Chorando em um hospital, agulhada pelas dores das contrações do parto, mulheres brasileiras ainda têm de ouvir maus-tratos verbais como: "Na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe. Por que tá chorando agora?". A informação é da reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta quinta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
De acordo com o texto, uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar. São agressões que vão da recusa em oferecer algum alívio para a dor e xingamentos até gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório.
Os dados integram o estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizado em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc e divulgado agora. A Folha obteve com exclusividade o capítulo "Violência no Parto", que pela primeira vez quantificou à escala nacional, a partir de entrevistas em 25 unidades da Federação e em 176 municípios, a incidência dos maus-tratos contra parturientes.
Fonte: http://www.folha.com/
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27 de fevereiro de 2011
17 de setembro de 2010
Nasceu Miguel, filho da Luciana e do Ricardo!
Miguel nasceu às 18:58h, de parto natural, hospitalar.
Foi um TP intenso, de bolsa rota e mecônio, sem nenhuma intervenção, com expulsivo de 2h.
Luciana deu à luz um meninão de 4.055gr e 51cm, em cócoras sustentada pelo marido, no quarto da maternidade.
Não sofreu episio e teve uma pequena laceração. Bem pequena mesmo... rs
Miguel foi direto para o colo da mãe e depois de limpo e aquecido, mamou o colostro dos dois seios.
Parabéns aos dois que se mantiveram firmes durante o TP, que bela dupla! E ao pai que manteve-se sereno.
Muito leite pra vocês!
Marcadores:
Atendimento particular.,
Mecônio.,
Nascimento de bebê do Grupo GestaLondrina.,
Nascimento de bebê do Grupo GestaParaná,
Parto no leito.,
Parto sem Epsiotomia.,
Trabalhos de Parto.,
VBAC.
25 de novembro de 2008
02/02/07
Um TP que não me quis e um bebê nascendo no leito.
Cheguei um pouco antes das 19h.
As duas mulheres no TP, vieram até a porta me olhar, acharam engraçada a moça com a bola nas costas. Carrego minha bola num elástico, como se fosse uma mochila.
Ambas estavam sem soro, caminhando, se mexendo e conversando, muito animadas.
Entrei, me apresentei e começamos a trabalhar juntas. As três no meio da sala, rebolando e falando sobre parir e nascer.
J. estava no TP do terceiro filho, os dois primeiros nasceram de PN. Ela estava muito tranqüila e feliz. Sua maior preocupação era o marido, que estava do lado de fora. De vez em quando, ela subia na escadinha da cama, pra olhar pela janela e os dois conversavam.
No entanto, apesar dela estar receptiva às dicas, trabalhar junto, ter toda a paciência, e experiência, a dilatação dela progrediu de 4 pra 6cm e ficou assim o resto do tempo, até eu ir embora, por volta das 22h.
Mas eu soube, no dia seguinte, que o bebê nasceu de PN, bem, antes da meia noite.
Casos assim me fazem pensar que a minha presença também atrapalha às vezes. E olha que no caso dela, eu quase não fiz nada, deixei ela muito à vontade, justamente por que ela estava lidando muito bem com tudo...
Ela estava tão bem, que orientava as outras mulheres do TP.
Quando eu cheguei tinha só ela e a G. Mas uma outra menina tinha acabado de sair pro CC.
A G., primípara, bem tranqüila também, tomou muitos banhos, reboulou, reclamou e teve seu filho no leito mesmo.
E aí o comentário da equipe: quando você está aqui, os bebês acabam nascendo no leito....
Por que será? rs
Cheguei um pouco antes das 19h.
As duas mulheres no TP, vieram até a porta me olhar, acharam engraçada a moça com a bola nas costas. Carrego minha bola num elástico, como se fosse uma mochila.
Ambas estavam sem soro, caminhando, se mexendo e conversando, muito animadas.
Entrei, me apresentei e começamos a trabalhar juntas. As três no meio da sala, rebolando e falando sobre parir e nascer.
J. estava no TP do terceiro filho, os dois primeiros nasceram de PN. Ela estava muito tranqüila e feliz. Sua maior preocupação era o marido, que estava do lado de fora. De vez em quando, ela subia na escadinha da cama, pra olhar pela janela e os dois conversavam.
No entanto, apesar dela estar receptiva às dicas, trabalhar junto, ter toda a paciência, e experiência, a dilatação dela progrediu de 4 pra 6cm e ficou assim o resto do tempo, até eu ir embora, por volta das 22h.
Mas eu soube, no dia seguinte, que o bebê nasceu de PN, bem, antes da meia noite.
Casos assim me fazem pensar que a minha presença também atrapalha às vezes. E olha que no caso dela, eu quase não fiz nada, deixei ela muito à vontade, justamente por que ela estava lidando muito bem com tudo...
Ela estava tão bem, que orientava as outras mulheres do TP.
Quando eu cheguei tinha só ela e a G. Mas uma outra menina tinha acabado de sair pro CC.
A G., primípara, bem tranqüila também, tomou muitos banhos, reboulou, reclamou e teve seu filho no leito mesmo.
E aí o comentário da equipe: quando você está aqui, os bebês acabam nascendo no leito....
Por que será? rs
17/11/06
Leoa.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.
1 de outubro de 2008
27/10/06
M., linda história de vida, querendo ficar só, dispensou as mulheres da família que queriam ficar ao lado dela.
TP latente.
Depois que fui embora, no meio da madrugada, o parto no leito ao lado, a fez acordar e então o TP dela evoluiu todinho em 2 ou 3 horas e o bebê nasceu antes da virada do plantão.
Soube disso no dia seguinte, pois voltei lá pra ver como ela estava.
TP latente.
Depois que fui embora, no meio da madrugada, o parto no leito ao lado, a fez acordar e então o TP dela evoluiu todinho em 2 ou 3 horas e o bebê nasceu antes da virada do plantão.
Soube disso no dia seguinte, pois voltei lá pra ver como ela estava.
13/10/06
Super bebê.
J. não era mãe de primeira viagem.
O TP foi tranqüilo, com bolsa rota e bebê monitorado de vez em quando. Ela sentou na bola, tomou banho, recebeu ajuda de uma amiga que fez companhia.
Quando ela chegou aos 10cm, o GO encaminhou pro CC. As contrações pararam um pouco. Ela foi colocada na mesa de parto, deitada de barriga pra cima, como sempre. Contrações boas, a mãe fazendo força e o bebê não corava. Uma, duas, três vezes e nada.
