser diminuída, tem que se desmistificar isso``, diz Isolda Silveira, enfermeira obstetra que ajudou a implementar o parto humanizado na Meac, em 1998, e ainda hoje trabalha na unidade. O ``balanceio pélvico`` sentada na bola de pilates e no chamado cavalinho facilitam a descida do bebê.
> O parto humanizado é também chamado de parto ativo. O protagonismo da mulher é muito valorizado e incentivado. ``Ela é dona do processo``, resume a enfermeira obstetriz Ruthe Martins. A mulher está consciente, tem liberdade de se movimentar e de escolher a melhor posição para parir.
 
Fonte: http://www.noolhar.com/opovo/cienciaesaude/981058.html

14 de agosto de 2010

Ban pede esforços para acabar com mortes de mulheres durante o parto.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez nesta segunda-feira uma chamada internacional para acabar com o "silencioso escândalo" do grande número de mulheres que morrem durante o parto nos países em desenvolvimento.


Ban foi a Washington para inaugurar a conferência internacional Women Deliver, na qual participam 3,5 mil especialistas em saúde maternal de 140 países, além de personalidades como a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e a representante da Fundação Bill e Melinda Gates, Melinda Gates.

Na abertura da conferência, o secretário-geral se referiu diretamente ao problema, que pode ser evitado nos países em desenvolvimento se forem aplicadas determinadas rotinas médicas, como a limpeza das salas de parto e a presença de parteiras com experiência.

Segundo ele, o mundo deve se mobilizar para atingir o objetivo até 2015 de evitar a morte de 10 milhões de mulheres e de seus filhos a cada ano durante o parto.

Neste sentido, Ban apela para que diferentes setores se comprometam com a luta contra o problema, que será um dos temas centrais da Cúpula dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio da ONU, que acontecerá em setembro, em Nova York.

O secretário-geral explicou algumas das medidas que podem ser adotadas para atenuar o problema. "Um simples exame de sangue, consulta médica e uma assistência qualificada no momento do parto são pontos que podem fazer uma grande diferença".

As mulheres fazem com "que o nosso mundo funcione" e, por isso, devemos evitar que elas tenham problemas de saúde, afirmou Ban.

Segundo a ONU, a mortalidade das mulheres e dos recém-nascidos tem um grande impacto na economia mundial, pois gera perda de produtividade de cerca de US$ 15 bilhões anuais.

Na cúpula que será realizada em setembro, o secretário-geral buscará apoio para lançar um plano no qual serão abordadas diferentes medidas, como o combate a doenças como a malária, a tuberculose e a aids.

Outras medidas serão investir na vacinação infantil e fornecer ajuda para o planejamento familiar e atendimento médico às mães e aos recém-nascidos, uma iniciativa que custa apenas US$ 4,50 per capita ao ano e pode salvar 70% das mulheres e 44% das crianças que morrem no parto.

Fonte: http://www.google.com/hostednews/epa/article/ALeqM5hBXBPMsJJIosVIKq73f7SIIFpiAw

8 de agosto de 2010

ABCD - São Paulo - Região tem cesarianas acima da média.

OMS indica percentual máximo de 15%; São Caetano lidera com 74% dos nascimentos por cesarianas.

O parto normal é mais seguro para a mãe e para o bebê. Mesmo assim, 64% dos partos realizados no ABCD em 2008 foram cesarianas, de acordo com pesquisa mais recente da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). A cidade que lidera o ranking é São Caetano, com 74% de cesarianas, seguida de Ribeirão Pires (70%), Mauá (65,3%), Santo André (65%), São Bernardo (60,2%), Rio Grande da Serra (60%) e Diadema (53%). No Estado de São Paulo, a taxa foi de 57%.
No País, dados de 2009 do Ministério da Saúde apontam que as cesarianas correspondem a 35% dos partos na rede pública. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a taxa ideal deve ficar em torno de 7% a 10%, não ultrapassando 15%. Na Holanda, essa proporção é de 14%, nos Estados Unidos 26%, no México 34% e no Chile 40%.
Foi tentando mudar essa realidade que a educadora perinatal Deborah Delage criou o grupo MaternaMente, que se reúne todos os meses na Região para discutir e incentivar o princípio do parto ativo. “O objetivo principal é disseminar informações de qualidade e de modo acessível, para que as mulheres e suas famílias possam compreender e viver a gestação e o parto como eventos naturais, que demandam atenção e apoio, e não intervenções desnecessárias.”
A própria Deborah foi vítima de uma sucessão de intervenções desnecessárias que fizeram com que o sonho de ter a filha por meio do parto normal não fosse realizado. Deborah é dentista de formação, mas sua mãe é enfermeira obstetriz e sempre acompanhou de perto esse trabalho. Após a experiência frustrada, Deborah resolveu assumir aquilo que chama de “militância pelo parto ativo”.
Em uma das reuniões do MaternaMente realizada em São Bernardo, a educadora trouxe a experiência da fonoaudióloga Aline Elise Gerbelli Belini, 30 anos, que teve o segundo filho, Pedro, por parto normal feito em casa, para tranquilizar a publicitária Erika Mattes Bittencourt, 28 anos, e seu marido, Rodrigo Bittencourt, que estão a espera do primeiro bebê, a pequena Alicia. “Quero fazer parto normal também, mas em hospital. Visitei um deles em São Bernardo, mas não me senti à vontade. O funcionário que me apresentou o complexo enfatizou demais a infraestrutura, e de menos a questão humana. Chegou a me dizer que o médico decide, a partir do oitavo mês, se a criança nascerá de parto normal ou de cesariana.”
Deborah é crítica quanto ao hábito de médicos que indicam cesáreas sem necessidade. “É uma questão de conveniência para eles. O que acaba acontecendo é que a maioria das vezes a mulher é submetida a uma cirurgia desnecessária e tem de lidar com as consequências da anestesia e do pós-operatório”, afirmou.
O procedimento cirúrgico só é indicado, durante o pré-natal, em casos de placenta previa, herpes genital com lesão ativa na hora do parto, bebê transverso (atravessado no útero) e no caso de mulheres com algum tipo de cardiopatia. Durante o parto, também é possível identificar a tempo, de acordo com Deborah, casos em que se faz necessária a intervenção cirúrgica, tais como prolapso de cordão (quando o cordão umbilical sai antes da cabeça do bebê), descolamento prematuro da placenta, eclâmpsia (perda de proteína que só pode ser revertida ao cessar a gravidez) e ruptura de vaso uterino de grande calibre.
Após passar pela experiência de um parto normal no hospital, Aline resolveu ter o segundo filho em casa. Para evitar comentários desagradáveis de familiares e amigos, não comentou com quase ninguém sobre a decisão. Apesar de ter nascido com o cordão enrolado no pescoço, Pedro não teve problemas em vir ao mundo em seu novo lar. “Se você tem ao lado uma pessoa experiente, que te tranquiliza, tudo é mais bonito. Aproveitei cada segundo do parto e recomendo.”
Incentivo - De acordo com o Ministério da Saúde, estudos demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas) têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios, que necessitam de internação. Além disso, no parto cesárea há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para estabelecimento de vínculo.
Para as mães, as cesáreas significam mais chances de sofrer hemorragia ou infecção no pós-parto e uma recuperação mais difícil. Por essas razões, o Ministério incentiva o parto normal. Apesar disso, ainda há muita resistência do sistema de saúde, que prefere a cesariana por ser mais conveniente, e mesmo das mulheres, que têm medo da dor do parto e preferem se submeter a cirurgias.

