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23 de agosto de 2010

Mais e mais mulheres optam por dar à luz sem anestesia.

Quando passou a ser usada para aliviar as dores do parto, no século 19, a anestesia foi comemorada como uma conquista feminina. Hoje, mais e mais mulheres optam por dar à luz sem ela. A gente foi investigar por quê.

No mundo todo cresce o número de mulheres que optam pelo parto sem anestesia. No Brasil, um dos campeões mundiais em cesariana, os índices ainda são pequenos, visto que, óbvio, a anestesia só pode ser dispensada no parto vaginal. Ainda assim, cada vez mais mães que buscam o parto natural, com o mínimo de intervenção médica, dispensam a dor da picada e enfrentam a das contrações, da dilatação e da expulsão do bebê. Onde quem opta pela cesariana, temendo o parto normal, vê dor, as mães que evitam a anestesia enxergam prazer. Segundo elas, sentir o nascimento do filho é uma delícia. Para algumas, comparável a um orgasmo.

No livro As 500 Melhores Coisas de Ser Mãe, das publicitárias Juliana Sampaio e Laura Guimarães, autoras do blog que virou programa de TV Mothern, a 29ª melhor descoberta da maternidade é “reconhecer o valor de ter nascido após a invenção da anestesia”; e a 30ª, “ou encarar um parto natural sem isso e descobrir-se mais forte e poderosa do que você jamais se imaginou”. Ou seja, questão de opção. Ninguém é mais mãe por sentir dor, claaaaro. Nem precisava dizer, mas a gente faz questão.

Na primeira vez que a anestesia foi usada com esse fim, corria o século 19. A rainha Vitória deu à luz seu oitavo filho sob efeito do clorofórmio. A peridural, usada até hoje, surgiria só no século 20. No Brasil, o governo passou a pagar ao SUS pela anestesia dada no parto normal apenas a partir de 1998. Na Europa, em geral, as anestesias continuam sendo evitadas. Em outros países, como Espanha, Portugal e nos Estados Unidos, são usadas de forma liberada, mas também cresce o movimento por menos intervenções.

Entre as razões citadas pelas mães para evitar a anestesia estão o desejo de perceber o momento em que os bebês nascem, sentir prazer durante o parto, evitar que os bebês tenham contato com os anestésicos e ter maior mobilidade para amamentar.

Segundo o neonatologista Carlos Eduardo de Carvalho Corrêa, filho de Victor e Silma, um procedimento sem anestesia estabelece rapidamente o vínculo materno. Ele cita estudos que mostram que bebês nascidos de partos sem a necessidade de anestesia, ao serem colocados sobre o ventre da mãe, logo após o nascimento, fazem um movimento em direção ao peito materno, o que não acontece com bebês nascidos sob intervenções anestésicas.

Diminuindo a dor

Mas como conseguir tudo isso? Uma das respostas é recorrendo ao apoio de uma doula, acompanhante de parto que, além de dar apoio e incentivo na hora mais dolorida, ensina técnicas de respiração que ajudam a diminuir o desconforto. A presença dessa profissional, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), diminui em cerca de 60% os pedidos de anestesia. Claro que fica muito complicado não fazer nenhuma preparação prévia e querer ter o filho a seco na hora...

Segundo a doula Cristina Balzano, mãe de Mônica, Miguel e João Pedro, o ideal é que a mulher não prenda o ar durante as contrações. “A respiração tranqüila, pelo abdômen, oxigena também melhor o bebê”, explica. Outras dicas são a escolha da melhor posição, que é individual para cada mulher, massagens e o contato com a água, seja numa banheira, ducha ou com compressas, já que, diz Cristina, a água é um excelente analgésico natural.

Foi a água que auxiliou Mariana Betioli, mãe de André. Compressas feitas nas costas ajudaram no trabalho de parto. “Queria sentir cada momento lúcida, à vontade e segura”. Já Daniela Aragão, mãe de Pedro, Bernardo e Julia, teve os três filhos em partos normais: o primeiro com anestesia; os outros dois, sem. Para ela, não há comparação. “Prefiro quando tenho controle e sei a hora em que tenho de fazer força. Trabalhar em sintonia com o bebê foi a melhor sensação que já vivenciei”.

O próprio organismo se encarrega de produzir substâncias que contribuem para aliviar a dor. “O trabalho de parto oferece as ferramentas para diminuir as sensações dolorosas, produzindo um incremento fantástico nas endorfinas (substâncias conhecidas como “analgésicos do cérebro”)”, diz o obstetra e homeopata Ricardo Herbert Jones, pai de Lucas e Isabel, que relata, no livro Memórias do Homem de Vidro, sua opinião sobre o tema. A incidência das anestesias nos partos que acompanha é de quase zero.

O cérebro tem um poder tão fantástico que basta a gente acreditar que não vai mais sentir dor para ter algum alívio. Segundo um estudo feito na Universidade de Michigan, nos EUA, a simples menção de que iriam receber um anestésico fez com que pacientes que tinham tomado uma substância causadora de dor registrassem um aumento na produção de endorfinas. Acontece que a substância não passava de um placebo, sem efeito nenhum.

O direito de optar

Mas é claro que você não precisa ser radical. É sempre muito bom saber que a gente pode optar pela anestesia se, na hora H, a dor for demais. Heather, mãe de Emily, Lucas, Logan e Anna Elisa, durante sua gravidez mais recente, não queria anestesia de jeito nenhum. Mas, na hora, a dor ficou forte demais. “Estava além do meu limite. Com certeza, a anestesia ajudou.”

O obstetra e acupunturista Marcos José Pires, pai de Leonardo e Nathalia, acredita que a analgesia de parto, se aplicada no momento certo, isto é, quando as contrações ficam mais fortes entre 6 cm e 8 cm de dilatação (o total é de 10 cm de dilatação do colo do útero, quando o bebê nasce), pode garantir que a gestante tenha um parto normal. “Já no início do pré-natal, a mulher se preocupa com a dor. Sabendo da possibilidade de um procedimento que melhore bem essa dor, elas ficam mais estimuladas a tentar o parto normal”.

E, acredite: depois da picada, você realmente não sente nada. É um alívio e tanto quando a coisa começa a ficar insuportável para os padrões de algumas mulheres. Nada de bancar a heroína, não é essa a idéia.

Segundo o obstetra, que também usa a acupuntura para aliviar a dor, a analgesia atua melhorando a evolução do parto normal, facilitando a descida do bebê e a dilatação. Mas o médico alerta que isso só acontece se for feita no momento adequado, com acompanhamento do obstetra e com anestesista experiente. Caso contrário, ela pode favorecer uma parada das contrações uterinas e dificultar a dilatação, aumentando o risco de cesariana.

A Dra. Daphne Rattner, filha de Heinrich e Miriam, técnica da área de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, acredita que mulheres que, sentindo-se bem acolhidas, acompanhadas por pessoas de suas relações e profissionais que lhe inspiram confiança conseguem, muitas vezes, controlar as contrações e até não sentir a dor. Porém, quando essas condições não ocorrem, aumenta a tensão e, conseqüentemente, a dor. Daí a importância da anestesia. O melhor é não fazer nada contra a vontade. A sua, óbvio. Se achar que não precisa, tente sem. Se achar que precisa, peça e pronto. Doa a quem doer. Só não pode doer mais do que você consegue (e quer) suportar.

Conheça os tipos de anestesia:

Local: a anestesia local serve, basicamente, para permitir a episiotomia – corte na vulva ou vagina na hora do parto.

Raquidiana baixa: realizada no período expulsivo, tem ação somente na região perineal e não tira a dor das contrações.

Analgesia de parto: feita durante o trabalho de parto, serve para diminuir ou tirar a dor da contração uterina e provocar anestesia na região perineal. Via cateter, vai sendo injetado anestésico de acordo com a necessidade de cada mulher. Existem duas técnicas, uma com bloqueio simples, peridural, e outra técnica de duplo bloqueio que associa a raquianestesia com a anestesia peridural.

22 de agosto de 2010

Parto Normal vs. Cesárea (parte 1): a magnitude do problema.

Ao longo das últimas décadas, as taxas de cesárea têm se elevado em todo o mundo, chegando a atingir taxas superiores a 50% em alguns países da América Latina (1). Esta elevação tem sido vista com preocupação por muitos profissionais de saúde e organizações internacionais incluindo a Organização Mundial de Saúde, uma vez que cesarianas desnecessárias podem se associar a riscos maternos e perinatais (1).

A cesariana bem indicada tem efeitos benéficos documentados e representa em nossos dias um procedimento relativamente fácil e seguro, uma vez que estão disponíveis técnicas seguras de antissepsia e anestesia, além do acesso amplo ao uso de antibióticos e transfusões de sangue. Todos esses avanços culminaram em popularização da operação cesariana nos países desenvolvidos a partir da primeira metade do século XX, resultando inicialmente em significativa redução das complicações relacionadas com o parto, bem como em declínio importante da mortalidade materna e neonatal (2).


Verifica-se uma ampla variação regional entre as taxas de cesariana, com as menores taxas nos países pobres, especialmente no continente africano. Embora as taxas ideais de operação cesariana não sejam bem definidas, estima-se que o risco de morte materna é muito elevado em países onde a incidência de cesariana é menor que 5%, refletindo a falta de profissionais qualificados para assistência ao parto e a falta de acesso da população aos serviços de saúde (3).

O grande problema na atualidade é que diversos estudos apontam que taxas de cesariana superiores a 15%-20% não resultam em redução das complicações e da mortalidade materna e neonatal e, ao contrário, podem estar associadas a resultados prejudiciais tanto para a mãe como para o concepto (1, 4, 5).

