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8 de maio de 2011

Seis anos depois da lei, hospitais ainda proíbem acompanhantes para gestantes durante o parto.

Brasília – Nove meses de espera. O parto é o momento mais esperado pelas futuras mamães. Mas a insegurança e a ansiedade podem tornar a experiência desagradável. Nesta hora, a companhia do marido, de um parente ou de uma amiga ajuda a acalmar a gestante e transformar o nascimento do bebê em um momento prazeroso.


Desde 2005 uma lei federal garante às grávidas o direito à presença de um acompanhante – de sua escolha - durante do trabalho de parto até o pós-parto nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) e conveniadas. No entanto, não é sempre o que acontece.
Vários hospitais no país ainda não seguem a regra e barram o acompanhante, como, por exemplo, em Belém, no Pará. No ano passado, representantes do grupo Parto do Princípio encaminharam denúncias de descumprimento da lei ao Ministério Público Federal (MPF). Na maioria dos casos, as alegações das maternidades são a falta de espaço ou que a presença de uma pessoa do sexo masculino ameaça a privacidade das gestantes.
“Dizem não ter acomodação. Ás vezes, não permitem a entrada do pai por ser homem. Num momento desses, a mulher fica desassistida”, contou Patrícia Sales, integrante do grupo no Pará. A rede tem representantes em 16 estados e no Distrito Federal. Segundo elas, há relatos de desobediência à lei em outros estados, como no Rio Grande do Sul e em São Paulo.
Estudos científicos constataram que a presença de um acompanhante com a gestante contribui para reduzir o tempo do trabalho de parto, o número de cesáreas e as chances de depressão pós-parto.
As maternidades tiveram prazo para se adequar. Apesar da lei, a coordenadora de saúde da mulher do Ministério da Saúde, Esther Vilela, disse que a adaptação tem sido feita de forma “gradativa” e a principal dificuldade é mudar a postura dos profissionais de saúde para aceitar o acompanhante como um aliado. “O acompanhante é tido como uma ameaça que vai interferir no processo, vigiar. Isso está mudando”, disse.
Segundo ela, o governo tem incentivado os hospitais públicos, inclusive com destinação de recursos financeiros, a receber os acompanhantes, como obriga a legislação. No ano passado, o ministério fez um trabalho de capacitação em 26 maternidades da Amazônia Legal e do Nordeste, regiões com altos índices de mortalidade materna. Depois da iniciativa, 16 passaram a acomodar os acompanhantes das gestantes, de acordo com a coordenadora. “Apesar de ser lei, precisa de preparação e adesão da maternidade”, disse. A Lei 11.108/2005 não prevê punição a quem descumpri-la.
De acordo com Esther Vilela, o cumprimento da lei por todas as maternidades públicas é uma das propostas do programa Rede Cegonha, aposta da presidenta Dilma Rousseff para melhorar o atendimento às grávidas e aos recém-nascidos até 2014.
A gestante que decidir ter seu bebê em um hospital particular também tem direito ao acompanhante e de acordo com normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é proibida a cobrança de taxa extra. Cabe aos planos de saúde e ao hospital ou clínica negociar as despesas, por exemplo, com roupa esterilizada.

O que diz a lei federal:
Os serviços de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS), da rede própria ou conveniada, ficam obrigados a permitir a presença, junto à parturiente, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. O acompanhante será indicado pela parturiente.

Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-05-08/seis-anos-depois-da-lei-hospitais-ainda-proibem-acompanhantes-para-gestantes-durante-parto

19 de março de 2011

Pelo não fechamento do curso de Obstetriz da USP.

Assinaturas no abaixo-assinado (# 8452): Abaixo assinado de apoio para a continuidade da Graduação em Obstetrícia na Universidade de São Paulo - Abaixo Assinado.Org

Assinaturas no abaixo-assinado (# 8452): Abaixo assinado de apoio para a continuidade da Graduação em Obstetrícia na Universidade de São Paulo - Abaixo Assinado.Org

Leia a notícia: http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/usp+leste+pode+fechar+mais+de+300+vagas/n1238177421365.html

27 de fevereiro de 2011

Uma em quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto.

Chorando em um hospital, agulhada pelas dores das contrações do parto, mulheres brasileiras ainda têm de ouvir maus-tratos verbais como: "Na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe. Por que tá chorando agora?". A informação é da reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta quinta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar. São agressões que vão da recusa em oferecer algum alívio para a dor e xingamentos até gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório.
Os dados integram o estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizado em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc e divulgado agora. A Folha obteve com exclusividade o capítulo "Violência no Parto", que pela primeira vez quantificou à escala nacional, a partir de entrevistas em 25 unidades da Federação e em 176 municípios, a incidência dos maus-tratos contra parturientes.

Fonte: http://www.folha.com/

15 de fevereiro de 2011

Profissão de doula ganha crescente espaço no mercado.

Ainda não regulamentada, a carreira é voltada para a assistência a gestantes e maridos.

