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27 de fevereiro de 2011

Uma em quatro mulheres relata maus-tratos durante o parto.

Chorando em um hospital, agulhada pelas dores das contrações do parto, mulheres brasileiras ainda têm de ouvir maus-tratos verbais como: "Na hora de fazer não chorou, não chamou a mamãe. Por que tá chorando agora?". A informação é da reportagem de Laura Capriglione publicada na edição desta quinta-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

De acordo com o texto, uma em cada quatro mulheres que deram à luz em hospitais públicos ou privados relatou algum tipo de agressão no parto, perpretada por profissionais de saúde que deveriam acolhê-la e zelar por seu bem-estar. São agressões que vão da recusa em oferecer algum alívio para a dor e xingamentos até gritos e tratamentos grosseiros com viés discriminatório.
Os dados integram o estudo "Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado", realizado em agosto de 2010 pela Fundação Perseu Abramo e pelo Sesc e divulgado agora. A Folha obteve com exclusividade o capítulo "Violência no Parto", que pela primeira vez quantificou à escala nacional, a partir de entrevistas em 25 unidades da Federação e em 176 municípios, a incidência dos maus-tratos contra parturientes.

Fonte: http://www.folha.com/

23 de abril de 2009

09/03/07

Rapidinhas.
J., assustada, querendo cesárea, com a mãe simplória, conversa básica, evolução rápida. Não entrei no CC, ela ficou ótima depois.

N., internada por PA, não estava em TP, recebeu soro, não teve contrações, vim embora sem saber o desfecho.

16/02/07

Mulheres especiais.
Antes de sair de casa, eu liguei pro GO, pra saber como estavam as coisas. Medidas de segurança, em breve não serão mais necessárias, assim espero!
Ele me diz que tem uma mulher muito especial no TP, que eu devia ir até lá. Fui.

A., a mulher especial, estava no leito, sentada com perna de borboleta, agüentando firme e muito concentrada nas contrações.
Depois de me apresentar e falar um pouco sobre como eu poderia apóia-la, precisei sair do prédio para pegar um material. Quando voltei, ela disse que estava com vontade de fazer força. Saí pra checar o prontuário e falei com o GO, se ela estava mesmo com os puxos, a evolução dela tinha sido à jato.
Voltamos para examinar e o bebê estava baixinho, mais um pouco e nascia ali mesmo. Mas decidiram levá-la ao CC e o L. nasceu em duas contrações.
Depois, com ela já no quarto, fui conversar e ela estava muito feliz com o resultado. Ela fez o pré-natal no SUS com este GO e já tinha ouvido falar de mim. Ela achou que foi muita sorte ter entrado em TP no dia em que a gente atende o plantão...

Logo em seguida, entrou a F., segundo bebê, fase latente do TP, 2cm, muito segura do processo. Ela, muito mais alta que eu, negra e forte, muito bem humorada, estava acompanhada da mãe. Nós três ficamos muito tempo conversando sobre muitas coisas da vida, foi muito agradável.
Então colocaram soro na F. e ela passou a sentir as contrações cada vez mais freqüentes e fortes. Ela ficou em movimento, respirando com calma e sentada na bola também.
No primeiro toque que fizeram, logo depois que ela saiu de um longo e bom banho, 6cm e uma força renovada pra ela, que se sentiu toda orgulhosa de ter avançado tanto.
Ela gemia, respirava, mudava de posição e voltava ao normal... como se nada tivesse acontecido.
Mas eu precisei ir embora às 18h e não acompanhei o TP dela até o final. Deixei a bola e algumas instruções e ela seguiu o que pôde. Ás 23h recebo um torpedo do GO: parto no leito, às 20:30h.
No dia seguinte voltei lá e ela estava radiante, contando o parto dela pras outras mulheres do quarto e feliz, feliz e o menino com nome de anjo musical pendurado no peito.

25 de novembro de 2008

17/11/06

Leoa.
Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.

10/11/06

Hora de parar.
M.
adolescente com a mãe e J., obesa.
Foi uma noite difícil, não consegui atingir nenhuma das duas. A adolescente estava sofrendo demais, segundo a sua mãe e a outra estava entregue, achando que não era capaz.
No entanto, as duas evoluíram bem e pariram seus filhotes, depois que eu fui embora, exausta!