Nos Estados Unidos da América, a cesariana aumentou de 20,7% em 1996, para 31,8% em 2007 (6). Entretanto, nos países europeus, especialmente no Norte da Europa, que apresentam taxas mais baixas de cesariana, em torno de 20%, melhores resultados maternos e neonatais têm sido obtidos (5). Taxas muito elevadas de cesariana podem representar a causa do excesso de mortalidade materna em alguns países desenvolvidos, uma vez que, excedendo substancialmente 15%, os riscos para a saúde reprodutiva passam a superar os benefícios (5).

Em alguns países da América do Sul a frequência de cesarianas já chegou a 80% no setor privado (1), apresentando associação direta com a renda per capita do país (7). Além das condições financeiras, os determinantes das cesarianas são bastante complexos e podem incluir mitos e convicções dos médicos, bem como características sociais e culturais das pacientes (8).

No Brasil, as taxas de cesárea mantêm-se em ascensão desde a década de 70 e atualmente correspondem a 46%, porém variam bastante entre as regiões, principalmente quando se compara a assistência realizada pelo Sistema Único de Saúde com a assistência privada. A taxa de cesarianas no setor de saúde suplementar chega próximo de 80%, enquanto no Sistema Único de Saúde fica em torno de 30% (9).

Os problemas decorrentes do excesso de cesarianas foram demonstrados em diversos estudos recentemente publicados. Ultrapassando-se o limite de 15% a 20%, cesarianas estão associadas com maiores taxas de mortalidade materna, aproximadamente quatro a cinco vezes maiores que o parto vaginal (1, 4, 5, 10) e também resultam em maiores riscos de complicações e morte neonatal (1, 4, 5). Esses riscos permanecem elevados quando se controlam fatores potencialmente confundidores, como a indicação e o grau de urgência da cesariana (11-13). O que se verifica é que mesmo em gestantes saudáveis, de baixo-risco, a cesariana eletiva (realizada antes do trabalho de parto) sem indicação médica definida está associada com aumento do risco materno e neonatal (13).

Mulheres submetidas a cesarianas apresentam aumento do risco de nova cesariana, de placenta prévia e placenta acreta nas gestações seguintes, além do risco de histerectomia por cesarianas repetidas (14). Para os bebês, especialmente nas cesáreas eletivas, ocorre aumento do risco de complicações, especialmente admissão em unidade de terapia intensiva neonatal e desconforto respiratório (11-13), que podem ser reduzidas se a cesariana eletiva for realizada acima da 39ª semana de gravidez (13).

Nos próximos artigos publicados nesta coluna, discutiremos por que as taxas de cesárea são tão elevadas no Brasil. São as mulheres que pedem a cesárea ou há um abuso de indicações não-baseadas em evidências pelos obstetras? Quais os pretextos frequentemente utilizados para operação cesariana? Quais as reais indicações de cesárea?

Melania Amorim, MD, PhD

REFERÊNCIAS
1.Villar J, Valladares E, Wojdyla D, Zavaleta N, Carroli G, Velazco A, Shah A, Campodónico L, Bataglia V, Faundes A, Langer A, Narváez A, Donner A, Romero M, Reynoso S, de Pádua KS, Giordano D, Kublickas M, Acosta A; WHO 2005 global survey on maternal and perinatal health research group. Caesarean delivery rates and pregnancy outcomes: the 2005 WHO global survey on maternal and perinatal health in Latin America. Lancet 2006; 367:1819-29.

2.Low J. Cesarean section: past and present. J Obstet Gynaecol Can 2009; 31: 1131-6.

3.Shah A, Fawole B, M'imunya JM, Amokrane F, Nafiou I, Wolomby JJ, Mugerwa K, Neves I, Nguti R, Kublickas M, Mathai M.Cesarean delivery outcomes from the WHO global survey on maternal and perinatal health in Africa. Int J Gynaecol Obstet 2009; 107 :191-7

4.Lumbiganon P, Laopaiboon M, Gülmezoglu AM, Souza JP, Taneepanichskul S, Ruyan P, Attygalle DE, Shrestha N, Mori R, Nguyen DH, Hoang TB, Rathavy T, Chuyun K, Cheang K, Festin M, Udomprasertgul V, Germar MJ, Yanqiu G, Roy M, Carroli G, Ba-Thike K, Filatova E, Villar J; World Health Organization Global Survey on Maternal and Perinatal Health Research Group. Method of delivery and pregnancy outcomes in Asia: the WHO global survey on maternal and perinatal health 2007-08. Lancet 2010; 375: 490-9.

5.Betrán AP, Merialdi M, Lauer JA, Bing-Shun W, Thomas J, Van Look P, Wagner M. Rates of caesarean section: analysis of global, regional and national estimates. Paediatr Perinat Epidemiol 2007; 21: 98-113.

6.Hamilton BE, Martin JÁ, Ventura SJ. Births: Preliminary Data for 2007. National Vital Statistics Reports 2009; 57: 12.

7.Belizan JM, Althabe F, Barros S, Alexander S. Rates and implications of caesarean section in Latin America: ecological study. BMJ. 1999; 319:1397-400.

8.Yazlle MEHD, Rocha JSY, Mendes MC, Patta MC, Marcolin AC, Azevedo GD. Incidência de cesáreas segundo fonte de financiamento da assistência ao parto. Rev Saúde Públic. 2001; 35:202-6.

9.Departamento de Informática do SUS. Sistema de Informações de Nascidos Vivos. Disponível em URL: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2008/f08.def (Acesso em 30.03.2010).

10.MacDorman MF, Menacker F, Declercq E. Cesarean birth in the United States: epidemiology, trends, and outcomes. Clin Perinatol. 2008; 35:293-307.

11.Villar J, Carroli G, Zavaleta N, Donner A, Wojdyla N, Faúndes A, et al. Maternal and neonatal individual risks and benefits associated with caesarean delivery: multicentre prospective study. BMJ. 2007; 335:1025-35.

12.Yee W, Amin H, Wood S. Elective cesarean delivery, neonatal intensive care unit admission, and neonatal respiratory distress. Obstet Gynecol. 2008; 111:823-8.

13.MacDorman MF, Declercq E, Menacker F, Malloy MH. Infant and Neonatal Mortality for Primary Cesarean and Vaginal Births to Women with “No Indicated Risk,” United States, 1998–2001 Birth Cohorts. Birth. 2006; 33:175-82.

14.National Collaborating Centre for Women's and Children's Health. Caesarean section. London (UK): National Institute for Clinical Excellence (NICE); 2004. p.142. 


21 de agosto de 2010

Orgasmo ao avesso.

Espasmos mais fortes do que é possível imaginar. O corpo entregue a sensações antes desconhecidas em partes que nunca foram sentidas. Não há o que fazer. Impossível lutar contra. Gemidos? Os mais intensos. Não dá pra voltar atrás, nem pedir para parar. Só resta abrir as pernas e relaxar, deixar acontecer. Isso implica respirar fundo e se entregar à dor que vai expulsar o feto do ventre e transformá-lo em um bebê, e você, em mãe.

É como perder a virgindade, só que ao contrário. Em vez de puro prazer com uma pitadinha de dor e ansiedade por não saber exatamente o que vai sentir, muita dor e ansiedade com uma pitada de prazer ― pelo mesmo motivo. (Isso para quem gosta de aventura, mistério e superação.)

Minha maior curiosidade era a intensidade da chamada "dor de expulsão" do feto. Agora já sei e vou contar: é como a dor de fechar a porta do carro e esquecer de tirar a mão da porta. Como dar uma martelada no prego e acertar o dedo. Ou, ainda, como as agulhadas de uma anestesia local no dedão de um pé que acabou de perder a unha num acidente (aconteceu comigo no sexto mês de gestação. Até então, as cinco agulhadas da anestesia geraram a maior dor que me lembro ter sentido na vida). No caso do parto, a extensão também é maior ― dentro do abdome todo até "lá embaixo". A duração também é mais longa, e vai e volta, e vem e vai ― por vários minutos... até surgir o rebento.

O momento mais interessante ― chega a ser engraçado ― é quando começam os espasmos espontâneos. Nessa hora, mesmo quem não é muito fã de gemidos "à la filme pornô" acaba gemendo muito. Esses espasmos são semelhantes ao orgasmo mais intenso ― aquele que a gente nunca mais quer sentir de novo, porque exige muita entrega e a gente fica sem controle e pensa que vai morrer, mas ao mesmo tempo quer morrer sentindo aquilo. A diferença é no final. Acaba de repente. E tem que se entregar para a dor. Relaxar mesmo, da mesma maneira que para o prazer. No começo a gente tem que ajudar fazendo força. A enfermeira obstetra diz: "Faz força de cocô!". Eu tentei. Acho que podiam dizer outra coisa, mas a gente pega o jeito mais rápido. É uma frase feia, mas prática. Na verdade, é o mesmo tipo de força de quando o "número dois" está ressecado. É a mesma sensação do momento de passagem da cabeça do feto ― só que em outra saída. No começo a gente tem mesmo que fazer força. Se não fizer, a dor é muito maior e parece que vai rasgar tudo. Fazer força faz a dor e a sensação de que vai rasgar diminuírem, além de fazer a gente se sentir no controle, forte e poderosa.

A grande surpresa é que depois de algum tempo o corpo começa a fazer tudo sozinho. Eu levei um susto enorme. Não fosse a dor, eu teria dado muita risada de mim mesma. Ninguém me avisou que isso aconteceria. Na hora, lembrei do meu obstetra com quem fiz o pré-natal. Ele me ajudou muito na preparação para o parto natural, mas esqueceu desse detalhe. Lembro que a obstetra me pedia para não fazer mais força (porque estava aplicando anestesia para uma episioestemia depois que a Lara tentou por a cabeça pra fora umas 15 vezes, sem sucesso), mas eu não conseguia parar ― era o corpo fazendo tudo sozinho. Nem senti as agulhadas. E, de repente, o choro do rebento invade o ambiente e rouba todas as atenções. Inclusive a das dores que se transformaram em recordação num piscar de olhos.