O clima fica meio tenso, a mãe se desespera, faz uma força louca e nada... A cabeça vai e volta. Depois de muito esforço, finalmente a cabeça sai, mas o restante do corpo do bebê não... Em geral, depois que a cabeça sai, o corpo sai em uma ou duas contrações. Mas este bebê é muito grande e não sai sozinho.
O GO tenta muitas manobras, a equipe fica apreensiva, a mãe também. As respirações ficam suspensas por alguns segundos, pediatra e enfermeiras à postos. O GO tenta mover o ombro do bebê, várias vezes, com força... Até que finalmente ele nasce! Nossa, que alívio!
Já sai chorando, recebe o atendimento da pediatra, a mãe também chora, quer saber se está tudo bem...
Saio da sala de parto com o bebê... A bebê, na verdade! Pobrezinha, ficou com os braços e o tórax todo roxo, por causa do aperto da saída. Peso: 4.750gr.
A outra mulher que estava no quarto, em TP latente, não saiu da cama, só ficou conversando com a gente enquanto o TP da J. evoluía, teve uma cesárea no dia seguinte.
J. não era mãe de primeira viagem.
O TP foi tranqüilo, com bolsa rota e bebê monitorado de vez em quando. Ela sentou na bola, tomou banho, recebeu ajuda de uma amiga que fez companhia.
Quando ela chegou aos 10cm, o GO encaminhou pro CC. As contrações pararam um pouco. Ela foi colocada na mesa de parto, deitada de barriga pra cima, como sempre. Contrações boas, a mãe fazendo força e o bebê não corava. Uma, duas, três vezes e nada.
O clima fica meio tenso, a mãe se desespera, faz uma força louca e nada... A cabeça vai e volta. Depois de muito esforço, finalmente a cabeça sai, mas o restante do corpo do bebê não... Em geral, depois que a cabeça sai, o corpo sai em uma ou duas contrações. Mas este bebê é muito grande e não sai sozinho.
O GO tenta muitas manobras, a equipe fica apreensiva, a mãe também. As respirações ficam suspensas por alguns segundos, pediatra e enfermeiras à postos. O GO tenta mover o ombro do bebê, várias vezes, com força... Até que finalmente ele nasce! Nossa, que alívio!
Já sai chorando, recebe o atendimento da pediatra, a mãe também chora, quer saber se está tudo bem...
Saio da sala de parto com o bebê... A bebê, na verdade! Pobrezinha, ficou com os braços e o tórax todo roxo, por causa do aperto da saída. Peso: 4.750gr.
A outra mulher que estava no quarto, em TP latente, não saiu da cama, só ficou conversando com a gente enquanto o TP da J. evoluía, teve uma cesárea no dia seguinte.
12/05/06
Nascendo na cama...
Passei na maternidade durante a tarde e dei uns conselhos para a H. e a L.
Elas estavam lá, deitadas na cama, sem muito ânimo. Mas eu não pude ficar. Voltei as 18h e a H. tinha progredido bem.
Sugeri um banho, ela aceitou. Ainda no chuveiro, ela disse: Tõ sentindo uma bolota aqui (colocando a mão na vagina). Ajudei-a a sair do banheiro e fui chamar o residente. Ele disse que era provável que fosse a bolsa dela, já que ainda não tinha rompido...
Ela voltou pra cama, ele a examinou e mandou chamar a maca. Saiu, eu fui atrás, mas não deu nem tempo de dar dois passos. A mãe dela me chamou. Voltei e tinha uma bolha saindo. Pedi pra ela tentar não fazer força e corri no corredor, pedindo pra chamarem o residente de volta, por que não ia dar tempo de ir para o CC.
Ela fazia força e a bolsa vinha, íntegra, dava pra ver a cabeça do bebê lá dentro... Quando finalmente forçou, a bolsa rompeu, cheia de mecônio e o C. saiu, com dias circulares de cordão. Quem aparou foi uma auxiliar de enfermagem, tremendo muito..rs.
Levaram o bebê e a mãe ficou, até limparem superficialmente e levarem-na para o CC, para suturar uma pequena laceração.
A avó ficou num misto de felicidade e angústia, sem saber se estava tudo bem, meio assustada com o parto na cama...
A L. estava no leito em frente e viu tudo. Ficou super assustada e eu levei o resto da noite pra convencê-la de que o que ela viu era normal e bonito. Mas ela não quis saber. Ficou impressionada mesmo.
E não colaborou nem um pouco com o próprio TP, passando por uma cesárea no dia seguinte.
E. chegou quase na hora que eu decidi ir embora, com 4cm e super animada. Estava acompanhada da irmã e não deu a menor atenção às coisas que eu disse.
Fui embora e não sei como foi a evolução e o parto.
Passei na maternidade durante a tarde e dei uns conselhos para a H. e a L.
Elas estavam lá, deitadas na cama, sem muito ânimo. Mas eu não pude ficar. Voltei as 18h e a H. tinha progredido bem.
Sugeri um banho, ela aceitou. Ainda no chuveiro, ela disse: Tõ sentindo uma bolota aqui (colocando a mão na vagina). Ajudei-a a sair do banheiro e fui chamar o residente. Ele disse que era provável que fosse a bolsa dela, já que ainda não tinha rompido...
Ela voltou pra cama, ele a examinou e mandou chamar a maca. Saiu, eu fui atrás, mas não deu nem tempo de dar dois passos. A mãe dela me chamou. Voltei e tinha uma bolha saindo. Pedi pra ela tentar não fazer força e corri no corredor, pedindo pra chamarem o residente de volta, por que não ia dar tempo de ir para o CC.
Ela fazia força e a bolsa vinha, íntegra, dava pra ver a cabeça do bebê lá dentro... Quando finalmente forçou, a bolsa rompeu, cheia de mecônio e o C. saiu, com dias circulares de cordão. Quem aparou foi uma auxiliar de enfermagem, tremendo muito..rs.
Levaram o bebê e a mãe ficou, até limparem superficialmente e levarem-na para o CC, para suturar uma pequena laceração.
A avó ficou num misto de felicidade e angústia, sem saber se estava tudo bem, meio assustada com o parto na cama...
A L. estava no leito em frente e viu tudo. Ficou super assustada e eu levei o resto da noite pra convencê-la de que o que ela viu era normal e bonito. Mas ela não quis saber. Ficou impressionada mesmo.
E não colaborou nem um pouco com o próprio TP, passando por uma cesárea no dia seguinte.
E. chegou quase na hora que eu decidi ir embora, com 4cm e super animada. Estava acompanhada da irmã e não deu a menor atenção às coisas que eu disse.