1 de outubro de 2008

30/06/06

Mulher demais....

2 mulheres estavam em TP.
Logo que eu cheguei, nenhuma das duas estava sentindo muita coisa. Mas a V., estava enrolada em cobertas, encolhida e sentindo muita pena de si mesma. A mãe dela também estava deixando o clima bem pesado, falando de dor e sofrimento o tempo todo. Conversei muito com as duas sobre esta postura, mas não adiantou muito e de vez em quando a sogra também entrava pra reforçar o coro.
De qualquer maneira, consegui tirá-la daquela cama um pouco, ela tomou banho, tentou fazer alguns exercícios, sentou na bola, etc. Mas apesar da evolução dela estar boa, nada diferente do esperado, ela não acreditava nisso. Pra ela, estava demorando demais e iam todos sofrer muito, uma tragédia anunciada!
Não sei o que aconteceu na portaria, por que não deixam passar mais de um acompanhante por paciente, mas a sala de TP tava uma bagunça neste dia! O GO veio e mandou os excessos embora, mas a sogra da V. conseguiu voltar!!!
A maternidade estava lotada e tinha mulher que já tinha parido, alojada na sala de TP, com neném e acompanhante, um converseiro, um barulho, ninguém merece.
Enfim, a V. acabou encaminhada pra uma cesárea. Por que já era quase meia noite, o TP deu uma estacionada, ela estava reagindo mal (psicologicamente), a mãe pressionando, a sogra também... Aff!

Enquanto eu tentava atender a V. (que não queria muita conversa e além de tudo, colocava a culpa do sofrimento do TP no fato de ser obesa), eu acudia a J. também.
Segundo bebê, ela não relatou contrações intensas em nenhum momento. Quando cheguei ela estava deitada, aceitou tomar um longo banho e ficar numa posição verticalizada. Ela respirava com um certo ritmo e isso ajudava a ter algum controle sobre as contrações.
Também ficou na bola, quicando e achando graça. Logo ela sentiu vontade de fazer força e quando vieram tocar, o bebê já estava no canal de parto. Fomos para o centro cirúrgico e ela não precisou fazer força durante o expulsivo, embora estivesse sendo assistida por um estagiário (e o residente) e o cara não tivesse muito domínio da coisa... nervoso, trêmulo, falando bobagens... ai, ai...

Eu já estava querendo ir embora, quando passei pela sala de espera e dei com duas barrigudas (uma conhecida e outra não). A conhecida é a C., já falei dela aqui, vive no hospital, por conta de uma infecção urinária que não sara nunca.
A K. estava com contrações próximas e ritmadas. Segundo bebê também. E quando o residente tocou, constatou uma dilatação de 9cm. Aí, caiu na besteira de levar ela direto pro CC. Lá as contrações pararam completamente. Fizeram ela deitar e colocar as pernas no estribo, antes da dilatação completa. Quando eu cheguei no CC, ela já estava assim e eu não tenho tanta moral pra mudar uma situação já definida... Se pelo menos fosse o GO e não residente, eu teria tentado.
Mas enfim, durante as contrações ela não tinha o que fazer, além de gritar, por que não tinha mobilidade nenhuma, nenhum controle. Eles fizeram tudo errado desta vez, pedindo pra ela empurrar, forçando o término da dilatação. Na hora de aparar, o cara mal pegava no bebê direito, aquilo demorou uma eternidade! Eu detestei presenciar isso.... E nem tive tempo de conversar com o GO sobre o que aconteceu!
Mas no fim, uma laceração bem pequena e um bebê saudável...

28/04/06

Dia intenso...

Mas como hoje já é dia 20 de maio e eu não tinha conseguido escrever ainda, esqueci muitos detalhes.. Que meleca!
Foram quatro nascimentos a partir do momento que eu cheguei e 11 ao longo do dia!
É, a maternidade estava animada!