O pai, coitado. Se tentar ajudar, atrapalha. Lembro que, na sala de pré-parto e durante o exame de cardiotocografia, ele queria fazer massagem na minha barriga, um carinho para ajudar aliviar a minha dor. Em troca, levou uns berros:
― Não me toca!
E quando tentava conversar para distrair:
― Cala a boca! Eu estou concentrada na dor! Fica aí quieto, não faz nada. Só não esquece de filmar.
Eu concentrada na minha aventura dolorida, analisando cada intensidade das contrações pré-expulsão do feto, e ele:
― Você está dormindo?
― Cala a boca!
Daí ele ficou quieto. Eu já tinha avisado pra ele:
― Não espere um parto bonitinho. Parto não é bonito. É um milagre. Mas não é bonito. Eu vou sofrer, posso gritar muito. Não faço ideia do quanto vai doer, mas acho que vai ser algo horroroso e com muito sangue. E você, trate de não entrar em pânico porque vai ter que filmar tudo.

E não é que ele conseguiu?
Engraçado foi quando a bolsa estourou. Eu estava na sala deitada e a enfermeira obstetra verificando a dilatação. Perdi a cena da bolsa que estoura do nada e vasa um monte de água e a gente sai correndo pro hospital. Ele:
― Nossa! Quanto sangue!
E a enfermeira:
― Vixe, pode ficar tranquilo que daqui vai sair de tudo, até bebê.
Eu não aguentei e dei uma gargalhada. Doeu pra caramba. Não dá pra fazer piada diante de uma parturiente, né?

Outra coisa bem esquisita é que nos filmes e novelas a gente vê as mulheres respirando bem rápido durante as contrações. Mas no hospital me ensinaram a respirar com bastante calma, inspirando pelo nariz e expirando pela boca. Inspira, segura e solta, bem devagar e concentrada. Isso ajudou bastante, pois alivia as dores e relaxa. É como comparar um comercial de Casas Bahia com um comercial da Natura ou O Boticário.

E assim como o sexo de vídeo, filme, novela não é como na vida real, o parto também não é. É tudo mais lento, mais intenso, diferente mesmo. Amamentar e cuidar do bebê também. Não é só dar o peito, trocar fraldas e dar banho. É preciso massagear os seios, cuidar do mamilo, e tem até um jeito certo para o bebê mamar sem machucar. Demorei três dias para aprender amamentar ― com as orientações do Banco de Leite. Mas agora está tudo bem tranquilo.

Ah, como tudo foi tão perfeito na gestação e no parto, ela tinha que nascer com o rostinho vermelho e um pouco inchado. Foi a força para nascer... e bebês nascem inchados mesmo. Mas seis horas depois ela já estava desinchada. No dia seguinte, nem parecia a mesma garota. Ela perdeu 300 gramas, mas recuperou o peso do nascimento e cresceu 3 centímetros em apenas 9 dias de vida ― sendo que o normal é com 15.

Assistindo a coleta de sangue na veia da mão (para verificar o grau da icterícia e a evolução do tratamento), as enfermeiras disseram que eu era muito calma, pois muitas mães ficavam desesperadas ao ver furar a veia do filhinho.

― Imagina. Ainda bem que tem como ver se tá tudo bem, e ainda bem que tem vocês para fazer isso, né? Ruim seria não ter tratamento.

Acabei dizendo isso para outras mães cujos filhos ficaram internados mais tempo. A filha da minha colega de quarto descobriu que estava com uma bactéria de infecção urinária da mãe, e precisaria ficar internada mais duas semanas. A mãe quase chorando de angústia e eu disse:

― Nossa! Que bom que os médicos descobriram isso antes dela ter alta! Assim ela vai ser tratada. Já pensou se você vai embora com ela sem saber dessa infecção?

Na hora a mãe parou de chorar e disse:
― É verdade. Você tem razão. Ainda bem mesmo.

Eu nunca fiquei internada nem nada. O que sofri de mais sério na vida foi ter deslocado os ossos do braço direito aos cinco anos de idade (salvando meu irmão mais novo de uma queda num tanque de lavar roupa que estava solto na nova casa alugada), e um escorregão que levei no banheiro e acabei chutando o trilho do Box e perdi a unha do dedão. Já sofri batida de carro que amassou a metade, quase caí de um penhasco na praia... mas nada grave aconteceu. Minha primeira internação foi agora, para parir.

Eu fiquei admirada com a cultura que a gente tem sobre partos em geral. Me lembro que assim que o pessoal do condomínio soube que eu estava grávida, cada mulher vinha me contar uma história. Umas diziam:
― Não dói nada. Parto normal é tranquilo. O meu foi... ― e lá vinham duas horas de relato.

Teve uma que até viveu uma piada. Ela não sabia nada de nada. Mal sabia como engravidara (na época, 40 anos atrás). Então, foi ao banheiro fazer xixi e a bolsa estourou. Ela não sabia do que se tratava e apenas contou do "xixi estranho". Daí, alguém perguntou: ― Por que você não me contou que a bolsa estourou? E ela respondeu: ― Mas eu não levei bolsa pro banheiro.

Também ouvi histórias de quase morte, de cesarianas com recuperação terrível, e relatos de que parto normal é a coisa mais horrível do mundo. Que eu deveria fazer cesariana para não sofrer.

No hospital ouvi dizer ― de quem havia tido quatro partos normais e o último cesariana ― que cesariana é a pior coisa, pois a recuperação dos pontos é terrível.

Sobre leite, uma senhora me disse: você tem que beber bastante leite para ter leite. E depois que ela nascer, tem que tomar canja para ter leite. ― O que é canja? (Eu juro que não sabia. Nunca tomei isso.)

Mas caramba! Essa conversa toda não faz o maior sentido. As especialistas do banco de leite informaram que toda mãe produz leite saudável. Meu obstetra me explicou como me preparar para um parto natural. O importante é saber que a gente vai sofrer, mas precisa estar relaxada. Não dá para tentar aliviar a dor, lutar contra ela ― isso sim faz doer muito mais. E a gente precisa sentir o corpo. Não tem nada que respirar rápido, fazer tudo correndo. Não. É devagar, lento. Bem diferente dos vídeos. Mesmo o montão de vídeo que tem no YouTube. Tem parto bonito, parto horrível... Mas eu acho que optar por uma cesariana sem necessidade biológica pode ter ligação psicológica com algum medo de enfrentar o desconhecido descontrolado.

Meu marido disse:
― Amorzinho, agora você provou que é macho. Estou muito admirado de como você aguentou tudo aquilo sem se esguelar. Eu pensei que você ia morrer, e você ali, calminha, controlada. Parabéns!

E parabéns mesmo. Agora me sinto muito mais poderosa do que antes. Não posso dizer que foi o maior sofrimento que tive na vida. Afinal, foi uma escolha minha engravidar. Mas posso dizer que se consegui passar por esse momento de forma consciente e sem berrar feito louca, se consegui encarar sem pirar (como algumas mulheres me relataram), acho que consigo encarar qualquer coisa.


Agora não vejo a hora de acabar essa fase chamada "puerpério", dieta, resguardo e voltar a namorar o maridão para desavessar esse orgasmo tão intenso que senti. Será que vai ser como foi a primeira vez? Não faço ideia... só sei que o jeito é relaxar e deixar a vida acontecer. E por mais que seja necessário estar no controle durante um bom tempo, treinando e se preparando, chega a hora em que para sentir os intensos espasmos da vida a gente tem que abrir mão do controle. Então, tudo acontece naturalmente ― horrorosa e maravilhosamente.

16 de agosto de 2010

Doulas - Anjos da guarda das mães na hora do parto, elas dão apoio, segurança e incentivo.


Na hora do parto, a equipe especializada faz o seu trabalho: o obstetra está preocupado com os aspectos técnicos do procedimento, as enfermeiras cuidam para que nada falte ao médico, o pediatra se envolve com o bebê. Apesar de uma equipe multidisciplinar com vários membros, ninguém está ali especificamente para cuidar do bem estar da mãe que está dando à luz. Aí entra em cena um anjo que pode preencher essa lacuna: a doula.

O ginecologista e obstetra Ricardo Herbert Jones define as doulas de maneira lúdica. "Doulas são amortecedores afetivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. As doulas, como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade".

As doulas são acompanhantes de parto. Elas fazem o trabalho de apoio, acolhimento, incentivo e carinho com a parturiente. "Realizam técnicas para ajudar a mulher a lidar com a dor, incentivá-la a assumir as posições que facilitem o parto e fazê-lo o mais próximo possível daquele que ela deseja", explica a doula Priscila Cavalcanti, do Barriga Boa.

Cada profissional pode ter suas especializações. Umas são formadas na área de saúde, outras carregam na bagagem a experiência com filhos e sobrinhos. Algumas utilizam técnicas de massagem e acupuntura ou holísticas como reiki, cromoterapia, musicoterapia. Outras usam conhecimento técnico em fisioterapia, psicologia. Cabe à paciente saber qual delas se encaixa melhor no perfil que procura.

É importante lembrar que, apesar de todo o seu treinamento, a doula não está habilitada a fazer exames ou prescrição de medicamentos. Um alerta: ela não é parteira, médica obstetra, obstetriz ou enfermeira obstetra. "Não realizamos partos, não temos licença profissional para atuar assim, mesmo em partos domiciliares. O foco é o bem-estar da mulher. Acompanhar o nascimento, realizar procedimentos, aparar o bebê, isso é com a equipe obstétrica", esclarece Priscila.

Em diversos países as doulas são imprescindíveis e sua atuação já vem de longa data. Estima-se que só na América do Norte existam 12 mil acompanhantes. No Brasil, a demanda de mulheres e instituições que solicitam esse serviço, ainda que bem menor, vem crescendo. Com a adesão das instituições de saúde aos projetos de parto humanizado, um bom espaço foi aberto. Já não era sem tempo: essa função na assistência ao parto está completando quase uma década no país.