Fui embora e não sei como foi a evolução e o parto.
14/04/06
Voltando ao trabalho...
Antes de eu sair de casa, Caco pediu que eu não demorasse, pois tinha um serviço pra terminar e precisava que eu ficasse com Pedro. Prometi voltar cedo....
Chegando lá, M. e A. no TP., mas M. numa boa e A., com soro, em TP avançado. Primeiro bebê, estava com a mãe, deitada de barriga pra cima, se contorcendo. A primeira coisa que eu fiz foi ligar o ventilador (vê se pode uma coisa dessa...), depois cheguei nela e convidei-a para um banho. Ela foi e aproveitou bem.
Depois não deitou mais, ficou de pé rebolando comigo, agachando, permanecendo de cócoras e prestando atenção nas contrações. Ela chegou a 10 rapidinho, mas o bebê demorou bastante pra descer. Quando faltava pouco pra descer, ela preferiu ficar ajoelhada na cama, escorando em mim durante as contrações. Nos intervalos, ela olhava pra mim, com aquele olhar distante e às vezes dizia que não ia conseguir, que queria desistir.
A mãe ficou ali do lado, agradecendo e incentivando, trazendo água e fazendo perguntas pra mim nos intervalos das contrações.
Quando decidiram que já era hora de ir para o CC, o cabelinho da T. já aparecia através da vulva.
Eu pedi (e o GO aceitou) para levar uma almofada triangular pro CC, pra colocar na mesa e assim elevar o tronco das parturientes durante o expulsivo. Além de facilitar a vida delas na hora de fazer força, ainda possibilita que elas tenham maior visibilidade quando o neném sai. Eu me coloquei atrás da almofada e fiquei ali, incentivando.
O enfermeiro que estava no CC nunca tinha me visto (é sempre uma senhora, que hoje não estava) e ele perguntou: quem é essa pessoa na cabeceira da mesa? O residente disse: é a doula. E ficou por isso mesmo. Imagino que o enfermeiro nem desconfie o que seja isso...
O expulsivo foi rápido, ela não teve epsiotomia, mas levou um pontinho. O bebê nasceu bem e ficou cerca de 10 minutos no colo dela até a pediatra levar pro berçário.
Voltando para o quarto, continuava a M. sem sentir dores... Era o terceiro filho dela, os dois primeiros nasceram de PN. Todos estranhavam o fato de o TP dela não engrenar. Ela estava com soro, já era a segunda bomba e nada. O residente decidiu estourar a bolsa dela e aí o TP engrenou.
Ela passou o TP todo na cama, sentada, perna de borboleta, balançando pra frente na contração. A evolução foi rápida depois disso. O expulsivo foi demorado e o bebê nasceu com Síndrome de Down. Aparentemente, ela não sabia...
Os dois bebês nasceram antes das 21h e um pouco depois, uma nova mulher foi admitida. Eu cheguei a ligar pro Caco pra saber se eu precisava mesmo voltar, por que se eu começasse a acompanha-la, teria que ficar até o final. E isso poderia durar umas longas horas....
Primípara, solteira e com 32 anos, a AP. me pareceu estar totalmente desconfortável no papel que exercia naquele momento. Ela se segurava toda durante as contrações, parecia que trabalhava contra o próprio corpo. Ela me surpreendeu muito, por que o comportamento dela é observado em TPs longos e sofridos, onde a mulher não faz muita coisa pra ajudar no processo. Mas o dela foi muito rápido. Em menos de 2 horas ela tinha dilatação total e o expulsivo foi super rápido também.
Depois, quando ela já estava de volta pro quarto, fui conversar com ela, falar da experiência e de coisas que nem deu tempo antes e ela ficou surpresa de saber que o TP dela foi rápido.
Curiosidade:
Todas as pessoas da equipe do hospital que entraram na sala de TP, me cumprimentaram, me chamando pelo nome.
Antes de eu sair de casa, Caco pediu que eu não demorasse, pois tinha um serviço pra terminar e precisava que eu ficasse com Pedro. Prometi voltar cedo....
Chegando lá, M. e A. no TP., mas M. numa boa e A., com soro, em TP avançado. Primeiro bebê, estava com a mãe, deitada de barriga pra cima, se contorcendo. A primeira coisa que eu fiz foi ligar o ventilador (vê se pode uma coisa dessa...), depois cheguei nela e convidei-a para um banho. Ela foi e aproveitou bem.
Depois não deitou mais, ficou de pé rebolando comigo, agachando, permanecendo de cócoras e prestando atenção nas contrações. Ela chegou a 10 rapidinho, mas o bebê demorou bastante pra descer. Quando faltava pouco pra descer, ela preferiu ficar ajoelhada na cama, escorando em mim durante as contrações. Nos intervalos, ela olhava pra mim, com aquele olhar distante e às vezes dizia que não ia conseguir, que queria desistir.
A mãe ficou ali do lado, agradecendo e incentivando, trazendo água e fazendo perguntas pra mim nos intervalos das contrações.
Quando decidiram que já era hora de ir para o CC, o cabelinho da T. já aparecia através da vulva.
Eu pedi (e o GO aceitou) para levar uma almofada triangular pro CC, pra colocar na mesa e assim elevar o tronco das parturientes durante o expulsivo. Além de facilitar a vida delas na hora de fazer força, ainda possibilita que elas tenham maior visibilidade quando o neném sai. Eu me coloquei atrás da almofada e fiquei ali, incentivando.
O enfermeiro que estava no CC nunca tinha me visto (é sempre uma senhora, que hoje não estava) e ele perguntou: quem é essa pessoa na cabeceira da mesa? O residente disse: é a doula. E ficou por isso mesmo. Imagino que o enfermeiro nem desconfie o que seja isso...
O expulsivo foi rápido, ela não teve epsiotomia, mas levou um pontinho. O bebê nasceu bem e ficou cerca de 10 minutos no colo dela até a pediatra levar pro berçário.
Voltando para o quarto, continuava a M. sem sentir dores... Era o terceiro filho dela, os dois primeiros nasceram de PN. Todos estranhavam o fato de o TP dela não engrenar. Ela estava com soro, já era a segunda bomba e nada. O residente decidiu estourar a bolsa dela e aí o TP engrenou.
Ela passou o TP todo na cama, sentada, perna de borboleta, balançando pra frente na contração. A evolução foi rápida depois disso. O expulsivo foi demorado e o bebê nasceu com Síndrome de Down. Aparentemente, ela não sabia...