Fonte: http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=19189

7 de agosto de 2010

Parto humanizado não é sinônimo de dar à luz em casa, como fez Gisele Bündchen.

Muitos hospitais modificaram o modo de tratar mamães e bebês, ainda são poucos os que oferecem o parto humanizado.

Depois que Gisele Bündchen teve seu filho na banheira de casa, os partos domiciliares voltaram a ser assunto na mídia e nas rodas de futuras mamães. De um lado, há os que defendem que o ambiente hospitalar tirou da mulher o papel de protagonista na hora do nascimento do bebê. De outro, aqueles que reforçam a importância do aparato médico para diminuir a dor da gestante e garantir a saúde do recém-nascido.


O parto domiciliar é uma modalidade de parto humanizado, algo que está se difundido no país. “O termo se refere ao movimento humanístico, que enfatiza a valorização do humano em detrimento à valorização da técnica”, explica o obstetra e ginecologista Ricardo Herbert Jones. Sob essa conceito, há diferentes procedimentos possíveis: o parto na água (que pode ocorrer na banheira da gestante ou até mesmo em um hospital), o parto de cócoras, ou, ainda, o Leboyer, em que o ambiente é preparado para o nascimento com pouca luminosidade, silêncio, banho logo após o nascimento e contato mais intenso entre mãe e bebê.

Como as modalidades podem variar, não há estimativas sobre o número de partos humanizados feitos no Brasil. Até porque não se trata de uma técnica, mas de uma forma diferente de tratar a mãe, dando-lhe mais autonomia no momento de dar à luz.
No parto humanizado, é respeitado o ritmo natural do nascimento, e não há utilização de anestesia ou medicamentos para acelerar as contrações, assim como não há corte na região do períneo para facilitar a saída do bebê. A gestante não precisa fazer a raspagem dos pelos pubianos, passar por lavagem intestinal, nem precisa ficar o tempo todo deitada. Depois do nascimento, a mãe participa do primeiro banho, do corte do cordão umbilical, e pode amamentar logo na primeira hora de vida do bebê. Outra vantagem é que não há o afastamento da família e dos amigos durante o nascimento: a gestante pode estar acompanhada o tempo todo por quem ela quiser.
A maior parte desses nascimentos acontece fora do ambiente hospitalar. “Um hospital é um local feito para abrigar pessoas doentes, portanto não é o melhor lugar para receber mulheres em pleno vigor de sua saúde e capacidade física, que estão passando por um evento fisiológico e natural”, opina Jones. Por isso, há mulheres que não fazem questão nem da presença do médico - no Brasil, toda enfermeira tem habilitação legal para fazer partos. Outra opção é contratar uma parteira tradicional ou uma doula, mulher que oferece suporte emocional, físico e espiritual às gestantes antes, durante e depois do parto.
Riscos e contraindicações
Enfermeiras e parteiras são profissionais qualificadas para realizar um parto, mas não para agir no caso de uma emergência. Mesmo um médico, sem uma equipe ou sem os instrumentos necessários, pode fazer pouco em situações mais complicadas. Por causa desses riscos, o parto domiciliar não é recomendado pelo Conselho Federal de Medicina.
Abri mão do meu plano de saúde privado e decidi ter minha filha pelo SUS. Escolhi a casa de parto, do Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, depois de muito conversar com o obstetra, com meu marido e com familiares. Sabia que somente lá poderia ter meus desejos respeitados e valorizados.
Leia o depoimento de quem optou pelo parto humanizado
“Descolamento da placenta, hemorragia, falta de oxigênio no sistema nervoso que pode levar a paralisia cerebral ou mesmo a necessidade de fórceps para o bebê sair são situações em que, se não houver uma intervenção imediata com equipamentos adequados, podem resultar em tragédia”, adverte a obstetra Mônica Nogueira. Se o bebê tiver dificuldade de respirar ao nascer, por exemplo, e não for encaminhado a tempo, pode sofrer danos cerebrais permanentes.
Para evitar complicações, os partos domiciliares só são recomendados se não for detectado nenhum problema no pré-natal e a gestação for considerada de baixo risco. Estão excluídos, portanto, casos de gravidez múltipla, diabetes e hipertensão. Se a gestante entrar em trabalho de parto antes da 37ª semana, ou se o bebê estiver sentado, ela será automaticamente transferida para um hospital. Se o bebê demorar mais do 12 horas para nascer, também há o encaminhamento para o hospital.
Mesmo com esses cuidados, é preciso considerar, também, a questão logística. “Se algo der errado, é preciso saber qual o hospital mais próximo que pode atender nessa situação, qual o caminho mais curto, e como realizar o transporte. Se o hospital for longe e o trânsito estiver intenso, o problema fica ainda mais grave”, diz Nogueira.
Para a médica, é preciso avaliar os riscos de se ter um bebê em casa, antes de se pensar no conforto e na intimidade do ambiente. "Mas o parto humanizado realizado no hospital apresenta tanto risco, senão menos, do que o parto normal.”
Dor do parto
Outras críticas comuns ouvidas por quem defende o parto fora do ambiente hospitalar é que ele é muito doloroso para a gestante. Mas Jones afirma que há muitos métodos alternativos para aliviá-la, como banhos quentes, presença do marido para confortar e dar segurança, massagens, acupressura, do-in, mudança de posição, palavras de segurança e carinho.