27 de julho de 2010

Eu acredito!

Eu acredito em você, acredito na força do seu corpo, da sua natureza. Se você foi capaz de gestar, vencendo as raras estáticas que fazem acontecer a vida humana, você tem plena capacidade de parir. Eu acredito em você e torço para que esqueça as dores dos outros, as experiências alheias, as referências de dores do mundo. Esqueça os diagnósticos médicos que tentam exaltar sua incapacidade.

Eu acredito em você e mais ainda que você deseja ardentemente o melhor para si e para seu bebê. Eu acredito que você espera que sua natureza trabalhe e que você sinta, como um corpo no oceano, que se aproxima de uma praia paradisíaca. A cada onda você se aproxima. E quando estiver mais perto do continente, a maré ficará mais forte. Simplesmente solte seu corpo e confie na força da natureza. Ela é você.

Ao invés de pensar no que pode falhar, não dar certo, do que está fora dos protocolos, pense no evento do nascimento como uma festa. Prepare uma deliciosa mala de comida, com aquilo que você quer eternizar em sua memória. Lembre que mesmo sem lucidez você lembrará do nascimento de seus filhos com uma riqueza de detalhes impressionantes.

Pense nas músicas que você quer ouvir durante sua viagem ao seu interior. Sim, vivenciar o parto é mergulhar dentro de si e nesta floresta escura e desconhecida, viver a mais fantástica aventura espiritual e humana. Escolha sua trilha sonora. Se você canta, ensaie para seu filho. Cantar ajuda a aliviar as tensões, a relaxar o assoalho pélvico e faz a dor ficar bem mais amena. Se seu marido toca viola, escolha canções para ele cantar para você. Façam um lindo dueto como o fizeram quando colocaram esta alma neste mundo.

Escolha um lugar que você se sinta bem para receber esta vida. E mais ainda, aonde você tem poder de negociar, de escolher o que comer, o que ouvir, onde sentar ou caminhar. Escolha, sobretudo, um lugar onde olhem para você não como uma bomba relógio a explodir a vida, mas como um corpo sagrado que é capaz de parir divinamente.

Escolha pessoas que acreditam em você, que acreditam em sua natureza de fêmea, de mulher, na força do feminino. Essas pessoas lhe darão fé para continuar, para lembrar a razão de suas escolhas. Escolha alguém para segurar em suas mãos, olhar nos seus olhos e dizer: Estamos quase lá, você está indo muito bem.

Escolha por um ambiente que seu filho seja tratado com amor, que possa ficar mais tempo possível com você e de preferência, que não se separem nem por um momento. Opte por um lugar que você pode negociar protocolos com a pediatria. Se informe sobre tudo possível e se precisar, peça ajuda para pessoas que já passaram pela experiência e conhecem de perto o modelo obstétrico e pediátrico.

Faça do momento de nascer uma celebração da vida, uma grande festa, com música, boa comida, boas lembranças e boas companhias. Não permita que um penetra estrague sua festa e roube sua cena. Tenha fé naquilo que trouxer mais luz e conforto ao seu coração, porque a fé cria uma possibilidade incrível de fazer as coisas darem certo. Não falo em fé religiosa somente, falo da fé em si mesma, na força da natureza, na certeza de que somos perfeitas para gestar e parir.

Lembre-se: nunca é tarde para mudar. Enquanto o bebê estiver aí na barriga há a chance de escrever um novo fim. Eu mudei com 37 semanas. Até no dia do nascimento mudar é possível. Prepare o nascimento como quem faz uma celebração. Eu acredito na força da vida e tenho certeza que você também.

Por Kalu Brun e http://www.mamiferas.blogspot.com/

A gente também acredita, Kalu...

26 de julho de 2010

Mulher dá à luz em terminal de ônibus em Florianópolis.

Maternidade teria recusado atendimendo à mãe cerca de duas horas e meia antes.

Por volta das 20h30min desta segunda-feira, Cristina Inês da Silva Lutckemmayer, de 24 anos, deu à luz uma menina no Terminal Integrado do Centro (Ticen), em Florianópolis. Ela estava passando pelo terminal quando a bolsa estourou.
A irmã de Cristina foi até o bairro Ingleses, no Norte da Ilha de Santa Catarina, pegar roupas e documentos para ir ao hospital, mas não conseguiu retornar a tempo.
Cristina se escorou em uma banquinha de jornal em frente ao Ticen e deu à luz uma menina, com ajuda das pessoas que passavam pelo local.
— Escutei uns berros e vi dois homens do lado de uma mulher. Cheguei perto e vi que ela estava tendo um filho. Aí, chegou uma enfermeira, que também estava passando no Ticen, ajudou a retirar a criança de dentro da mãe e eu fique auxiliando. Quando saiu, tirei a minha jaqueta e cobri a criança — relembra a aposentada Maria Goretti Nasário, de 51 anos.
Quando Laura Vitória nasceu — o nome é em homenagem a uma enfermeira do Hospital Universitário que cuidou de Cristina durante a gravidez — uma salva de palmas marcou o momento. Testemunhas do parto se emocionaram ao descrever a cena:
— Fiquei sem reação, nervoso, sem saber o que fazer. Ela estava ali, em pé, e a criança já estava saindo — descreve Lauro Junior, corretor de imóveis que trabalha no posto de uma imobiliária que fica no Ticen.
O Corpo de Bombeiros de Florianópolis atendeu a ocorrência e levou a mãe e a criança para o Maternidade Carmela Dutra, onde estão sendo atendidas. No processo do parto, o corte do cordão umbilical foi a única parte que não aconteceu ali abaixo de chuva.
Quando os bombeiros chegaram ao local, mãe e filha apenas aguardavam o transporte até a Maternidade Carmela Dutra.
Atendimento teria sido negado
Segundo Beatriz Alves da Silveira, irmã de Cristina, as duas procuraram atendimento na Carmela Dutra por volta das 18h, depois que Cristina começou a sentir dores durante uma caminhada pelo Centro da cidade. Segundo Beatriz, a gestante não teria recebido atendimento porque estava sem documentos. Foram embora e, ao chegar ao Ticen, a bolsa teria estourado.
A assessora de imprensa da Secretaria do Estado da Saúde, Ana Lavratti, informou por telefone que, assim que o secretário Roberto Hess soube do fato pela reportagem, ficou consternado com a situação e lamentou o transtorno do ocorrido para a família Cristina.
Ana explicou que o o secretário entrou em contato com a direção da maternidade e solicitou imediatamente a apuração do ocorrido para que nesta terça-feira sejam tomadas as medidas cabíveis.
Depois das 19h, um gerente fica na unidade como responsável e não soube dar detalhes sobre o que aconteceu. A assessoria ainda informou que nesta noite de segunda-feira era cedo para dizer o que pode acontecer com o funcionário que teria negado atendimento.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion=Geral&newsID=a2907308.xml

20 de julho de 2010

Cesárea X Parto normal

A cesárea era uma cirurgia feita em último caso, apenas em situações de risco para a mãe ou para o bebê, geralmente detectadas durante o trabalho de parto. O pós-operatório era dolorido e as mulheres, claro, preferiam o parto normal. Mas hoje a cesárea é segura, os remédios minimizam muito os incômodos do pós-parto e ela acabou virando o corriqueiro. O normal parece não ser mais o parto normal. ``A mulher brasileira aprendeu a querer cesárea. É cultural. Enquanto a inglesa e a holandesa brigam pra ter o parto normal, a brasileira vai atrás da cesárea``, diz Eduardo Borges da Fonseca, presidente da Comissão de Medicina Fetal da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
A Organização Mundial da Saúde recomenda que o número de cesáreas não ultrapasse 25% dos partos. Na rede privada, elas chegam a 90%. No Sistema Único de Saúde, caem para 40%. O medo do parto está associado à dor, a cesárea seria a solução para um parto menos sofrido. ``Quando a mulher pensa na cesárea está pensando na anestesia, mas o parto normal também pode ser feito sem dor``, lembra Eduardo. No parto humanizado ela é dispensada, mas a mãe pode receber anestesia no parto normal.
A cultura da cesárea surgiu como reflexo da estrutura da rede de saúde no Brasil. Na Europa, o médico que faz o parto não é o que acompanhou a mãe no pré-natal, é o obstetra do plantão. Enquanto no Brasil isso é um absurdo para quase todas as gestantes, lá é o normal porque a maioria usa o serviço público.
``Esse médico do plantão não tem pressa. Ele tem disponibilidade para passar dez horas ali. Como aqui a realidade é que os médicos têm que acumular plantões e consultas de convênio, fatalmente o obstetra vai sugestionar a cesárea. Ele não tem tempo pro normal, não tem estrutura``, diz o obstetra Homero Carvalho. ``Do mesmo jeito que a culpa dos problemas na educação não é dos professores, a proliferação de cesáreas não e culpa dos médicos, existe um status quo``, diz Eduardo Fonseca.
Ele lembra que muitas vezes é a paciente que chega pedindo a cesárea. ``Como é cômodo pro profissional, rapidamente ele cede``. Muitas justificativas para o agendamento de cesáreas não impedem o parto normal. Não é verdade, por exemplo, que se a mulher tiver o primeiro filho de cesariana, obrigatoriamente terá os outros da mesma forma.
Quem acaba se prejudicando com tantas cesáreas são os bebês. O parto normal é mais saudável para eles. Querendo ou não, o nascimento está sendo antecipado quando não espera pelo início do trabalho de parto.
Não à toa, é cada vez mais comum que o bebê fique uma ou duas horas no berçário recebendo oxigênio ou calor. ``A mãe nem vê, está no centro cirúrgico terminando a cesárea e bebê está no berçário. Depois entregam ele bonitinho. Não aconteceu muita coisa, o bebê não sofreu, mas precisou de intervenção, de oxigênio, nasceu com depressão respiratória``, diz a obstetra Barbara Schewaumann.
Passando pelo canal vaginal, o bebê é espremido e expele naturalmente o líquido amniótico que deglutiu no útero da mãe. O processo é mais eficaz que a aspiração artificial feita depois da cesárea. Para a mãe, o parto natural também e vantajoso. A cirurgia da cesárea aumenta o risco de infecção e de tromboembolismo. ``Se as mulheres soubessem o risco que estão correndo, não fariam tanta questão``, alerta Zenilda Bruno, diretora da Maternidade Escola Assis Chateaubriand. A mortalidade materna está mais associada com a cesárea do que com parto normal. (Mariana Toniatti)