Os dois bebês nasceram antes das 21h e um pouco depois, uma nova mulher foi admitida. Eu cheguei a ligar pro Caco pra saber se eu precisava mesmo voltar, por que se eu começasse a acompanha-la, teria que ficar até o final. E isso poderia durar umas longas horas....
Primípara, solteira e com 32 anos, a AP. me pareceu estar totalmente desconfortável no papel que exercia naquele momento. Ela se segurava toda durante as contrações, parecia que trabalhava contra o próprio corpo. Ela me surpreendeu muito, por que o comportamento dela é observado em TPs longos e sofridos, onde a mulher não faz muita coisa pra ajudar no processo. Mas o dela foi muito rápido. Em menos de 2 horas ela tinha dilatação total e o expulsivo foi super rápido também.
Depois, quando ela já estava de volta pro quarto, fui conversar com ela, falar da experiência e de coisas que nem deu tempo antes e ela ficou surpresa de saber que o TP dela foi rápido.
Curiosidade:
Todas as pessoas da equipe do hospital que entraram na sala de TP, me cumprimentaram, me chamando pelo nome.
24/03/06
O tempo tem passado rápido demais e eu não estou conseguindo escrever os meus relatos!
Nas últimas semanas eu acompanhei 11 TP’s e 8 partos, incluindo a primeira cesárea.
Eu lembro vagamente os detalhes, acho que se eu for contar vou acabar misturando as histórias.
Eu sei que teve:
- uma mulher que estava sentindo o TP como algo muito sofrido e mesmo tendo acompanhante o tempo todo e a minha presença também, a experiência do parto foi não bacana pra ela. Mesmo depois do nascimento do bebê, ela ficou irritada, triste, etc...
- 2 adolescentes que passaram pelo TP de forma tranquila. Uma teve um PN bacana e a outra uma cesárea que pareceu não muito adequadamente indicada, Não entendi muito bem como aconteceu, mas depois de puxar o bebê, ele acabou voltando e caindo na cavidade abdominal... sinistro! Tinha MUITO mecônio. O bebê foi pra UTI, mas ficou tudo bem.
- um PN manteiga, cujo TP foi muito rápido. A mãe já tinha 2 PN’s anteriores.
- um TP tranqüilo e nada demorado, mas que deixou a mãe agoniada, por que o primeiro parto foi bem mais rápido.
- um TP lindo, onde a mulher se apoiou completamente em mim e a gente rebolou muito junto, inclusive embaixo do chuveiro. A mãe dela estava junto e chorava ao nos ver tão próximas. Foi muito legal, depois conversamos bastante sobre o trabalho da doula.
- TP e parto de uma mulher 2 vezes maior que eu. Todo mundo ficou agourando, dizendo que eu não ia dar conta de doular uma mulher ao grande... hehe Mas deu tudo certo!
- uma japa doida, de atendimento particular, cujo médico não estava no hospital (e acho que nem estava na cidade), que chegou com 4cm de dilatação e berrava que queria fazer cesárea de qualquer jeito!!!! E o desejo dela foi atendido!
Também tem outras coisas acontecendo no hospital...
O médico parece confiar cada vez mais no que eu faço e faz questão de deixar isso claro para a equipe. Ele disse para um dos residentes (na minha frente) que quando eu estiver lá, ele pode ficar despreocupado, pode deixar os TP’s rolarem sem intervenções, principalmente sem a bomba de soro.
Nos partos que eu acompanho, as episiotomias estão virando lenda.
Tem gente na enfermagem dizendo que eu devia ser contratada do hospital e tem gente que ainda me olha de cima abaixo, como se eu fosse um ET.
Fora do hospital, a pareceria com o médico ainda não engatou, mas é só uma questão de tempo, eu espero.
Acabei de voltar de São Paulo, onde fiz o curso de Educadora Perinatal, no GAMA. Estou cheia de idéias, cheia de energia e pronta pra recomeçar!
Nas últimas semanas eu acompanhei 11 TP’s e 8 partos, incluindo a primeira cesárea.
Eu lembro vagamente os detalhes, acho que se eu for contar vou acabar misturando as histórias.
Eu sei que teve:
- uma mulher que estava sentindo o TP como algo muito sofrido e mesmo tendo acompanhante o tempo todo e a minha presença também, a experiência do parto foi não bacana pra ela. Mesmo depois do nascimento do bebê, ela ficou irritada, triste, etc...
- 2 adolescentes que passaram pelo TP de forma tranquila. Uma teve um PN bacana e a outra uma cesárea que pareceu não muito adequadamente indicada, Não entendi muito bem como aconteceu, mas depois de puxar o bebê, ele acabou voltando e caindo na cavidade abdominal... sinistro! Tinha MUITO mecônio. O bebê foi pra UTI, mas ficou tudo bem.
- um PN manteiga, cujo TP foi muito rápido. A mãe já tinha 2 PN’s anteriores.
- um TP tranqüilo e nada demorado, mas que deixou a mãe agoniada, por que o primeiro parto foi bem mais rápido.
- um TP lindo, onde a mulher se apoiou completamente em mim e a gente rebolou muito junto, inclusive embaixo do chuveiro. A mãe dela estava junto e chorava ao nos ver tão próximas. Foi muito legal, depois conversamos bastante sobre o trabalho da doula.
- TP e parto de uma mulher 2 vezes maior que eu. Todo mundo ficou agourando, dizendo que eu não ia dar conta de doular uma mulher ao grande... hehe Mas deu tudo certo!
- uma japa doida, de atendimento particular, cujo médico não estava no hospital (e acho que nem estava na cidade), que chegou com 4cm de dilatação e berrava que queria fazer cesárea de qualquer jeito!!!! E o desejo dela foi atendido!
Também tem outras coisas acontecendo no hospital...
O médico parece confiar cada vez mais no que eu faço e faz questão de deixar isso claro para a equipe. Ele disse para um dos residentes (na minha frente) que quando eu estiver lá, ele pode ficar despreocupado, pode deixar os TP’s rolarem sem intervenções, principalmente sem a bomba de soro.
Nos partos que eu acompanho, as episiotomias estão virando lenda.
Tem gente na enfermagem dizendo que eu devia ser contratada do hospital e tem gente que ainda me olha de cima abaixo, como se eu fosse um ET.
Fora do hospital, a pareceria com o médico ainda não engatou, mas é só uma questão de tempo, eu espero.
Acabei de voltar de São Paulo, onde fiz o curso de Educadora Perinatal, no GAMA. Estou cheia de idéias, cheia de energia e pronta pra recomeçar!
5 de abril de 2008
23/09/2005
Muito o que aprender!