O momento de dar à luz uma criança é sempre motivo de preocupação para as mulheres. Quem espera um filho idealiza como será o grande o dia, se fará uma cesária ou um parto normal. Nenhuma mãe quer que esse seja apenas mais um procedimento de rotina: tem que ser um momento especial. Para tornar esse desejo possível, novas profissionais estão fazendo sucesso no mercado de trabalho. São as doulas, trabalhadoras especializadas na humanização do parto, ou seja, voltadas à garantia do bem-estar, do respeito, da calma e até da redução das dores na hora de trazer o bebê ao mundo. Com curso de formação específico para a atuação, as doulas cobram de R$ 300 a R$ 1,7 mil por cada concepção (leia-se nascimento) que ajudam a realizar e podem utilizar os conhecimentos na área como complementação de outras carreiras.
A psicóloga e doula Clarissa Kahn
oferece cursos a futuros pais.


Normalmente, essas especialistas são médicas, enfermeiras, professoras de educação física, ioga ou pilates, nutricionistas ou de outra área de formação afim. Qualquer mulher com mais de 18 anos pode fazer o curso. “A capacitação para as doulas engloba algumas técnicas como posições que podem aliviar as dores. São métodos não farmacológicos que podem tornar o momento menos traumático”, relata Daphne Rattner, professora da área de saúde coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e coordenadora executiva da Rede pela Humanização do Parto e Nascimento (Rehuna).
Além disso, quem ingressa nessa carreira pode ajudar a mudar o entendimento mecanizado sobre o parto, ainda presente em livros e equipes médicas. “Alguns obstetras com muito tempo de profissão adotam a metáfora de ‘motor, objeto, trajeto’ para as etapas de um parto. O motor é o útero, o objeto é o bebê e o trajeto, o canal vaginal por onde a criança sairá. Mas, na verdade, quem está trabalhando ali, naquela hora, também é humano, não se pode pensar assim. E as doulas mudam isso desde o pré-parto até os primeiros momentos da amamentação”, analisa Daphne Rattner .

E foi ao perceber essa realidade, ainda durante o curso de graduação, que Clarissa Kahn, 30 anos, decidiu se tornar doula. Psicóloga e educadora perinatal, ela conta que resolveu colaborar na mudança daquilo que via nas maternidades. “Sempre gostei da área materno-infantil . Fiz estágio em hospitais, e a forma como mães eram assistidas no momento da concepção me incomodavam bastante. A falta de respeito e o excesso de intervenção médica nas escolhas das mulheres eram algumas das minhas principais preocupações. Então, decidi fazer o curso e me formar doula também”, conta.

Após 10 anos atendendo a grávidas, a também coordenadora do Espaço Acalanto conta que tem um preço pré-definido para realizar o atendimento, mas que as tarifas dependem do pacote que a mãe deseja fechar e das condições expostas por cada casal. Clarissa ministra cursos de cuidado com o bebê e com a amamentação, faz todos os acompanhamentos e cobra de acordo com o solicitado. Embora ela coordene a clínica, suas clientes são conquistadas por meio de indicações ou após consultas.

Reconhecimento
Atualmente, as doulas podem abrir uma clínica, atender em casa ou se filiar a profissionais que lidem diretamente com as grávidas e as indiquem. Mas, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde reconheçam as vantagens da presença da doula na hora do parto, ainda não há um reconhecimento da profissão. Por isso, elas não podem ser contratadas em hospitais. Trabalham por meio de contratos formais ou acordos com os futuros pais. “Quem abre uma clínica exclusivamente para esse fim terá que contar com outras parceiras, pois as grávidas começam a ser atendidas no sétimo ou no oitavo mês e, a partir daí, há um acompanhamento até o pós-parto. Por isso, só é possível atender de quatro a cinco parturientes por mês. As interessadas precisam analisar quanto desejam ganhar e como vão gerir essa clínica”, aconselha Renata Beltrão, pedagoga especialista em saúde perinatal, educação e desenvolvimento do bebê e representante brasileira na Rede Latino-americana de Doulas.

Estima-se que hoje existam cerca de 1.500 mulheres atuando no setor. Ao apresentar esse dado na 3ª Conferência Internacional sobre Humanização do Parto e Nascimento, que aconteceu em novembro último, em Brasília, Renata Beltrão pediu e conseguiu apoio para pleitear a inclusão das profissionais no Manual de Ocupação Brasileiro. “Não é difícil. Basta que tenham mais de 200 pessoas trabalhando na área. Hoje, trabalhadoras como parteiras e manicures, por exemplo, já estão incluídas”, observa. O documento deve ser encaminhado para o Ministério do Trabalho entre abril e maio deste ano e, se aprovado, vai possibilitar que elas possam ser contratadas mediante a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e que tenham reconhecimento.

Nos Estados Unidos, as contratações em hospitais privados são comuns. Para exercer a ocupação, as doulas norte-americanas recebem uma certificação que precisa ser atualizada a cada dois anos. Segundo Renata Beltrão, a intenção é que esse nível de reconhecimento chegue ao Brasil. “Só no Doularte, onde ministro aulas, recebo 20 pessoas mensalmente querendo fazer o curso. Como a procura por esse tipo de trabalho tem aumentado, a demanda pelo aprendizado também cresceu muito. O reconhecimento será fundamental para nós”, pontua.