INDICAÇÕES PARA CESÁREAS: O QUE É, O QUE NÃO É E O QUE AINDA SE DISCUTE

1. Circular de cordão, uma, duas ou três ``voltas``.
> O bebê só desce pelo canal vaginal se não se sentir sufocado. Se ele sente que vai ser estrangulado pelo cordão, volta e fica quietinho no útero. Aí sim é preciso fazer a cesárea. Se ele sente que dá para descer, que o cordão é comprido o suficiente, vai sair normalmente. Assim que estiver fora, o médico faz uma manobra pra desenlaçá-lo.
2. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto
> Quando a primeira coisa que aparece do lado de fora é a cabeça do bebê, tem-se 100% de certeza que o resto do corpo vai conseguir atravessar o canal vaginal. Quando o bebê está numa posição diferente, a maioria dos obstetras prefere partir para a cesárea, mas os bebês podem nascer de parto normal colocando os pés para fora da barriga primeiro. ``Se for o segundo filho e o bebê tiver até 3,5 quilos, ele sai de parto normal``, explica a obstetra Barbara Schewaumann.
3. Diagnóstico de desproporção céfalo-pélvica
> A cabeça do bebê tem que ser proporcional à bacia da mãe. Muitos médicos diagnosticam a ``bacia estreita`` antes do trabalho de parto, mas o ideal é esperar para decidir pela cesárea durante o trabalho de parto. Se a desproporção entre cabeça e pélvis da mãe se confirmar, é um impeditivo absoluto de parto normal.
4. Bebê grande demais
> A maior parte dos médicos desaconselha parto normal para bebês com mais de 4 quilos, mas antes dos anos 60, isso não era impeditivo. Para casos de bebê grande, a força da gravidade em posições diferentes da horizontal, ajuda ainda mais.
5. Cesárea anterior
> Dizer que depois de uma cesárea, todos os partos serão cesárea é mito. O argumento utilizado é o risco do útero romper no local da cicatrização do primeiro corte, mas as chances disso acontecer não aumentam depois de uma primeira cesárea. Há médicos que consideram um impeditivo para o parto normal duas cesáreas prévias. Aí sim o tecido morto teria mais chances de romper.
6. Cardiopatia
> O melhor parto para mulheres com problemas cardíacos é o parto normal com o uso de fórceps para acelerar o processo. A má fama do passado não se justifica mais. A técnica do fórceps foi aperfeiçoada.
7. A bolsa rompeu, corre para a cesárea
> A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) orienta que o médico espere 24 horas antes de recorrer à cesárea depois da bolsa romper. ``Não tem razão para o médico correr como um louco pro centro cirúrgico``, diz a obstetra Barbara Schewaumann.
8. O tempo limite de maturação do feto são 42 semanas
> O bebê ``está passando do tempo`` depois de 42 semanas de gestação. Tem médico encurtando esse período em duas semanas.
9. Parto normal deixa a mulher ``frouxa``
> O tecido rugoso da vagina é feito para se estender e voltar ao normal. A cabeça da criança não vai ficar três horas ali. Ela vai se abrir por um curto período de tempo e depois vai voltar ao normal.

14 de julho de 2010

Parto no Paraná TV de hoje

http://www.rpctv.com.br/paranaense/video.phtml?Video_ID=80876&Programa=paranatv1edicao

13 de maio de 2010

Parto Ativo em Instituição.

Magridt e Michel trazem à luz o pequeno Matheo.
Maternidade Lucila Balalai - Londrina - PR

27 de abril de 2010

Conselho apura briga de dois médicos em parto

O CRM (Conselho Regional de Medicina) de Mato Grosso do Sul abriu sindicância administrativa para apurar a conduta dos médicos que se desentenderam e trocaram socos durante um procedimento de parto de Gislaine de Matos Rodrigues Santana no hospital municipal de Ivinhema (345 km de Campo Grande). A briga atrasou o parto em uma hora e meia e a criança nasceu morta.
Se ficar comprovada a ofensa ao código de ética, os médicos Sinomar Ricardo e Orozimbo Oliveira Neto podem até perder o registro profissional. "É inegável que a situação é muito grave", declarou o advogado André Borges, assessor jurídico do conselho.
Segundo ele, a simples constatação de que os médicos realmente trocaram socos diante de um paciente já bastaria para uma punição mais severa. "Estou há 15 anos no CRM e jamais ouvi falar de algo parecido", disse. A sindicância tem prazo máximo de 60 dias. 

Contradição
Ontem, um dos protagonistas do episódio falou à reportagem e contradisse a versão apresentada pela polícia e pela família da criança que morreu. Sinomar Ricardo, 68, negou que tenha invadido a sala de parto e começado a confusão. "Sou vítima, eu é que estava na sala e fui agredido ao tentar fazer o parto", afirmou.
Segundo o médico, foi Neto quem abriu a porta da sala de partos a "pontapés", o agarrou pelos braços e o "cobriu de murros". "Não puder fazer nada, só me defender com uma papeleta. Ele não queria deixar que eu fizesse o parto.
A agressão, na versão de Ricardo, teria sido uma tentativa de acobertar o fato de que, minutos antes, Neto teria aplicado um medicamento proibido para induzir o trabalho de parto de Gislaine.
"Havia dois comprimidos na vagina da paciente. Pela minha experiência, se trata do Cytotec, um medicamento abortivo, proibido no Brasil. Um remédio que mata. É por isso que eu tenho certeza que a criança morreu antes da cesariana.
A reportagem não conseguiu contato com Neto. No hospital de Ivinhema, funcionários não deram informações sobre o médico.

PARA PENSAR: No site http://www.beyondfertility.com/art112.htm, há um artigo intitulado "VBAC & Cytotec: A Dangerous & Deadly Combination", isto é, "VBAD & Cytotec, uma Perigosa e Mortal Combinação", no qual se alerta que: "até hoje o Cytotec não foi aprovado pela FDA como uma droga para induzir o aborto ou o parto, mas o seu uso se tornou alarmantemente disseminado. Os médicos, crendo que é muito mais barato e rápico induzir o parto por meio desta droga, administram a droga com freqüência. As histórias dos riscos e das mortes associadas com esta droga se tornaram clamorosas e assustadoras. O Cytotec está associado com um maior número de casos de rompimento uterino. Em alguns casos a ruptura uterina não ocorre imediatamente. As mulheres continuam o parto normalmente até experimentarem um dos conhecidos sintomas de rompimento uterino. Em outros casos as contrações uterinas violentas podem ocorrer logo após a primeira dose, e podem resultar em rompimento do útero. Se o Cytotec é administrado fora de um estabelecimento hospitalar, ou quando um médico não estiver presente, o resultado poderá ser fatal. Infelizmente os riscos associados com o Cytotec não são amplamente conhecidos e a maioria das mulheres, ao usarem a droga, são as últimas a saberem. Esta droga, com seus efeitos colaterais mortais, é ainda usada em centenas de hospitais, sem consideração por seus riscos potenciais".

17 de abril de 2010

Policiais fazem parto de gêmeos embaixo de viaduto na Zona Leste de SP

Corporação foi acionada 0h30 para auxiliar mulher.
Mãe e filhos foram levados para o hospital e passam bem.

Policiais militares fizeram o parto de um casal de gêmeos na madrugada deste domingo (28) embaixo de um viaduto na Zona Leste de São Paulo. Segundo a PM, a corporação foi acionada por volta de 0h30.

Ao chegarem ao local da chamada, na Rua Gabriela Mistral, no bairro Cangaíba, perceberam que a mulher estava grávida de gêmeos. Após o nascimento das crianças, elas e a mãe foram levadas para o pronto-socorro da Vila Maria.

De acordo com a PM, mãe e filhos foram atendidos e passam bem. 

*Fonte: G1

15 de abril de 2010

Parto e Prazer

Neste video eu vejo uma mulher sendo respeitada durante seu parto.
Nestas imagens eu vejo uma mulher bem preparada, capaz de se sentir plena durante seu trabalho de parto e totalmente confortavel no parto.
Neste antigo video vejo o nascimento de um bebe e o sorriso esplendido de sua mãe durante o período expulsivo.
Parto e prazer é possivel de se ver.

13 de abril de 2010

SP ganha Centro de Parto e novos leitos de UTI neonatal

O governador José Serra e o secretário de Estado da Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, entregam nesta quarta-feira,  03 de março uma nova ala do Hospital Estadual de Sapopemba, o Centro de Parto, totalmente destinada à realização de parto normal. Além disso, o hospital ganhou uma nova UTI neonatal, contando agora com  20 leitos, dez de cuidados intermediários e outros dez de terapia intensiva. No total, foram investidos R$ 4,9 milhões em melhorias na unidade. O Centro de Parto conta com  cinco leitos totalmente adaptados à realização do parto normal. Além da cama de parto e berço aquecido de UTI com  todo o material necessário para atender o recém-nascido, o quarto conta com  banheiro individual e poltrona para acompanhante.