Em TP somente a A.C., 21 anos, primigesta, 34 semanas. Um prematuro. Ela não podia sair da cama e estava com 6cm quando eu cheguei.
A A.C. suportava bem as dores e quase não se queixava. Fiz muita massagem na lombar, mas a dor mais forte, ela sentia na barriga e não deixava tocar. Ficou de lado todo o TP e umas 3 horas depois da minha chegada, com 8 pra 9cm de dilatação, ela começou a sentir mais dores, cada vez mais fortes. Então ficou muito brava, arredia. Gritava e pedia ao residente pra que a ajudasse. Nós dizíamos que ela estava indo bem, que não havia nada a ser feito naquele momento, que a maior ajuda viria dela mesma.
Com 10cm de dilatação e o bebê ainda alto, o médico veio ficar com a gente. Ele foi muito bem vindo! Ela estava se debatendo, agarrou a roupa dele e pedia pra alguém fazer alguma coisa. É estranho relatar assim, por que parece que estávamos todos torcendo pelo sofrimento dela, assistindo a dor e deixando que a pobre A.C. se acabasse em desespero. Mas sabendo que o PN é a melhor escolha e que a dor é uma aliada, nosso papel é fazer a mulher se acalmar, se concentrar no que está fazendo e colaborar.
Enquanto ela segurava forte em mim e buscava meus olhos entre as contrações, o médico conversava com ela sobre o caminho que ela percorreu e o que ela precisava para chegar ao fim dele. Explicou um pouco sobre a progressão do TP dela e o que vinha pela frente. Ela se acalmou um pouco e saiu da sala à caminho do CC, ainda brava e se debatendo.
Eu fiquei na sala de TP um tempo, me perguntando se aquilo era normal. Foi a primeira vez que vi uma mulher ter reações como a dela e queria saber até onde isso tem a ver com a personalidade dela e até onde tem a ver com o papel da equipe que a assistia. Me ocorreu que seria bom eu fazer uns estágios, acompanhando doulas experientes ou médicos que queiram dividir informações. Que olhem pra mim e digam: isto está acontecendo por causa disso, disso e disso. Isso é normal, isso não é...
Enfim...estou muito só nesta jornada! Além do apoio virtual que recebo, não tenho ninguém com quem contar!
Em TP somente a A.C., 21 anos, primigesta, 34 semanas. Um prematuro. Ela não podia sair da cama e estava com 6cm quando eu cheguei.
A A.C. suportava bem as dores e quase não se queixava. Fiz muita massagem na lombar, mas a dor mais forte, ela sentia na barriga e não deixava tocar. Ficou de lado todo o TP e umas 3 horas depois da minha chegada, com 8 pra 9cm de dilatação, ela começou a sentir mais dores, cada vez mais fortes. Então ficou muito brava, arredia. Gritava e pedia ao residente pra que a ajudasse. Nós dizíamos que ela estava indo bem, que não havia nada a ser feito naquele momento, que a maior ajuda viria dela mesma.
Com 10cm de dilatação e o bebê ainda alto, o médico veio ficar com a gente. Ele foi muito bem vindo! Ela estava se debatendo, agarrou a roupa dele e pedia pra alguém fazer alguma coisa. É estranho relatar assim, por que parece que estávamos todos torcendo pelo sofrimento dela, assistindo a dor e deixando que a pobre A.C. se acabasse em desespero. Mas sabendo que o PN é a melhor escolha e que a dor é uma aliada, nosso papel é fazer a mulher se acalmar, se concentrar no que está fazendo e colaborar.
Enquanto ela segurava forte em mim e buscava meus olhos entre as contrações, o médico conversava com ela sobre o caminho que ela percorreu e o que ela precisava para chegar ao fim dele. Explicou um pouco sobre a progressão do TP dela e o que vinha pela frente. Ela se acalmou um pouco e saiu da sala à caminho do CC, ainda brava e se debatendo.
Eu fiquei na sala de TP um tempo, me perguntando se aquilo era normal. Foi a primeira vez que vi uma mulher ter reações como a dela e queria saber até onde isso tem a ver com a personalidade dela e até onde tem a ver com o papel da equipe que a assistia. Me ocorreu que seria bom eu fazer uns estágios, acompanhando doulas experientes ou médicos que queiram dividir informações. Que olhem pra mim e digam: isto está acontecendo por causa disso, disso e disso. Isso é normal, isso não é...
Enfim...estou muito só nesta jornada! Além do apoio virtual que recebo, não tenho ninguém com quem contar!
17 de novembro de 2006
Leoa.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.
20 de outubro de 2006
Dia bom!
S., 17 anos, chegou depois de quase duas horas do início do plantão, numa noite muito calma e eu estava quase indo embora...
Acompanhada da mãe, ela estava um pouco assustada, tensa, mas já na sala de espera (pela consulta), fui massageando os pés dela e puxando papo. Logo ela estava mais solta e entendendo melhor as reações do corpo.
Mesmo antes de falarem em internação, levei-a para a sala de TP, por que no rítmo em que ela estava, era claro que se tratava de TP mesmo.
Tive tempo de falar com ela sobre as mudanças de comportamento, sobre o tempo do TP, sobre o que era esperado e normal naquele momento.
O TP dela foi quase didático. Um ótimo exemplo. Toda feliz e falante no início, foi ficando cada vez mais concentrada e um pouco irritadiça, procurando melhores posições, relaxando nos banhos e respirando no tempo dela... Olhar vazio na transição, ânsia de vômito, vontade de sair correndo dali. Então a vontade de fazer cocô, de empurrar, fazer força e a cabeça do bebê já aparecendo na vulva.
Ela foi encaminhada pro CC e o bebê nasceu em três contrações, sem epsiotomia e com uma pequena laceração. Logo após o nascimento da L., um enorme sorriso nos lábios...
Nesta noite também aconteceu um encontro inusitado nos corredores. Uma mulher vem na minha direção, toda sorridente:
-Você está aqui! Que bom te ver! Pena que não deu tempo...
Eu devo ter feito cara de quem não estava entendendo e ela disse:
-Não lembra de mim, né?
Isso na verdade é bem comum, não consigo guardar todos os rostos que passam por ali. Mas ela explica.... Há exatos 9 meses, ela esteve na maternidade com a filha mais nova e eu estava no TP dela. Agora ela estava com a filha mais velha e me diz que passaram a gestação toda pedindo que o bebê nascesse numa sexta-feira, por que é o dia que eu estou lá... Pois o bebê atendeu o pedido delas, só que elas esqueceram de dizer que eu só estaria lá após as 18h e ele nasceu ao meio dia!