Além disso, a regulamentação pode diminuir a resistência que as direções de hospitais ainda têm de aceitá-las em salas de parto. Em Brasília, as maternidades já estão conscientes da importância das doulas, mas, em outras regiões, há médicos que ainda se opõem ao parto humanizado. Embora esse procedimento possa ser realizado em casa, as grávidas que desejarem ter a estrutura de um hospital com o acompanhamento de sua doula precisam ter esse direito. “Elas são o apoio da mãe. É importante lembrar que essas profissionais não fazem parto ou qualquer outro procedimento cirúrgico. O apoio fornecido por elas é apenas emocional e de indicações para melhorias físicas”, complementa Daphne Rattner.

Incentivo estatal
Em 2003, o Ministério da Saúde desenvolveu um programa de treinamento de doulas comunitárias. Dois anos depois, 370 mulheres já estavam treinadas em 13 estados brasileiros. A ocupação não era muito conhecida naquela época, mas Recife, Belo Horizonte e Fortaleza deram continuidade ao incentivo da atuação e, hoje, têm hospitais com excelência no tratamento às gestantes. Todas são voluntárias e trabalham em um regime de 12 horas de plantão por semana.

Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2011/01/16/internas_economia,232632/profissao-de-doula-ganha-crescente-espaco-no-mercado.shtml

4 de outubro de 2010

Entrevista da Thelma na Rádio UEL - 04/10/2010

Que cultura é essa, a nossa, de tratar o nascimento como risco? Por que somos o segundo país da América Latina com maior número de cesarianas?


A primeira edição do Modos de Vida traz um bate-papo com a enfermeira obstetra e coordenadora do grupo de grávidas Gesta Londrina, Thelma Malagutti Sodré.
Ela esclarece essas e outras questões. E também traz informações sobre o I Fórum Paranaense sobre Novas Perspectivas de Atenção ao Nascimento, nos dias 7 e 8, no Hospital Universitário.
Thelma repercute ainda a fala, gravada, da jornalista Ana Carolina Arruda Franzon, uma das fundadoras do GestaLondrina, que compartilhou na rádio sua experiência de ser mãe.
Ouça a entrevista no site da Rádio UEL: http://www.uelfm.uel.br/arquivo.php?id=5318  ou no menu à direita do blog.

23 de abril de 2009

Fênix.

Dois anos se passaram desde que eu deixei meu trabalho voluntário. E foram os dois anos mais dinâmicos da minha vida, tão cheios de coisas acontecendo que ao mesmo tempo que parece uma eternidade, também parece que vôou!
Neste tempo eu:
- mantive o grupo de apoio virtual, que cresceu e virou GestaParaná, com doulas de outras cidades e mulheres de todo o estado.
- mantive o apoio virtual á inúmeras mulheres, da minha cidade e de outros tantos lugares.
- criei e mantenho um blog de apoio à amamentação com a Rebeca, minha amiga e doula: De Peito Aberto.
- republiquei este blog e criei o blog do GestaMaringá, que está sem atividade desde que larguei o voluntariado, por que eu atendia muitas pessoas na casa do voluntário da Santa Casa e achei que não era certo continuar usando o espaço.
- engravidei e pari Luiza em casa.

Isso além de todas as tarefas de mãe, esposa, dona de casa, mulher, etc.
Eu prometi a mim mesma que retomaria minhas atividades como doula este ano e comecei bem: dois TP's na primeira semana.
Mas tive que dar o braço a torcer: Luiza ainda exige muito cuidado e o Pedro também precisa de atenção nesta fase de aprender a ler e escrever. Só consegui me sentir mais ou menos organizada agora, no final de abril.
Então terminei de arrumar os blogs, estou fazendo faxina nos meus materiais, organizando tudo e matutando como retornar ao meio...
Espero trazer novidades em breve.

23/03/07

Quem dá tempo é relógio?
Nenhum TP.
Os últimos relatos foram sucintos e sem graça, por que é assim que tenho sentido os dias de voluntariado. É tão difícil manter uma postura positiva num ambiente inóspito!
Eu vejo tanta coisa estranha, sinto tanta vontade de falar com as pessoas sobre suas condutas, de abrir a cabeças daquelas mulheres e fazê-las entender que muito do que elas podem ter de bom, depende também da postura delas frentes às coisas...
Suga a minha energia...
Mas não me faz querer desistir.
Só me deixa um pouco melancólica...

16/03/07

Coisas do sistema.
R., internada desde o dia anterior, TP prematuro. Colocaram soro, mas não teve efeito. Ela dormiu umas 3 horas seguidas e decidiram tira-la da sala de TP e colocá-la num quarto comum. Soube que fez uma cesárea no dia seguinte.

D., TP latente, com soro. Sem evolução, retiraram o soro e as contrações pararam por completo. Não soube a evolução.

09/03/07

Rapidinhas.
J., assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.

N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.