A unidade é adaptada as mais modernas normas de atendimento humanizado. Além de ter a companhia de uma pessoa de sua confiança durante todas as fases do parto, a gestante é acompanhada por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, psicólogo, assistente social, nutricionista e fonoaudiólogo. 

“Além de segurança e conforto, a equipe fica à disposição da mulher para oferecer massagens relaxantes, exercícios em bola suíça e banhos terapêuticos. Ela também pode contar com cadeiras de balanço pélvico e musicoterapia. Tudo isso para oferecer à mulher um ambiente acolhedor e transformar o parto em um momento de tranqüilidade para toda a família”, afirma o gerente executivo do hospital, Irineu Silva Junior.

Após o nascimento, o bebê é colocado diretamente em contato com a mãe. “Com o Centro de Parto e a ampliação da UTI neonatal, a expectativa é aumentarmos cada vez mais a realização de partos sem intervenção cirúrgica, o que é bom tanto para a mãe quanto para o bebê. Agora, a mãe tem mais tranqüilidade para ter o bebê de forma natural porque além de um local adequado ela tem à disposição a infra-estrutura hospitalar com todos os recursos”, afirma.

Já a Unidade Neonatal ganhou ampliação de cinco leitos e melhoria da infra-estrutura local. A unidade possuía, antes, oito leitos de baixo risco e sete de UTI. Com a reforma, a unidade passou a contar com dez leitos de cuidados intermediários e outros dez de cuidados intensivos, sendo um de isolamento.

O Hospital Estadual Sapopemba é referência para partos de baixo e alto risco na região de Sapopemba e Vila Prudente. A unidade realiza 3.800 atendimentos de Pronto-Socorro, 2.860 atendimentos ambulatoriais, 1.056 internações, 4.829 exames de diagnóstico e 33.230 exames laboratoriais mensais. No ano de 2009, foram investidos R$ 4,9 milhões na unidade.
 

*Fonte: BrasilSus

12 de abril de 2010

Parto humanizado retoma antigos procedimentos e devolve à mãe o controle do ritmo do seu corpo na hora de dar à luz



Grande parte das mulheres passam a gestação preocupadas com a hora do parto, afinal a própria palavra se tornou sinônimo de algo sacrificado, difícil e até mesmo doloroso. Mas será que a hora de receber o bebê aguardado por nove meses deve ser realmente traumátca? Para a enfermeira obstetra Andréa Porto da Cruz, não.
Com experiência na área de obstetrícia, a enfermeira é defensora do parto natural humanizado e diz que com este método a mulher pode ter total domínio do momento do nascimento. “O parto natural ou humanizado representa uma retomada do método antigo de dar à luz quando a mulher dita o ritmo do parto, ela escolhe como terá o bebê e quando ele nascerá”, diz Andréa.
A diferença entre parto natural humanizado e o parto normal é justamente a maneira como o processo é conduzido. No parto humanizado o atendimento é centrado na mulher, que é tratada com respeito e de forma carinhosa, podendo desfrutar da companhia da família, caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores. As intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário.
“Hoje o parto normal é mesmo um sofrimento. A mãe tem que ficar deitada todo o tempo em que está em trabalho de parto, geralmente com soro que acelera o processo, na hora do parto ela é removida para outra sala e recebe de qualquer forma o corte vaginal. Além de tudo isso ela não pode gritar, andar e muitas vezes fica sozinha durante este processo”, explica a enfermeira.
Alguns hospitais oferecem uma situação mais acolhedora na hora do parto, com quartos que são usados antes, durante e depois do parto, mas a também enfermeira obstetra Karina Fernandes comenta que para isso toda a equipe deve estar preparada e disposta para enfrentar o trabalho de parto no ritmo da mulher.
Karina acompanha partos em casa. Ela diz que a mulher que opta pelo parto natural deve estar disposta e consciente de que terá papel ativo no parto. A enfermeira, quando solicitada para este tipo de parto caseiro, acompanha a gestante desde o início das contrações até o nascimento e deve estar preparada para levar a gestante para o hospital caso o parto natural não seja realmente possível.
O grande medo de toda mulher é a dor. Sobre isso, Andréa explica que ela varia muito de pessoa para pessoa e que ela pode ser aliviada de forma natural, com massagens nas costas, aromaterapia, banhos de chuveiro ou de banheira. O tempo em que a gestante fica em trabalho de parto também pode ser variado. Em geral a primeira gestação leva em torno de 16 horas, já as demais o tempo chega a 12 horas.
Para que os casos de intervenção sejam minimizados existem alguns procedimentos que podem ser feitos antes de se optar pela cesárea. “Colocamos a gestante para fazer alguns exercícios em bola de parto e outros aparelhos para recolocar o bebê em posição para o parto. Vamos monitorando o tempo todo, com o partograma, que é um gráfico para avaliar a evolução do parto e no caso de necessidade de intervenção e em ultimo caso encaminhamos para a Cesárea”, diz Andrea.
Além do fator humano e sentimental o parto natural também oferece uma recuperação mais rápida para a mãe e menos risco para o bebê, isso por que ao nascer de parto natural ele corre menos risco de aspirar liquido e também de infecções.
Hoje no Brasil são realizados 80% de Cesáreas em hospitais particulares. Na rede pública este número cai para 35%, mas o número de nascimentos por parto normal ainda está muito abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que estipula uma média de 15% de cesáreas.

11 de abril de 2010

Grávidas erram ao escolher maternidade como se fosse hotel, dizem especialistas

O R7 consultou renomados médicos obstetras para orientar as futuras mamães sobre o que elas devem levar em conta na hora de escolher a maternidade onde terá seu bebê. Entre as dúvidas mais comuns, está o dilema de escolher uma instituição que ofereça tecnologia de ponta e um possível tratamento mais técnico, ou optar por outra mais humanizada, sem necessariamente oferecer todos os recursos tecnológicos. 

Para as gestantes que moram em grandes cidades, por exemplo, onde a oferta de maternidades é imensa, vale primeiro consultar um obstetra para pedir indicações. Ele saberá das necessidades da gestante, ao passo que terá ciência sobre quais hospitais o plano de saúde de sua paciente faz cobertura para, então, chegar a uma alternativa viável. Só para constar: para quem pretende pagar por um parto, uma cesariana pode custar alguns mil reais em hospitais considerados médios e mais de R$ 10 mil nos de ponta.

Limpeza é fundamental

Dadas algumas opções, o segundo passo da gestante é visitar o hospital. De acordo com o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo Nogueira, do hospital Sírio-Libanês, já na maternidade a gestante tem que observar primeiro a limpeza do hospital. 

- Independente de estar dentro de áreas restritas ou na área onde a população pode passar, tem que haver um padrão de limpeza. Um ambiente absolutamente limpo diminui o risco de infecção hospitalar.   Repare, portanto, se o chão está limpo, se há infiltrações nas paredes ou sinais de ferrugem em maçanetas e equipamentos. Tudo isso é um perigo para a saúde de mãe e do recém-nascido, pois ambos estão em período de recuperação pós-parto. Observe também se as vestimentas dos médicos e enfermeiros estão devidamente limpas, sem manchas, se os cabelos estão curtos ou presos e as unhas aparadas e limpas. Caso contrário, também são foco de infecções. Até mesmo o ar-condicionado pode ser um vilão. Se não estiver limpo, acumula micro-organismos que podem causar pneumonia no recém-nascido ou infecção na cicatrização cirúrgica na mulher que fez cesariana.   Ainda durante a visita é possível também reparar no comportamento de médicos e enfermeiros. Veja se são atenciosos com as mães e com os bebês. A tendência é que quanto mais solícitos, maior a chance de haver uma filosofia voltada à humanização do parto.   Humanização

A maternidade Santa Marcelina de Itaquera, eleita a melhor do SUS (Sistema Único de Saúde) em São Paulo, tem praticamente todo o seu trabalho voltado à humanização do parto, o que a fez se transformar em referência. Segundo o ginecologista e obstetra Marcos Ymayo, coordenador da Saúde da Mulher do hospital da maternidade, a internação no hospital visa a preparar a mulher para o parto natural.

Para isso, seu corpo clínico é composto por médicos e enfermeiras obstetras que estimulam a gestante a ficar com um acompanhante durante todo o processo do parto, a fazer fisioterapia e até tomar duchas de água morna na lombar para estimular o nascimento do bebê e diminuir as dores das contrações. A taxa de cesarianas do hospital fica em torno de 21%, índice aceitável pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Acima de 25% é considerada alta para hospitais públicos e 35% nos privado

O contato quase irrestrito da mãe com o bebê, em vez de deixá-lo muito tempo no berçário, é um outro ponto da humanização. O obstetra Eduardo Cordioli, presidente da Comissão de Urgência em Obstetrícia da Febrasgo (Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia), recomenda verificar se a maternidade permite isso e ainda o acompanhamento da mãe até na UTI neonatal, em casos de bebês prematuros.

- Verifique se há restrição de horário em que se pode acompanhar o bebê. O ideal é que não haja essa restrição, e que a visita de familiares, embora controlada, seja permitida, até dos irmãos pequenos.

Cordioli sugere ainda observar se a maternidade estimula a amamentação e se conta com instalações conhecidas como Labor Delivery Room, ou seja, quartos desenhados para nascimento natural, mais espaçosos, com equipamentos que estimulem o parto normal sem a necessidade de anestesia, como banheira, bola suíça, cadeira de parto, e espaço para familiares acompanharem o trabalho de parto,  podendo esta estrutura ser revertida rapidamente em caso de necessidade de realizar anestesia e procedimentos mais complexos.

- Veja se há um grupo de apoio à amamentação, além de contar com um lactário que possa auxiliá-la caso o recém-nascido tenha dificuldade na amamentação.

Para Marcos Ymayo, no entanto, o mais importante na hora do parto é a maternidade ter um corpo clínico composto por médicos e enfermeiros capazes de salvar a vida da mãe e do bebê em casos de complicações. Isso porque, segundo ele, as possíveis complicações na hora do parto são geralmente resolvidas ainda na mesa de cirurgia por esta equipemagem.