Parto normal X cesárea no Brasil em 2009
Fonte: Ministério da Saúde
Total de partos normais - 1.293.993
Mortes em partos normais - 188
Total de cesáreas - 687.400
Mortes em cesáreas - 336

O médico garante que as mães que passaram por esse procedimento raramente reclamam de sofrimento. “O afastamento da família, o uso de drogas potencialmente perigosas, a posição inadequada de parir e a imobilidade no leito são muito mais importantes como causadoras de dor (através do mecanismo medo-tensão-dor) do que a dilatação e as contrações em si”, justifica.
Apesar de muitos hospitais terem modificado o modo de tratar mamães e bebês, ainda são poucos os que oferecem o parto humanizado. Em geral, o custo é um pouco superior ao do parto normal (cerca de R$ 2 a R$ 3 mil a mais). Um pouco menos que o valor desembolsado por quem quer ter o filho na banheira de casa, que varia de R$ 5 a R$ 9 mil.
Para quem não pode pagar, a opção é procurar uma casa de parto (ambiente que une o conceito do parto humanizado ao respaldo de um hospital), que atende pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Mas ainda são poucas unidades no país.
"Na verdade, é muito mais importante humanizar o hospital do que tratar de partos domiciliares, porque a imensa maioria dos nascimentos no Brasil vai acontecer no hospital”, reconhece Jones.
 
Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/2010/05/13/parto-humanizado-nao-e-sinonimo-de-dar-a-luz-em-casa-como-fez-gisele-bundchen.jhtm

6 de agosto de 2010

Pacientes, generosas e tranquilas.

A figura da doula é fundamental no parto humanizado. Em grego, a palavra quer dizer ``mulher que serve``. Ela não é da área de saúde. Passa por um treinamento de 40 horas, 20 teóricas, 20 praticas, e tem como missão cuidar da parturiente, confortando, incentivando, massageando e auxiliando na execução das respirações e alongamentos. Antigamente, era comum que a mulher tivesse a companhia da mãe, de irmãs mais velhas, vizinhas, mulheres que já tinham passado pelo parto e davam segurança à parturiente. Com o passar do tempo, o nascimento foi passando para a esfera médica e o contato com as mulheres mais experientes se perdeu. No ambiente frio do hospital, a ansiedade, o medo e a dor do parto aumentam. A doula está lá para minimizar isso.
Antes do dia D, a doula orienta o casal sobre o que esperar do parto e do pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a se preparar, física e emocionalmente. Durante o parto, a doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens e relaxamento.
As dezoito doulas da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand são voluntárias. O primeiro recrutamento - durante uma campanha do Ministério da Saúde, em 2000 -, buscou as parteiras que trabalharam no começo da Meac e estavam aposentadas. Desde então, a cada nova chamada ``aparecem mais mulheres do que a gente precisa``, conta Ruthe Martins, enfermeira obstetra que descreve o perfil das doulas: ``Elas são por natureza pacientes, generosas e tranquilas``.
Avelina Almeida de Souza, 51, é doula desde maio de 2007. Formada técnica em enfermagem, foi cuidar dos três filhos e acabou nunca exercendo a profissão. ``Quando eles estivessem formados, ia fazer um trabalho voluntario``, conta. Como na época do curso de enfermagem Avelina gostava muito da sala de parto, ser doula seria realizar dois projetos de vida. ``E um compromisso mesmo. Temos uma folga na semana, posso ser escalada domingo, sábado, duas ou três vezes à noite. Mas não penso em desistir porque isso faz muito bem pra mim``. Mães adolescentes, muitas sozinhas, são as que mais despertam o lado maternal de Avelina. Ela vai almoçar as 16h para não sair de perto delas. ``Não uso o profissional só. Uso mais é o emocional mesmo. As vezes viram como se fossem minhas filhas``.
O Ishtar & Grupo de apoio à gestante e ao parto ativo, tem representações em diversas capitais do País, inclusive Fortaleza. Fundado por duas doulas, Kelly Brasil e Semírames Ávila, também enfermeira obstetra, o grupo realiza reuniões mensais para conversar sobre a gestação, o trabalho de parto, dar dicas de alimentação e promover a troca de informações entre gestantes e mães que já vivenciaram o parto ativo. Depois do parto, a doula visita a mãe para conversar, relembrar o momento do parto e dar dicas importantes para a amamentação e para os cuidados de higiene da mulher. Banhos de assento ajudam na cicatrização e no conforto pos-parto. (Mariana Toniatti).
 
Fonte: http://www.noolhar.com/opovo/cienciaesaude/981066.html

4 de agosto de 2010

Maringá tem maior índice de cesáreas do Paraná.