09/02/07

Durante o dia, o tempo voa.
A partir desta semana, eu começo a fazer meu voluntariado pelas manhãs e sigo até no máximo às 17h.
Eu achava que era tempo demais, mas durante o dia, as coisas acontecem muito rápido, é bem diferente da noite. Que estranho!

Eu tenho 3 casos pra relatar hoje.
Um, é de uma mulher que eu nem sei o nome, por que mal consegui colocar a mão nela. Na verdade nem é sobre ela que eu vou falar, mas sobre não ter conseguido chegar até ela pra trabalhar.

Faz 2 anos que eu trabalho na maternidade.
1 ano e 5 meses que entro no centro cirúrgico e de repente uma pessoa do setor, resolveu que eu tenho que pedir permissão pra fazer as coisas.
Ela sempre soube que eu ia lá, imaginei que soubesse do que se tratava meu trabalho e por onde eu andava.
Ela nunca ficou de noite, nem mesmo pra trocar meia dúzia de palavras comigo, então até no centro cirúrgico ela foi atrás de mim, pra saber quem tinha deixado eu entrar.
Detalhe: tem uma senha pra ser digitada na porta do CC. E eu estava lá dentro, logo, tenho a senha! Acho que isso prova que alguém me deu permissão pra entrar, não?
Agora pense... Estou lá, trabalhando e quero sugerir pra mulher, uma mudança de posição. Pára tudo, sai da sala, acha a dita cuja e pede permissão. Me diz se tem cabimento?
Enfim, eu fiquei um pouco incomodada, mas no fim das contas, decidi que vou ficar na minha, fazendo tudo o que sempre fiz. Se ela estiver por perto, eu aviso, peço, imploro. Se não, sigo meu caminho.

Bom, foi por isso que eu não consegui trabalhar com a mulher que eu nem sei o nome. Ela ficou O TEMPO TODO na sala, segurando a mão da mulher e se colocando como um obstáculo... E a atuação foi, sei lá... Dêem um nome: 2 toques em menos de 20 minutos, ordem de puxo, de não grite, bolsa rompida artificialmente, negativa pra o banho e entrada precoce no CC.
E o pior: outras pessoas do setor disseram que ela nunca fica na sala do TP...

Não gosto de falar mal. Mas fiquei mesmo, muito P... da vida. Vou ali tomar um copo de água e já volto.

ps. Depois conto das outras duas...

M., risadinha. Acho que nunca vou me esquecer desta moça. Ela era muito jovem e estava internada há uns dias já. O TP dela não começava, apesar dos litros de soro que tomou. E ela viu passar muita das parturientes dos últimos dias. E ela ria. Ela ria muito, de tudo. Muito engraçada... A gente conversou demais e rimos muito juntas!
Enfim, quando ao ocitocina finalmente fez efeito, as coisas andaram muito rápido pra ela. E ela parou de rir.
Como nós ficamos o dia inteiro juntas, ela se agarrou em mim como se eu fosse uma velha amiga e foi muito bom! Ela gemia, se mexia, acocorava, ajoelhava no chão. Estava muito entregue ao TP.
Não demorou muito pra ela começar a fazer força, sem ordens, instintivamente, respeitando os puxos. Ela foi levada ao CC e eu fui junto. O expulsivo não foi rápido como a evolução, mas ela não teve epsio.

A E. assistia o desenrolar do TP da risadinha, meio apreenssiva e querendo censurar, como se dar risada nesta hora, fosse inadequado. Ela estava no início do TP, com 2cm de dilatação, mas com contrações irregulares. Tomou banho, ficou com a mãe e deitou pra descansar, já que as suas contrações permitiam.
Eu passei toda a orientação que pude e vim embora, não pude ficar até o nascimento do bebê.

25 de novembro de 2008

10/11/06

Hora de parar.
M.
adolescente com a mãe e J., obesa.
Foi uma noite difícil, não consegui atingir nenhuma das duas. A adolescente estava sofrendo demais, segundo a sua mãe e a outra estava entregue, achando que não era capaz.
No entanto, as duas evoluíram bem e pariram seus filhotes, depois que eu fui embora, exausta!

1 de outubro de 2008

18/09/06

Hospital Universitário.

Fui até o Hospital Universitário com o Caco e enquanto ele resolvia as coisas dele, eu dei uma passada na maternidade.
Já sabia que eles haviam montado uma sala de TP com alguns materiais, mas fui checar...
Tem bolas, banquinho de parto, barras nas paredes (pra apoio), umas cadeiras confortáveis, um cavalinho, frases de incentivo na parede, o cartaz do humanization.org.
Aí, conversando com a auxiliar que me atendeu, descobri que usam pouco a sala, por que as mulheres (não vou repetir o termo que ela usou), não gostam muito, preferem ficar no leito...
Eu: hum... mas alguém as incentiva a ficar aqui? (ah, elas ficam com acompanhante, né?).
E tem mais: o HU atende só 4 postos de saúde, a Santa Casa é que atende os outros 16...
Sei... Então por que não mandam essa parafernália pra lá???

30/06/06

Mulher demais....