Acompanhada da mãe, ela estava um pouco assustada, tensa, mas já na sala de espera (pela consulta), fui massageando os pés dela e puxando papo. Logo ela estava mais solta e entendendo melhor as reações do corpo.
Mesmo antes de falarem em internação, levei-a para a sala de TP, por que no rítmo em que ela estava, era claro que se tratava de TP mesmo.
Tive tempo de falar com ela sobre as mudanças de comportamento, sobre o tempo do TP, sobre o que era esperado e normal naquele momento.
O TP dela foi quase didático. Um ótimo exemplo. Toda feliz e falante no início, foi ficando cada vez mais concentrada e um pouco irritadiça, procurando melhores posições, relaxando nos banhos e respirando no tempo dela... Olhar vazio na transição, ânsia de vômito, vontade de sair correndo dali. Então a vontade de fazer cocô, de empurrar, fazer força e a cabeça do bebê já aparecendo na vulva.
Ela foi encaminhada pro CC e o bebê nasceu em três contrações, sem epsiotomia e com uma pequena laceração. Logo após o nascimento da L., um enorme sorriso nos lábios...
Nesta noite também aconteceu um encontro inusitado nos corredores. Uma mulher vem na minha direção, toda sorridente:
-Você está aqui! Que bom te ver! Pena que não deu tempo...
Eu devo ter feito cara de quem não estava entendendo e ela disse:
-Não lembra de mim, né?
Isso na verdade é bem comum, não consigo guardar todos os rostos que passam por ali. Mas ela explica.... Há exatos 9 meses, ela esteve na maternidade com a filha mais nova e eu estava no TP dela. Agora ela estava com a filha mais velha e me diz que passaram a gestação toda pedindo que o bebê nascesse numa sexta-feira, por que é o dia que eu estou lá... Pois o bebê atendeu o pedido delas, só que elas esqueceram de dizer que eu só estaria lá após as 18h e ele nasceu ao meio dia!
16 de fevereiro de 2005
Muito trabalho e o primeiro OF.
Hoje foi um dia bastante cansativo. O setor estava lotado de mulheres recém paridas, tanto no SUS quanto no particular, cirurgias e 4 mulheres no TP.
E: era um VBAC.
Quando eu cheguei ela devia estar com uns 6cm, sem soro, disse que não queria mais andar, pois tinha ficado a tarde toda andando no hospital e estava cansada. Ela aceitou massagem, cafuné e que eu segurasse sua mão durante as contrações, mas não estava muito disposta a se ajudar.
Conversei muito com ela no intervalo das contrações, tentando incentivá-la, dando força, ajudando a respirar.
O médico fez uns 4 toques nela e ela xingou todas as vezes.
Durante as contrações, ela parecia muito brava, me olhava com aquele olhar vago, mas com a cara muito fechada.
Em menos de uma hora, dilatação total. O médico veio e pediu que ela fizesse força durante as contrações, se tivesse vontade. Inclinei a cama dela, de forma que ela ficasse mais sentada do que deitada.
De repente, durante uma contração ela disse: ai, acho que me rasgou inteira, senti queimar! Chamei o médico e ele a levou para o CC. Vinte minutos depois, vejo o G. entrar no berçário. Um molecão cabeludo e muito branquinho!
L. primigesta, com soro. Não sei com quanto de dilatação ela estava quando cheguei, mas no único toque que foi feito nela, cerca de uma hora depois, ela estava com 7cm.
Eu tentei por muito tempo, tirá-la da cama, mas ela resistia. Disse que sentia tontura ao levantar e que preferia ficar deitada de lado. Aproveitei para fazer massagem na lombar, ela adorava. Uma coisa que resolveu muito bem com ela, foi passar uma toalha molhada na lombar e na barriga durante as contrações. L. não se continha, gritava mesmo, chorava fino, um ai, ai, ai, ai, ai sem fim e também dava tapas na parede! E eu ainda incentivava: - isso, grita, libera esses bichos! Demorou muito pra ela mudar este ritmo e passar a respirar melhor durante as contrações.
Propus um banho e ela relutou. Eu disse que ia junto, que a ajudaria, ela topou. Ela se encontrou naquele banheiro, ajoelhou e ficou apoiada no banquinho, deixando a água cair nas costas. Ela ficou muito relaxada e quase adormeceu. Infelizmente nesta hora o médico veio e pediu pra ela sair por que ele ia “tocar”!
Depois do toque, mais algumas contrações e ela disse: tá queimando, tá queimando, tá queimando, ai, ai, ai, ai, ai! Eu nunca tinha ouvido isso de uma mulher em TP, embora conheça o tal “círculo de fogo” e de repente, num dia só, 2 falam sobre ele.
Saí do quarto e chamei a enfermeira, ela demorou pra vir. A bolsa rompeu e a L. começou a se comportar diferente durante a contração. Eu disse: - Você está com vontade de fazer força? Ela: Muita! Corri atrás da enfermeira e quando voltei ela tinha feito cocô. Chamei a enfermeira de novo, ela ficou doida (médicos não gostam que bebês nasçam na cama do TP), limpou a L. rapidinho e nós a levamos para o CC. No caminho ela pediu: Vem comigo!
Infelizmente não tenho essa moral ainda, só respondi:
- Não posso, querida! Mas vai dar tudo certo! Boa sorte!
LP. Demorou um pouco para vir ao berçário, mas quando chegou não tive dúvidas...ele é a cara da mãe dele!
F., VBAC, chegou com 5cm, não colocaram soro. Calada, deitou na cama e virou de costas pra mim. Não respondia minhas perguntas, não olhava pra nós, não reclamava durante as contrações.
O médico colocou aquele aparelho que mede contrações e BFC nela e ela arrancou depois de um tempo. Pensei: hum...vai dar trabalho pra equipe, é turrona!
Conforme ela foi vendo a evolução das meninas (sim, pq eu estou contando separadamente, mas as coisas aconteceram ao mesmo tempo), parece que ficou mais receptiva. Pediu ajuda para pentear o cabelo, para tomar banho e andar pelo corredor.
Quando as outras 3 já haviam saído do TP e ela ficou sozinha comigo, começou a contar da vida, pediu massagem e foi banhar-se de novo. Ela ficou maravilhada com os efeitos da água!
Chegou minha hora de ir embora e ela me pediu pra ficar, ela não queria ficar sozinha. Fiquei, quase uma hora a mais que o normal. Foi ela que despertou aquele sentimento de que faço mais por elas do que pelas pessoas que me rodeiam, que comentei nas listas.