A regional de Saúde de Maringá, composta por 30 municípios, apresenta o maior índice de partos cesáreos do Paraná, segundo dados de 2009. Dos 9.287 nascimentos registrados no período, 75,4% foram por cesáreas. A segundo maior índice é de Umuarama (74,7%), seguida de Apucarana, com 68,4%.
No Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher e Dia Nacional pela Redução da Mortalidade Materna. Em Maringá, a taxa de mortalidade materna é considerada alta, de acordo com avaliação da Organização Mundial de Saúde, com 66 casos para cada mil nascidos vivos.
“Tivemos 6 mortes em nossa região no ano passado, no entanto estudos dos últimos três anos mostram que 90% dos casos poderiam ter sido evitados”, diz a médica sanitarista da 15ª Regional, Norico Miyagui Misuta.
Para a médica, criou-se um cenário no qual profissionais e gestantes valorizam a cesárea e, para reverter este quadro, o primeiro passo é informar a população os benefícios do parto normal.
A enfermeira obstetra da 15ª Regional, Marlei Fiewski, diz que isso vem evoluindo e com um bom pré-natal mães e pais podem perder o medo da dor do parto e da recuperação.
“É preciso mostrar para a mãe que ela consegue realizar o parto normal e que existem recursos para minimizar a dor. O Sistema Único de Saúde paga inclusive pela analgesia.”
Marlei destaca a importância de se valorizar a mulher no momento do parto e de promover a formação de laços afetivos já nos primeiros momentos de vida do bebê. “No parto normal, quando o bebê passa pelo canal já está recebendo a massagem e a limpeza das secreções do corpo e das vias respiratórias”, diz.
Se o bebê apresentar um bom quadro quanto à coloração de pele, respiração e batimentos cardíacos pode ser colocado imediatamente em contato com o calor do corpo da mãe e a tendência é que ele mesmo busque o seios para se alimentar.
O trabalho de incentivo ao aleitamento materno exclusivo nos 6 primeiros meses de vida seria sensivelmente facilitado.
Para Norico, o próximo passo seria investir em centros de capacitação para profissionais de enfermagem obstétrica, fundamentais para o acompanhamento de mães que optam pelo parto normal.
“Nem sempre temos um obstetra disponível 24 horas para acompanhar um trabalho de parto, que pode levar muitas horas. Precisamos de uma equipe especializada para auxiliar neste período e detectar algo que possa impossibilitar o parto normal. Nestes casos se indica a cesárea, além de problemas detectados no pré-natal, como descolamento de placenta e eclampsia”, orienta a médica.

3 de agosto de 2010

Parteiras na América Latina: obsoletas ou necessárias?

(Prensa Latina) Comadronas, parteiras ou matronas, são algumas das maneiras de nomear na América Latina às mulheres que, de forma empírica e com uma sabedoria ancestral, assistem às mulheres em estado de parto.
Para muitos, com a sorte de contar com atenção médica desde o próprio início da gestação, a sobrevivência delas parece arcaica, algo muito raro, ou coisa de novelas.
No entanto, muitos bebês do mundo ainda nascem com a ajuda destas assistentes, particularmente em zonas rurais e indígenas, onde o parto tradicional é mais freqüente que nas cidades.
Um ofício que sobrevive

Quase a metade dos nascimentos nos países em desenvolvimento acontecem sem a presença de um agente obstétrico capacitado, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
E é que pelo difícil e escasso acesso aos serviços de saúde reprodutiva de amplos setores populacionais desfavorecidos ou marginados, que a parteira se transforma praticamente na única opção.
Lamentavelmente, são poucas as que contam com os recursos materiais e conhecimentos necessários para assumir este delicado ofício.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que no planeta diariamente morrem ao redor de mil 500 mulheres devido a complicações da gravidez e no parto e 99 por cento das mortes maternas registradas correspondem aos países subdesenvolvidos.
A maioria dessas mortes - previsíveis- relaciona-se com a atenção não profissional na hora do parto.
No mundo, aproximadamente 80 por cento das mortes maternas são provocadas por hemorragias intensas, infecções e transtornos hipertensivos da gravidez (geralmente a eclampsia).
Também estão entre as complicações mais graves o parto obstruído e anomalias derivadas dos abortos realizados em condições perigosas.
Quando se apresentam casos desse tipo as parteiras tradicionais contam com poucas ferramentas e quase nada podem fazer para salvar a vida da mãe.
É por isso que as diferentes organizações representativas das parteiras pedem aos governos que aumentem os investimentos para capacitação e que lhes dêem acesso aos recursos que façam seu trabalho mais seguro.
Porque quando estão em condições de pôr em prática sua experiência e sabedoria durante a gravidez, o parto e o pós-parto, ajudam a evitar até 90 por cento das mortes maternas.
Essas mulheres, de origem humilde em sua maioria, apenas contam com uns poucos meios para ajudar no nascimento de uma criança.
Geralmente, cada uma carrega uma bolsa de materiais, cujo conteúdo varia dependendo da zona na qual tenha aprendido a complicada tarefa de trazer um novo bebê ao mundo.
Pinças, panos limpos, ervas para infusões, báscula, fita métrica, e outros objetos para cortar o cordão umbilical, bem como um livro de registro para anotar os dados do recém nascido, estão entre os úteis próprios portados por estas mulheres para seu trabalho.
Ainda que para elas seja de grande valor receber ao bebê com suas próprias mãos, aos utensílios tradicionais foram acrescentadas luvas, devido a proliferação do vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV-AIDS).
Também utilizam diversos métodos para aliviar as dores, diminuir as hemorragias, bem como para conseguir que o bebê mude de posição quando não está de forma correta no canal do parto.
Em muitos casos empregam compostos ou infusões de diferentes ervas cujo uso conhecem pelo legado de suas mães e avós.
Assim que nasce a criança, utilizam panos ou algodão para limpá-la e a colocam junto ao peito da mãe para que seja amamentada e o útero se contraia o mais rápido possível.
Usualmente conversam de maneira carinhosa com a mãe para ajudá-la para que o momento seja mais feliz e menos dolorido, inclusive pedem aos seus familiares para que também a apoiem,
É toda uma arte que permite, além de tudo, prevenir algumas doenças da mulher e da criança com métodos naturais.
Usualmente, elas estão pendentes das etapas de reprodução da mulher, do processo de gestação e da gravidez.
Ademais, com diferentes rituais, segundo a comunidade em que desempenhem suas funções, oferecem seus cuidados diante de fenômenos astronômicos como os eclipses ou o mau tempo.
No México, por exemplo, as parteiras tradicionais nahuas da Sierra de Puebla costumam "ler" o cordão umbilical para prever qual será o destino da criança e se sua progenitora terá outros filhos.
O acervo desta cultura sugere que a observação da placenta pode revelar quão distante estariam futuros nascimentos, segundo a antropóloga Lourdes Báez Cubero.
Após esse ritual, o cordão e a placenta são enterrados; se é menina sepulta-se dentro da casa para que ao crescer seja uma mulher do lar; se é menino, na plantação ( milpa ou semeado) ou pendura-se em uma árvore, para que seja um bom agricultor, descreve Báez.
É urgente reforçar os programas maternos
É certo que as parteiras continuam sendo necessárias nos tempos atuais, quando a cobertura médica não chega a todos por igual, em especial em zonas remotas onde há muito poucos profissionais e altos níveis de pobreza.
Um amplo setor da população feminina na América Latina não tem acesso aos centros sanitários ou não pode pagar o custo do transporte ou dos serviços de saúde.
No entanto, quando se garante às grávidas a disponibilidade de serviços de saúde especializados, diminuem os índices de mortalidade materno-infantil.
O ideal seria que todas as futuras mães e gestantes contassem com programas de proteção sanitária completa nessa etapa de sua vida.
Com isso, a gestante pode chegar ao parto em ótimas condições e teria à sua disposição os meios adequados no caso de complicações.
E é que existe, insistimos, uma relação direta entre o cumprimento de programas de controle pré-natal para as grávidas e atenção especializada do parto e a diminuição da mortalidade materna e infantil.
De fato, a impossibilidade da atenção materna por pessoal qualificado, além de provocar que centenas de milhares de mulheres morram a cada ano, conduz a que três milhões de recém nascidos não sobrevivam depois de sua primeira semana de vida.
Entretanto, por cada trágica morte de uma mulher, há outras 20 mulheres que padecem doenças graves ou crônicas, ou deficiências, como a fístula obstétrica por causa de um parto mal assistido.
Em nosso continente, durante os anos 1990 e 2007 reduziu-se em aproximadamente 25 por cento o índice da morte materna.
No entanto os progressos na redução desse flagelo são mínimos, bem longe do 75 por cento fixado com o compromisso assumido por 189 estados, membros das Nações Unidas, ao assinar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.