2 mulheres estavam em TP.
Logo que eu cheguei, nenhuma das duas estava sentindo muita coisa. Mas a V., estava enrolada em cobertas, encolhida e sentindo muita pena de si mesma. A mãe dela também estava deixando o clima bem pesado, falando de dor e sofrimento o tempo todo. Conversei muito com as duas sobre esta postura, mas não adiantou muito e de vez em quando a sogra também entrava pra reforçar o coro.
De qualquer maneira, consegui tirá-la daquela cama um pouco, ela tomou banho, tentou fazer alguns exercícios, sentou na bola, etc. Mas apesar da evolução dela estar boa, nada diferente do esperado, ela não acreditava nisso. Pra ela, estava demorando demais e iam todos sofrer muito, uma tragédia anunciada!
Não sei o que aconteceu na portaria, por que não deixam passar mais de um acompanhante por paciente, mas a sala de TP tava uma bagunça neste dia! O GO veio e mandou os excessos embora, mas a sogra da V. conseguiu voltar!!!
A maternidade estava lotada e tinha mulher que já tinha parido, alojada na sala de TP, com neném e acompanhante, um converseiro, um barulho, ninguém merece.
Enfim, a V. acabou encaminhada pra uma cesárea. Por que já era quase meia noite, o TP deu uma estacionada, ela estava reagindo mal (psicologicamente), a mãe pressionando, a sogra também... Aff!

Enquanto eu tentava atender a V. (que não queria muita conversa e além de tudo, colocava a culpa do sofrimento do TP no fato de ser obesa), eu acudia a J. também.
Segundo bebê, ela não relatou contrações intensas em nenhum momento. Quando cheguei ela estava deitada, aceitou tomar um longo banho e ficar numa posição verticalizada. Ela respirava com um certo ritmo e isso ajudava a ter algum controle sobre as contrações.
Também ficou na bola, quicando e achando graça. Logo ela sentiu vontade de fazer força e quando vieram tocar, o bebê já estava no canal de parto. Fomos para o centro cirúrgico e ela não precisou fazer força durante o expulsivo, embora estivesse sendo assistida por um estagiário (e o residente) e o cara não tivesse muito domínio da coisa... nervoso, trêmulo, falando bobagens... ai, ai...

Eu já estava querendo ir embora, quando passei pela sala de espera e dei com duas barrigudas (uma conhecida e outra não). A conhecida é a C., já falei dela aqui, vive no hospital, por conta de uma infecção urinária que não sara nunca.
A K. estava com contrações próximas e ritmadas. Segundo bebê também. E quando o residente tocou, constatou uma dilatação de 9cm. Aí, caiu na besteira de levar ela direto pro CC. Lá as contrações pararam completamente. Fizeram ela deitar e colocar as pernas no estribo, antes da dilatação completa. Quando eu cheguei no CC, ela já estava assim e eu não tenho tanta moral pra mudar uma situação já definida... Se pelo menos fosse o GO e não residente, eu teria tentado.
Mas enfim, durante as contrações ela não tinha o que fazer, além de gritar, por que não tinha mobilidade nenhuma, nenhum controle. Eles fizeram tudo errado desta vez, pedindo pra ela empurrar, forçando o término da dilatação. Na hora de aparar, o cara mal pegava no bebê direito, aquilo demorou uma eternidade! Eu detestei presenciar isso.... E nem tive tempo de conversar com o GO sobre o que aconteceu!
Mas no fim, uma laceração bem pequena e um bebê saudável...

08/03/06



MULHERES SE ORGANIZAM CONTRA A BANALIZAÇÃO DA CESARIANA


Lançamento de site no Dia Internacional da Mulher é a primeira ação do grupo Parto do Princípio, que reúne 150 mulheres ativistas do parto normal em dez estados brasileiros e se prepara para lançar ONG No 08 de março, Dia Internacional da Mulher, será lançado o site do grupo Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa http://www.partodoprincipio.com.br/ .


O site oferecerá informação e 'apoio de mãe para mãe' para gestantes que desejam ter um parto normal, mas enfrentam inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).

O site Parto do Princípio estréia com a apresentação dos trabalhos do grupo e um convite para mulheres de todo o país participarem da 'rede pela maternidade ativa'.

Em breve, o site lançará também uma galeria de relatos de partos normais hospitales, domiciliares e cesarianas, textos sobre a importância de se promover a 'escolha informada' da mulher, uma enquete sobre como as mulheres que tiveram partos normais percebem essa experiência.

E, claro, muitos artigos escritos pelas próprias integrantes da rede com informação adequada, de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, sobre gravidez, parto e pós-parto. Haverá ainda um grande banco de imagens de todos os tipos de partos, uma lista de profissionais humanizados em todo o Brasil, um serviço de apoio online 24 horas, programas educativos de rádio para download, uma seção especial para a imprensa (com pesquisas científicas, sugestões de pauta e imagens de divulgação), textos sobre experiências de sucesso na assistência à gravidez e parto pelo mundo afora, debates entre especialistas, produtos exclusivos da marca Parto do Princípio (camisetas, sacolas, adesivos, cartazes) e uma seção científica com todas as recomendações da Medicina Baseada em Evidências e da Organização Mundial de Saúde.