- A primeira coisa que a gestante tem que ter acesso é a um atendimento digno e com segurança e para isso nem sempre precisa ter tecnologia. O que eu vejo no Brasil é que a população confunde a assistência com serviços de hotelaria, mas isso não é referência. O que a gestante precisa é ser atendida com dignidade e estar bem orientada sobre sua gestação e ter poder de decisão de como será o parto.

Tecnologia

Já para Cordioli é fundamental a maternidade apresentar todo um aparato tecnológico e dormitórios confortáveis para a mãe e o bebê, pois, segundo ele, "equipamentos modernos e sofisticados auxiliam o médico e aumentam a segurança".

- Existem alguns equipamentos para situações específicas que só grandes centros possuem, como ventiladores neonatais de alta frequência, incubadora que se transformam em berço aquecido, testes rápidos para se diagnosticar eventos clínicos, etc. Perguntar ao seu obstetra ou seu pediatra se a maternidade desejada conta com todos os recursos tecnológicos disponíveis é muito importante.   Para o obstetra da Febrasgo também é fundamental a gestante saber se a estrutura da maternidade está pronta para um atendimento de alta complexidade, contando com UTI para adulto e para o recém-nascido (UTI neonatal). Ter um setor de medicina fetal é imprescindível, além de banco de sangue 24 horas por dia, assim como laboratório clínico e um setor de medicina de imagem, com tomografia computadorizada, ressonância magnética e afins, para evitar deslocamento para outra unidade em casos de emergência. 

Para o obstetra Alexandre Pupo Nogueira, vale também questionar a maternidade sobre a taxa de infecção hospitalar. Seu obstetra pode facilmente conseguir este número.

Já para Marcos Yamayo, instituição que não possui UTI neonatal, é possível fazer um parto seguro mesmo sem esse recurso. Segundo ele, o que tem de ser considerado é se a gestação é de alto ou baixo risco.

- Se o risco for baixo não precisa de um centro de ponta, mas um que possa tratar das complicações mais comuns. Se não tiver UTI neonatal no local, que tenha uma referência para encaminhar. A gestante precisa é ter uma garantia de vaga nesta UTI para que a criança seja cuidada e não fique com nenhuma sequela.


10 de abril de 2010

Grupo da Capital incentiva parto na água em domicílio

Método da banheira possibilita relaxamento e alívio da dor para a mãe

Gláucia Mazzei
Agência BOM DIA

Quando a modelo Gisele Bündchen revelou, em entrevista ao “Fantástico”, que teve seu bebê, Benjamin, de parto natural, na água de uma banheira, causou espanto em muita gente.

Principalmente no Brasil, onde o índice de cesariana já representa 43% dos partos realizados no setor público e no privado.

O parto na água, no entanto, só traz benefícios para as mamães segundo a enfermeira obstetra Márcia Koiffman, que integra o Prima Luz, grupo de parteiras de São Paulo que divulga o parto natural.

“O maior benefício da água é o relaxamento e o alívio da dor, principalmente.”

O alívio se dá porque dentro d’água o corpo da mulher fica mais leve, de acordo com a enfermeira.

A água deve estar a uma temperatura aproximada à do corpo, entre 34º e 35º C. Mas o ideal é a mulher entrar na banheira quando estiver com dores fortes e contrações regulares, a partir de 6 cm de dilatação.

“Não há muita regra, mas se a mulher entrar muito no início, pode relaxar demais e diminuir o ritmo do parto”, afirma. “Aí tem que sair da banheira.”

Quando a mulher consegue ter o bebê na água, o procedimento é muito rápido. Logo em seguida a parteira retira o bebê e coloca-o no colo da mãe, já com a cabecinha para fora.


Divulgação

As parteiras do Prima Luz fazem, por mês, até quatro partos, seja em domicílio ou no hospital São Luiz, o único de São Paulo que tem esse serviço. De todos os contratados, 100% das grávidas optam pelo parto na água, segundo Márcia Koiffman.

Em Jundiaí o parto na água não é feito. No Hospital Universitário existe uma banheira de hidromassagem  apenas para relaxamento e indução do parto, mas no momento está em reforma.

Jundiaiense Vera relaxa na banheira

A jundiaiense Vera Mezzalira Gomes, 37 anos, que realizou seu parto na Alemanha, em janeiro, ficou na banheira de relaxamento por pelo menos uma hora.

“Fiquei tentando relaxar”, conta. “Mas as minhas contrações eram muito fortes.”

Vera não aguentou a dor e pediu a peridural. O parto de Leonardo foi natural, mas na cama.

“Gostaria de dar à luz na água, mas sabia que dependia da dilatação e das contrações”, afirma.

*Fonte: Rede Bom Dia

9 de abril de 2010

Aposentada faz parto da vizinha orientada pelo celular por bombeiro em São José.

Taynara nasceu no sábado com três quilos e 49 centímetros.


Deve receber alta médica nesta segunda-feira a criança que nasceu na casa da família em São José, na Grande Florianópolis, no sábado. O parto foi feito pela aposentada Anita Gonçalves de Brito, 47 anos, vizinha da residência, que foi orientada pelo telefone celular por um soldado do Corpo de Bombeiros.

Taynara nasceu à 0h48min, com três quilos e 49 centímetros, enquando a equipe médica ainda estava a caminho da casa da mãe, Sirlene Fernandes, 32 anos.

No domingo, Anita disse ao Diário Catarinense que ainda não acreditava no que tinha acontecido. Sábado nem dormiu, tamanha felicidade:

— Eu ria sozinha e chorava ao mesmo tempo. Trazer alguém pra vida é a alegria maior do mundo. Mas sei que sem ajuda do soldado não conseguiria — comemorava a servente aposentada.

A mãe e a criança foram internadas no Hospital Regional de São José após o parto.

Como foi ...

Por volta da 0h40min, Anita foi surpreendida por Ismael Machado dos Santos, 26 anos, que pedia apoio à vizinha porque sua mulher estava em trabalho de parto. Antes, ele havia aciononado o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas as ambulâncias estavam mobilizadas em outras ocorrências.

A atendente do Samu procurou tranquilizar o casal explicando que o bebê demoraria a sair. Mesmo assim, o pai de primeira viagem decidiu chamar a vizinha.

Quando Anita chegou à casa, a bolsa já havia estourado. Ismael não sabia o que fazer, corria de um lado para o outro. Foi então que a mulher que apoiava o casal voltou para sua casa e ligou para o Corpo de Bombeiros em busca de socorro.

Ela foi atendida pelo soldado Valdemar Vieira Neto, 38 anos — 16 de corporação. Sem perspectivas da chegada imediata da ambulância do Samu e dos Bombeiros, que também atendia outra ocorrência, Anita foi orientada a atuar como parteira.

O soldado Neto passaria as instruções do parto pelo telefone. A aposentada, muito nervosa, pegou o celular, ligou novamente para o bombeiro e correu para a casa do casal.

Sirlei estava sentada na cama — não deu tempo de deitar —, e a cabecinha do bebê já aparecia.
— Segurei a criança e comecei a gritar para o bombeiro que o bebê estava nascendo! — relembra.

O bombeiro pedia, o tempo todo, calma. Ele já tinha feito quatro partos, mas nenhum por telefone. O soldado também participou de um curso no Centro Obstétrico do Hospital Universitário.

— Ninguém faz um parto, ele acontece naturalmente. É preciso só seguir algumas instruções. O bebê vai sendo expelido, não é preciso puxar a criança — observa.

Foi o que a aposentada fez. Um lençol limpo em mãos, um coração acelerado e ela estava pronta. A criança saiu quase sem sangue e foi envolta no lençol.

Anita foi instruída a desobstruir o nariz e a boca do bebê, que precisava chorar. Após o nascimento, pai e vizinha choraram. Apenas a mãe permanecia calma. Há 10 anos Sirlene já passara por isso, o filho do meio também nasceu em casa.

Minutos depois chegou a equipe médica. A aposentada ainda ajudou o médico a cortar o cordão umbilical.
Sirlene e a menina recém-nascida foram levados para a maternidade do Hospital Regional.
Mãe, pai, Anita e o bombeiro posam para a primeira foto com a recém-nascida

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&newsID=a2788297.htm

PARA PENSAR: Por que o bombeiro entende mais de parto do que muitos obstetras?

7 de abril de 2010

Parto Humanizado conquista grávidas.

Prática surge para acabar de vez com o mito da cesárea.
WILL MONTENEGRO

Na banheira ou dentro de casa. As modalidades de partos normais são diversas, no entanto, o que modifica, é a maneira de como o parto é conduzido e realizado. O mito de uma vez cesárea, sempre cesárea, em pouco tempo, pode ser quebrado, com a efetivação do parto ativo ou mais conhecido como parto humanizado. O nascimento normal sem intervenções cirúrgicas também é caracterizado como humanizado e independe dos espaço em que é realizado. Pode ser no hospital ou em outro local adequado. É claro que em casos extremos e de complicações, a cesárea é a cirurgia salvadora da mãe e do bebê. Entretanto, métodos alternativos estão, cada vez mais, sendo implantandados no segmento da saúde brasileira.
Prova disso, é o reconhecimento do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS) dos benefícios do parto normal, tanto para a mãe como para o seu bebê. Os benefícios podem ir desde uma melhor recuperação da mulher e redução de riscos de infeccção hospitalar até vantagens financeiras quando o assunto é parto normal. Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS), a prática custa R$ 291, enquanto a cesárea, R$ 402. A cesariana inclue também infecções e hemorragias e até risco para o bebê, durante o corte da parede uterina.
De acordo com o gerente de toco-ginecologia da Santa Casa de Misericódia do Pará, Antônio Sérgio Carvalho, o parto humanizado conforme o que determina o Ministério da Saúde, começa com assistência pré-natal, depois o acolhimento da gestante e, finalmente, o direito ao acompanhante de ficar com a gestante desde a internação até a alta hospitalar. 'E o trabalho é direcionado para fazer com que se reduzam as intervenções no trabalho de parto. Tais como a colocação de soro com hormônio que acelera a contração, lavagem intestinal, raspagem dos pêlos pubianos e minimizar a taxa de cortes realizados na vagina', afirma.
Entranto, mais do que o simples acompamento adequado da gravidez, o parto humanizado preconiza um trabalho biopsicossocial realizado ao longo da gestação com mulher. Além de ressaltar, a necessidade do processo da natureza humana de parir. Caso mais recente foi da top model brasileira Gisele Bündchen, que preferiu, na hora do parto, estar em casa com o marido e usando apenas um banho quente para aliviar a dor.