(*) A autora é jornalista da Redação Sul da Prensa Latina.


Bom  mesmo é capacitar as parteiras!

1 de agosto de 2010

Normal e natural.

Com a prevalência quase absoluta das cesáreas no Brasil & no sistema privado 90% dos partos são cesarianas, grande parte marcada previamente -, o nascimento é cada vez mais um procedimento médico e menos um processo natural. Muitas vezes, a mãe nem entra em trabalho de parto. Pula suas dores e delícias e vai direto para a anestesia peridural e para o centro cirúrgico.

O chamado parto humanizado vai na contramão dessa instrumentalização. É o bebê que diz o dia que quer nascer e a mãe sente cada contração. Quanto menos intervenções, melhor. O parto é mais que normal, é natural, sem cortes no períneo ou anestesia. Para aliviar a dor, os remédios são substituídos por exercícios, alongamentos, respirações e massagens.
Nada de ficar deitada de barriga pra cima durante horas, sofrendo. O parto humanizado dá liberdade à mãe, que participa ativamente do nascimento do filho. Durante o trabalho de parto, a mulher pode tomar um banho morno, se quiser. Também pode se alimentar, tem liberdade para caminhar e experimentar posições mais confortáveis.
``É muito importante pra saúde da mulher, o parto que pode perambular, tomar líquido, estar com um acompanhante. Ela se sente mais segura, se sente protagonista. Quando fica deitada com o soro, se sente oprimida, impotente, por isso muitas têm medo``, diz a diretora da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand, Zenilda Bruno.
A mulher pode inclusive escolher a melhor posição para parir. E quem disse que é deitada? A gravidade ajuda mais de cócoras, sentada na água, de quatro, de lado... Kelly Brasil preferiu de cócoras, apoiada num colchonete. Daniele Medeiros, 30, quis na água e em casa. Valdelina Sousa, 24, levou a bola de pilates para o chuveiro no Centro de Parto Natural da Maternidade-Escola e relaxou.
Foram cinco horas de trabalho de parto no hospital. Antes, outras cinco em casa, com o marido do lado. ``Com certeza fez toda a diferença o banho e a companhia dele``, diz Valdenia. Thainá, sua primeira filha, nasceu na manhã do dia 29 de abril com 3,5 quilos. O plano de saúde da mãe não incluía partos. Para ter certeza de que teria o ``maridão`` por perto durante todo o tempo, o casal foi conhecer a maternidade antes. ``Foi um parto lindo! Todo mundo da equipe chorou``, conta a enfermeira obstetriz da Meac, Ruthe Martins. ``O casal se preparou. Ele é interessado. Queria saber como acontecia, como poderia ajudar``.
Estrutura
Desde 1998, a dor do trabalho de parto é administrada com tecnologia e não com remédios na Meac. Mas faltava ter uma suíte de parto individual. Um espaço físico para dar privacidade e a estrutura ideal para o parto. Em abril de 2005, foi inaugurado o Centro de Parto Natural. Por ser diretriz do Ministério da Saúde, é mais fácil encontrar o parto humanizado em maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS), mas um apartamento individual só na Meac.
Na rede privada, a mãe tem que levar a bagagem para o hospital: banqueta, bola de pilates, colchonete, banheira. Além disso, os profissionais estão acostumados a fazer partos no centro cirúrgico, não no quarto. O parto humanizado tem diferenças que podem parecer detalhes para quem automatizou a cesárea.
Kelly lembra a reação das enfermeiras quando ela preferiu vestir a bata ao contrário, com a abertura para frente, e ficar de sutiã porque o peito estava dolorido. ``Acho que nesse momento as enfermeiras começaram a perceber que iam começar o dia saindo da rotina``, escreve em seu relato de parto.
A obstetra Barbara Schwermann, que acompanhou o parto de Kelly e Daniele e faz partos humanizados, conta que no Hospital da Unimed os bebês nascem na sala de pré-parto, dentro do bloco cirúrgico. ``Não é o ideal, o ideal é tê-lo no quarto, mas com essa prática de cesárea de 90% quem vai fazer apartamento adequado?``, pergunta. A médica também faz partos no hospital Gênesis. Lá é possível ter o bebê no quarto.
Na prática, o parto é o inicio da maternidade. Nesse Dia das Mães, ele é o assunto do Ciência & Saúde.
E-Mais
> Um trabalho de parto dura em média dez horas, especialmente no nascimento do primeiro filho, quando a dilatação costuma ser mais lenta.
> A presença de um acompanhante durante o trabalho de parto e o parto é garantida pela Lei 546/97 de julho de 2007.
> Na Meac, 40% dos partos são cesáreas. Mesmo sendo uma maternidade referência em partos de alto risco, a unidade está dentro dos índices de partos normais do SUS.