"A gente quer oferecer apoio de mãe para mãe para mulheres que estão ou planejam estar grávidas em todo o país", diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento. "Uma de nós estará sempre disponível pra conversar e esclarecer dúvidas pelo site, telefone ou mesmo presencialmente", diz Ingrid. "A sensibilidade é a chave do nosso projeto", diz Andreza, enfermeira de 24 anos, que não tem filhos, mas está participando da rede.

O lançamento do site é a primeira de uma série de ações previstas pelo grupo Parto do Princípio, que já reúne 150 mulheres voluntárias espalhadas em nove estados brasileiros mais o Distrito Federal (SP, RJ, MG, BA, PR, RS, CE, SC, ES, AM, PE), trabalhando diariamente pela Internet. Por enquanto, a principal meta da rede de mulheres é ser uma ONG para representar 'a voz das mulheres' na luta pela melhoria das condições de atendimento ao parto no país.


Entre as ações previstas estão:


- Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.


- Articular toda a rede de mulheres para enviar críticas e reclamações para os veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.


- Conquistar espaço na mídia para divulgar informação de qualidade, alinhada com as recomendações da Organização Mundial de Saúde, em jornais, revistas, programas femininos na TV, no rádio e na Internet.


- Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios e procedimentos do parto normal e natural.


- Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).


- Representar a 'voz das mulheres que buscam um parto normal e humanizado' em eventos de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva como congressos, conferências médicas, feiras, entre outros.


- Produzir vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.


- Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.


- Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.


- Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e conquistar espaço para discussão de projetos de lei municipais, estaduais e federais.


- Fazer como as Mães da Plaza de Mayo, andar pelas ruas com cartazes de protesto: 'Chega de um acompanhante no máximo!', 'Chega destes índices criminosos de cesárea em hospitais privados!!' ou 'Nós não vamos pagar para nosso marido assistir o nascimento do nosso bebê!'

3 de maio de 2008

16/12/05

Alguma coisa está fora da ordem...

Muitos tp's, grávidas passeando pelo hospital, soros, óvulos de prostaglandina, Dr. M., induções, forças compridas, cesáreas.
Aff! Eu demorei muito pra escrever desta vez, por que este último acompanhamento me deixou cabreira.
Normalmente tem uma ou duas mulheres no TP e fica mais fácil fazer alguma coisa por elas ou escapar da intervenção do pessoal do hospital. Hoje eu vi tanta coisa esquisita acontecendo que saí de lá completamente frustrada. Eu sei, isso acontece com freqüência, mas é que a minha tarefa não é fácil mesmo.

Eu não quero usar este espaço pra falar mal de médico ou de hospital, nem mesmo pra ir contra o sistema. Eu quero que o blog seja uma fonte inspiração para as mulheres que buscam algum diferencial no atendimento obstétrico.

Por isso eu preciso dar uma afastada, colocar a cabeça na janela para respirar, tomar fôlego. Se eu continuar no ritmo que as coisas estão, acabo pirando ou desistindo.
Então eu decidi que vou dar um tempo.

Enquanto isso, eu vou bolar a minha estratégia de atuação para o próximo ano. Quero mais, quero fazer melhor. Não posso ficar parada esperando que a coisa aconteça.... :O)

18/11/05

Um TP inspirador, o parto nem tanto.

Quando eu cheguei quase às 19h, a E. dividia a sala de TP com a M.

Ela estava acompanhada da mãe que era um misto de angústia e felicidade, apoio e apreensão. O toque havia sido feito a pouco, 7cm e a E. tinha acabado de sair do banho, que foi tomado com a intenção de aliviar o calor e não de ajudar no TP. Ela estava deitada, sem soro e tendo contrações ritmadas.

A mãe sai do quarto pra trocar de lugar com a nora. Enquanto ela não chega, eu aproveito pra conversar com a E. Explico o meu papel e o que eu acho que ela deve fazer para que as dores fiquem mais suportáveis, falo das posições, das massagens e do quanto o TP depende dela, etc.

Eis uma das mulheres em TP no voluntariado mais receptivas de todos os tempos. Ela estava sentindo muita dor, uma enorme vontade de gritar e se mexer, mas estava com medo. Não precisou de muito incentivo para mudar tudo.

A cunhada entra e fica ao nosso lado, segurando a outra mão da E., nos ajudando nos movimentos, etc. Ela sentou, ergueu as pernas, fez posição de borboleta, saiu da cama, caminhou, rebolou, agachou, gritou, gemeu, descansou, permitiu massagem, etc, etc. Ela fez tudo o que pôde!

Num determinado momento o residente entra no TP e diz: -Não grita, não! Gritar prende o bebê! E quando ele saiu eu disse: -Faça o que te der a cabeça, só não se desespere, seu corpo sabe como deve agir... Não é uma questão de querer ir contra o médico, mas queria ver se fosse com ele... Se ele ia querer gritar, gemer ou ficar calado.