L. estava com 4cm quando chegou na maternidade, passou o TP inteiro chorando muito. Mas o choro não era de dor (não só de dor), era um choro de angústia, de solidão... Ela estava sem acompanhante e pouco acessível. Tentei em vão fazê-la se abrir, fazer com que falasse o que a afligia tanto, que o TP seria mais rápido e tranqüilo se ela conseguisse falar. Pude fazer muito pouco, mas fiquei com ela até o fim.
Depois que o bebê nasceu, o comportamento dela mudou, mas não foi pra melhor. Ela ficou arredia e dava pulos na mesa, fechando a perna, impedindo o GO de suturar uma pequena laceração. Ela estava muito alterada, parecia nem se dar conta de que o bebê já havia nascido. Precisou ser sedada para que a equipe concluísse o atendimento.
De volta ao quarto e já em condições de conversar, ela se abriu: o marido a abandonou quando ela engravidou, alegando que este bebê não era dele. E ela já tinha 2 filhas (gêmeas), com menos de 2 anos... e ela, com menos de 20.

Outra mulher, L. também, estava na maternidade há dois dias já. Caso típico de internação precoce. Tentaram a indução, mas ela não estava sentindo absolutamente nada. Ao final do dia, optaram pela cesárea e acabaram descobrindo um tumor enorme no útero.

P., grávida do terceiro bebê, os dois primeiros de parto normal, causou estranheza pela lentidão do progresso do TP. No entanto, entre 8cm e o nascimento, não deu nem 15 minutos. Ela demorou pra chegar em 8cm, mas quando chegou, foi a jato!

M., estava com a mãe, internada desde cedo, tomando soro, sem evolução satisfatória (segundo a visão da equipe). Ela e a mãe foram muito receptivas à minha presença e fizeram muitos exercícios juntas. O TP dela evoluiu bem depois disso.
Ela, com dilatação total e com vontade de fazer força, o bebê alto e as posições não ajudando a descida. Ela estava ficando cansada.
O setor estava bem agitado e o médico no CC. Pedi para uma enfermeira vir até o quarto e avaliar o que poderia ser feito. Ela fez um toque e sentiu algo estranho: dilatação total, bebê alto e ‘uma coisa muito dura logo após a entrada da vagina’... Acreditem! M. tinha o intestino preso e não ia ao banheiro há dias. Tinha um cocozão (desculpem o termo, não sabia como espressar) atrapalhando a descida do bebê!
Uns 15 minutos depois, o GO veio até a sala e removeu o obstáculo (colocando a mão na vagina, como se fosse fazer um toque e pressionando o conteúdo pra fora). Uma vez feito isso, a cabeça do bebê já apareceu e fomos todos para o CC.

Foram 2 PN’s com indução, 1 sem soro e os 3 sem epsiotomia.

14/04/06

Voltando ao trabalho...

Antes de eu sair de casa, Caco pediu que eu não demorasse, pois tinha um serviço pra terminar e precisava que eu ficasse com Pedro. Prometi voltar cedo....

Chegando lá, M. e A. no TP., mas M. numa boa e A., com soro, em TP avançado. Primeiro bebê, estava com a mãe, deitada de barriga pra cima, se contorcendo. A primeira coisa que eu fiz foi ligar o ventilador (vê se pode uma coisa dessa...), depois cheguei nela e convidei-a para um banho. Ela foi e aproveitou bem.
Depois não deitou mais, ficou de pé rebolando comigo, agachando, permanecendo de cócoras e prestando atenção nas contrações. Ela chegou a 10 rapidinho, mas o bebê demorou bastante pra descer. Quando faltava pouco pra descer, ela preferiu ficar ajoelhada na cama, escorando em mim durante as contrações. Nos intervalos, ela olhava pra mim, com aquele olhar distante e às vezes dizia que não ia conseguir, que queria desistir.
A mãe ficou ali do lado, agradecendo e incentivando, trazendo água e fazendo perguntas pra mim nos intervalos das contrações.
Quando decidiram que já era hora de ir para o CC, o cabelinho da T. já aparecia através da vulva.
Eu pedi (e o GO aceitou) para levar uma almofada triangular pro CC, pra colocar na mesa e assim elevar o tronco das parturientes durante o expulsivo. Além de facilitar a vida delas na hora de fazer força, ainda possibilita que elas tenham maior visibilidade quando o neném sai. Eu me coloquei atrás da almofada e fiquei ali, incentivando.
O enfermeiro que estava no CC nunca tinha me visto (é sempre uma senhora, que hoje não estava) e ele perguntou: quem é essa pessoa na cabeceira da mesa? O residente disse: é a doula. E ficou por isso mesmo. Imagino que o enfermeiro nem desconfie o que seja isso...
O expulsivo foi rápido, ela não teve epsiotomia, mas levou um pontinho. O bebê nasceu bem e ficou cerca de 10 minutos no colo dela até a pediatra levar pro berçário.