Fonte: http://www.noolhar.com/opovo/cienciaesaude/981067.html

31 de julho de 2010

Parto traumático gera estresse prolongado.

Pesquisadores da UFPE realizam estudo inédito na área e alertam para problema que pode ser gerado pela má assistência no hospital.

Maria tem 20 anos. Pariu o primeiro filho há um mês, num hospital público do Sertão de Pernambuco. Descreve o nascimento da desejada criança, fruto do seu casamento por amor, como uma sessão de horror e tortura. Com nove meses de gestação completos, sente as primeiras dores pela manhã. Procura a maternidade e, mesmo sem examiná-la, a médica a manda de volta para casa. As dores aumentam e ela retorna ao mesmo serviço. À noitinha a obstetra a examina e diz que a transferência para outra maternidade é inevitável porque não há vagas no serviço. A jovem mãe insiste, teme ficar longe da família e perder o filho. É alojada numa enfermaria-geral.


Quando o corpo começa a expulsar a criança, a gestante desce sozinha da maca e anda todo o corredor, sem qualquer apoio, até a sala de parto. No nascimento propriamente, é culpabilizada por não ajudar, sente os cortes para a passagem do bebê e, no fim, mais uma vez é tratada com indiferença. “Me mandaram descer sozinha da mesa”, conta, lembrando os momentos finais em que novamente se sentiu abandonada, ignorada e agredida. Foram horas pensando que poderia morrer ou ver a criança nascer morta. “Nunca mais quero ter filho”, sentencia, visivelmente traumatizada com o horror do parto, anormal para a expectativa de quem estava descobrindo a maternidade. Maria não quer ser identificada, teme ser vítima no futuro, pois é dependente do único serviço de saúde da cidade.

A história acima repete-se em relatos colhidos na porta de hospitais e nos acolhimentos feitos por entidades feministas e de direito reprodutivo. É um exemplo de como um dos momentos mais importantes na vida da mulher pode se transformar em sofrimento psíquico de repercussões que a ciência só recentemente vem estudando.

Psiquiatras do Programa de Saúde Mental da Mulher da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) alertam para a incidência do parto traumático e outra complicação posterior, o transtorno do estresse pós-traumático, que interfere na vida conjugal e reprodutiva da mulher, como também na relação mãe-bebê. Eles vão iniciar no segundo semestre deste ano uma pesquisa que visa avaliar a incidência do problema em mulheres que deram à luz no Recife.

Em 2008, ao estudar depressão pós-parto e transtornos de ansiedade, o programa detectou uma proporção significativa de mulheres vítimas do parto traumático e 5% delas já apresentavam o transtorno do estresse pós-traumático, segundo o psiquiatra Amaury Cantilino, doutor em neuropsiquiatria e ciências do comportamento. Ele coordena o Programa de Saúde Mental da Mulher da UFPE, que também faz atendimento ambulatorial, às sextas-feiras pela manhã (telefone 81-2126-3692), recebendo mulheres encaminhadas por obstetras e pediatras.

O grupo de estudiosos, formado também pelos psiquiatras Carla Zambaldi e Everton Sougey, publicou no ano passado artigo em revista científica brasileira sobre o assunto. Seria a primeira publicação local a respeito do tema e trata-se de revisão da literatura mundial, cujo artigo inicial é de 1998. As descobertas recentes sobre o impacto do problema sugerem que a próxima classificação em psiquiatria considere o transtorno do estresse pós-traumático relacionado especificamente ao parto.

“De 21% a 34% das mulheres podem experimentar o parto traumático”, explica Amaury Cantilino. Segundo ele, o trauma ocorre durante o trabalho de parto ou no momento do nascimento da criança que envolve real ou temida lesão física. Dor excessiva, hemorragia, morte do recém nascido, uso de fórceps, experiência humilhante, cuidado médico inadequado, transferência do bebê para uma UTI ou anomalia congênita são algumas das situações listadas que levam ao sofrimento psíquico da mãe. “Nesse evento, a mulher experimenta medo intenso, desamparo, perda de controle e horror”, esclarece.

CONSEQUÊNCIAS

As mulheres traumatizadas com o parto relatam atendimento arrogante, frio, técnico e queixam-se de não ter sido ouvidas pela equipe de saúde. “Mesmo quando um parto é considerado dentro da normalidade pela equipe de saúde, pode ser traumático para a parturiente”, acrescenta o psiquiatra, dando uma noção mais ampla do problema. Experiências anteriores ao nascimento do filho também favorecem o distúrbio. Mulheres que sofreram violência sexual na infância ou fase adulta têm 12 vezes mais chances de sofrer parto traumático.

Uma fração das que desenvolvem o trauma acaba tendo o estresse pós-traumático, caracterizado por recordações aflitivas, associadas em parte dos casos a ansiedade, raiva, depressão e tensão. “A mulher revive o trauma em pensamentos e pesadelos”, explica a psiquiatra Carla Zambaldi. Para ela, é fundamental que a gestante tenha um bom acompanhamento no pré-natal para identificação de fatores individuais que previamente podem ajudar a desencadear o trauma no parto.