Menos de uma hora depois, ela estava com dilatação completa. Neste toque, estávamos eu, a mãe, o médico e o residente. Fizemos festa pra ela, parabenizando o esforço e explicando os próximos passos. O médico pede à enfermeira que a leve ao CC e me pergunta se eu quero ir. Hum... mudanças! Nem foi preciso pedir!

É claro que eu fui! De novo temos uma mulher deitada de barriga para cima, pernas no estribo, o residente falando pra fazer força e querendo cortar (o médico mandando esperar, mas ela não escapou da epsiotomia), o médico pressiona a barriga dela, não chega a ser um Kristeller, o residente não pára de mexer na vulva dela, como que alargando a saída. Isso me incomoda muito, dá muita vontade de falar pra ele parar, pra tirar a mão!

Nasce o JP. Um bebê bem grande, já cheio de dobras. Tudo bem com ele, fazem os procedimentos de rotina (aspirar vias, limpar, etc), enrolam o pequeno num pano e trazem pra E. ver, ela dá um beijo nele, conversa e a pediatra já ia saindo quando eu disse:

-Ele não pode ficar um pouco mais? Posso colocar o bebê no peito dela? A pediatra olha pro médico, ele consente e ela me pede para levar o bebê ao berçário depois, por que ela não pode esperar.

O que acontece é que a UTI neonatal fica em outro andar e a pediatra vem de lá para atender os partos. Então ela não pode ficar. O JP. ficou uns 20 minutos com a mãe. Ergui a roupa dela e o coloquei deitado próximo ao seio. Ele não mamou, mas ficou lá sendo babado pela mãe. Aproveitei e falei um pouco (bem pouco mesmo) sobre vínculo e amamentação com ela.

A enfermeira do CC comenta que este é o verdadeiro parto humanizado! Mordo a língua pra não responder. Falta tanto ainda.... mas tudo bem, um passo de cada vez.

Depois levei o bebê pro berçário, onde ele tomou banho, vacinas, foi trocado e admirado pela família, e voltei pro CC. A expulsão da placenta demorou bastante, ela precisou tomar ocitocina pra ajudar e depois que eu saí do CC, ela teve uma enorme queda de pressão e uma pequena hemorragia.


A maternidade estava cheia hoje e muitas mulheres passaram por consulta. Acho que não comentei aqui, mas quando o médico entra na sala com elas, precisa haver outra mulher e quase sempre sou eu. Também passei nos quartos para a tradicional conversinha do peito com uma ou outra mãe.

Ah! Hoje tinha uma menininha japonesa, coisa mais fofa! O cabelo dela era pretinho e espetado, como os dos bebês orientais, só que tinha as pontas bem claras! Parecia que ela tinha feito luzes! Pode?

07/10/2005

Serviço completo!

Cheguei mais tarde que o habitual hoje e uma mulher havia acabado de ter seu bebê. Ainda gozaram da minha cara, dizendo que eu cheguei atrasada para o que provavelmente, seria o único nascimento da noite. Peguei fama de pé quente (pra eles, né?), por que basta dar a minha hora de entrar, que as consultas encerram, não há admissão e conseqüentemente nenhum TP.

A. estava sozinha no TP, com ocitocina na veia e bastante desconfortável. Começamos conversando sobre a evolução dela, nome, um pouco sobre o bebê, etc. Chegou cedo demais ao hospital e estava impaciente. Não ajudou muito no processo, queixando-se de toda orientação que era dada. Não queria se ajeitar na cama, não conseguia levantar a perna, nem ficar de lado. Comportamento típico de entrega, que dificulta muito as coisas, por que dá a impressão de que a pessoa não quer ajuda nenhuma, quando na verdade é bem o contrário.

Com muito custo, consegui que ela sentasse na cama, ergui o leito, arrumamos os lençóis, ela penteou o cabelo, pediu água. Pareceu mais à vontade com a minha presença. Quando cheguei, o último toque apontava 4cm de dilatação. Meia hora depois, às 20:30h, 6cm. O máximo que eu consegui fazer foi ficar ao lado dela, segurando a mão bem forte durante as contrações, acariciando seu braço, enxugando o suor dela e falando palavras de incentivo.

Às 22:30h, 8cm de dilatação, colo fino, bebê descendo. Antes disso, o soro escapou da mão dela e demoram pra vir recolocar. Ficaram especulando se a lentidão do TP era por causa disso, aumentaram o fluxo do soro. Colocaram o cardiotoco, tudo normal. Por volta de 23h, o médico cruza comigo no corredor e pergunta como estão as coisas. Sou sincera ao dizer que ela não está ajudando muito e ele entra no quarto para ver como ela está. Ele meio que deu uma chamada nela, não uma bronca, mas um sacode... E ela de repente se pôs a colaborar mais. Logo estava com dilatação completa e começamos a ensaiar a força que ela deveria fazer pra ajudar na decida. Eu segurava a mão dela de um lado e o médico do outro. Em poucos minutos ele diz: Vamos para a sala de parto. Ela pede que eu a acompanhe, eu olho pro médico e repito o pedido. Ele concorda!