Quando eu saí, ela estava com quase 10cm. Desejei boa sorte e disse pra ela ficar tranqüila, que tudo dependia só dela e que em breve o C. estaria em seus braços.
I. não foi a última mulher a ser doulada, mas deixei o caso dela por último, por que...vocês vão entender....
Ela estava na maternidade há mais de 30 horas e a dilatação dela não evoluía. Estava estacionada em 5cm. Conversei com ela sobre caminhar e favorecer o TP, mas ela não quis sair da cama. Disse que se sentia bem como estava, pra eu não me preocupar com ela.
No fim, como as outras duas estavam realmente precisando de ajuda e queriam ser ajudadas, eu deixei a I. mais na dela....
No intervalo das contrações das outras meninas, eu conversava com ela. Ela me contou sobre a vida e falamos do bebê. Ela quis saber sobre amamentação e eu aproveitei para falar com todas sobre isso.
Quando o médico veio ver a evolução dela, eu não estava. Cruzei com ele na porta do quarto e ele estava dizendo: Prepara esta aqui para a cesárea.
Ela chamou a enfermeira e perguntou se era dela que o médico estava falando. A enfermeira disse que sim e perguntou: - Por que? Você não quer?
Ela ficou sem jeito e disse que tudo bem. Depois disse pra mim:
- Ele nem falou nada pra mim, podia ter conversado, poxa!
Então eu perguntei se ela queria fazer a cirurgia. Ela disse que não sabia, mas que estava cansada de ficar ali, queria acabar com aquilo. No fim, ela acatou a decisão do médico (não que eu ache que adiantaria alguma coisa não acatar).
Ela tomou banho, arrumou as coisas dela e me chamou. Perguntou como era, se demorava, se ela ia sentir alguma coisa. Estava com medo.
Tentei tranquilizá-la, dizendo que apesar de tudo a cesárea é uma cirurgia segura, pra ela ficar tranqüila que logo, logo ela estaria com o bebê nos braços. O que mais eu poderia dizer nesta hora?
Bom, eu estava lá na janela do berçário vendo o filho da L. tomar banho na Tummy Tub e os médicos entram correndo, mandando todo mundo sair da janela.... um bebê é colocado no berço aquecido e alguns procedimentos estão sendo realizados. Fico apreensiva, não sei de quem é este bebê.
Massagem cardíaca, oxigênio, bebê entubado. Sobem os médicos da UTI Neonatal e levam o pequenino embora. Era o filho da I.Ficamos sem notícias um bom tempo e quando a enfermeira do berçário retornou, nem precisou dizer nada. Estava escrito na cara dela...o bebê não resistiu.
Minha cabeça deu um nó. Só pensava em como ela estava feliz e nas coisas que eu tinha dito antes de ela ser levada ao CC. Me senti idiota, impotente, inadequada....
Fiquei no setor um tempo ainda, fui falar com as meninas que acompanhei no TP e que a esta altura já estavam em seus quartos. Elas agradeceram muito o apoio e conversamos bastante sobre a experiência de ter alguém ajudando, segurando a mão.
Além de acompanhar a F. neste momento, também estava socorrendo uma recém parida desmaiada, mulher rebelde que queria ir embora, mãe e bebê que não se entendiam na amamentação. Uma delas, ainda não podia levantar e o bebê precisava trocar a fralda. Lá fui eu pro berçário. Tive que lavar o F. na torneira (aquecida), muito mecônio! Enquanto eu estava lá, limpando e vestindo ele, percebo uma maca parar na minha frente, do outro lado do vidro. Era a I., a mãe do bebê que morreu. Ela ainda não sabia o que tinha acontecido e eu mal consegui olhar pra ela. Ela sorria.
Liguei no hospital no dia seguinte, pra saber o que havia acontecido com o bebê e saber como a I. estava.
O bebê nasceu sem a membrana que reveste o intestino e isso acarretou algumas complicações respiratórias. Não sei qual é a relação de uma coisa com a outra, mas vou pesquisar. Esse “problema” poderia ter sido identificado nas ultras feitas durante a gestação, mas as ultras que ela fez não eram boas e ninguém suspeitou. Se tivessem alguma idéia disso, poderia ter preparado o CC para a cesárea e a operação do bebê em seguida...
Por isso, como foi algo que independeu do atendimento da equipe do hospital, a assistente social disse que ela estava bem, que tinha entendido o que aconteceu.
E: era um VBAC.
Quando eu cheguei ela devia estar com uns 6cm, sem soro, disse que não queria mais andar, pois tinha ficado a tarde toda andando no hospital e estava cansada. Ela aceitou massagem, cafuné e que eu segurasse sua mão durante as contrações, mas não estava muito disposta a se ajudar.
Conversei muito com ela no intervalo das contrações, tentando incentivá-la, dando força, ajudando a respirar.
O médico fez uns 4 toques nela e ela xingou todas as vezes.
Durante as contrações, ela parecia muito brava, me olhava com aquele olhar vago, mas com a cara muito fechada.
Em menos de uma hora, dilatação total. O médico veio e pediu que ela fizesse força durante as contrações, se tivesse vontade. Inclinei a cama dela, de forma que ela ficasse mais sentada do que deitada.
De repente, durante uma contração ela disse: ai, acho que me rasgou inteira, senti queimar! Chamei o médico e ele a levou para o CC. Vinte minutos depois, vejo o G. entrar no berçário. Um molecão cabeludo e muito branquinho!
L. primigesta, com soro. Não sei com quanto de dilatação ela estava quando cheguei, mas no único toque que foi feito nela, cerca de uma hora depois, ela estava com 7cm.
Eu tentei por muito tempo, tirá-la da cama, mas ela resistia. Disse que sentia tontura ao levantar e que preferia ficar deitada de lado. Aproveitei para fazer massagem na lombar, ela adorava. Uma coisa que resolveu muito bem com ela, foi passar uma toalha molhada na lombar e na barriga durante as contrações. L. não se continha, gritava mesmo, chorava fino, um ai, ai, ai, ai, ai sem fim e também dava tapas na parede! E eu ainda incentivava: - isso, grita, libera esses bichos! Demorou muito pra ela mudar este ritmo e passar a respirar melhor durante as contrações.
Propus um banho e ela relutou. Eu disse que ia junto, que a ajudaria, ela topou. Ela se encontrou naquele banheiro, ajoelhou e ficou apoiada no banquinho, deixando a água cair nas costas. Ela ficou muito relaxada e quase adormeceu. Infelizmente nesta hora o médico veio e pediu pra ela sair por que ele ia “tocar”!