“O que protege as mulheres é o acesso prévio a bastante informação sobre o parto, que a deixa consciente sobre o que vai acontecer, como também o apoio que ela recebe na hora do nascimento do bebê. Daí a importância do acompanhante, que pode ser o pai da criança, a mãe da parturiente ou mesmo doulas (mulheres da comunidade que acompanham a gestante)”, avalia Carla Zambaldi. Segundo ela, cabe à equipe que assistiu a mulher no parto (obstetra e enfermeiros) observar e conversar com a mulher sobre a experiência que ela vivenciou. Ao identificar a situação traumática, a paciente deve ser encaminhada a serviço de saúde mental.

Quando a mulher desenvolve o estresse pós-traumático, apresenta sofrimento significativo e prejuízo na sua função social, familiar ou ocupacional, lembra Amaury Cantilino. O tratamento é com assistência psiquiátrica e psicológica.
Fonte: http://jc3.uol.com.br/jornal/2010/05/16/not_377266.php

30 de julho de 2010

Até 25% dos homens têm depressão pós-parto.

Quadro se manifesta em homens principalmente entre o terceiro e o sexto mês após o nascimento do filho.

Pesquisa aponta que há uma correlação entre a ocorrência de depressão paterna e materna
São Paulo - Um em cada quatro homens que têm filhos sofre com depressão pós-parto entre o terceiro e o sexto mês de idade da criança, de acordo com um estudo que será publicado nesta quarta-feira (19) na revista científica Journal of the American Medical Association. Nesse período, está concentrada a maior ocorrência do quadro em pais, segundo a equipe da Eastern Virginia Medical School que conduziu o levantamento.

As estatísticas foram obtidas a partir da análise de 43 pesquisas anteriores, publicadas entre 1980 e 2009 e que contaram com mais de 28 mil participantes. "Sabe-se que a depressão pré-natal e pós-parto materna é comum e tem consequências negativas para o desenvolvimento pessoal, familiar e da criança. A depressão paterna neste período pode ter características similares", afirmam os autores James F. Paulson e Sharnail D. Bazemore. Segundo eles, no entanto, as informações sobre a ocorrência do quadro em homens ainda são inconsistentes.

Entre o terceiro mês de gravidez da mulher e o primeiro ano de vida do filho, a taxa média de pais com depressão é de 10,4% (para se ter uma ideia, a ocorrência em homens em geral é de 4,8%). No levantamento, os pesquisadores descobriram ainda que a depressão paterna varia de acordo com período de tempo e com a localidade. Segundo eles, enquanto o comportamento se manifesta em 25,6% dos pais entre o terceiro e o sexto mês após o parto, nos três primeiros meses a taxa cai para apenas 7,7%. E, se nos Estados Unidos a taxa geral chega a 14,1%, no resto do mundo fica em apenas 8,2%.

A pesquisa apontou ainda que há uma correlação entre a ocorrência de depressão paterna e materna. "Pesquisas futuras nesta área devem focar em pai e mãe ao mesmo tempo, para analisar o aparecimento e evolução conjunta de depressão. Isso pode aumentar nossa capacidade de identificação precoce do quadro, aumentar as possibilidades de prevenção e tratamento e melhorar a compreensão sobre como a depressão dos pais implica em riscos para bebês e crianças pequenas", escreveram os autores do estudo.

29 de julho de 2010

Obesas representam fardo para maternidades nos EUA.

Há evidências de que a obesidade contribui para o aumento no número de cesáreas, para defeitos congênitos e mortalidade materna.

À medida que os americanos se tornaram cada vez mais gordos ao longo da última geração, abrindo espaço para mais problemas no coração, diabetes e partos prematuros, esse peso extra também se tornou um fardo para as maternidades do país.


Cerca de uma em cada cinco mulheres são obesas quando ficam grávidas, o que significa que elas têm um índice de massa corporal de pelo menos 30 - como uma mulher de 1,67 metro e 82 quilos, de acordo com pesquisadores do Centro de Controle e Prevenção de Doenças.
 
 
Evidências médicas sugerem que a obesidade pode estar contribuindo para as altas taxas de cesarianas e causando mais defeitos congênitos e mortes entre mães e bebês. Os hospitais, principalmente de bairros pobres, foram forçados a se adaptar e compraram instrumentos médicos mais sofisticados, mais equipamentos para o exame de recém-nascidos e camas maiores.


Além disso, eles realizam o treinamento constante de suas equipes para que aconselhem as mulheres obesas a perder peso, ou mesmo a passar por uma cirurgia de redução de estômago antes que fiquem grávidas.

No Centro Médico Maimonides, no Brooklyn, onde 38% das mulheres que dão à luz são obesas, Patricia Garcia teve de ser internada depois que sofreu um infarto, parte dos inúmeros problemas de saúde causados pelo seu peso.

Em 5 de maio, 11 semanas antes da data prevista para o parto, um ultrassom mostrou que seu bebê não estava se desenvolvendo como devia e uma cesariana de emergência foi realizada.

Estudos mostram que os bebês nascidos de mulheres obesas são quase três vezes mais propensos a morrer no primeiro mês do que aqueles nascidos de mulheres de peso normal, e que as mulheres obesas são quase duas vezes mais propensas a que seus filhos nasçam mortos.

Mulheres obesas também tem mais probabilidade de desenvolver pressão alta, diabetes, complicações da anestesia, hemorragia, coágulos e infarto durante a gravidez e o parto, mostram os dados. Mulheres muito obesas ou aquelas com índice de massa corporal de 35 ou mais, são de três a quatro vezes mais propensas a ter seu primeiro filho por cesariana do que as mães de peso normal, segundo um estudo realizado pelo Consórcio de Segurança no Trabalho do Instituto Nacional de Saúde.

Embora os médicos assumam muitas vezes uma posição defensiva em relação às justificativas das cesarianas, que têm todos os riscos de uma cirurgia, o Dr. Howard L. Minkoff, chefe de obstetrícia do Maimonides, disse que os médicos devem pesar as preocupações contra os potenciais complicações do parto normal em mulheres obesas.

Na fase da gravidez de Patricia, por exemplo, cada dia no útero era bom para o bebê e ruim para a mãe, disse Minkoff. Patricia prometeu a Minkoff que perderá peso para ver seu bebê se formar na universidade. "Estou em uma dieta rigorosa, rigorosa", afirmou. "Não quero mais passar por isso."