Chega o dia da minha primeira entrada no CC, meu primeiro expulsivo no voluntariado!Ajudei-a a subir na maca, levei-a até a porta do CC e fui me trocar. Roupinha verde, toquinha, máscara, sapatinho e lá fui eu, feliz da vida!

Infelizmente as condições não são as melhores. Mulher deitada de barriga pra cima, pernas pro alto, ambiente impessoal. O médico me apresentou pra equipe e decidiram que me chamar de apoio é mais fácil do que me chamar de doula. Ela fez força umas 4 vezes e o médico decidiu pela epsio. Então, na próxima força, nasce o T. Todo sujo de mecônio muito espesso, não chora imediatamente. A pediatra inicia os procedimentos, sai uma quantidade preocupante de mecônio na cânula, chamam a pediatra da UTI neo natal.

A mãe está alheia ao que acontece, o bebê chora um pouco e ela me pergunta se está tudo bem. Digo que sim, que as pediatras estão cuidando dele e que já o trarão para ela. No fim, ele abre os olhos, chora com vontade, mas como ainda respira muito rápido, cansado, decidem descer com ele para a UTI. Ficará em observação. Ela parece ficar tranqüila com as explicações que recebe, pergunta pra mim se é só isso mesmo. Enquanto o médico sutura e epsio, a gente conversa sobre o que passou, ela ri de como estava mal humorada e de como não ajudava. Agradece à mim, não larga minha mão um só segundo. Agradece aos demais e pede a Deus pra que seu pequenino fique bem.

Saio do CC, dou de cara com a irmã dela, que estava o tempo todo com a gente durante o TP (nem mencionei, né?, a mulher atrapalhava muito, só falava coisas inadequadas, quando saía de perto era um alívio). Ela me pergunta por que o bebê não ficou no berçário e na mesma hora antes que eu possa responder, o médico entra na sala. Ele começa a explicar e ela fala em culpa.

Ele ficou um pouco perturbado com esse comentário, não por que houvesse culpa, mas acredito que seja por que a mulher nem esperou que ele explicasse direito. Depois, nós (eu e o médico) conversamos sobre a possível cesárea que seria encarada como salvadora, já que elas provavelmente pensarão que se tivesse feito a cirurgia, nada disso teria acontecido ou que teria conseqüências menores.... Mas o mecônio estava lá há tempos, não tem nada a ver com um TP demorado ou com a convicção do PN. Muito pelo contrário, já que a passagem pelo canal de parto pressiona o tórax, ajudando a expelir os líquidos.

O duro é que como nenhuma delas tem a menor noção do que é certo, errado, esperado, anormal, a situação vai ficar no imaginário delas da forma como elas resolverem interpretar. Provavelmente não adiantará nada ter explicado. Antes de ir embora, eu desci com a tia do bebê até a UTI e fiquei esperando até que ela pudesse entrar.

5 de abril de 2008

23/09/2005

Muito o que aprender!

Em TP somente a A.C., 21 anos, primigesta, 34 semanas. Um prematuro. Ela não podia sair da cama e estava com 6cm quando eu cheguei.
A A.C. suportava bem as dores e quase não se queixava. Fiz muita massagem na lombar, mas a dor mais forte, ela sentia na barriga e não deixava tocar. Ficou de lado todo o TP e umas 3 horas depois da minha chegada, com 8 pra 9cm de dilatação, ela começou a sentir mais dores, cada vez mais fortes. Então ficou muito brava, arredia. Gritava e pedia ao residente pra que a ajudasse. Nós dizíamos que ela estava indo bem, que não havia nada a ser feito naquele momento, que a maior ajuda viria dela mesma.
Com 10cm de dilatação e o bebê ainda alto, o médico veio ficar com a gente. Ele foi muito bem vindo! Ela estava se debatendo, agarrou a roupa dele e pedia pra alguém fazer alguma coisa. É estranho relatar assim, por que parece que estávamos todos torcendo pelo sofrimento dela, assistindo a dor e deixando que a pobre A.C. se acabasse em desespero. Mas sabendo que o PN é a melhor escolha e que a dor é uma aliada, nosso papel é fazer a mulher se acalmar, se concentrar no que está fazendo e colaborar.
Enquanto ela segurava forte em mim e buscava meus olhos entre as contrações, o médico conversava com ela sobre o caminho que ela percorreu e o que ela precisava para chegar ao fim dele. Explicou um pouco sobre a progressão do TP dela e o que vinha pela frente. Ela se acalmou um pouco e saiu da sala à caminho do CC, ainda brava e se debatendo.

Eu fiquei na sala de TP um tempo, me perguntando se aquilo era normal. Foi a primeira vez que vi uma mulher ter reações como a dela e queria saber até onde isso tem a ver com a personalidade dela e até onde tem a ver com o papel da equipe que a assistia. Me ocorreu que seria bom eu fazer uns estágios, acompanhando doulas experientes ou médicos que queiram dividir informações. Que olhem pra mim e digam: isto está acontecendo por causa disso, disso e disso. Isso é normal, isso não é...

Enfim...estou muito só nesta jornada! Além do apoio virtual que recebo, não tenho ninguém com quem contar!