Voltando para o quarto, continuava a M. sem sentir dores... Era o terceiro filho dela, os dois primeiros nasceram de PN. Todos estranhavam o fato de o TP dela não engrenar. Ela estava com soro, já era a segunda bomba e nada. O residente decidiu estourar a bolsa dela e aí o TP engrenou.
Ela passou o TP todo na cama, sentada, perna de borboleta, balançando pra frente na contração. A evolução foi rápida depois disso. O expulsivo foi demorado e o bebê nasceu com Síndrome de Down. Aparentemente, ela não sabia...

Os dois bebês nasceram antes das 21h e um pouco depois, uma nova mulher foi admitida. Eu cheguei a ligar pro Caco pra saber se eu precisava mesmo voltar, por que se eu começasse a acompanha-la, teria que ficar até o final. E isso poderia durar umas longas horas....

Primípara, solteira e com 32 anos, a AP. me pareceu estar totalmente desconfortável no papel que exercia naquele momento. Ela se segurava toda durante as contrações, parecia que trabalhava contra o próprio corpo. Ela me surpreendeu muito, por que o comportamento dela é observado em TPs longos e sofridos, onde a mulher não faz muita coisa pra ajudar no processo. Mas o dela foi muito rápido. Em menos de 2 horas ela tinha dilatação total e o expulsivo foi super rápido também.
Depois, quando ela já estava de volta pro quarto, fui conversar com ela, falar da experiência e de coisas que nem deu tempo antes e ela ficou surpresa de saber que o TP dela foi rápido.

Curiosidade:
Todas as pessoas da equipe do hospital que entraram na sala de TP, me cumprimentaram, me chamando pelo nome.

24/03/06

O tempo tem passado rápido demais e eu não estou conseguindo escrever os meus relatos!

Nas últimas semanas eu acompanhei 11 TP’s e 8 partos, incluindo a primeira cesárea.

Eu lembro vagamente os detalhes, acho que se eu for contar vou acabar misturando as histórias.
Eu sei que teve:

- uma mulher que estava sentindo o TP como algo muito sofrido e mesmo tendo acompanhante o tempo todo e a minha presença também, a experiência do parto foi não bacana pra ela. Mesmo depois do nascimento do bebê, ela ficou irritada, triste, etc...

- 2 adolescentes que passaram pelo TP de forma tranquila. Uma teve um PN bacana e a outra uma cesárea que pareceu não muito adequadamente indicada, Não entendi muito bem como aconteceu, mas depois de puxar o bebê, ele acabou voltando e caindo na cavidade abdominal... sinistro! Tinha MUITO mecônio. O bebê foi pra UTI, mas ficou tudo bem.

- um PN manteiga, cujo TP foi muito rápido. A mãe já tinha 2 PN’s anteriores.

- um TP tranqüilo e nada demorado, mas que deixou a mãe agoniada, por que o primeiro parto foi bem mais rápido.

- um TP lindo, onde a mulher se apoiou completamente em mim e a gente rebolou muito junto, inclusive embaixo do chuveiro. A mãe dela estava junto e chorava ao nos ver tão próximas. Foi muito legal, depois conversamos bastante sobre o trabalho da doula.

- TP e parto de uma mulher 2 vezes maior que eu. Todo mundo ficou agourando, dizendo que eu não ia dar conta de doular uma mulher ao grande... hehe Mas deu tudo certo!

- uma japa doida, de atendimento particular, cujo médico não estava no hospital (e acho que nem estava na cidade), que chegou com 4cm de dilatação e berrava que queria fazer cesárea de qualquer jeito!!!! E o desejo dela foi atendido!