Servidora passou 22h em trabalho de parto
A bolsa se rompeu às 21 horas e o bebê só nasceu às 19 horas do dia seguinte. Foram 22 horas de trabalho de parto até ouvir o primeiro choro do filho. Para a servidora pública Ana Paula Gaia, a internet foi a principal ferramenta que a apresentou às modalidades de parto e informações sobre a gravidez, em especial, o parto humanizado. A partir das informações disponibilizadas na rede mundial de computadores, ela começou a frequentar grupos de apoio e participar de discussões com outras mulheres sobre a prática.
'Minha bolsa se rompeu à noite e só fui para o hospital às cinco horas da manhã, porque não tinha necessidade de ir logo. A bolsa rompida requer um pouco mais de cuidado, mas depende muito de cada caso. Até às 10 horas da manhã, ainda não estava em trabalho de parto. A minha médica esperou entrar em trabalho no final da manhã', relata.
Ana Paula é integrante da rede Parto do Princípio, que está presente em 16 Estados brasileiros e no Distrito Federal. A rede é formada essencialmente por mulheres que crêem na sua capacidade de tomar para si as decisões sobre o seu corpo nos processos de gestação, parto e pós-parto. Sem vínculos com profissionais, organizações e planos de saúde, a rede busca oferecer informações às usuárias. 'São mulheres que buscam informação e orientações sobre a capacidade de parir e de amamentar. De resgatar o processo de parir', diz.
Segundo ela, as mulheres sofrem intervenções ao serem entregues, no trabalho de parto, nas mãos de médicos e enfermeiros e, consequentemente, acabam não seguindo a sua natureza de parir. 'Quando ela está nas mãos dos profissionais, a mulher fica o tempo todo passiva. Fica recebendo ordem e o processo de parir não é natural, leva anestesias, procedimentos cirúrgicos e isso quando ela não vai para uma cesárea. Buscamos informar que ela é capaz de parir, de se movimentar na hora do trabalho de parto. O corpo simplesmente expele o bebê e não precisa ficar sedada. Basta que ela aceite essa condição e deixe o corpo agir naturalmente. Lógico que ela precisa de liberdade e privacidade.', explica.
A cesárea não é condenada pela rede, que divulga o seu trabalho através do endereço eletrônico: www.partodoprincipio.com.br. Pelo contrário, considera a cirúrgia salvadora. 'O que condenamos é uma cesárea eletiva', afirma.

Obstetra: menor risco para as mães e bebês
'Não é uma preferência e, sim, um compromisso'. É desta forma que a obstetra, Neila Dahas Jorge, se refere ao parto normal. Ela atua na especialidade há 29 anos e teve a formação voltada para prática por se tratar de uma via natural e de menor risco à mãe e ao bebê. Para a médica, a cesárea foi inventada para salvar a vida - de mãe e filho - nos casos em que o parto normal os expunha aos riscos.
'A cesárea foi banalizada e, devido a vários fatores ligados à mãe e ao médico, tornou-se indicação básica. A mãe não quer sentir dor e escolhe o dia e a hora do nascimento. Ela acredita que o parto normal possa danificar-lhe a genitália comprometendo sua atividade sexual', justifica.
Apesar disso, Neila considera que a cesariana tem indicações nas gestações de alto risco e ainda durante o trabalho de parto. São elas: desproporção entre a cabeça fetal e a bacia materna, sofrimento fetal agudo, irregularidades incorrigíveis nas contrações e/ou na dilatação do colo, entre outros. Segundo a obstetra, um parto normal conduzido corretamente e humanizado, possibilita melhor e mais rápida recuperação para a mãe, menos riscos de prematuridade e de angústia respiratória do recém-nascido. A médica não sabe mensurar o número de partos realizados ao longo da carreira.
'A família reforça o elo do casal, e mais rapidamente é estabelecido o vínculo mãe e filho através da amamentação precoce. Não faço idéia de quantos partos ou cesáreos já realizei. Nunca contei, porque quando jovem, no Rio de Janeiro, fazia plantões seguidos e a quantidade era absurda de procedimentos (10 a 20 pacientes por 24 horas), diz Neila Dahas. 

Analista funda grupo que já atua em Belém
A internet também foi a porta de entrada sobre o parto humanizado da analista de sistema Thayssa Rocha. Ela começou a frequentar os grupos de apoios sobre a temática em 2006, quando ainda morava na cidade de Olinda, em Recife. Thayssa ressalta a importância de grupos de apoio para auxiliar a grávida, já que estava em busca de uma alternativa de parto, que não fosse a cesárea nem o parto normal.
Após freqüentar os grupos de discussão e o nascimento do filho, Thayssa quis retribuir os conhecimentos adquiridos durante a gravidez. Juntou-se às amigas e fundou o grupo Ishita-Recife, que tinha o objetivo de oferecer informações para grávidas sobre o parto humanizado. Em 2008, Thayssa se mudou para a capital paraense e deu início às atividades do Ishita-Belém.
O grupo Ishita trabalha com reuniões semanais com o intuito de trocar as experiências do parto humanizado. Além de contar com uma equipe de profissionais de saúde multidisciplinar. Entre eles, obstetras, enfermeiros, fisioterapeutas, educadores físicos e demais profissionais de saúde adeptos do parto sem intervenções cirúrgicas desnecessárias. Segundo Thayssa, as reuniões são compostas, em média, de 10 mulheres que buscam informações sobre o parto normal e, então, que queiram desmistificar a prática cesariana. 'Basicamente elas chegam procurando informação. São reuniões quinzenais e temáticas. É importante para a mulher grávida se sentir parte de um grupo. Para mim, isso foi muito importante', diz.
Thayssa afirma que a presença de maridos, avós e parentes é constante no grupo e é um apoio para a mulher imersa na sociedade que preconiza a cesárea. Ela não é contra a cesárea, no entanto, a considera como uma cirurgia de resgate, quando indicada.
Além de atuar o grupo, Thayssa é doula (palavra grega, que significa: 'mulher que serve'). São mulheres voluntárias com experiência em ajudar e tranquilizar as gestantes. A doula, segundo explica, tem o obejtivo de acompahar a grávida desde pré-natal até o pós-parto, minizando as consequências do estado. 

Nascimento em casa volta a ser incentivado por profissionais
Condução é a palavra mais adequada para definir quem auxilia no parto humanizado. O enfermeiro-obstetra e professor da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Horácio Bastos, já conduziu três partos em casa. Ele também participa dos encontros do Ishita e afirma que não é toda grávida que pode fazer o parto em casa. 'É preciso acompanhar a mulher desde pré-natal até o pós-parto, e para isso uma equipe de profissionais precisa acompanhá-la. Nem toda mulher poder fazer isso. Ela precisa ser muito bem atendida. Há uma maternidade de retaguarda para caso aconteça alguma complicação', explica.
O professor conta que foi partir de uma exposição fotográfica de partos normais que despertou o interesse, principalmente, em bibliográficas científicas que abordassem o assunto. Hoje, ele repassa os conhecimentos adquiridos aos alunos e demonstra que existem alternativas que não é somente a cesárea.
Foi através de uma amiga que trabalha com grupo de mulheres, no Rio de Janeiro, que a professora Edna Abreu tomou conhecimento do parto humanizado. Hoje, aos 40 anos de idade, ela tem dois filhos. Todos nascidos de parto humanizado e realizados dentro de casa.
Na época, ela morava no Rio de Janeiro, quando engravidou da primeira filha. Depois, no segundo filho, o parto foi realizado em Belém. Segundo ela, as duas experiências foram pensadas no bem-estar dos filhos. 'Eu e meu marido, optamos por isso em respeito a mim e aos nossos filhos que nasceram na companhia de profissionais que respeitaram o meu processo fisiológico e tudo foi feito com muita informação, esclarecimento e diálogo. Dentro de casa nós temos total liberdade de movimento, posição e toda disponibilidade de tempo, temos o direito a fazer as escolhas que consideramos melhores', relata.

Rede ajuda mulheres a perder medo de ter filho naturalmente
A usuária da rede considera que as mulheres têm medo do trabalho de parto, principalmente de como ele é demonstrado para a sociedade. De acordo com Ana Paula, isso ocorre quando a mulher está entre uma equipe médica fora dos padrões de humanização. 'As mulheres precisam se sentir seguras no trabalho de parto. Ela sente o corpo, mas, é claro, que ela geme, dá aqueles sinais naturais de uma mulher que vai ter um filho e é por causa disso que muitas mulheres temem o parto normal, além de que não têm informações suficientes de quando precisam de uma cesárea', completa.
Para ela, os profissionais de saúde precisam ter confiança na capacidade natural de parir, além de disponibilidade de tempo para a realização do parto natural, sem precisar induzir o nascimento do bebê com intervenções cirúrgicas, como por exemplo, a injeção de ocitocina para acelerar o trabalho de parto, aumentando a força das contrações. Ou ainda o períneo (corte vaginal) para facilitar a passagem da criança.