Depois do toque, mais algumas contrações e ela disse: tá queimando, tá queimando, tá queimando, ai, ai, ai, ai, ai! Eu nunca tinha ouvido isso de uma mulher em TP, embora conheça o tal “círculo de fogo” e de repente, num dia só, 2 falam sobre ele.
Saí do quarto e chamei a enfermeira, ela demorou pra vir. A bolsa rompeu e a L. começou a se comportar diferente durante a contração. Eu disse: - Você está com vontade de fazer força? Ela: Muita! Corri atrás da enfermeira e quando voltei ela tinha feito cocô. Chamei a enfermeira de novo, ela ficou doida (médicos não gostam que bebês nasçam na cama do TP), limpou a L. rapidinho e nós a levamos para o CC. No caminho ela pediu: Vem comigo!
Infelizmente não tenho essa moral ainda, só respondi:
- Não posso, querida! Mas vai dar tudo certo! Boa sorte!
LP. Demorou um pouco para vir ao berçário, mas quando chegou não tive dúvidas...ele é a cara da mãe dele!
F., VBAC, chegou com 5cm, não colocaram soro. Calada, deitou na cama e virou de costas pra mim. Não respondia minhas perguntas, não olhava pra nós, não reclamava durante as contrações.
O médico colocou aquele aparelho que mede contrações e BFC nela e ela arrancou depois de um tempo. Pensei: hum...vai dar trabalho pra equipe, é turrona!
Conforme ela foi vendo a evolução das meninas (sim, pq eu estou contando separadamente, mas as coisas aconteceram ao mesmo tempo), parece que ficou mais receptiva. Pediu ajuda para pentear o cabelo, para tomar banho e andar pelo corredor.
Quando as outras 3 já haviam saído do TP e ela ficou sozinha comigo, começou a contar da vida, pediu massagem e foi banhar-se de novo. Ela ficou maravilhada com os efeitos da água!
Chegou minha hora de ir embora e ela me pediu pra ficar, ela não queria ficar sozinha. Fiquei, quase uma hora a mais que o normal. Foi ela que despertou aquele sentimento de que faço mais por elas do que pelas pessoas que me rodeiam, que comentei nas listas.
Quando eu saí, ela estava com quase 10cm. Desejei boa sorte e disse pra ela ficar tranqüila, que tudo dependia só dela e que em breve o C. estaria em seus braços.
I. não foi a última mulher a ser doulada, mas deixei o caso dela por último, por que...vocês vão entender....
Ela estava na maternidade há mais de 30 horas e a dilatação dela não evoluía. Estava estacionada em 5cm. Conversei com ela sobre caminhar e favorecer o TP, mas ela não quis sair da cama. Disse que se sentia bem como estava, pra eu não me preocupar com ela.
No fim, como as outras duas estavam realmente precisando de ajuda e queriam ser ajudadas, eu deixei a I. mais na dela....
No intervalo das contrações das outras meninas, eu conversava com ela. Ela me contou sobre a vida e falamos do bebê. Ela quis saber sobre amamentação e eu aproveitei para falar com todas sobre isso.
Quando o médico veio ver a evolução dela, eu não estava. Cruzei com ele na porta do quarto e ele estava dizendo: Prepara esta aqui para a cesárea.
Ela chamou a enfermeira e perguntou se era dela que o médico estava falando. A enfermeira disse que sim e perguntou: - Por que? Você não quer?
Ela ficou sem jeito e disse que tudo bem. Depois disse pra mim:
- Ele nem falou nada pra mim, podia ter conversado, poxa!
Então eu perguntei se ela queria fazer a cirurgia. Ela disse que não sabia, mas que estava cansada de ficar ali, queria acabar com aquilo. No fim, ela acatou a decisão do médico (não que eu ache que adiantaria alguma coisa não acatar).
Ela tomou banho, arrumou as coisas dela e me chamou. Perguntou como era, se demorava, se ela ia sentir alguma coisa. Estava com medo.
Tentei tranquilizá-la, dizendo que apesar de tudo a cesárea é uma cirurgia segura, pra ela ficar tranqüila que logo, logo ela estaria com o bebê nos braços. O que mais eu poderia dizer nesta hora?
Bom, eu estava lá na janela do berçário vendo o filho da L. tomar banho na Tummy Tub e os médicos entram correndo, mandando todo mundo sair da janela.... um bebê é colocado no berço aquecido e alguns procedimentos estão sendo realizados. Fico apreensiva, não sei de quem é este bebê.
Massagem cardíaca, oxigênio, bebê entubado. Sobem os médicos da UTI Neonatal e levam o pequenino embora. Era o filho da I.Ficamos sem notícias um bom tempo e quando a enfermeira do berçário retornou, nem precisou dizer nada. Estava escrito na cara dela...o bebê não resistiu.
Minha cabeça deu um nó. Só pensava em como ela estava feliz e nas coisas que eu tinha dito antes de ela ser levada ao CC. Me senti idiota, impotente, inadequada....
Fiquei no setor um tempo ainda, fui falar com as meninas que acompanhei no TP e que a esta altura já estavam em seus quartos. Elas agradeceram muito o apoio e conversamos bastante sobre a experiência de ter alguém ajudando, segurando a mão.
Além de acompanhar a F. neste momento, também estava socorrendo uma recém parida desmaiada, mulher rebelde que queria ir embora, mãe e bebê que não se entendiam na amamentação. Uma delas, ainda não podia levantar e o bebê precisava trocar a fralda. Lá fui eu pro berçário. Tive que lavar o F. na torneira (aquecida), muito mecônio! Enquanto eu estava lá, limpando e vestindo ele, percebo uma maca parar na minha frente, do outro lado do vidro. Era a I., a mãe do bebê que morreu. Ela ainda não sabia o que tinha acontecido e eu mal consegui olhar pra ela. Ela sorria.
Liguei no hospital no dia seguinte, pra saber o que havia acontecido com o bebê e saber como a I. estava.
O bebê nasceu sem a membrana que reveste o intestino e isso acarretou algumas complicações respiratórias. Não sei qual é a relação de uma coisa com a outra, mas vou pesquisar. Esse “problema” poderia ter sido identificado nas ultras feitas durante a gestação, mas as ultras que ela fez não eram boas e ninguém suspeitou. Se tivessem alguma idéia disso, poderia ter preparado o CC para a cesárea e a operação do bebê em seguida...
Por isso, como foi algo que independeu do atendimento da equipe do hospital, a assistente social disse que ela estava bem, que tinha entendido o que aconteceu.
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