Também tem outras coisas acontecendo no hospital...

O médico parece confiar cada vez mais no que eu faço e faz questão de deixar isso claro para a equipe. Ele disse para um dos residentes (na minha frente) que quando eu estiver lá, ele pode ficar despreocupado, pode deixar os TP’s rolarem sem intervenções, principalmente sem a bomba de soro.
Nos partos que eu acompanho, as episiotomias estão virando lenda.
Tem gente na enfermagem dizendo que eu devia ser contratada do hospital e tem gente que ainda me olha de cima abaixo, como se eu fosse um ET.

Fora do hospital, a pareceria com o médico ainda não engatou, mas é só uma questão de tempo, eu espero.

Acabei de voltar de São Paulo, onde fiz o curso de Educadora Perinatal, no GAMA. Estou cheia de idéias, cheia de energia e pronta pra recomeçar!

3 de maio de 2008

10/02/06

Puxa uma cadeira que o relato hoje é grande!!!

A maternidade estava lotada de recém paridas e não parava de chegar mulher pra ser examinada. No TP, só a AC. acompanhada da mãe.

Primigesta, 19 anos e muito pouco disposta a sair do lugar, ouviu com atenção tudo o que eu expliquei, as dicas que dei, mas não seguiu nenhuma delas. Não quis andar, por que a camisola é feinha, tinha vergonha. Não quis sentar, por que não consegue. Nem agachar, por que depois não levanta. Não quis tomar banho, por que levantar é difícil.

Nesses casos a minha ação fica muito limitada e eu forcei um pouco a barra, dizendo pra ela aproveitar que só estávamos nós duas, por que com o tempo o TP ia engrossar e ela ia precisar muito ajudar o corpo dela, pra ela ir treinando enquanto as dores estavam suportáveis.

Quando eu cheguei (mais cedo hoje, às 17h), ela estava com 2cm de dilatação e as dores começavam. A mãe dela tentava em vão tirá-la da cama e depois de muita conversa, ela decidiu ficar em uma cadeira, inclinando o corpo para a frente quando vinha uma contração.

Neste ponto do TP, outras 2 mulheres chegaram e eu direcionei a minha atenção à elas.

A J. ficou o dia todo andando na rua, foi em dois hospitais antes de ser admitida na Casa às 18:30h. Nesses dois hospitais, ela ficou o tempo todo ativa.

Uma outra grávida que estava com ela e fez o mesmo caminho, me contou que ela não parava um segundo, mas que estava muito concentrada. Quando ela foi admitida na Casa, estava com 4cm e um pouco cansada, preferiu ficar deitada.

Eu estava com outra menina, mas mesmo assim ia lá de vez em quando falar com ela. Deitada ela se contorcia de dor, mas ainda conseguiu normalizar a respiração. Depois de um tempo (pouco), sugeri o banho só pra tirar a nhaca da rua e ela foi. A mãe dela estava junto. Na volta ela sentou na minha bola e eu fiquei massageando as costas dela.

Ela levantou umas 3 vezes pra ir ao banheiro, fez xixi, fez cocô e vomitou também.
O médico tinha acabado de tocar (8cm), na quarta vez que ela decidiu ir ao banheiro.
A mãe dela tinha saído do TP também.

Diálogo:
J.: - Eu tô com vontade de fazer cocô.
Eu: É normal J., a cabeça do bebê está pressionando lá embaixo... (abaixei na frente dela)
J.: Acho que eu não vou fazer, não. Tenho o intestino preso.
Eu: Fica aí um pouquinho, por que pode ser que você realmente faça alguma coisa.
(não sei pq levantei, dei um passo pra trás, abri a porta do TP e vi o GO entrando na sala de consulta, no fim do corredor, nem sinal da auxiliar do postinho). Quando eu me viro:
J.: - Ele está nascendo.... (ela apóia as mãos no assento do vaso e ergue um pouco o corpo).
Eu: * * * * * * * * * (olho e vejo um líquido viscoso escorrendo... e cabelos) . Pensamento: pqp! Cadê todo mundo????? (abro a porta e chamo, tentando não demonstrar desespero: Fáááááátima!)
Dei o passo mais largo da minha vida pra chegar nela numa passada só!
Minha preocupação era esse menino cair na água.... Pedi pra ela tentar não fazer mais nenhuma força (e ela não estava fazendo) e coloquei as mãos por baixo, quase tocando a bunda dela. No que eu encostei a mão, a cabeça saiu, primeiro o "cucuruto" alongado e depois o giro feito na minha mão.
Eu: J. ... não faz força... (e eu olhando aquela carinha amassada, com os olhinhos bem cerrados) J.: Não façooooo..... (sussurrando)
Um ombro....
Outro...
Plumbt!
Muito líquido, a bolsa dela não tinha rompido até um pouco antes... E eis que o Pedro estava nas minhas mão! Com as costinhas viradas pra cima...