* Por Anemona Hartocollis

Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/nyt/obesas+representam+fardo+para+maternidades+nos+eua/n1237655360577.html

26 de julho de 2010

Mulher dá à luz em terminal de ônibus em Florianópolis.

Maternidade teria recusado atendimendo à mãe cerca de duas horas e meia antes.

Por volta das 20h30min desta segunda-feira, Cristina Inês da Silva Lutckemmayer, de 24 anos, deu à luz uma menina no Terminal Integrado do Centro (Ticen), em Florianópolis. Ela estava passando pelo terminal quando a bolsa estourou.
A irmã de Cristina foi até o bairro Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina, pegar roupas e documentos para ir ao hospital, mas não conseguiu retornar a tempo.
Cristina se escorou em uma banquinha de jornal em frente ao Ticen e deu à luz uma menina, com ajuda das pessoas que passavam pelo local.
— Escutei uns berros e vi dois homens do lado de uma mulher. Cheguei perto e vi que ela estava tendo um filho. Aí, chegou uma enfermeira, que também estava passando no Ticen, ajudou a retirar a criança de dentro da mãe e eu fique auxiliando. Quando saiu, tirei a minha jaqueta e cobri a criança — relembra a aposentada Maria Goretti Nasário, de 51 anos.
Quando Laura Vitória nasceu — o nome é em homenagem a uma enfermeira do Hospital Universitário que cuidou de Cristina durante a gravidez — uma salva de palmas marcou o momento. Testemunhas do parto se emocionaram ao descrever a cena:
— Fiquei sem reação, nervoso, sem saber o que fazer. Ela estava ali, em pé, e a criança já estava saindo — descreve Lauro Junior, corretor de imóveis que trabalha no posto de uma imobiliária que fica no Ticen.
O Corpo de Bombeiros de Florianópolis atendeu a ocorrência e levou a mãe e a criança para o Maternidade Carmela Dutra, onde estão sendo atendidas. No processo do parto, o corte do cordão umbilical foi a única parte que não aconteceu ali abaixo de chuva.
Quando os bombeiros chegaram ao local, mãe e filha apenas aguardavam o transporte até a Maternidade Carmela Dutra.
Atendimento teria sido negado
Segundo Beatriz Alves da Silveira, irmã de Cristina, as duas procuraram atendimento na Carmela Dutra por volta das 18h, depois que Cristina começou a sentir dores durante uma caminhada pelo Centro da cidade. Segundo Beatriz, a gestante não teria recebido atendimento porque estava sem documentos. Foram embora e, ao chegar ao Ticen, a bolsa teria estourado.
A assessora de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde, Ana Lavratti, informou por telefone que, assim que o secretário Roberto Hess soube do fato pela reportagem, ficou consternado com a situação e lamentou o transtorno do ocorrido para a família Cristina.
Ana explicou que o o secretário entrou em contato com a direção da maternidade e solicitou imediatamente a apuração do ocorrido para que nesta terça-feira sejam tomadas as medidas cabíveis.
Depois das 19h, um gerente fica na unidade como responsável e não soube dar detalhes sobre o que aconteceu. A assessoria ainda informou que nesta noite de segunda-feira era cedo para dizer o que pode acontecer com o funcionário que teria negado atendimento.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion=Geral&newsID=a2907308.xml

24 de julho de 2010

Lei assegura a mulheres o direito a ter acompanhante durante parto.

Muitos hospitais não cumprem essa lei.

O nascimento do bebê é um dos momentos mais sublimes na vida de qualquer família. Pouca gente sabe, mas existe uma lei assegura a todas as mulheres o direito de ter um acompanhante por perto durante o parto.
Quem vê o pequeno Heitor hoje, não sabe como foi difícil a chegada do bebê. Na hora do parto, a mãe foi impedida de ter a companhia do marido pelo hospital em Belém.
“Eu fiquei jogada lá, sozinha, só com as enfermeiras passando de um lado para o outro. Nem paravam para dar atenção, até a hora de o bebê começar a sair”, lembra a universitária Suzana Gaia.
Suzana fez uma denúncia no Ministério Público. Uma lei, em vigor desde 2005, prevê que tanto em hospitais públicos quanto em particulares a gestante tem o direito de ter um acompanhante.
“Ao nosso ver, há informações de que existe resistência ao cumprimento dessa lei em diversos locais do país”, aponta o procurador da República Alan Mansur Silva.
O encontro de mulheres em Belo Horizonte é para que as futuras mamães não passem por esse tipo de situação.
“As mulheres têm que buscar informação. Têm que saber que isso existe para que possam cobrar um posicionamento da maternidade ou da clínica onde elas vão ter o bebê”, avisa a química Carolina do Carmo Souza.
Segundo médicos, a presença de um acompanhante durante todo o processo do parto é tão importante que pode ajudar até no alívio da dor. Em um hospital público de Belo Horizonte, por exemplo, as gestantes são incentivadas a ter uma companhia nesse momento. Quando a família não pode estar presente, são as voluntárias que fazem esse papel.
“Eu fiquei a maior parte do tempo sozinha no hospital e ficava lá apavorada, sem saber o que ia acontecer, era meu primeiro filho. Apesar de ter experiência, é muito bom tê-las com a gente”, agradece a dona de casa Josiane Leão.
Antes de Victor nascer, a relações-públicas Jane Adélia da Silva Rocha fez visitas em várias maternidades conveniadas com o plano de saúde. Em uma delas descobriu que teria que pagar para que o marido acompanhasse o parto: “Algumas instituições que eu cheguei a ir disseram que aquela lei federal não valia ali”.
O bebê acabou nascendo em um hospital público.
“Hoje nossa alegria tem dois meses de vida e eu pude participar disso”, comemora o vendedor Osmar José Rocha.
A Federação Brasileira de Hospitais informou que as taxas de acompanhante cobradas por alguns hospitais são para cobrir os custos com material e vestimenta, já que nem o SUS, nem os planos de saúde, pagam essa despesa.