O GO e o resto do povo todo, chegou neste exato momento:
GO: Xúxus? (como ele me chama).... eita, que beleza! (risos)

Passei o bebê pra ele e fiquei alí acocorada num canto entre o vaso e a parede, segurando a mão da J. Ela com um sorriso mole no rosto. A enferemeira boquiaberta, a mãe dela vibrando, o residente pegando material pra concluir e um mundo de gente atrás desse povo, rindo, parabenizando, falando, saindo pra contar....

O GO virou ele de ladinho, ele fez xixi e o jato foi direto pra dentro do vaso, entre as pernas da mãe. Todo mundo riu!
Ele disse pra ela segurar, mas ela não quis, estava mole, tremendo... Eu também!

Depois ele vira pra mim e pergunta se está tudo bem.... Eu só ria, olhos marejados!

Enfim... o cordão foi cortado, o GO o levou ao berçário. Tudo bem com ele, 49,5cm, 3.700gr.
A J. ficou um pouco no vaso, esperando a placenta sair, mas depois decidiram levar ela pro leito e depois pro CC, por que ela teve um laceração média (não me perguntem quanto é isso, por que eu não dei atenção aos detalhes).

Depois que tudo se acalmou, ele veio falar comigo, não ficou bravo nem nada (não é do perfil dele ficar irritado com essas coisas). Ele agradeceu, perguntou se eu estava emocionada, se era a primeira vez, etc... Muita gente ainda veio perguntar como tinha sido.

A enfermagem ficou num misto de perplexidade e indignação, mas eu nem ligo. Nem tive culpa também, né? Quem imaginaria que a evolução dela seria tão rápida? Ela chegou às 18 e pouco e o bebê nasceu às 20:20h. O comportamento dela não se alterou durante todo este tempo. Sempre serena, sempre forte.

Eu fiquei toda boba, feliz, emocionada!
Quem nunca viveu isso, não tem idéia de como é lindo! Aquela cabeça macia e quente na sua mão.... girando e saindo sozinha... É muito... é demais!
Não é o primeiro parto em que eu estou presente, mas foi diferente por vários aspectos. Principalmente por que eu estava de frente pra eles, sempre vejo da perspectiva da mãe...

V., 42 anos, primigesta. Ela estava com a bolsa rota há mais de 12 horas e bastante ativa, mas o TP dela não engrenava e logo depois do nascimento do bebê da J., ela foi pra cesárea.

Acho que de alguma maneira o nascimento do P. contagiou o ambiente e a AC. finalmente decidiu começar a fazer alguma coisa para se favorecer. Ás 21 e pouco da noite, novo toque: 6cm (dilatou isso tudo sem sair do lugar!! Imagina se tivesse ficado ativa desde o começo??).

Ao mesmo tempo, a mãe deu lugar à sogra e a postura das duas era muito diferente. A mãe da AC. mal olhava pra ela e a sogra era a energia em pessoa!

Logo que eu percebi que a N. tinha um grande poder de influência sobre ela, chamei-a num canto e pedi pra ela tirar a AC. da cama, levar pra tomar um banho e aceitar as dicas que a gente ia dando... Animou um pouco, foi tomar banho, depois ela ficou muito tempo na bola, inclinando o corpo para a frente durante as contrações e dando espaço para ser massageada. No intervalo, ela encostava em mim (largadona!!) e a gente respirava junto, de olhos fechados, no mesmo ritmo.

A N. de mãos dadas com ela dando a maior força, trazendo água, falando sobre os próprios partos, incentivando, chamando-a de guerreira, que agora sim, ela estava ajudando, etc, etc.

Eu AMEI conhecer a N.!!!Antes da 1h da manhã, dilatação total. Ela pula para a maca e vamos para o CC. Foi super rápido também, duas ou três forças e lá estava a AB. Não teve epsiotomia e a dequitação da placenta foi ligeira!

Acompanhei o parto da S. também, mesmo sem ter ficado com ela no TP.
Ela veio transferida de outro quarto quando eu estava atendendo a AC. na fase em que ela realmente se apoderou do processo. Não foi possível dar atenção pra ela, mas dei umas dicas para a mãe e ela tentou massagear e incentivar a S. a sair da cama, mas ela não quis, respondia de forma bem agressiva desde o começo, mesmo expressando grande incômodo e estando em fase avançada do TP.
No CC ela pareceu mais calma e o parto chegou ao fim rapidamente, sem epsiotomia também!

Depois eu fiquei com a V. que fez cesárea. Entre o atendimento inicial da AC. e da J., eu tinha ficado um tempão com ela já, mas as contrações não eram efetivas e ela não teve nada de dilatação, mesmo se mantendo ativa, mesmo com indução. E a bolsa dela estava rota há mais de 12 horas...

17 de novembro de 2006

Leoa.

Infelizmente cheguei atrasada hoje e peguei o TP da A. bem no finalzinho, nem consegui entrar no CC com ela, por que inventaram uma tal de senha pra abrir a porta e ninguém tinha me passado ainda...
A acompanhante dela rapidamente me deu espaço e eu pude trabalhar nos últimos 2cm de dilatação, que aconteceu em menos de 1 hora.
Ela estava tão inteira no processo, tão concentrada. É lindo quando uma mulher se entrega assim! Ela se mexia, se acomodava, acocorava, rosnava...
Num determinado momento, de frente pra mim, ela alisava meu cabelo, em volta do rosto e dizia: tá tudo bem, tá tudo bem... Completamente fora de órbita, com o olhar desfocado, suspirante e com meio sorriso no rosto...
Logo depois disso, ela foi levada ao CC e o bebê veio pro berçário uns 20 minutos depois.

26 de maio de 2005

Veja que situação...

Quando eu cheguei, 2 mulheres dividiam a sala de TP. O quarto com as luzes apagadas, ambas deitadas no leito. Fui até o posto da enfermagem pra ler o prontuário delas.

R., 34 semanas, Óbito Fetal, tomando ocitocina para indução do TP.
E M., 42 semanas, primípara, 40 anos, 4cm de dilatação.

Dois problemas: a M. estava dormindo (literalmente) e quando acordou, quase duas horas depois, não quis conversar, muito menos permitiu que eu a tocasse ou aceitou as dicas de banho e movimento. Fiquei sem jeito pra lidar com a R., embora não fosse a primeira vez que eu tenha recebido um OF, mas a situação era muito desconfortável.

Como lidar com as duas, no mesmo espaço?
Como incentivar uma a se movimentar pra ajudar o TP, falar de vida e consolar a outra pela perda?
Como fazer isso, com uma ouvindo os conselhos dados para a outra?
Além disso, eram duas mulheres um tanto inacessíveis e eu não gosto de forçar a aproximação. Fui várias vezes lá na sala, perguntar se estavam bem, se queriam alguma coisa, explicar o meu trabalho e dizer que podiam se apoiar em mim. Mas não conseguia ficar lá dentro.

Então, além de passar nos quartos (quase vazios) pra ver as recém paridas, troquei várias figurinhas com o GO, de novo! Isso tem sido muito bom!
E teve também algumas consultas, entre elas, a de uma mulher que eu conheci num outro plantão e ela ficou curiosa do meu trabalho (na época), fez perguntas, pediu dicas, pegou meu telefone e eu nunca mais tinha visto ela. Pois hoje eu soube que ela agora é paciente particular do GO e que eu vou atendê-la no TP também...